Crise. Lagarde pressiona Alemanha a fazer mais

  • Margarida Peixoto
  • 28 Setembro 2016

Christine Lagarde, diretora-geral do FMI, deixou três receitas para a economia mundial recuperar o ritmo de crescimento. Uma delas foi dirigida a países como a Alemanha, que têm margem orçamental.

Não, ainda não se tentou tudo. Quem o diz é Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), que deixou esta quarta-feira três receitas para a economia mundial retomar o ritmo de crescimento. Uma delas foi dirigida à Alemanha, e aos demais países que também têm margem orçamental: usem as possibilidades que têm e estimulem o consumo.

“Ao contrário do que fizemos em 2008, neste momento não estamos a pedir estímulos orçamentais abrangentes”, começou por dizer a líder do FMI. Mas depois acrescentou: “O princípio básico é que os países que têm margem orçamental devem utilizá-la — por exemplo, o Canadá, a Alemanha, a Coreia”. Lagarde falava na Northwestern University, sobre como promover o crescimento e adaptar à mudança.

Para os países cujas finanças públicas já estão sob pressão — Christine não disse, mas Portugal encaixa neste grupo — “ajuda realocarem os gastos, dentro de um determinado envelope financeiro”, defendeu Lagarde. Por exemplo, “pensem substituir os atuais gastos com créditos fiscais, por investimento em Investigação e Desenvolvimento que possa apoiar a tecnologia e promover a inovação”.

Esta utilização da política orçamental foi uma das receitas que Lagarde deixou, para defender que, ao contrário do que acreditam “os pessimistas”, as tradicionais ferramentas de política monetária e orçamental não estão esgotadas. “No meu ponto de vista, há mais espaço de políticas — mais espaço para agir — do que geralmente se acredita”, frisou a diretora-geral do FMI.

Outra sugestão foi diretamente para os banqueiros centrais: “Neste momento, a política monetária em economias avançadas precisa de se manter expansionista”. Lagarde tomou assim posição num debate que já está a ser feito nos Estados Unidos sobre se chegou o momento para começar a retirar os estímulos às economias. A líder do FMI não fez qualquer exceção para nenhuma região económica e disse apenas que a investigação do Fundo já demonstrou que a política monetária pode dar um estímulo extra ao PIB quando o investimento em infraestruturas está a ser financiado através de dívida.

Por fim, Lagarde argumentou que os países devem procurar identificar o conjunto de reformas estruturais que mais promovam o crescimento e a produtividade, em função do capital político que consomem ao serem implementadas. Um exemplo poderá ser terminar com monopólios.

 

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Crise. Lagarde pressiona Alemanha a fazer mais

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião