Marques Mendes, Moedas e Cristas apoiam António José Seguro na segunda volta das presidenciais
Também o presidente da Câmara de Lisboa e a ex-líder do CDS endossaram os votos ao candidato socialista. Mendes não apoiou ninguém na noite eleitoral, mas disse que o Chega seria ameaça à democracia.
Apesar de não se ter pronunciado na noite eleitoral, Luís Marques Mendes, o candidato apoiado por PSD/CDS que saiu derrotado das presidenciais de 18 de janeiro, vai mesmo apoiar publicamente António José Seguro nesta segunda volta, marcada para 8 de fevereiro, avançou esta quinta-feira ao ECO fonte próxima da candidatura. Também o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, e a antiga líder do CDS, Assunção Cristas, endossaram os votos ao candidato socialista.
“O meu voto nesta nova eleição será em António José Seguro. Por uma razão de coerência. É o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação, respeito pelo propósito de representar todos os portugueses”, disse Luís Marques Mendes ao Expresso.
Chegou a estar em cima da mesa declarar apoio a Seguro logo na noite de domingo, mas o antigo líder do PSD não considerou que aquele fosse o melhor momento para se pronunciar. No seu discurso de derrota, disse apenas: “Não sou dono dos votos em mim depositados. Cada um decidirá de acordo com a sua liberdade e a sua consciência”.
Não tem faltado quem questione o silêncio de Mendes, lembrando que chegou a criticar João Cotrim de Figueiredo por, durante a campanha, não ter excluído votar em André Ventura, numa segunda volta. No dia em que Cotrim fez a polémica declaração, falando de uma suposta “moderação” de Ventura, Marques Mendes disse que a “responsabilidade” da sua candidatura tinha, por isso, aumentado. De recordar que depois Cotrim veio dar o dito pelo não dito, admitindo não “saber” o que lhe tinha “passado pela cabeça”.
O meu voto nesta nova eleição será em António José Seguro. Por uma razão de coerência. É o único candidato que se aproxima dos valores que sempre defendi: defesa da democracia, garantia do espaço da moderação, respeito pelo propósito de representar todos os portugueses.
“Disseram que estariam ao lado do Chega. Isto é um problema sério, disseram-nos que era a direita liberal e afinal parece que é a direita radical. Significa na prática a IL querer entregar Portugal aos cartazes do Chega, e isso é mau para a democracia”, argumentou na altura Marques Mendes, concluindo que “a democracia está sob ameaça” e que a sua candidatura teria assim de ser, “além da moderação e da estabilidade, a da defesa da democracia”.
Agora decidiu declarar publicamente o seu apoio a António José Seguro. “Ele quis reservar para um momento mais tarde. Não tenho dúvidas nenhumas em quem vai votar, acho que os candidatos também não têm, e vai ser coerente”, atirou, dizendo que as pessoas ficariam “surpreendidas” e “desiludidas” se votasse Ventura, afirmou o diretor de campanha, Duarte Marques, esta quarta-feira na rádio Observador, no programa Comissão de Inquérito.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa e membro do PSD, Carlos Moedas, e a ex-líder do CDS-PP Assunção Cristas também expressaram esta sexta-feira o seu voto no antigo secretário-geral do PS António José Seguro na segunda volta das Presidenciais.
Ao jornal semanário Expresso, o autarca da capital disse: “sem entusiasmo, votarei em António José Seguro”.
“Julgo que [Seguro] tem a capacidade de não dividir, mas terá que respeitar a maioria social de centro-direita que existe hoje em Portugal”, afirmou Moedas.
Também no Expresso, mas em artigo de opinião, Cristas defendeu que “é tempo de unir a direita humanista, moderada, tolerante, democrática no único voto possível”.
“Pertenço à direita moderada, tolerante, de raiz democrata-cristã. Na primeira volta das Presidenciais fui coerente com o meu espaço político e votei em Luís Marques Mendes (apoiado por PSD e CDS-PP)”, escreve a antiga presidente democrata-cristã.
A também ex-ministra de outra coligação de centro-direita, lamenta ter ficado, “como mais de dois milhões de portugueses”, sem qualquer “candidato natural”, optando por ir votar “em António José Seguro”, com o qual, esclareceu, não tem “qualquer relação geracional ou de amizade”.
Já o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que participou ativamente na campanha de Marques Mendes, optou por colocar-se de fora, não declarando apoio a Seguro ou Ventura. Ainda no debate quinzenal desta quarta-feira, os partidos confrontaram o chefe de Executivo sobre a sua escolha, mas Montenegro não cedeu.
“Temos três grandes espaços políticos sem menosprezo cada partido nesta casa, um espaço à direita, à esquerda e um espaço central”. Mas, nesta altura, “temos uma campanha em que o nosso espaço não está representado”, afirmou. Esta quinta-feira, Montenegro foi confrontado pelos jornalistas com o apoio de Marques Mendes a Seguro, mas nada mais quis acrescentar.
“Não tenho mais nada a acrescentar. É aquilo que tenho dito e nada mais acrescentarei”, disse apenas, a partir de Bruxelas, onde está a participar num Conselho Europeu convocado de emergência por António Costa sobre a resposta aos EUA por causa da Gronelândia.
Também esta quinta-feira, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, foi questionado pelos jornalistas sobre um eventual apoio a um dos candidatos na segunda volta das presidenciais e o governante fugiu à pergunta.
António José Seguro liderou a primeira volta das eleições presidenciais em Portugal realizadas a 18 de janeiro, obtendo 31,12% dos votos, segundo dados oficiais divulgados pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna e pela Comissão Nacional de Eleições (CNE). André Ventura ficou em segundo lugar com 23,52%, o que garante a ambos um lugar na segunda volta marcada para 8 de fevereiro.
Num dos escrutínios mais competitivos das últimas décadas – com 11 candidatos em competição – nenhum concorrente conseguiu a maioria absoluta necessária para evitar a segunda volta, refletindo a fragmentação crescente do eleitorado e a volatilidade do sistema político português.
Luís Marques Mendes sofreu uma pesada derrota ao ficar em quinto lugar, atrás de Henrique Gouveia e Melo e de João Cotrim de Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal (IL).
(Notícia atualizada com a informação de que também Carlos Moedas e Assunção Cristas vão apoiar Seguro na segunda volta das presidenciais)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Marques Mendes, Moedas e Cristas apoiam António José Seguro na segunda volta das presidenciais
{{ noCommentsLabel }}