População residente em Portugal atinge 11,4 milhões. Estrangeiros representam 14% do total
Entre 2021 e 2025, os residentes estrangeiros mais do que duplicaram, mas houve uma travagem em 2025, após o fim da manifestação de interesse e a nova lei dos Estrangeiros.
O número total de residentes em Portugal no final do ano passado era de 11.424.031 pessoas, das quais 14% de nacionalidade estrangeira, o que corresponde a 1.597.539 imigrantes, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) cuja divulgação, esta segunda-feira, era bastante antecipada. E o que se percebe é que a partir do fim da manifestação de interesse em junho de 2024, uma decisão no âmbito das mudanças à lei dos Estrangeiros protagonizada pelo ministro António Leitão Amaro, verificou-se uma travagem clara na entrada de imigrantes.
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A população residente estimada pelo INE a 31 de dezembro de 2025 corresponde a um ligeiro crescimento de 0,32% face ao ano anterior — que, em números absolutos, se traduz num aumento de 36.809 pessoas. Pela primeira vez, o serviço estatístico recorreu a dados de base totalmente administrativa para a elaboração destas estimativas. “Entre 2021 e 2025, os residentes estrangeiros mais do que duplicaram, correspondendo a um aumento de 849.384 pessoas (mais 6,9 pontos percentuais)”, indica o instituto, destacando os anos de 2022, 2023 e 2024 como aqueles em que ocorreram os “aumentos mais expressivos” — respetivamente, de 326.090, 275.929 e 188.252 pessoas. E de apenas 59.113 pessoas em 2025, portanto, sempre em abrandamento, e mesmo 2024 revela metade do ano ainda com a figura da manifestação de interesse, um instrumento decidido pelo Governo de António Costa que funcionou, segundo Luís Montenegro, como uma “porta escancarada” à entrada de imigrantes, sem controlo administrativo.
Evolução da população estrangeira residente em Portugal:

Do total de 1.597.539 estrangeiros a viver no país, 913.249 (57,2%) são homens e 684.290 (42,8%) são mulheres, enquanto no que diz respeito à faixa etária, dividem-se entre 8,9% de jovens (0 – 14 anos), 86,1% de pessoas em idade ativa (15 – 64 anos) e 5,0% de idosos (65 ou mais anos).
O INE detalha que a concentração de população estrangeira nas idades ativas aumentou 3,6 pontos percentuais face a 2021, assinalando ainda como “a população estrangeira apresenta uma pirâmide etária muito distinta da população total, onde se evidencia o predomínio do sexo masculino e da população em idade ativa”.
A Grande Lisboa é a região que concentra a maior parte da população estrangeira, num total de 546.419 pessoas, o equivalente a 34,2% do total de estrangeiros, seguindo-se o Norte, com 311.095 e representando 19,5% do total. Isto significa que estas duas regiões concentram mais de metade da população estrangeira residente em Portugal (53,7%). Por sua vez, os Açores têm a menor concentração de população de nacionalidade estrangeira, apenas 0,6%.
Com 161.556 estrangeiros, o Algarve destaca-se como a região com maior peso de população estrangeira no total de residentes na região, de 27,9%, enquanto a Grande Lisboa apresentava a segunda maior proporção (22,6%) e a Península de Setúbal a terceira maior (18,3%).
Na comparação com os números de 2021, verifica-se que todas as regiões registaram um acréscimo significativo no número de residentes estrangeiros, com destaque, sem surpresa, para a Grande Lisboa (mais 259.544 estrangeiros), e depois o Norte (mais 191.523) e o Centro (mais 113.308).
Quanto aos países de nacionalidade dos residentes estrangeiros, há uma forte predominância dos países de fora da União Europeia (extra-UE), que, segundo o INE, “tem aumentado ao longo dos anos do período em análise”. No ano passado, do total da população residente de nacionalidade estrangeira em Portugal, 1.429.239 (89,5%) eram cidadãos de países extra-UE (incluindo apátridas e país de nacionalidade estrangeira desconhecido), sendo que apenas 168.300 provinham de um dos 27 Estados-membros da UE.
A nacionalidade brasileira continua a destacar-se como a maior comunidade estrangeira em Portugal: em 2025, o serviço estatístico estima que viviam 574.195 brasileiros no país, o que equivale a 35,9% da população estrangeira residente. Comparativamente a 2021, este número mais do que duplicou (106,5%), num aumento de 296.086 cidadãos provenientes do Brasil.
A segunda principal nacionalidade estrangeira é a angolana, abrangendo 103.140 pessoas (6,5% do total de estrangeiros), o que representa igualmente uma acentuada subida face a 2021 (+211,6%), quando os cidadãos de Angola a residir em Portugal eram apenas 33.099.
A nacionalidade indiana, com 93.683 pessoas a residir em Portugal, é a terceira mais representativa (contra 37.914 em 2021, ou seja, +147%). Cabo Verde (76.099), Nepal (56.866), Bangladeche (56.724) e Guiné-Bissau (53.555) integravam também o conjunto das principais nacionalidades estrangeiras no ano passado.
