FMI prevê dívida pública global a atingir em quatro anos o nível mais elevado desde 1948
Instituição prevê rácio da dívida pública global a ultrapassar os 100% do PIB até 2029 e alerta que despesa em níveis mais elevados que a receita ameaça a sustentabilidade e estabilidade financeira.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o rácio da dívida pública global ultrapasse os 100% do Produto Interno Bruto (PIB), até 2029, atingindo o nível mais elevado desde 1948. O cenário leva a instituição de Bretton Woods a alertar para os riscos de uma acumulação de dívida a um ritmo ainda mais acelerado.
No relatório “Monitor Orçamental”, publicado esta quarta-feira, Vítor Gaspar, no papel de ainda diretor do departamento de assuntos orçamentais, e o seu sucessor a partir de dia 27 de outubro, Rodrigo Valdés, destacam que a trajetória reflete aumentos acima dos projetados antes da pandemia da Covid-19, altura em que muitos governos tomaram medidas para mitigar os seus impactos, aumentando os níveis de dívida.
Nas contas do FMI, existe um risco de 5% de a dívida pública mundial atingir 123% em 2029. No entanto, a instituição sublinha que a realidade é díspar entre os países. “Muitas das principais economias têm uma dívida pública superior (ou projetada para ultrapassar) 100% do PIB. Embora o número de países com dívida acima de 100% venha a diminuir continuamente nos próximos cinco anos, projeta-se que o seu peso aumente“, pode ler-se no relatório.
A instituição dá nota de que o número de países com dívida pública abaixo de 60% do PIB aumentou para mais de 100 em 2021 e a projeção é de que continue a subir, embora sua participação no PIB mundial represente menos de 30%. De acordo com o relatório, existem contudo 55 países dentro deste grupo que enfrentam dificuldades para se financiarem.
Paralelamente, alerta que a dinâmica da dívida pública se alterou “drasticamente” nos últimos anos, já que além do aumento do valor nominal da dívida, os custos de financiamento também subiram. “Os anos entre a crise financeira mundial e a pandemia foram marcados por condições excecionalmente favoráveis para a sustentação da dívida. O aumento da dívida foi acompanhado pela queda das taxas de juros, levando a uma conta de juros estável. Mas a situação agora é totalmente diferente”, aponta.
Neste sentido, destaca que as taxas de juros aumentaram consideravelmente nos mercados globais e “o seu futuro caminho é altamente incerto”. Desta forma, assinala que o aumento dos custos do serviço da dívida já está a pressionar os Orçamentos de alguns países.
FMI alerta que dinâmica da dívida pública se alterou “drasticamente” nos últimos anos, já que além do valor nominal da dívida se verificam também aumentos do custo de financiamento.
Além disso, os gastos esperados com a defesa, desastres naturais, tecnologias disruptivas, demografia e desenvolvimento têm impacto na despesa. “Todas essas pressões e procuras vêm acompanhadas de linhas vermelhas políticas rígidas contra aumentos de impostos e menor consciencialização pública sobre os limites orçamentais”, pode ler-se na análise.
“A conclusão é inescapável: partindo de défices e dívidas muito altos, a persistência de despesas acima das receitas tributárias levará a dívida a patamares cada vez maiores, ameaçando a sustentabilidade e a estabilidade financeira. Priorizar a política orçamental é essencial”, defendem Vítor Gaspar e o seu sucessor.
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