Bancos portugueses vão pagar dividendos apesar dos avisos do FMI

FMI recomendou prudência na distribuição dos dividendos. Maiores bancos portugueses dizem que estão bem capitalizados e com força para pagar dividendos aos acionistas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) recomendou aos bancos europeus, incluindo os portugueses, que “se abstenham” de pagar todo o acréscimo dos lucros em dividendos e usem esse dinheiro para reforçarem as suas almofadas. Os banqueiros portugueses tomaram nota do aviso, mas dizem que estão bem capitalizados e adiantam que vão pagar dividendos.

“Compreendo que as situações que vivemos hoje em dia levem a alguma preocupação e nós devemos levar a sério todas as chamadas de atenção. (…) Pagaremos os dividendos ao acionista de acordo com as regras que são impostas pelo supervisor”, disse o CEO do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, na conferência Money Conference, organizada pela TSF/DN. O BPI teve lucros de 390 milhões entre janeiro e setembro.

Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP e Santander Totta adiantaram que irão fazer o mesmo.

“A Caixa já anunciou nas contas semestrais que irá pagar dividendo e já demonstrou que tem um objetivo claro de até 2025 pagar a totalidade da capitalização pública que foi feita. Os dividendos da Caixa são para os portugueses”, adiantou Paulo Macedo, que amanhã anunciará, segundo próprio, “resultados expressivos” do banco público relativos aos primeiros nove meses.

“Acho que é legítimo e um dever remunerar os acionistas, senão eles não têm qualquer interesse em continuar a suportar as empresas”, acrescentou o líder da Caixa.

No BCP, que soma lucros de 650,7 milhões até setembro, o CEO Miguel Maya declarou que “seguramente” o banco vai distribuir dividendos. “Seguramente que o vamos fazer com a prudência adequada àquilo que é a leitura que fazemos do contexto que estamos a fazer e dos desafios que estamos pela frente”, afirmou, lembrando que só por duas vezes remunerou os acionistas nos últimos dez anos.

Sobre o aviso do FMI, considerou que “cada um faz o seu papel e cada um ouve o que quer ouvir dos seus recados”. “O setor da banca tem sido francamente prudente. Se olharmos para a prática da última década tem estado claramente alinhado com a defesa da economia”, disse.

Para o Santander Totta, que “tem lucros desde 2000 até 2023, paga impostos e distribui dividendos”, a política não vai mudar. “A não ser que aconteça uma situação qualquer”, afirmou Pedro Castro e Almeida, assegurando que o banco está “bem capitalizado” e que a recomendação do FMI não se aplica à realidade da instituição que lidera.

“Acredito que haja noutras geografias bancos menos capitalizados e que têm de ter atenção a essa distribuição”, acrescentou o responsável. O Santander teve lucros de 622 milhões ate setembro.

Já o CEO do Banco Montepio, que apresenta resultados na próxima semana, disse que “cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”, mas considera “que o caldo de galinha se aplica à banca portuguesa neste momento”.

“O regulador diz que os níveis de capitalização e solvabilidade estão sólidos depois de uma recuperação fantástica feita nos últimos anos”, disse Pedro Leitão.

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Audição de Cordeiro sobre OE volta a ser adiada. Será na próxima segunda-feira

Gabinete do ministro do Ambiente foi alvo de buscas no âmbito da investigação do Ministério Público aos negócios do lítio e do hidrogénio verde. O governante só deve ir à AR na segunda-feira.

A audição do ministro do Ambiente, Duarte Cordeiro, no Parlamento, no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2024, voltou a ser adiada, depois de, na terça-feira, o seu gabinete ter sido alvo de buscas por causa de suspeitas em torno dos negócios do lítio e hidrogénio verde.

O governante estava para ir à Assembleia da República esta quarta-feira, dia 8, às 15h30. Entretanto, a audiência passou para sexta-feira, dia 10, às 9h. Agora, a data é prorrogada novamente, passando para a próxima segunda-feira, dia 13, às 15h30, de acordo com a calendarização publicada no site do Parlamento.

Já a audição do ministro das Infraestruturas, João Galamba, que foi constituído arguido, mantém-se agendada para esta sexta-feira, dia 10, às 15h30, segundo a página da Assembleia da República.

No anterior Executivo socialista de António Costa, Galamba foi secretário de Estado da Energia do ex-ministro Matos Fernandes, que também está implicado na Operação Influencer do Ministério Público.

Na passada terça-feira, o gabinete do Ministério do Ambiente foi alvo de buscas no âmbito da investigação do Ministério Público aos negócios do lítio e do hidrogénio, que levou o primeiro-ministro António Costa a demitir-se.

Também a secretaria de Estado da Energia e Clima, liderada por Ana Fontoura Gouveia, foi alvo de buscas, que se estenderam à Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) e à Agência Portuguesa do Ambiente (APA), sendo que o seu presidente, Nuno Lacasta, acabou por ser constituído arguido.

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Paulo Macedo defende aplicar “fit & proper” da banca ao Governo

Presidente da Caixa defende que o processo de avaliação e adequação dos banqueiros devia ser replicado ao setor público, nomeadamente “em lugares de responsabilidade”.

Um novo caso no Governo atingiu em cheio o primeiro-ministro. António Costa demitiu-se na sequência do processo que investiga suspeitas de corrupção no lítio, hidrogénio e dados, atirando o país para um impasse governativo. O líder da Caixa e antigo ministro, Paulo Macedo, defende que o processo de avaliação e adequação dos banqueiros – o chamado fit & proper – também devia ser replicado ao setor público, incluindo aos lugares de topo.

“Há passos muito concretos que podem ser dados e foram feitos ensaios como o questionário”, começou por dizer Paulo Macedo na conferência Money Conference, organizada pela TSF/DN.

“Mas, por exemplo, o caso do fit & proper da banca devia ser generalizado quer no setor público e não me choca em lugares de responsabilidade: saber qual é a experiência da pessoa e depois não pode haver apenas critérios técnicos para políticos, porque há critérios que são políticos, nomeadamente a confiança”, acrescentou.

O presidente executivo da Caixa considera que o setor da “banca tem uma governance incomparavelmente melhor do que outros setores, melhor do que tinha há uns anos” e uma das razões para isso é o instrumento fit & proper, um exame do regulador ao qual os responsáveis dos bancos têm de se submeter para serem considerados idóneos e com capacidade para gerir um banco.

No que diz respeito ao Governo, “há questões que são básicas”, atirou Paulo Macedo, que foi ministro da Saúde do Governo de Passos Coelho. “Questões de conflitos de interesse: cada pessoa que vai para o governo tem de declarar os seus conflitos de interesse. Parece-me uma coisa que seja sequer discutível”, disse.

E deve declarar o seu registo criminal, é o mínimo dos mínimos, não tem sequer a ver com uma boa governance”, apontou.

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Operação Influencer. Quais e quantos crimes são imputados a quem?

No total, são 28 crimes: prevaricação, tráfico de influência, corrupção e e recebimento indevido. Afonso Salema e Rui Oliveira Neves estão a ser investigados por 7 crimes. Lacerda Machado por quatro.

O Ministério Público faz a lista, no final do despacho de indiciação a que o ECO teve acesso, dos crimes que imputam aos arguidos detidos naquela que já é chamada de “Operação Influencer” e que levou à demissão do primeiro-ministro António Costa, na terça-feira.

Horas antes da demissão de Costa, foram conhecidas buscas à residência oficial do primeiro-ministro e diversas buscas e detenções de ex e atuais membros do Governo levadas a cabo pela PSP. Em causa estariam negócios relacionados com a área de energia.

No total, são 28 crimes: prevaricação, tráfico de influência, corrupção ativa e passiva – quanto a titular de cargo político, agravada – e recebimento indevido de vantagens quanto a titular de cargo público, agravado. Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, da Start Campus, estão a ser investigados por seis crimes. Diogo Lacerda Machado por quatro.

Na lista de imputação dos crimes, no final do despacho, não estão referidos crimes relativos a João Galamba, a Nuno Lacasta nem a João Tiago Silveira.

Diogo Lacerda Machado, amigo de Costa, foi detido, tal como o chefe de gabinete de António Costa, Vítor Escária, e ainda Nuno Mascarenhas, autarca de Sines, Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, da Start Campus, numa investigação que visaria os casos dos negócios do lítio, do hidrogénio e do centro de dados em Sines.

Nesse mesmo dia, foram ainda constituídos arguidos o ministro João Galamba e Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). João Tiago Silveira, sócio da Morais Leitão, é também arguido.

Afonso Salema, CEO da Start Campus, indiciado por sete crimes:

  • Um crime de corrupção ativa quanto a titular de cargo político, agravado;
  • Um crime de tráfico de influência;
  • Três crimes de prevaricação;
  • Dois crimes de recebimento ou oferta indevida de vantagem, quanto a titular de cargo público, agravado;

Rui de Oliveira Neves, administrador da Start Campus e sócio da Morais Leitão, por sete crimes:

  • Um crime de tráfico de influência;
  • Três crimes de prevaricação;
  • Um crime de corrupção ativa quanto a titular de cargo político, agravado;
  • Dois crimes de recebimento ou oferta indevida de vantagem, quanto a titular de cargo público, agravado;

Diogo Lacerda Machado, amigo de António Costa, indiciado por quatro crimes:

  • Um crime de tráfico de influência;
  • Um crime de corrupção ativa quanto a titular de cargo político, agravado;
  • Dois crimes de prevaricação.

