Fed faz pausa nos juros apesar de pressão de Trump
Banco central liderado por Jerome Powell interrompeu um ciclo de três descidas das taxas. Pausa na política monetária surge num momento de grande tensão entre a Fed e a Casa Branca.
A Reserva Federal americana (Fed) manteve as taxas de juro, numa pausa mais do que esperada pelo mercado e que surge depois de três cortes consecutivos. Isto acontece numa altura em que o presidente Jerome Powell está sob pressão crescente de Donald Trump, que já lhe abriu a porta da rua assim que o mandato terminar em maio.
Com esta decisão, a primeira do ano, as taxas das fed funds vão prosseguir no intervalo entre 3,50% e 3,75%, sendo expectável, ainda assim, que estas venham a cair ao longo de 2026. Os analistas estão divididos se a Fed chega ao final do ano – já com um novo presidente – com as taxas na casa dos 2,75%, 3,00% ou 3,25%.
Não houve alinhamento na decisão. Dez membros defenderam a manutenção das taxas, mas os governadores Stephen I. Miran e Christopher J. Waller, que foram apontados por Trump, “preferiam baixar o intervalo das taxas em 25 pontos base nesta reunião”, observa o comunicado da Fed.
Em todo o caso, o banco central justifica a pausa com o facto de a inflação se manter “um pouco elevada”, enquanto a “atividade económica se tem expandido a um ritmo sólido” e “a taxa de desemprego tem apresentado sinais de estabilidade”.
Ainda assim, frisa a Fed, “a incerteza quanto às perspetivas económicas continua elevada” e, por isso, “continuará atento aos riscos para ambos os lados do seu duplo mandato”.
O interesse dos analistas será outro, no entanto: a investigação a Powell por parte do Departamento da Justiça por causa dos custos com as obras de renovação do edifício do banco central e que levou o presidente da Fed a insurgir-se de forma inédita contra Trump.
Numa declaração em vídeo, Powell considerou que o caso aberto pelo Ministério Público corresponde a uma “retaliação” por não cortar as taxas de juro ao ritmo pretendido pelo Presidente americano e um ataque à sua independência.
Há muito que Powell está na lista de alvos de Trump e já sabe que irá ser substituído assim que o mandato terminar em maio. Rick Rieder, senior managing director na BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, é o favorito nessa corrida.
(notícia atualizada às 19h10)
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