Sarmento vê eleição de Centeno para o BCE como “bastante difícil”, mas mantém “alguma esperança”
Ministro mostra reservas quanto às possibilidades de o ex-governador do Banco de Portugal na corrida a seis para o cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu.
“Bastante difícil”, mas com “alguma esperança”: assim vê o ministro das Finanças português, Joaquim Miranda Sarmento, em relação às possibilidades de Mário Centeno ganhar a corrida ao cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), nome que deverá ser conhecido na reunião do Eurogrupo desta segunda-feira.
“É uma eleição difícil, porque quem está de saída é um espanhol, Luis de Guindos. Antes foi um português, antes foi um grego. Há equilíbrios regionais com os países de leste e países báltico que é necessário olhar”, explicou Miranda Sarmento à entrada para o encontro em Bruxelas.
“É eleição bastante difícil, mas mantemos alguma esperança”, disse o ministro aos jornalistas.
Sarmento considerou ainda que as regras de eleição também dificultam a candidatura do ex-governador do Banco de Portugal. “O que está em cima da mesa com maioria qualificada reforçada. Há seis candidatos e é natural que possa haver várias rondas até se chegar a um candidato que reúna esses requisitos”, disse.
Além de Mário Centeno, estão na corrida ao lugar que fica vago a partir de maio os seguintes nomes: Mārtiņš Kazāks (Letónia), Madis Müller (Estónia), Olli Rehn (Finlândia), Rimantas Šadžius (Lituânia) e Boris Vujčić (Croácia).
Sarmento adiantou aos jornalistas que tanto ele como Centeno têm desenvolvido esforços diplomáticos nos bastidores para assegurar apoios dos outros países. “Falei com todos os meus colegas ministros das finanças, exceto dos cinco que também têm candidatos. Junto de alguns deles várias vezes sensibilizei-os para esta candidatura. Este esforço faz-se nos bastidores da diplomacia”, contou.
O ministro reforçou que Centeno conta com o apoio do Governo português e, sem se comprometer com elogios ao antigo governador do Banco de Portugal, referiu que “se [Centeno] não tivesse currículo [para o cargo de vice-presidente], não tinha apresentado candidatura”.
Como vai decorrer a votação? Cada país vota, de forma secreta, em rondas sucessivas, até um candidato atingir uma maioria qualificada exigida. Esta é de um mínimo de 16 votos favoráveis a um dos candidatos (72% dos países), mas isso não chega: tal valor tem de incluir países com pelo menos 65% da população da Zona Euro.
Quem vencer a corrida terá um mandato de oito anos pela frente. Em outubro do próximo ano termina o mandato da presidente Christine Lagarde, lugar para o qual outros países já estão a olhar e que poderá ter implicações na votação desta segunda-feira.
(notícia atualizada às 14h20)
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