Quem vai ser o próximo líder do BCE e como pode mexer no seu bolso

Espanha, Alemanha ou Países Baixos: sucessor de Lagarde na presidência do BCE poderá vir de um destes países. E cada candidato tem visões diferentes sobre a economia que podem mexer no seu bolso.

Christine Lagarde deverá sair da presidência do Banco Central Europeu (BCE) antes do fim do mandato, em outubro de 2027. Ainda não é certo quando dirá adieu ao cargo, mas o Financial Times adianta que a francesa quer sair antes das eleições presidenciais francesas, que têm lugar em abril do próximo ano. E já há vários candidatos na linha da sucessão. Espanha e Alemanha estão na pole position e há um outsider dos Países Baixos. Certo é que cada candidato tem visões diferentes sobre a economia e isso pode mexer no seu bolso.

Para o economista do ING Carsten Brzeski, os rumores acerca da saída antecipada de Lagarde do BCE vão certamente acelerar as discussões entre os Estados-membros em relação não só ao lugar de presidente do banco central, mas também de economista-chefe e de membro da comissão executiva, que também vão ficar vagos no próximo ano.

“Mas mais provável ainda é que a sucessão de Lagarde, Philip Lane e Isabel Schnabel venha a resultar de um grande acordo, com a Alemanha, a França e a Espanha a invocarem o seu direito informal a um lugar permanente no conselho executivo do BCE”, vaticina. “Vem aí uma empolgante dança de cadeiras”, considera.

França já teve dois presidentes (Jean-Claude Trichet e Christine Lagarde), pelo que a disputa pela liderança do banco central poderá resumir-se a Alemanha e Espanha, assume Carsten Brzeski.

Alemães e espanhóis partilham o facto de nunca terem assumido a presidência do banco central. Mas a circunstância de a Comissão Europeia ser liderada por uma alemã (Ursula von der Leyen) poderá dar alguma vantagem a Hernández de Cos, ex-governador do Banco de Espanha que lidera atualmente o Bank of International Settlements (BIS), em relação aos germânicos Joachim Nagel, Isabel Schnabel ou Jörg Kukies.

“É muito pouco provável que tanto a Comissão Europeia como o BCE sejam dirigidos por dois alemães”, observa o economista do ING.

Christine Lagarde foi nomeada para presidente do BCE em 2019 no âmbito de um acordo entre o Presidente francês, Emanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, que levou Ursula von der Leyen para chefe do Executivo europeu. Um acordo deste género não é repetível. Lagarde poderá antecipar a sua saída para permitir que Macron tenha novamente uma palavra a dizer em relação à futura liderança do BCE e evitar que a decisão possa cair nas mãos da extrema-direita, segundo o FT. Porém, o mandato de von der Leyen termina apenas em 2029.

Poderá ainda surgir um outsider dos Países Baixos: Klaas Knot. O neerlandês foi um dos mais votados (ao lado de de Cos) numa sondagem da Bloomberg junto de economistas. Por outro lado, Knot tem a seu favor o facto de ainda não ter assumido um novo cargo importante, ao contrário do potencial candidato espanhol. “Portanto, uma nomeação antecipada pode favorecer o Knot por uma pequena margem”, assume Nick Kounis, economista do ABN Amro, citado pela Bloomberg.

Para Knot ser nomeado poderia levar à saída do compatriota Frank Elderson da comissão executiva do BCE. “Isto já aconteceu no passado e pode voltar a acontecer no futuro”, refere Carsten Brzeski.

Klaas KnotFlickr 27 Setembro, 2019

Como o futuro presidente poderá mexer no seu bolso?

O BCE tem a importante missão de manter os preços controlados na Zona Euro através da sua política de taxas de juro, que é definida pelo conselho de governadores e do qual o presidente faz parte.

São as taxas diretoras do banco central que orientam as taxas dos contratos financeiros, como dos empréstimos da casa. Taxas mais altas tornam os custos com os créditos mais caros e vice-versa.

Segundo Andrzej Szczepaniak, economista da Nomura, “seja Lagarde ou outra pessoa no comando, o BCE deixará as taxas de juro inalteradas este ano”, pelo que estas discussões em relação à saída antecipada da francesa terão um impacto “muito limitado”. “Em última análise, o BCE toma decisões de política monetária por consenso, e quem quer que substitua Lagarde dificilmente mudará radicalmente o funcionamento do BCE”, adianta citado pela Bloomberg.

Ainda assim, o perfil do presidente não é indiferente à política monetária do banco central. Christian Schulz, economista-chefe da Allianz Global Investors, considera que “uma presidência de Hernández de Cos pode aumentar as expectativas de cortes nas taxas de juro”.

“Com os outros candidatos, os cortes podem tornar-se menos prováveis — e com Schnabel, podem até surgir especulações sobre os aumentos nas taxas de juro”, afirma.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Quem vai ser o próximo líder do BCE e como pode mexer no seu bolso

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião