“Não fiquei satisfeito” com divulgação de escutas a Costa, admite Amadeu Guerra
"Sou contra a divulgação de escutas ou outras provas em segredo justiça. Não fiquei satisfeito como é evidente. Não atiramos culpas para ninguém", disse o procurador-geral da República.
O procurador-geral da República sublinhou esta terça-feira que não ficou satisfeito com a divulgação das escutas no âmbito do caso Operação Influencer e admitiu ser contra a divulgação das mesmas, bem como de outras provas em segredo de justiça. Amadeu Guerra afirmou ainda que não atira culpas para terceiros.
“Sou contra a divulgação de escutas ou outras provas em segredo justiça. Não fiquei satisfeito, como é evidente. O Ministério Público já disse o que vai fazer. Contrariamente ao que já ouvi dizer, não atiramos culpa para terceiros. Não atiramos culpas para ninguém. Nós assumimos as nossas culpas”, disse Amadeu Guerra, em declarações à RTP Notícias.
O procurador-geral da República explicou que foi feita uma participação para investigar, não apenas os jornalistas, mas todas as pessoas e “verificar, se possível, quem é que forneceu as informações”. “O que fizemos no comunicado foi uma afirmação muito simples de que não foi só o Ministério Público que teve acesso à informação. Nós não atiramos culpas para ninguém, nem para arguidos nem para advogados. Nós assumimos essa situação“, acrescentou.
Em relação às escutas, Amadeu Guerra explicou que as mesmas “estão preservadas” e não foram “acessíveis. “O que há são os resumos das escutas. Os resumos das escutas constam do processo. Não podemos tirar folhas dos processos e, se tivéssemos tirado isso, os arguidos que consultaram o processos teriam vindo queixar-se de lhes tirarmos a informação. Essa informação do resumo das escutas está no processo como deve estar”, nota.
Quanto ao seu prestígio, mostrou-se de “consciência tranquilíssima” e que muitas das informações e declarações que faz são muitas vezes mal interpretadas..
Garantiu ainda que não há qualquer influência do procurador-geral da República relativamente aos magistrados do Ministério Público, que considera que estão a fazer “o seu trabalho”. “Nunca tive por hábito interferir nas investigações do Ministério Público”, disse.
As escutas foram divulgadas pela revista Sábado no início do mês, no âmbito da Operação Influencer, e mostram conversas entre António Costa e membros do seu executivo.
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