Goparity compra espanhola Bolsa Social. “Temos em plano mais aquisições”

"Ano de 2026 será de consolidação em Espanha, especialmente no que diz respeito ao crescimento de comunidade", diz Nuno Brito Jorge, CEO e cofundador da Goparity, ao ECO.

Nuno Brito Jorge, CEO e cofundador da Goparity.

A plataforma portuguesa de investimento de impacto Goparity comprou a espanhola Bolsa Social e admite que tem “em plano mais aquisições, mas não necessariamente a curto prazo”.

A operação, cujo valor não revelam, permite à Goparity juntar investimento em equity (ações) à sua oferta, já que a plataforma espanhola de financiamento colaborativo de impacto tem autorização da CNMV, o regulador de mercados financeiros espanhol.

“Através da aquisição e inclusão de equity crowdfunding nas ofertas de investimento da Goparity, dispomos de uma plataforma muito mais completa, tanto para quem investe como para quem está a construir impacto. Quem investe tem agora mais opções para diversificar: além de emprestar capital com uma rentabilidade anual fixa, pode participar no capital de empresas de impacto e acompanhar o seu crescimento a longo prazo. Para as organizações, por outro lado, é mais uma forma de reforçar capital”, explica Nuno Brito Jorge, CEO e cofundador da Goparity, questionado sobre as sinergias com esta operação.

O mercado de crowdfunding é, atualmente, muito segmentado e vemos, por isso, uma tendência crescente de fusões e aquisições. Pelo impacto que tem vindo a ter desde a sua fundação — não só em Portugal, mas também a nível ibérico e internacional —, acreditamos que a Goparity pode ter um papel central nesta evolução. Por isso, temos em plano mais aquisições, mas não necessariamente a curto prazo.

Além disso, “a Bolsa Social traz-nos também experiência e reputação no mercado espanhol, com mais de 13 mil utilizadores e cerca de 15 milhões de euros investidos em projetos de impacto. Em conjunto, passamos a reunir uma comunidade de mais de 72 mil pessoas que querem investir em impacto, com mais formas de o fazer“, destaca o CEO.

O valor da aquisição divide-se em duas componentes, diz. “Um investimento efetivo e uma assunção de dívida bancária da Bolsa Social. Por um acordo entre ambas as partes e questões de confidencialidade, o valor total da operação não foi divulgado”, diz ao ECO, quando questionado sobre o valor da operação.

Nuno Brito Jorge admite que poderá haver mais aquisições, mas não para já. “O mercado de crowdfunding é, atualmente, muito segmentado e vemos, por isso, uma tendência crescente de fusões e aquisições. Pelo impacto que tem vindo a ter desde a sua fundação — não só em Portugal, mas também a nível ibérico e internacional —, acreditamos que a Goparity pode ter um papel central nesta evolução. Por isso, temos em plano mais aquisições, mas não necessariamente a curto prazo”, diz.

Próximos passos depois da compra

Com a Goparity a operar também no mercado espanhol, com esta aquisição a marca Bolsa Social manter-se-á no mercado? “Numa primeira fase, iremos assegurar a continuidade de todos os projetos a decorrer na Bolsa Social, isto é, empréstimos e investimento em ações, para que nenhum processo seja interrompido para as organizações e para a comunidade. Ainda assim, o objetivo será integrar a Bolsa Social na Goparity, numa só plataforma, de forma faseada até ao final de abril deste ano”, adianta Nuno Brito Jorge.

O objetivo é estender a oferta de serviços aos dois mercados. “Portugal representa uma região central da nossa operação, com mais de 25 milhões de euros investidos em projetos de impacto. Por esse motivo, estas novas ofertas de investimento estarão disponíveis em todos os mercados onde a Goparity opera, consolidando o nosso posicionamento enquanto referência no crowdfunding sustentável”, afirma.

Com esta aquisição da Bolsa Social, a fintech portuguesa acelera ainda o seu crescimento em Espanha e reforça a equipa com Marta Abbad-Jaime de Aragón, antiga COO da Bolsa Social, a assumir agora o cargo de head of equity da Goparity.

Portugal representa uma região central da nossa operação, com mais de 25 milhões de euros investidos em projetos de impacto. Por esse motivo, estas novas ofertas de investimento estarão disponíveis em todos os mercados onde a Goparity opera, consolidando o nosso posicionamento enquanto referência no crowdfunding sustentável.

Desde 2017, até ao final do ano passado, a Goparity somou mais de 420 projetos financiados, através de uma comunidade de mais de 59 mil utilizadores, “que crescerá ainda mais com esta aquisição”, diz o CEO.

No ano passado, o total angariado foi de 12,5 milhões de euros para projetos de impacto, valor que ultrapassa os 56 milhões de euros desde a fundação. Em 2025 tivemos como foco um crescimento disciplinado e com critérios rigorosos de seleção e execução dos projetos, pelo que preferimos proteger a qualidade do portefólio a aumentar volume a qualquer custo”, diz quando questionado sobre o objetivo de levantar 20 milhões de projetos de investimento no ano passado. “Em 2025, a comunidade de investidores da Goparity financiou um total de 52 projetos.”

Equipa Goparity.

Quanto a planos de expansão, “2026 será sem dúvida um ano de consolidação em Espanha, especialmente no que diz respeito ao crescimento de comunidade”, diz.

“A curto prazo, no que respeita a investidores, o objetivo é, portanto, manter o foco e crescimento na Ibéria, alargando depois a outros países do sul e centro da Europa. No que toca a projetos, o plano de curto prazo é também manter o atual foco na Ibéria e na América latina, sabendo que este ano, muito provavelmente, alargaremos a pelo menos um país do Sudoeste Asiático”, adianta.

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