Comissão Nacional de Proteção de Dados abre processo à Uber

Na sequência do ataque informático à Uber, a Comissão Nacional de Proteção de Dados em Portugal "abriu um processo de averiguações" à empresa.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) “abriu um processo de averiguações” à Uber na sequência do ataque informático que pôs em risco os dados pessoais de 57 milhões de utilizadores e motoristas da plataforma em todo o mundo, apurou o ECO junto da entidade. Em causa, endereços de email e contactos telefónicos, mas também nomes e números de cartas de condução — informações que terão sido comprometidas em outubro de 2016, mas que a empresa escondeu durante mais de um ano.

Questionada pelo ECO sobre se tem conhecimento de utilizadores portugueses afetados pelo incidente, a CNPD respondeu apenas que “abriu um processo de averiguações para apurar os factos relativos ao incidente de segurança”. Em novembro, já tinha dito ao jornal Dinheiro Vivo que não recebeu qualquer notificação da Uber sobre o caso e explicou que “não existe tratamento” formal dos dados da Uber em Portugal.

Foi a 21 de novembro que o novo presidente executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, disse ter tomado conhecimento de que “dois indivíduos externos à companhia tiveram acesso inapropriado” a informação de utilizadores da Uber que estava armazenada num serviço de cloud. Um dia depois, a Bloomberg revelou que a Uber terá pago 100.000 dólares para encobrir esta brecha de segurança que, apesar de tudo, não afetou diretamente a infraestrutura da empresa norte-americana.

Entre as 57 milhões de pessoas afetadas encontram-se 600.000 motoristas nos Estados Unidos e 2,7 milhões de cidadãos britânicos, revelou a Uber. No entanto, não se sabe se o incidente afetou os dados pessoais de cidadãos portugueses e a Uber Portugal ainda não terá informação suficiente para responder à questão. O ECO contactou a Uber Portugal, mas não foi possível obter um comentário a esta informação a tempo da publicação deste artigo.

Esta informação surge numa semana em que a atividade da Uber voltou a ser reconhecida como ilegal pelo Tribunal da Relação de Lisboa, na sequência do processo que envolve a aplicação e a associação de taxistas Antral. A regulamentação para a atividade destas plataformas encontra-se à espera de ser debatida na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, no Parlamento.

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