Turismo abranda em novembro, mas dormidas de residentes no Algarve disparam 22%

  • Joana Abrantes Gomes
  • 31 Dezembro 2025

Setor do alojamento turístico registou 2,2 milhões de hóspedes e 5,1 milhões de dormidas em novembro, mais 0,8% e 1% face ao mesmo mês de 2024, mas a um ritmo abaixo do registado em outubro.

O turismo em Portugal mantém a trajetória de crescimento no número de hóspedes e nas dormidas, mas, no penúltimo mês do ano, verificou-se um abrandamento em relação a outubro. Não obstante, destaca-se a subida de 22,1% das dormidas de residentes no Algarve, quando as de turistas estrangeiros caíram 0,7%.

A estimativa rápida da atividade turística referente a novembro, publicada esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), indica que o setor do alojamento turístico registou 2,2 milhões de hóspedes e 5,1 milhões de dormidas nesse mês, o que equivale a aumentos homólogos de 0,8% e 1,0%, respetivamente.

Fonte: INE

Comparando o ritmo de crescimento em novembro com o de outubro, quando as subidas homólogas tinham sido de 3,6% nos hóspedes e de 2,2% nas dormidas, verifica-se uma desaceleração da atividade turística – de 2,8 e 1,2 pontos percentuais, na mesma ordem.

Em novembro, só os Açores (-5,2%) e a região Centro (-4,3%) escaparam ao crescimento do número de dormidas em relação ao mesmo mês do ano passado. Os maiores aumentos, por sua vez, ocorreram no Alentejo (+4,9%) e no Algarve (+3,5%), mas foi a Grande Lisboa (28,5%) e o Norte (19,2%) a ter o maior peso no total de dormidas.

Quanto às dormidas de residentes, em particular, o INE destaca o “crescimento expressivo” de 22,1% observado no Algarve. Além da região mais a sul do país, só a Grande Lisboa (+2,7%) e a Península de Setúbal (+4,1%) tiveram acréscimos no número de dormidas de portugueses.

Turistas do Canadá com o maior crescimento em novembro

No que toca ao mercado externo, as dormidas cresceram em apenas quatro regiões, de forma mais expressiva no Alentejo (+16,2%), a que se segue, de longe, o Norte (+5,1%), o Oeste e Vale do Tejo (+2,9%) e a Madeira (+1,4%). Em sentido oposto, a região Centro e os Açores apresentaram os maiores decréscimos, de 5,6% e 5%, respetivamente.

Entre os 10 principais mercados emissores em novembro, que representaram 70% do total de dormidas de não residentes, destaca-se o Reino Unido, com um peso de 13,8%, seguido por Alemanha e os EUA (com quotas de 13% e 10,2%, na mesma ordem).

Ainda que fora dos cinco primeiros mercados emissores, o Canadá registou o maior crescimento (+14,8%) na atividade turística no penúltimo mês de 2025, evidenciando-se também os acréscimos do mercado alemão (+4,5%) e norte-americano (+3,7%). O britânico, por sua vez, manteve a trajetória de descida dos últimos meses e recuou 4,1% face a novembro do ano passado.

Fonte: INE

Na globalidade dos estabelecimentos de alojamento turístico, a estada média foi de 2,32 noites, o que equivale a um aumento ligeiro de 0,2% em termos homólogos (+0,4% nos residentes e +0,1% nos não residentes). Segundo o INE, o Alentejo foi a região onde este indicador apresentou o maior aumento, de 8,9%, para 1,90 noites, “impulsionado sobretudo pelo aumento da estada média dos não residentes (+14,8%, para 2,14 noites)”. A estadia média dos residentes nesta região também aumentou (+6,0%, para 1,80 noites).

Quanto à taxa líquida de ocupação-cama, verificou-se uma descida de 1,0 pontos percentuais, para 36,9%, em novembro, um decréscimo igual ao registado na taxa líquida de ocupação-quarto (48,2%).

Apesar de abrandamento em novembro, proveitos até novembro superam totais de 2024

Os proveitos totais do setor turístico abrandaram, de um crescimento de 7,2% em outubro para 2,1% em novembro, assim como os proveitos de aposento, que aumentaram 1,6%, quando no mês precedente tinham subido 5,9%. Ao todo, atingiram, respetivamente, 393,5 milhões de euros e 289,3 milhões de euros no período em análise.

Não obstante, os proveitos acumulados desde o início do ano até novembro – 6,8 mil milhões de euros de proveitos totais e 5,2 mil milhões de euros de proveitos de aposento – já ultrapassaram os valores anuais registados em 2024, de 6,7 mil milhões de euros e 5,1 mil milhões de euros, pela mesma ordem.

A Grande Lisboa foi a região que mais contribuiu para a globalidade dos proveitos de novembro, representando 36,9% dos proveitos totais e 39,4% dos proveitos de aposento, seguida do Norte (16,8% e 17,0%, respetivamente) e da Madeira (15,4% e 14,6%, pela mesma ordem).

Já os acréscimos mais expressivos de proveitos ocorreram no Algarve (+12,5% nos proveitos totais e +15,3% nos de aposento), na Madeira (+10,6% e +11,2%, pela mesma ordem) e no Alentejo (+9,3% e +12,4%, respetivamente). Por seu lado, a Grande Lisboa apresentou os decréscimos mais acentuados (-4,3% nos proveitos totais e -5,3% nos relativos a aposento).

Fonte: INE

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