Start Campus, empresa do data center em Sines, com quatro crimes:

  • Um crime de tráfico de influência;
  • Um crime de corrupção ativa quanto a titular de cargo político, agravado;
  • Dois crimes de recebimento ou oferta indevida de vantagem, quanto a titular de cargo público, agravado;

Vítor Escária, ex-chefe de Gabinete de António Costa, três crimes:

  • Dois crimes de prevaricação;
  • Um crime de tráfico de influência.

Nuno Mascarenhas, presidente da autarquia de Sines, dois crimes:

  • Um crime de corrupção passiva, quanto a titular de cargo político, agravado;
  • Um crime de prevaricação;
Diogo Lacerda Machado, Vitor Escária, Nuno Mascarenhas, Afonso Salema, Rui de Oliveira Neves

O Ministério Público considera que Diogo Lacerda Machado foi figura chave de um pacto corruptivo com a Start Campus — empresa em que Afonso Salema é CEO e Rui de Oliveira Neves, sócio da Morais Leitão, administrador — para, em troca de 143 mil euros (6.500 euros por mês), usar a amizade com António Costa para favorecer o consórcio que pretendia instalar um data center em Sines. O que aconteceu.

Assim sendo, o despacho considera que Diogo Lacerda Machado auferiu, a partir de fevereiro de 2022 e até aos dias de hoje, uma quantia mensal líquida de 6.500 euros, num total que ascende aos 143.733,04 euros, acrescido de IRS retido na fonte, quantia essa que o arguido fez constar de faturas que emitiu à Start Campus que declarou junto do Fisco como rendimentos de categoria 8, decorrentes da atividade com o código 6010 Advogados. Sendo que Lacerda Machado nunca prestou serviços jurídicos nem praticou atos próprios de advogados para a Start Campus no período referido.

Lê-se no despacho que Lacerda Machado exercia “influência e pressão sobre membros do Governo para determinar indevidamente o sentido dos atos desses membros e fazer com que os atos fossem praticados de forma mais célere, tudo em benefício do projeto Start Campus”.

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Centeno aconselha bancos a tomarem medidas para a mudança do ciclo económico

Apesar de evidenciar que os bancos estão a viver um bom momento, o governador do Banco de Portugal diz que o setor deve construir os buffers necessários para enfrentar uma mudança de ciclo económico.

Os bancos preparam-se para fechar o ano com lucros recorde, mas Mário Centeno chama a atenção para os desafios que o setor deverá enfrentar nos próximos tempos.

“É muito importante que o setor bancário planei os seus buffers, construa os buffers necessários, porque o ciclo pode mudar, vai mudar, não sabemos quando será. Mas temos de estar preparados”, referiu o governador do Banco de Portugal num encontro promovido esta quinta-feira pelo American Club de Lisboa.

“Nunca estamos preparados para a próxima crise”, sublinhou Mário Centeno.

No entanto, Centeno salientou que o setor bancário está a “viver um momento único em Portugal, com os bancos a apresentarem bons resultados, por via da subida das taxas de juro”, mas lembrou que os estes números surgem “depois de um ciclo muito negativo no passado.”

O governador do Banco de Portugal referiu ainda que “Portugal tem dos mais baixos níveis de crédito mal parado da Europa” e que os “os bancos portugueses até têm as provisões sobre imparidades maiores do que os seus pares europeus.”

Recorde-se que, recentemente, o Fundo Monetário Internacional sugeriu que os bancos europeus, inclusive os bancos portugueses, aumentassem os seus fundos próprios e as suas reservas de capital e que “se abstenham, na medida do possível, de pagar todo o acréscimo dos lucros através de dividendos” aos acionistas, referiu Alfred Kammer, diretor do FMI para a Europa num encontro com jornalistas europeus em Bruxelas, citado pela a Lusa.

O governador do Banco de Portugal não quis prestar declarações à margem da participação neste evento, numa altura em que se sabe que o nome de Mário Centeno foi um dos quatro propostos por António Costa ao Presidente da República na terça-feira, quando o primeiro-ministro se deslocou a Belém para apresentar a sua demissão, para formarem Governo. Os restantes foram António Vitorino, Carlos César e Augusto Santos Silva. O Presidente da República anuncia esta quinta-feira a sua decisão, depois de ouvir o Conselho de Estado.

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“IVA Zero” já nem permite poupar um euro no cabaz de produtos

Na última semana, o cabaz "IVA zero" monitorizado pela Deco ficou 1,17€ mais caro. Sobe há três semanas consecutivas e, face ao valor registado a 17 de abril, só permite poupança de 99 cêntimos

Chegou a dar uma poupança de cerca de 10%, mas volvidos quase sete meses desde arranque da medida a poupança é quase nula. Desde então, o preço do cabaz de bens essenciais de um conjunto 41 produtos alimentares abrangidos pelo “IVA zero” só permite poupar 99 cêntimos, de acordo com os cálculos da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco).

Em causa está a monitorização de 41 dos 46 alimentos — que incluem o peru, frango, carapau, pescada, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, leite, queijo ou manteiga –-, que desde 18 de abril passaram a estar isentos de IVA, na sequência do acordo tripartido entre Governo, distribuição e produção. Se a 17 de abril, este mesmo cabaz custava 138,77 euros, esta quarta-feira custava 137,78 euros. Contas feitas, a poupança é de apenas 99 cêntimos, o equivalente a uma quebra de 0,71%. O preço deste cabaz está a subir há três semanas consecutivas, sendo que só na última semana (de 1 a 8 de novembro) encareceu 1,17 euros (+0,86%).

Os brócolos foram o produto que mais subiu de preço, tendo registado um aumento de 58% (mais 1,39 euros) face a 17 de abril, véspera da entrada em vigor da medida. Segue-se a laranja (51%), o azeite virgem extra (29%), a pescada fresca (18%), a couve-flor (16%), a maça gala (13%), as massas espirais (9%), o iogurte líquido (8%), maçã golden (6%) e o atum posta em óleo vegetal (5%).

Já no que respeita às categorias de produtos, a carne foi a que mais beneficiou com a entrada em vigor desta medida, com a cesta de produto a recuar 5,40% (menos 2,21 euros), passando a custar 38,68 euros. Seguem-se os laticínios, que ficaram 5,09% mais baratos (menos 72 cêntimos), para 13,38 euros; o peixe cujo preço recuou 3,10% (menos 1,08 euros), passando a custar 33,79 euros e os congelados, cuja cesta ficou apenas 3 cêntimos mais barata (0,91%), passando a custar 3,56 euros.

Contudo, a medida já não consegue evitar as subidas de preços nas frutas e legumes, cuja cesta ficou 2,02 euros mais cara (mais 8,79%) face a 17 de abril, bem como nos produtos de mercearia, que encareceram 1,03 euros (4,61%) neste período.

se a comparação for feita com o arranque do ano, a 4 de janeiro a diferença é mais expressiva: nesse período o cabaz monitorizado pela Deco ficou cerca de quatro euros mais caro, o que se traduz numa subida de 3,08%.

Cabaz de bens essenciais sobe pela terceira semana seguida

Paralelamente, a Deco faz ainda a monitorização ao habitual cabaz de bens essenciais, que engloba 63 produtos e que inclui alguns produtos também abrangidos pelo “IVA zero”. E, tal como cabaz IVA zero, o preço deste cabaz de bens alimentares voltou a subir pela terceira semana consecutiva.

Só na última semana (entre 1 e 8 de novembro), este cabaz ficou 3,23 euros mais caro (+1,44%), passando a custar 228,09 euros. Já se compararmos com há um ano (a 9 de novembro de 2022), este cabaz está cerca de 18,61 euros mais caro, como resultado de uma subida de 8,88% dos preços. Por sua vez, se a comparação for feita com o dia anterior ao início da guerra na Ucrânia (a 23 de fevereiro de 2022), este cabaz aumentou 24,21%, passando a custar mais 44,46 euros.

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Bruxelas segue “de perto” investigações sobre lítio e hidrogénio em Portugal que envolvem verbas europeias

  • Lusa
  • 9 Novembro 2023

Negócios do lítio e hidrogénio, que estão no cerne da investigação da Operação Influencer, beneficiam, alegadamente, de verbas dos fundos europeus.

A Comissão Europeia disse esta quinta-feira à Lusa que está a “acompanhar de perto” as investigações sobre negócios de lítio e hidrogénio em Portugal, que alegadamente envolvem verbas europeias, garantindo não dispor de mais informações e remetendo o caso para as autoridades nacionais.

Estamos, naturalmente, a acompanhar de perto a situação. As investigações estão a ser conduzidas ao nível nacional pelas autoridades competentes”, indica fonte oficial do Executivo comunitário em resposta à agência Lusa.

A Comissão não dispõe de mais informações”, adianta a mesma fonte, quando questionada sobre investigações realizadas em Portugal na terça-feira envolvendo negócios de lítio e hidrogénio, alegadamente beneficiários de verbas europeias, que levaram a pelo menos 42 buscas e à detenção de cinco pessoas.

Em julho deste ano, a Comissão Europeia escolheu dois projetos no porto de Sines, num total de 41 projetos de grande escala no domínio das tecnologias limpas, para receber um financiamento total de de 3,6 mil milhões de através do Fundo de Inovação da União Europeia (UE). A escolha previa a preparação de subvenções.

Segundo a informação divulgada na altura, os 41 projetos escolhidos entre 239 candidaturas deveriam estar a funcionar antes de 2030, para evitar 221 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono nos seus primeiros 10 anos de funcionamento.

Em causa estava, desde logo, o H2Sines, indicado na imprensa portuguesa como um dos investigados na Operação Influencer, uma cadeia de abastecimento marítimo de hidrogénio líquido renovável entre este porto e o de Roterdão, nos Países Baixos.

Escolhido na categoria de descarbonização, este projeto previa a construção de um eletrolisador, de uma unidade de liquefação em grande escala e de instalações de exportação, bem como o armazenamento de hidrogénio líquido no porto de Sines (através de um navio de células de combustível) para ser transferido para Roterdão, de acordo com a informação disponível no website do Executivo comunitário.

Outro projeto escolhido para receber verbas do Fundo de Inovação da UE, mas já na categoria de eletrificação da indústria e hidrogénio, foi o GREENH2ATLANTIC, que visava o desenvolvimento de um sistema de produção de hidrogénio ‘verde’ utilizando tecnologia alcalina pressurizada.

Segundo Bruxelas, previa-se que a eletricidade necessária para a produção de hidrogénio fosse fornecida por energia solar adicional e capacidade eólica adicional, através da rede elétrica.

Com o hidrogénio ‘verde’ a ser uma das apostas na UE, juntamente com o lítio, o Executivo comunitário está de momento a preparar uma nova Lei relativa às Matérias-Primas Críticas, que visa assegurar o abastecimento seguro e sustentável, assim como a competitividade industrial europeia.

Porém, à semelhança do que acontece em Portugal, movimentos cívicos europeus contestam tal aposta, incluindo a organização WeMove Europe, que lançou a petição online “Parem de vender as pessoas e a natureza à exploração mineira”, que conta já com mais de 38 mil assinaturas.

Na petição, que também é promovida pelo movimento português “Não às Minas”, argumenta-se que a nova lei europeia das matérias-primas críticas “viola os direitos humanos e ambientais fundamentais e centra-se na grande exploração mineira em vez de soluções baseadas na saúde de todos os seres vivos”. “Exigimos que o Parlamento Europeu e os ministros da Indústria rejeitem a lei”, apela-se.

O primeiro-ministro pediu na terça-feira a demissão ao Presidente da República, que a aceitou. António Costa é alvo de uma investigação do Ministério Público no Supremo Tribunal de Justiça, após suspeitos num processo sobre negócios de lítio e hidrogénio terem invocado o seu nome como tendo intervindo para desbloquear procedimentos nos projetos investigados.

A operação de terça-feira do Ministério Público assentou em pelo menos 42 buscas e levou à detenção de cinco pessoas, sendo que o ministro das Infraestruturas, João Galamba, e o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, foram constituídos arguidos.

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Construtora de Famalicão ganha contrato de 12,5 milhões para construir nova ponte sobre o rio Ave

Gabriel Couto fica com a empreitada para a construção de uma nova ponte de 126 metros sobre o rio Ave, que vai “aproximar os municípios da Trofa e de Vila Nova de Famalicão".

A construtora Gabriel Couto, sediada em Vila Nova de Famalicão, ganhou o concurso público no valor de 12,5 milhões de euros para construir uma nova ponte de 126 metros sobre o rio Ave, que ligará os concelhos de Famalicão e da Trofa. Depois de ser aprovado pelo Tribunal de Contas, o contrato tem um prazo de execução de 600 dias.

A obra tem como objetivo “aproximar os municípios da Trofa e de Vila Nova de Famalicão, através da construção de uma nova ponte sobre o Rio Ave, com vista à eliminação de constrangimentos e à melhoria das acessibilidades ao Hospital da Trofa e à estação de caminhos-de-ferro, à aproximação do tecido industrial envolvente ao centro habitacional e comercial da Trofa e ainda à reabilitação das margens do Rio Ave e das Ribeiras de Ferreiros e de Penouços“, lê-se no contrato.

Além da ponte na zona de Carqueijoso, está prevista a construção de um novo troço de ligação dos concelhos da Trofa e de Vila Nova de Famalicão, com uma extensão de 2,4 quilómetros.

De acordo com o documento da Infraestruturas de Portugal (IP) está prevista ainda “a construção de quatro rotundas para melhoria das acessibilidades e um conjunto de restabelecimentos desnivelados para garantia da mobilidade das populações”.

O concurso público foi lançado pela Infraestruturas de Portugal por um preço base de 17 milhões de euros, mas acabou por ser adjudicado à construtora nortenha por 12,5 milhões de euros. Entre as entidades concorrentes estava a Omatapalo, CJR – Cândido José Rodrigues, Alberto Couto Alves (ACA), Viamapa, M. Couto Alves e Mota-Engil.

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Iniciativas para digitalizar o Estado podem travar sem OE

Crise política dificulta o planeamento, avisa CEO da Unipartner, que tem vindo a conduzir processos de digitalização no setor público. Se o país entrar em duodécimos, há iniciativas que podem travar.

Ainda é incerto qual vai ser o desfecho da crise política que eclodiu com o pedido de demissão de António Costa, mas há uma possibilidade de o Orçamento do Estado (OE) para 2024 proposto pelo Governo acabar por cair. Se tal acontecer, “há iniciativas novas que deviam estar a ser lançadas e não se vai conseguir”, alertou o CEO da Unipartner em entrevista ao ECO.

O movimento tem de existir na economia, senão abrandamos todos”, reiterou Fernando Reino da Costa, que lidera uma empresa que colabora em vários processos de digitalização dos serviços públicos.

“Precisamos que o Orçamento do Estado seja aprovado ou rapidamente entre um novo”, apelou o empresário. Este OE contemplava cerca de 267 milhões de euros para a digitalização dos serviços do Estado, sendo que “há um conjunto de despesas, quer do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) quer do OE do próprio ano, que os responsáveis dos organismos vão querer dar continuidade”, acredita.

O empresário sinalizou que “temos de ter uma atitude de dar continuidade ao que está em cima a mesa”, tendo até em conta que no PRR já há projetos contratados e que, em alguns deles, a empresa está a colaborar. Em simultâneo, “há um conjunto de iniciativas que serão novas e podem aparecer e derivam de decisão politica”, apontou.

Fernando Reino da Costa admitiu também que a imprevisibilidade prejudica o planeamento dentro da empresa, já que tinha “algumas perspetivas de iniciativas que iam ser lançadas e só nas próximas semanas é que será possível ter noção”: por um lado, “se já tinham dotação, para haver uma decisão de continuidade”, e, por outro, há algumas que “têm envolvimento e suporte politico, que podem deixar de avançar”.

O CEO da empresa, que é parceira da Microsoft, destacou ainda que continua a ter vários projetos com a administração local, nomeadamente no atendimento ao cidadão, transformação dos serviços e inteligência artificial. “Espero que com esta componente de administração local possa dar o exemplo de acelerar iniciativas, porque têm autonomia para o fazer”, disse.

Além disso, “há também um sinal positivo do PT2030”, deixando assim o repto a entidades que lideram algumas das fatias orçamentais — IAPMEI, AMA e AICEP — para que “lancem efetivamente o que tinha planeado, porque tem essas verbas e podem ser mais operacionais”.

O empresário defendeu também a importância de avançar neste setor, apontando que “ainda temos passos grandes a dar na otimização operacional de vários serviços públicos”. “Devia ser um desígnio nacional conseguir ter avanços nestas áreas”, como “ter assinatura digital de forma global e otimizações aos processos que estão na mão das equipas de transição digital”, reforçou.

A empresa já trabalhou em projetos, por exemplo, com o Governo Regional da Madeira, para implementar uma framework RGPD (no âmbito do PRR), bem como com a Anacom para a “implementação de um portal para submissão de informação dos operadores relativamente aos rendimentos relevantes anuais, com mecanismos de controlo e notificações, que permite à Anacom fazer a gestão deste processo e comunicação com os operadores”.

De destacar ainda um trabalho com o Instituto de Apoio ao Desenvolvimento, para a evolução da app MyADSE, que contemplou o desenvolvimento de novas funcionalidades como a submissão de pedidos de reembolso.

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Lítio e hidrogénio fora do despacho do Ministério Público. Apenas data center levou à detenção de arguidos

Afinal, os negócios do Lítio e do hidrogénio ficaram fora do despacho de indiciação do DCIAP, que o ECO consultou. Suspeitas de corrupção e tráfico de influências referem-se ao data center de Sines.

Na terça-feira, foram conhecidas buscas à residência oficial do primeiro-ministro e diversas buscas e detenções de ex e atuais membros do Governo levadas a cabo pela PSP. Em causa estariam negócios relacionados com a área de energia. O dia acabou com o pedido de demissão do primeiro-ministro de António Costa.

Diogo Lacerda Machado foi detido, tal como o chefe de gabinete de António Costa, Vítor Escária, e ainda Nuno Mascarenhas, Afonso Salema e Rui Oliveira Neves, numa investigação que visaria os casos dos negócios do lítio, do hidrogénio e do centro de dados em Sines, chamada de “Operação Influencer”. Nesse mesmo dia, foram ainda constituídos arguidos o ministro João Galamba e Nuno Lacasta, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Em causa estariam alegadas “irregularidades” em investimentos em projetos de exploração do lítio, hidrogénio e da construção de um data center, que podem ter superado os 1.000 milhões de euros.

Existiriam três frentes sobre as quais incidem esta investigação: duas concessões de lítio – um das minas do Romano, em Montalegre, e outra na mina do Barroso, em Boticas; um projeto de hidrogénio, em Sines e um projeto de centro de dados de Sines da Start Campus.

No entanto, segundo o despacho de indicação do DCIAP, que o ECO consultou, os factos que podem vir a ser crime reportam-se apenas à exploração do hidrogénio e consequente construção do data center da Start Campus, em Sines.

