Bruxelas pede contenção máxima após ataques ao Irão
António Costa, presidente do Conselho Europeu, e Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, pedem contenção máxima e proteção de civis após ataque dos EUA e Israle a Teerão.
- A União Europeia manifestou preocupação com a escalada militar no Irão, após os EUA e Israel anunciarem operações de combate no território iraniano.
- O comunicado destaca a importância da segurança nuclear e a necessidade de contenção, refletindo o histórico de tensões entre a UE e Teerão.
- A posição da UE evidencia a sua impotência em influenciar decisões militares, enquanto busca garantir a segurança dos cidadãos europeus na região.
A União Europeia quebrou o silêncio esta sexta-feira face à escalada militar no Irão, com um comunicado conjunto assinado por António Costa, presidente do Conselho Europeu, e por Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia.
O documento surge horas depois de o presidente norte-americano Donald Trump ter anunciado o início de “operações de combate” ao lado de Israel contra o território iraniano, numa escalada sem precedentes que ameaça desestabilizar toda a região do Médio Oriente e que tem implicações diretas para os mercados de energia globais.
“Os desenvolvimentos no Irão são muito preocupantes. Mantemo-nos em estreito contacto com os nossos parceiros na região”, lê-se no documento assinado pelos dois líderes europeus.
O texto reforça que “garantir a segurança nuclear e prevenir quaisquer ações que possam fazer escalar ainda mais as tensões ou minar o regime global de não-proliferação nuclear é de importância crítica”, numa referência direta ao programa nuclear iraniano, que há anos preocupa as principais potências ocidentais.
Apelamos a todas as partes para que exerçam a máxima contenção, protejam os civis e respeitem plenamente o direito internacional.
A posição da União Europeia não ignora o historial recente de tensões com Teerão, notando que “a União Europeia adotou extensas sanções em resposta às ações do regime assassino do Irão e dos Guardas da Revolução, e tem promovido de forma consistente esforços diplomáticos para resolver os programas nuclear e balístico por uma solução negociada”, lê-se no comunicado.
Esta afirmação não é um detalhe menor. Desde o início do ano que Bruxelas tem apertado progressivamente o cerco ao regime de Teerão, em resposta à brutal repressão de manifestantes iranianos que saíram às ruas em dezenas de cidades do país.
A segurança dos cidadãos europeus no terreno é outro ponto de preocupação explícita. António Costa e Von der Leyen garantem que “em estreita coordenação com os Estados-Membros da União Europeia”, as instituições europeias tomarão “todas as medidas necessárias para garantir que os cidadãos europeus na região possam contar com o nosso pleno apoio”.
O comunicado encerra com um apelo direto a todas as partes envolvidas no conflito: “Apelamos a todas as partes para que exerçam a máxima contenção, protejam os civis e respeitem plenamente o direito internacional.”
É esta a linha diplomática que a Europa tenta segurar num momento em que Washington e Telavive avançam militarmente sem consulta prévia aos aliados europeus, deixando Bruxelas numa posição incómoda: solidária com os objetivos estratégicos de evitar um Irão nuclear, mas sem poder de influência direta sobre decisões militares que reescrevem a ordem geopolítica do Médio Oriente.
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