BPI aumenta negócio mas lucro cai 12% até setembro

BPI registou lucro de 389 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, caindo 12%. Aumento do volume de negócios não compensou o impacto da queda das taxas na margem financeira.

O BPI registou lucros de 389 milhões de euros até setembro, menos 12% em relação ao mesmo período do ano passado, com o resultado a ser pressionado pela descida das taxas de juro, que teve forte impacto na evolução da margem financeira.

A atividade em Portugal contribuiu com 362 milhões de euros, uma redução de 5%. Já as operações em Angola (BFA) e Moçambique (BCI) deram um contributo agregado de 28 milhões.

A justificar a descida dos resultados do BPI — como do resto do setor — está sobretudo o maior aperto na margem financeira, refletindo o desagravamento da política monetária do Banco Central Europeu.

No caso do banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa, a margem de juros caiu 11% nos primeiros nove meses do ano, ascendendo a 657 milhões de euros. As comissões também caíram 7% para 227 milhões.

O BPI adianta ainda que teve outros proveitos líquidos de 30 milhões de euros e no qual inclui a reversão das contribuições do adicional de solidariedade que o tribunal declarou inconstitucional. Foram 18 milhões a entrar no produto bancário que recuou 9% para 914 milhões.

Aumento do volume de negócios não compensa queda das taxas

O banco acrescenta ainda que conseguiu aumentar o volume de negócios, mas não foi com a dinâmica suficiente para conter a pressão da queda dos juros.

O crédito aumentou 8% para 32,6 mil milhões de euros, com destaque para o segmento da habitação, que somou 10% para 16,7 mil milhões — à boleia também da garantia pública para os jovens, ao abrigo da qual o banco produziu 783 milhões de euros em mais de 4.000 contratos. Nos empréstimos às empresas registou um incremento de 5% para 12,1 mil milhões.

Quanto aos recursos de clientes, a base de depósitos cresceu 9% para 32,1 mil milhões de euros e os recursos fora de balanço aumentaram 14% para 10,6 mil milhões.

Receita da venda do BFA chega no próximo ano

Os responsáveis do banco explicaram ainda o impacto do encaixe de mais de 100 milhões de euros com a venda de uma participação de quase 15% no BFA.

Segundo explicou a administradora financeira, Susana Trigo, em 30 de setembro não houve qualquer efeito no rácio CET1, porque as regras dos supervisores determinam que o BPI só poderá “beneficiar quando o dinheiro for transferido para Portugal”.

Se já tivesse chegado, notou, o impacto seria de 50 pontos base.

Susana Trigo explicou que o processo de transferência do valor do encaixe para Portugal “levará o seu tempo” por causa da situação de escassez de dólares em Angola. Todavia, assegurou que os cerca de 100 milhões vão ser transferidos ao longo do próximo ano para cá.

João Pedro Oliveira e Costa destacou que o banco ainda irá avaliar se precisará desse dinheiro para a sua atividade ou se poderá libertar para o seu acionista, o Caixabank. “Temos como ideia principal pagar através dos dividendos os dividendos que temos das nossas participações. Mas a receita desta operação não é um dividendo, é uma redução da posição que temos, que gerou mais capital. Vamos verificar se esse capital é necessário para os riscos que temos ou crescimento, isso será decidido pelo conselho de administração com o acionista essa mesma distribuição”, disse.

“Não tirava a conclusão de que a venda da participação no BFA vai tomar algum rumo. Em primeiro lugar precisamos de a receber em Portugal em dólares, que vai ter lugar nos próximos meses. Depois, em função da atividade em Portugal, nomeadamente do BPI, avaliaremos se distribuímos ou não”, revelou.

(Notícia atualizada às 13h51)

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