Procura no IPO do BFA supera 100%. BPI mira encaixe de 100 milhões

A quatro dias do fim do período de subscrição de ações do BFA, que acaba esta quinta-feira, a procura já superava a oferta de ações do BFA, deixando o BPI mais perto de encaixar cerca de 100 milhões.

O BPI está perto de um encaixe na ordem dos 100 milhões de euros com a venda de ações do Banco Fomento Angola (BFA), depois de a oferta pública inicial (IPO, na sigla inglesa), cujo período de subscrição termina esta quinta-feira, ter atraído uma procura que excedeu o montante disponível para os investidores, de acordo com os responsáveis do banco angolano.

Nesta operação, Estado angolano e o BPI estão a vender quase 30% do capital do BFA através do que se espera que venha a ser o maior IPO de sempre realizado na bolsa de Luanda e que avaliará o banco em aproximadamente 700 milhões de euros.

Na passada segunda-feira, citada pelo Jornal de Angola (acesso pago), a administradora do BFA Natacha Barradas adiantou que a oferta de ações já tinha registado uma procura superior a 100%, isto quando faltavam ainda quatro dias para o fim do período de submissão de ordens.

Nesta operação, as ações estão a ser vendidas a um preço entre os 41.500 kwanzas e 49.500 kwanzas (38,35 euros e 45,74 euros ao câmbio atual). O preço final só deverá ser fixado esta sexta-feira tendo como referência o preço constante nas declarações de aceitação submetidas no âmbito da oferta geral (ou seja, excluído a oferta dirigida aos trabalhadores).

Confirmando-se as datas previstas no prospeto, o BFA terá estreia marcada na bolsa de Luanda na próxima terça-feira, dia 30, data a partir da qual as ações começam a transacionar no mercado.

Contactado pelo ECO, o BPI, que nos últimos anos tem sido pressionado pelo Banco Central Europeu (BCE) para reduzir a sua exposição ao mercado angolano e está agora a vender uma participação de 14,75% do BFA, não quis fazer comentários.

Acionista de referência a caminho?

O IPO vai abrir caminho a alterações importantes na estrutura acionista do BFA, mas resta saber como se vão jogar as forças daqui para a frente.

O Estado angolano (por via da Unitel) e o BPI, que são até à data os dois únicos acionistas do banco, vão ver as suas participações reduzidas para 36,9% e 33,35%, respetivamente, caso consigam vender a totalidade das ações abrangidas por este IPO, mas manter-se-ão como maiores acionistas.

Porém, entre as centenas ou milhares de novos acionistas que o BFA se prepara para receber, alguns poderão assumir maior relevância dentro do banco. O prospeto da operação admite que um investidor possa comprar ações correspondentes a perto de 10% do capital. Os responsáveis do BFA já deram conta do interesse de investidores institucionais como seguradoras e fundos de pensões. No passado, o banco foi associado a interesses de grupos privados como o grupo de Silvestre Tumbula e a Gemcorp.

Natacha Barradas disse aos jornalistas que espera que o IPO não fique concentrado apenas em grandes grupos empresariais ou investidores institucionais e que a operação permita abrir o capital do banco junto dos angolanos. “Perspetivamos que vários pequenos investidores, organizados inclusive em associações, tragam ao banco uma visão diferente da que estamos habituados. A nossa pretensão é democratizar o acesso e diversificar a estrutura acionista”, afirmou a responsável.

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