A Start Campus, da qual fazem parte da administração dois dos visados e detidos no processo, tem sede em Sines e dedica-se a energias renováveis e à construção de ecossistemas verdes, tais como a exploração de hidrogénio. A empresa está a finalizar a construção do primeiro de nove edifícios alimentados a 100% por energias renováveis a instalar até 2028 em Sines. A Start Campus é controlada pelos fundos Davidson Kempner e Pioneer Point Partners, sendo Diogo Lacerda Machado consultor deste último.

Ou seja, o MP acredita que o amigo de Costa foi contratado pelos investidores da Start Campus e depois diretamente pela empresa, através do CEO Afonso Salema, para “aproveitar” a relação que tinha como o primeiro-ministro e com Vítor Escária. O objetivo era pressionar o Governo e entidades como o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e o autarca de Sines para acelerar e dar seguimento a assuntos de interesse da Start Campus, como o megaprojeto para a construção de um grande centro de armazenamento de dados digitais.

O projeto Sines 4.0 é um dos quatro negócios ligados ao setor da energia investigados neste inquérito. Ligado a ele está a exploração das duas minas de lítio e o projeto de hidrogénio em Sines.

As concessões de lítio

Um dos projetos que estaria em causa é da autoria da empresa Lusorecursos, que se propõe a explorar a mina do Romano, em Montalegre, da qual pretende extrair lítio, mas não só. O projeto mais alargado prevê a construção de uma refinaria de lítio no local e de uma fábrica de reciclagem de baterias, a qual poderia extrair lítio usado e voltar a refiná-lo. Além disso, sendo que a extração de lítio implica também a extrações de outros materiais usados na indústria cerâmica, a Lusorecursos vê espaço para a criação de uma fábrica de cerâmica. Mas nada no despacho de quase 130 páginas é referido em relação a este negócio.

Projeto do hidrogénio

Por outro lado, estariam em causa negócios ligados ao hidrogénio verde, que entrou na agenda mediática e económica em 2020, ano em que foi anunciado um megainvestimento de 1,5 mil milhões de euros nesta área, no âmbito do projeto H2Sines. O objetivo era “implementar um cluster industrial de produção de hidrogénio verde, com base em Sines” e “vocação exportadora”, escrevia na altura a EDP, em comunicado, no qual anunciava avançar em parceria com a Galp, a Martifer, a REN, a Vestas e diversos parceiros europeus. Mas também, no mesmo despacho, não há referência a provas neste contexto.

Este foi um dos projetos selecionados pelo Governo para candidatar ao estatuto de IPCEI (’Important Project of Common European Interest’, ou Projeto Importante de Interesse Comum Europeu), tal como avançou na altura o Expresso.

Centro de dados em Sines

E é este projeto que engloba a maior parte dos factos imputados aos principais arguidos. O centro de dados Start Campus, igualmente contemplado nas investigações que agora decorrem. Um complexo de nove edifícios, apoiado em 495 megawatts (MW) de potência, num investimento global de cerca de 5,7 mil milhões de euros. Uma das últimas comunicações presentes no site da empresa, dá conta que o primeiro edifício da Start Campus deveria começa a “operar parcialmente” em outubro, estando a decorrer o licenciamento para a segunda fase do projeto.

Envolta no data center estão suspeitas da alegada prática dos crimes de corrupção ativa e passiva de titular de cargo político, prevaricação, recebimento indevido de vantagem, entre outros.

O favorecimento no centro de dados está ligado com a dispensa de procedimento de uma Análise de Impacto Ambiental relativamente à primeira fase do projeto, bem como em relação à Declaração de Impacto Ambiental favorável com condições. Para o MP, estes procedimentos não cumpriram a lei. Alegadamente, Galamba, Duarte Cordeiro, ministro do Ambiente, e Lacasta fizeram um favor à Start Campus.

Também sobre Nuno Mascarenhas recaem suspeitas de que tenha alegadamente favorecido a empresa em diversos projetos urbanísticos relacionados com o data center.

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Shift Thinkers assinala 25 aniversário com rebranding e aponta a crescimento de 50% a três anos

Agência fundada há 25 anos por Rita Oliveira passa a chamar-se apenas Shift. Com clientes como a BP, Banco Carregosa, Jerónimo Martins, HBO ou Navigator, o objetivo é crescer 50% em três anos.

A Shift Thinkers, agência de branding que assinala este ano um quarto de século, chama-se Shift a partir desta quinta-feira. Este projeto de rebranding, que durou seis meses, envolveu mais de 20 pessoas e ocupou mais de 1.100 horas, teve início num estudo da marca junto de seis dos principais clientes da agência, explica ao +M Rita Oliveira, fundadora e CEO da agora Shift, “o nome pelo qual os clientes [a] tratam”.

