Transportes lotados. “Em Londres, vai tudo sardinha em lata…”, diz secretário de Estado da Mobilidade

  • ECO
  • 31 Maio 2019

O secretário de Estado da Mobilidade acredita que a solução para compensar a procura dos transportes públicos pode passar pela redução do conforto. "Em Londres, vai tudo sardinha em lata", diz.

O secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade não vê problema se houver uma redução do conforto dos passageiros nos transportes públicos para compensar o aumento da procura por causa dos passes sociais mais baratos. “Porque não? Aumentam um pouco a oferta e os comboios aguentam perfeitamente”, disse José Mendes, em entrevista ao Jornal de Negócios (acesso pago).

O passe único permitiu poupanças significativas às famílias portuguesas, na ordem das dezenas de euros, no que toca à despesa com transportes públicos. E perante a descida dos preços, houve um crescimento expressivo da procura. Dois meses depois da implementação das novas tarifas, o aumento da procura foi quase o dobro do que o Governo estava à espera.

“Já experimentou fazer uma viagem de metro em Londres? O tempo que demora, e vai tudo sardinha em lata…”, comparou o secretário de Estado, quando confrontado com a redução do conforto das viagens, numa altura em que surgem queixas dos utentes devido à reduzida oferta. “As pessoas vão apertadas nos metros em todo o mundo”, diz.

Face à decisão da Fertagus, que vai retirar bancos dos comboios para poder acomodar mais pessoas em pé, José Mendes respondeu: “As pessoas não andam de pé no autocarro? São viagens curtas, com durações até meia hora”

José Mendes reconhece, no entanto, que há melhorias a serem feitas do lado da oferta. “A Carris está a comprar 195 autocarros e a STCP 274, num investimento de 60 e 70 milhões de euros, respetivamente”, apontou.

O aumento da procura, que gera receitas superiores, deverá ajudar a fazer aumentar a oferta de transportes públicos. “Essa receita é para garantir a oferta. Se os operadores têm o dobro da procura, têm de ter o dobro da oferta.”

Questionado sobre se o Estado não tem de conceder mais compensações por garantir esse reforço da oferta, José Mendes referiu apenas que “o sistema funciona, do ponto de vista económico, como antes”. “Nós subsidiamos o transporte, que significa que como fica mais barato, as pessoas procuram mais. Com isso, os operadores têm mais clientes e têm de ir colocando mais meios no terreno”, afirmou.

As pessoas não andam de pé no autocarro? São viagens curtas, com durações até meia hora. As pessoas vão apertadas nos metros em todo o mundo.

José Mendes

Secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade

Procura foi o dobro do esperado em Lisboa

A procura dos utentes pelos novos passes sociais na Área Metropolitana de Lisboa foi muito superior ao que o Governo estava à espera, admitiu o secretário de Estado na mesma entrevista. O Executivo esperava um aumento na ordem dos 10%, líquido da subida “normal”, isto é, cerca de 100 mil novos passageiros em 2019. Os dados atuais apontam para um crescimento de 30%.

“A expectativa que tínhamos de aumento da procura no sentido de atração de pessoas para o transporte público com esta medida […] era de pelo menos 10%, ou seja, 100 mil novos passageiros”, começou por indicar. No entanto, na Grande Lisboa, excluindo o crescimento médio anual de 4%, que já era previsto, o número de passageiros já aumentou em “167 mil passes”.

 

José Mendes, o primeiro da foto, numa apresentação de novos autocarros da Carris, no final de 2018.”No Porto, tínhamos em 2018 um total de 149 mil passes, que em 2019 passaram para 179 mil passes. Crescemos 30 mil passes, o que dá 20%”, acrescentou ainda José Mendes. Para o governante, os números mostram “o caráter disruptivo desta medida”. “Estou felicíssimo com estes números”, indicou José Mendes.

O ECO recusou os subsídios do Estado. Contribua e apoie o jornalismo económico independente

O ECO decidiu rejeitar o apoio público do Estado aos media, porque discorda do modelo de subsidiação seguido, mesmo tendo em conta que servirá para pagar antecipadamente publicidade do Estado. Pelo modelo, e não pelo valor em causa, cerca de 19 mil euros. O ECO propôs outros caminhos, nunca aceitou o modelo proposto e rejeitou-o formalmente no dia seguinte à publicação do diploma que formalizou o apoio em Diário da República. Quando um Governo financia um jornal, é a independência jornalística que fica ameaçada.

Admitimos o apoio do Estado aos media em situações excecionais como a que vivemos, mas com modelos de incentivo que transfiram para o mercado, para os leitores e para os investidores comerciais ou de capital a decisão sobre que meios devem ser apoiados. A escolha seria deles, em função das suas preferências.

A nossa decisão é de princípio. Estamos apenas a ser coerentes com o nosso Manifesto Editorial, e com os nossos leitores. Somos jornalistas e continuaremos a fazer o nosso trabalho, de forma independente, a escrutinar o governo, este ou outro qualquer, e os poderes políticos e económicos. A questionar todos os dias, e nestes dias mais do que nunca, a ação governativa e a ação da oposição, as decisões de empresas e de sindicatos, o plano de recuperação da economia ou os atrasos nos pagamentos do lay-off ou das linhas de crédito, porque as perguntas nunca foram tão importantes como são agora. Porque vamos viver uma recessão sem precedentes, com consequências económicas e sociais profundas, porque os períodos de emergência são terreno fértil para abusos de quem tem o poder.

Queremos, por isso, depender apenas de si, caro leitor. E é por isso que o desafio a contribuir. Já sabe que o ECO não aceita subsídios públicos, mas não estamos imunes a uma situação de crise que se reflete na nossa receita. Por isso, o seu contributo é mais relevante neste momento.

De que forma pode contribuir para a sustentabilidade do ECO? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

Transportes lotados. “Em Londres, vai tudo sardinha em lata…”, diz secretário de Estado da Mobilidade

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião