Dona do Pingo Doce lucra 269 milhões até junho, um crescimento de 6,6%

Jerónimo Martins afirma ter conseguido "proteger a rentabilidade num semestre que se antecipava difícil". "Continuámos determinados a assegurar a competitividade de preço", afirma a empresa.

A Jerónimo Martins, que detém em Portugal os hipermercados Pingo Doce, alcançou no primeiro semestre um resultado líquido de 269 milhões de euros. Trata-se de um aumento de 6,6% dos lucros da empresa, que também explora a Biedronka na Polónia e é liderada por Pedro Soares dos Santos. Apesar deste desempenho, o lucro do segundo trimestre ficou 8,9% abaixo do alcançado no mesmo período do ano passado.

“O bom desempenho das vendas e o reforço da disciplina operacional e das medidas de aumento da produtividade permitiram proteger a rentabilidade num semestre que se antecipava difícil, devido à combinação do baixo nível de inflação nos nossos cabazes com a subida dos salários e à estagnação do consumo alimentar”, destaca a empresa num comunicado difundido através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Em termos gerais, no primeiro semestre, o EBITDA (que corresponde ao lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) melhorou 10,3% face ao período homólogo, enquanto as vendas e prestação de serviços totalizaram 17.396 milhões de euros, mais 6,7%. A margem melhorou 7,5% e os custos operacionais agravaram-se em 6,2% entre janeiro e junho.

Para Pedro Soares dos Santos, CEO da Jerónimo Martins, são resultados que mostram “solidez” num “contexto de incerteza global persistente”. “Mantivemo-nos fiéis às nossas prioridades estratégicas: garantir a competitividade de preços; compensar a pressão de operar com baixa inflação alimentar e aumento dos custos com pessoal; e executar os programas de investimento”, diz o gestor, citado na mesma nota.

A execução do plano de investimento avança sem hesitações. Aqui, gostaria de destacar o arranque da operação da Biedronka na Eslováquia, no primeiro trimestre, e a integração na nossa cadeia Ara, que ficou concluída no final de julho, de cerca de 70 lojas anteriormente operadas pela Colsubsidio.

Pedro Soares dos Santos

CEO da Jerónimo Martins

Depois desta “incerteza acentuada, impulsionada por turbulência na geopolítica global e instabilidade política nas principais economias europeias” — e “num ambiente que permanece volátil” —, a Jerónimo Martins prevê “que o comportamento do consumidor continue a pautar-se por prudência e contenção e que a dinâmica concorrencial” dos mercados onde opera “se mantenha intensa”. “Ainda assim, as perspetivas para 2025 mantêm-se”, aponta.

Pingo Doce cresce 6,1%, mas Ara brilha na Colômbia

Detalhando os resultados, e começando pelo negócio em Portugal, a empresa sublinha que o EBITDA do Pingo Doce subiu 6,1%, para 141 milhões de euros, no primeiro semestre, e que a margem atingiu 5,5%, em linha com a do ano anterior, “suportada pelo bom desempenho de vendas e pelas iniciativas para aumentar a produtividade que contrariaram a pressão dos custos”. As vendas cresceram 5,7% neste período em que o Pingo Doce inaugurou três novas lojas e remodelou 24 outras.

“Em Portugal, apesar da subida de 6,1% do salário mínimo contribuir para o aumento do consumo, a orientação para as promoções continua a ser o comportamento dominante em matéria alimentar. O Pingo Doce, que tem beneficiado do sucesso do conceito All About Food, prosseguirá com o seu programa de remodelações, que deverá abranger cerca de 50 lojas em 2025. A companhia prevê ainda inaugurar no ano cerca de dez novas localizações”, refere o comunicado.

Já o Recheio, outra insígnia do grupo em Portugal, registou um EBITDA de 32 milhões, mais 8,6%, com uma melhoria de 0,3 pontos percentuais da margem, para 4,9%. As vendas foram de 657 milhões, 1,9% acima do mesmo semestre de 2024.

Além-fronteiras, destaque para a Biedronka, que opera principalmente no mercado polaco. As vendas da marca em moeda local cresceram 5%. Fazendo a conversão cambial, atingiram 12,4 mil milhões de euros, mais 7,1% do que no primeiro semestre de 2024, com o EBITDA a somar 9% (em euros).

Já a Hebe, outra marca da empresa na Polónia, viu o EBITDA decrescer 7% — 8,8% em moeda local —, tendo sido “pressionada pelo investimento em preço necessário para defender a relevância num mercado que se tornou substancialmente mais competitivo”.

Na Colômbia, a Ara alcançou um EBITDA de 60 milhões de euros, um forte crescimento de 50,5% em termos homólogos, ou 62,5% em moeda local, e uma margem a situar-se nos 3,9%, uma boa melhoria em relação aos 2,8% do período anterior. “Para além do bom desempenho das vendas, a melhoria da margem continuou a beneficiar também do trabalho executado em 2024 para proteger a margem bruta e controlar os custos”, destaca a Jerónimo Martins.

O primeiro semestre ficou ainda marcado por uma forte redução no endividamento da empresa. No final de junho, a dívida líquida da Jerónimo Martins era de 213 milhões de euros, menos 394 milhões de euros do que no final de dezembro de 2024.

(Notícia atualizada pela última vez às 7h57)

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