“Your branding agency”, é a nova assinatura, que pretende, “sem rodeios, ir direto ao nosso posicionamento”. A relação de proximidade com o cliente parece ser a chave do processo. “A confiança na relação faz de nós a zona de conforto onde o cliente gosta de desafiar a criatividade. Percebemos que quando cliente se sente muito confortável e acaba por desafiar mais a criatividade”, diz Rita Oliveira, explicando que a ideia do rebranding – que surgiu antes da pandemia e acabou por ser adiado – surgiu sobretudo para adaptar a marca às transformações digitais dos últimos anos e atualizar o seu próprio manual. “Trabalhamos marcas e a nossa já tinha no manual algumas normas que precisavam de atualização”, comenta.

Com uma equipa de 10 pessoas, a direção criativa é de Miguel Reis, que se juntou à agência há 15 anos, vindo da Brandia. “O Miguel adora falar com os clientes. A direção criativa está presente nas reuniões desde o primeiro momento”, destaca a responsável.

Lançada há 25 anos, a agência começou por chamar-se Shift Design e Comunicação, passou a Shift Design, “porque comunicação era muito associada a relações públicas”, e nos últimos 15 anos assumiu a designação Shift Thinkers, recorda a profissional, que trabalha com empresas como a BP, Banco Carregosa, Jerónimo Martins, HBO, The Navigator Company, entre outros.

“A BP foi o nosso primeiro cliente, há 25 anos, e ainda trabalhamos a marca. Com a HBO começamos por trabalhar o lançamento em Portugal e agora somos uma das agências que trabalha as suas redes sociais para quase toda a Europa, para a The Navigator Company fazemos trabalho para vários mercados”, descreve a responsável.

O crescimento tem sido orgânico, recorda Rita Oliveira. “Trabalhamos com o marketing. Felizmente, quando mudam os responsáveis vamos mantendo a colaboração com os novos responsáveis das empresas e acompanhando os nossos interlocutores nos novos projetos”, conta.

A assinalar o quarto de século, a Shift pretende reforçar o mote “Familiar yet new”, que se traduz no equilíbrio entre ser familiar na relação e novo nas soluções, aponta a CEO, referindo que o balanço destes 25 anos se pode traduzir em trabalho em 100 mercados e quatro continentes, na colaboração com mais de 150 empresas e em cerca de 5.000 projetos desenvolvidos.

Com uma faturação de cerca de 800 mil euros, Rita Oliveira afirma que “em 25 anos a agência nunca teve resultados negativos, que é o mais importante”. A ambição, a três anos, é aumentar a faturação para os 1,2 milhões de euros.

“Acredita que é viável. Contamos aumentar o trabalho no digital e trabalhar os clientes em branding”, explica, desdramatizando a incerteza económica. “Os momentos de maior incerteza económica nunca foram muito de crise para nós. As empresas neste momento olham muito para as suas marcas, não têm muito dinheiro para gastar em publicidade, mas têm que olhar para as suas marcas e produtos”, concretiza.

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Crise política, salários e desemprego. Ouça o podcast “Ao trabalho!”

O podcast "Ao trabalho!" leva até si, todas as quintas-feiras, tudo o que precisa de saber sobre o que está a fazer mexer o mercado de trabalho nessa semana.

O que está a fazer mexer o mercado de trabalho? Todas as quintas-feiras, o podcast “Ao trabalho” conta-lhe tudo o que precisa de saber. Esta semana falamos sobre a crise política na sequência da demissão do primeiro-ministro (e as consequências desse cenário nos salários e pensões), sobre o desemprego, sobre os requisitos dos empregadores portugueses no recrutamento de novos trabalhadores e sobre a nova formação na Administração Pública na área da Inteligência Artificial.

Ouça o episódio no leitor abaixo ou aqui.

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O salário mínimo nacional pode subir para 820 euros em janeiro, conforme foi acordado na Concertação Social, apesar da crise política que se instalou com a demissão do primeiro-ministro. De acordo com os constitucionalistas ouvidos pelo ECO, o governo de gestão continuará a poder reforçar a retribuição mínima garantida. Também as pensões poderão subir, mesmo que o Parlamento seja dissolvido.

Dos salários para o desemprego, apesar das incertezas e pressões que os empregadores enfrentam, o mercado de trabalho português está estável. O desemprego, por exemplo, situou-se em 6,1% no terceiro trimestre, taxa idêntica à registada nos três meses anteriores.

E por falar em emprego, um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) indicou esta semana que as empresas portuguesas são das que mais exigem conhecimentos de inglês nas vagas de emprego que disponibilizam. Só o Luxemburgo ultrapassa Portugal.

Já na Administração Pública, destaque para o novo programa executivo de formação em Inteligência Artificial. O programa arrancou esta segunda-feira e junta o Instituto Nacional de Administração à Microsoft e seis instituições de ensino superior. É um elo “inédito“, nas palavras do responsável Miguel Agrochão, que permite juntar o que se faz de melhor na academia, com o que de melhor se faz no terreno.

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