Subida da derrama custa 45 milhões às cotadas do PSI-20

Parlamento aprovou subida da derrama em dois pontos. A medida apresentada pelo PCP vai ficar com boas parte dos lucros das cotadas da bolsa de Lisboa. Haitong estima impacto em 45 milhões de euros.

Impostos vão subir para as maiores empresas nacionais.

A subida da derrama estadual para as empresas com maiores lucros poderá retirar 45 milhões de euros aos resultados das cotadas da bolsa portuguesa no próximo ano, de acordo com as estimativas do banco de investimento Haitong. Há, ainda assim, fatores como a atividade internacional ou medidas de otimização fiscal que baralham os cálculos.

O Parlamento aprovou um aumento da derrama dos 7% para os 9% para as empresas que obtenham lucros superiores a 35 milhões de euros, medida que vai entrar em vigor no próximo ano com o Orçamento do Estado. Para o PCP, que apresentou a proposta e viu o PS dar o seu consentimento, ficará assim corrigida uma “injustiça fiscal” num regime que dava vantagem às grandes empresas.

No PSI-20, onde moram algumas das principais empresas nacionais, essa medida vai pesar numa parte dos lucros esperados em 2018. As contas do Haitong (ex-BESI) apontam para uma fatura na ordem dos 45 milhões de euros.

“Os impactos mais significativos serão sentidos nas empresas com um elevado degrau de exposição a Portugal como a REN ou a Sonae e ainda nas empresas com algum degrau de alavancagem”, referem os analistas daquele banco.

No caso da gestora da rede elétrica nacional, o Haitong antecipa um lucro de 106,8 milhões de euros, dos quais três milhões vão ser então absorvidos pela revisão da taxa de IRC. Em relação à Sonae, o custo será de 3,6 milhões face a uma estimativa de lucro de 180 milhões de euros no próximo ano.

Os analistas do Haitong consideram que “para as outras empresas, os impactos não são muito significativos (abaixo de 2%)”. Por exemplo, são esperados impactos de cerca de um milhão de euros em cotadas como a Corticeira Amorim, Altri ou Semapa.

Lembram, porém, que os cálculos não incluem “medidas de otimização fiscal que as empresas poderão tomar para absorver o impacto desta mudança no regime fiscal”.

"Os impactos mais significativos serão sentidos nas empresas com um elevado degrau de exposição a Portugal como a REN ou a Sonae e ainda nas empresas com algum degrau de alavancagem.”

Haitong

Nota de research

Um desses casos é a Nos, que deverá registar um impacto negativo de 3,3 milhões de euros nos próximos lucros anuais, segundo o Haitong. Mas o CaixaBank/BPI diz que a operadora “detém ativos fiscais que irão provavelmente mitigar o impacto” da subida da derrama estadual.

Atividade internacional baralha cálculos

Por outro lado, o Haitong salienta que “nem todas as empresas geram os seus resultados em Portugal”, tornando mais difícil quantificar o impacto deste agravamento fiscal em cotadas com intensa atividade internacional. Esse é o caso de empresas como a EDP, a EDP Renováveis ou a Galp.

Por exemplo, na EDP, enquanto os cálculos do Haitong apontam para um impacto de 11 milhões de euros nos lucros do próximo ano, o CaixaBank/BPI Research lembra que a elétrica nacional tem 51% da atividade em Portugal e, por essa razão, estima um impacto de 0,3% do lucro de 2018: cerca de 2,6 milhões de euros. Quanto à EDP Renováveis, Haitong e BPI são mais consensuais com um impacto de cerca de um milhão de euros.

Na Galp, o CaixaBank/BPI refere que a subida da derrama vai aumentar a fatura fiscal da petrolífera em sete milhões de euros — devido às atividades de Gás & Power e de downstream, ambas localizadas em Portugal.

Na Mota-Engil, cuja carteira de negócios está sobretudo lá fora, o impacto da medida aprovada será marginal nos resultados da construtora nacional, dizem tanto os analistas do Haitong como os do CaixaBank/BPI.

As contas do Haitong excluem o BCP, que mantém um negócio importante na Polónia. Mas os analistas do CaixaBank/BPI calculam que a medida terá um impacto de 1% no lucro estimado de 364 milhões de euros que o banco liderado por Nuno Amado deverá ter em 2018. Ou seja, subida do IRC para as maiores empresas vai levar 3,6 milhões dos lucros do banco no próximo ano.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Subida da derrama custa 45 milhões às cotadas do PSI-20

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião