Par (im)perfeito: Tinder processa a corretora Marsh

  • ECO Seguros
  • 12 Abril 2026

A empresa-mãe do Tinder acusa a corretora de não ter notificado a seguradora antes do final da apólice, reclamando cerca de 3.9 milhões de dólares em indemnização.

A Match Group, empresa-mãe da aplicação de encontros Tinder, interpôs uma ação judicial contra a corretora Marsh USA, alegando que a empresa falhou na comunicação de uma reclamação à seguradora antes do termo da apólice, uma omissão que terá custado à Match Group quase quatro milhões de dólares entre indemnizações e honorários legais.

O que a levou ao tribunal?

Inicialmente, o processo ocorre devido a um litígio sobre propriedade intelectual. John Mellesmoen, consultor de desenvolvimento de produto, alegou não ter sido remunerado pela criação da funcionalidade “Super Like” do Tinder e colocou uma ação judicial contra a empresa a 17 de agosto de 2016, de acordo com a Insurance Business Magazine.

Na sexta-feira, dia 19 de agosto, a Match Group transmitiu o aviso da ação judicial à Marsh por e-mail. No domingo, dia 21, uma funcionária da corretora respondeu que trataria do assunto. Às 8h42 da manhã de segunda-feira, dia 22, a Marsh notificou finalmente o segurador Beazley, mas a apólice tinha expirado no sábado, dia 20.

Por esse motivo, a seguradora negou a cobertura na totalidade com fundamento no incumprimento do prazo de comunicação.

A disputa em tribunal

A Match Group tentou primeiro responsabilizar o segurador. Em 2022, a empresa processou a Beazley, argumentando que uma carta enviada em fevereiro de 2016 não constituía uma “reclamação” formal nos termos da apólice. Num primeiro momento, o tribunal deu razão à Match Group, mas o Tribunal de Recurso do Segundo Circuito reverteu a decisão, considerando que a carta qualificava como reclamação. A empresa acabou por desistir da ação contra a seguradora.

Esgotada essa via, a Match Group voltou as atenções para o corretor que enviou a notificação na manhã de segunda-feira em vez de na tarde de sexta-feira. A corretora é agora acusada de violação do contrato de prestação de serviços de mediação, reclamando-se 2,9 milhões de dólares em danos relativos à ação original, acrescidos de cerca de um milhão de dólares em honorários legais, de acordo com a Global Dating Insights.

Para os profissionais de seguros, o caso é um exemplo do que pode acontecer quando a mecânica das apólices claims-made e as responsabilidades do corretor não são tratadas com o rigor necessário. Nas apólices deste tipo, a cobertura está condicionada não apenas à ocorrência do sinistro durante a vigência, mas também à comunicação dentro dos prazos da reclamação.

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