Envelhecimento demográfico mantém-se
Os dados do INE sublinham, por outro lado, que a tendência de envelhecimento demográfico em Portugal continuou a acentuar-se no período em análise, verificando-se uma redução da população jovem e um reforço relativo da população em idade ativa, que coexistem com um “nível elevado e estável” de população idosa.
“Entre 2021 e 2025, a proporção de jovens (0 – 14 anos) diminuiu de 13,0% para 12,4% da população total. A percentagem de pessoas em idade ativa (15 – 64 anos) aumentou, de 63,7% para 64,3%, contributo dos fluxos migratórios recentes que tendem a concentrar-se nesta idade”, lê-se nas ‘Estimativas de População Residente’ publicadas esta segunda-feira.
Já a proporção de idosos (65 ou mais anos), com ligeiras oscilações ao longo do período, manteve-se relativamente estável, em cerca de 23%. “Esta estabilidade não contrariou, contudo, o processo de envelhecimento, sendo compatível com o aumento do índice de envelhecimento, que reflete sobretudo a diminuição relativa da população jovem“, ressalva o gabinete estatístico.
Ao longo do período em análise, o índice de renovação da população em idade ativa, que corresponde ao número de pessoas dos 20 aos 29 anos por cada 100 pessoas dos 55 aos 64 anos, permaneceu abaixo do limiar de substituição (100), indicando que o número de pessoas em idade potencial de entrada no mercado de trabalho é insuficiente para compensar o número de pessoas em idade potencial de saída de mercado de trabalho.
A idade mediana da população residente em Portugal (indicador que corresponde à idade que divide a população em dois grupos de igual dimensão) foi de 45,8 anos em 2025, correspondendo a uma diminuição de 0,3 anos relativamente a 2021 (46,1 anos).
Nos homens, a idade mediana era de 44,4 anos em 2021, tendo diminuído 0,8 anos, para 43,6 anos, no ano passado, enquanto nas mulheres a tendência foi contrária: de 47,7 anos em 2021, passou para 48,0 anos em 2025, mais 0,3 anos.
No que respeita ao índice de envelhecimento — indicador que compara a população com 65 e mais anos (idosos) com a dos 0 aos 14 anos (jovens) –, em 2021, por cada 100 jovens residiam em Portugal 178,3 idosos; em 2025, este número aumentou para 188,8 (182,4 em 2024).
O índice de envelhecimento é mais elevado na região Centro, onde por cada 100 jovens residem 232,9 idosos. Segue-se o Alentejo, onde este valor é de 222,0 idosos por cada 100 jovens. Conjuntamente com o Norte e Oeste e Vale do Tejo, estas quatro regiões têm índices de envelhecimento superiores ao valor nacional (188,8). Os Açores apresentam o menor índice de envelhecimento, de 138,3 idosos por 100 jovens.
Por outro lado, o índice de dependência total apresentou um ligeiro decréscimo, refletindo sobretudo a diminuição do índice de dependência de jovens (de 20,5 em 2021 para 19,2 em 2025), o que indica uma redução marginal da pressão demográfica sobre a população em idade ativa. O índice de dependência de idosos mantém-se relativamente estável.
Mas os dados relativos ao índice de renovação da população em idade ativa, que corresponde ao número de pessoas dos 20 aos 29 anos por cada 100 pessoas dos 55 aos 64 anos, são preocupantes: ao longo do período em análise, este indicador permaneceu abaixo do limiar de substituição (100), indicando que “o número de pessoas em idade potencial de entrada no mercado de trabalho é insuficiente para compensar o número de pessoas em idade potencial de saída de mercado de trabalho“.
O aumento deste índice, de 81,0 em 2021 para 89,7 em 2025, sugere, ainda assim, uma ligeira melhoria na capacidade de renovação geracional da população em idade ativa associada à entrada de população mais jovem, nomeadamente por via dos fluxos migratórios.
Cerca de um terço da população reside no Norte
Quanto à população residente total, é no Norte onde reside o maior número de pessoas (3.790.554), concentrando 33,2% do total da população, seguido pela região da Grande Lisboa (2.415.261) e do Centro (1.771.259) — respetivamente, 21,1% e 15,5% da população total.
De acordo com o INE, o acréscimo populacional observado entre 2021 e 2025 refletiu-se em todas as regiões do país, tendo sido particularmente expressivo, em termos relativos, no Algarve (13,8%), na Península de Setúbal (12,8%), na Grande Lisboa (10,6%) e no Oeste e Vale do Tejo (9,7%).
Note-se que, no ano passado, o aumento da população total resultou do facto de o saldo migratório positivo, de 70.862, ter compensado o saldo natural negativo, de -34.053. Ou seja, 2025 teve uma taxa de crescimento migratório positiva, de 0,62%, e uma taxa de crescimento natural negativa, de -0,30%.
Entre 2022 e 2025, com saldos naturais negativos, a população residente em Portugal aumentou impulsionada pelos saldos migratórios positivos, que atingiram valores excecionalmente elevados nos anos de 2022, 2023 e 2024, respetivamente de 371.277, 307.288 e 216.629, correspondendo a taxas de crescimento migratório de 3,45%, 2,78% e 1,92%.
Variação da população entre 2022 e 2025:

(Notícia atualizada pela última vez às 12h37)
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