Antigos donos da Sugal compram têxtil de Barcelos que veste campeões olímpicos
Antes concentrada na agricultura, holding da família Ortigão Costa diversifica carteira com entrada na Vizelpas e agora na P&R de Duarte Nuno e Ascensão Pinto, que emprega 250 no vestuário desportivo.
Mais de quatro décadas após ser fundada pelo casal Duarte Nuno e Maria da Ascensão Pinto, a P&R Têxteis acaba de ser vendida à Sogepoc, a holding da família Ortigão Costa que há poucos meses tinha os investimentos quase exclusivamente concentrados no setor agrícola, com destaque para a produção de nozes, amêndoas, laticínios, arroz ou cogumelos, além da coudelaria criada nos anos 1960 pelo patriarca.
Depois da cisão familiar, em que João Ortigão Costa comprou aos irmãos a gigante do concentrado de tomate Sugal, que era o seu principal ativo do grupo, o CEO António Jorge logo deixou perceber que o encaixe permitiria olhar para outros negócios, ao antecipar ao ECO uma “nova fase de oportunidades” também noutros setores.
A diversificação da carteira da Sogepoc começou a ganhar forma no ano passado com um primeiro investimento na Vizelpas de Santo Tirso, produtora de embalagens para produtos alimentares e farmacêuticos fundada há 28 anos por Modesto Araújo, que emprega 220 pessoas e fatura 52 milhões de euros. Prossegue agora ainda mais a Norte e no ramo têxtil, com a aquisição desta fabricante de vestuário técnico de desporto.
Com duas fábricas e 250 trabalhadores, segundo dados oficiais consultados pelo ECO, relativos a 2024, a têxtil minhota faturou 18,6 milhões de euros e registou lucros de 2,4 milhões. A maior parte da produção segue para a exportação, tem a Adidas, Asics, Arena ou Le Coq Sportif como clientes (além da marca própria Onda) e equipa modalidades como atletismo, natação, remo, canoagem, ciclismo ou triatlo.
Para “garantir o seu envolvimento contínuo no desenvolvimento e no sucesso a longo prazo”, a família Pinto vai manter uma participação minoritária. Segundo apurou o ECO, fica-se pelos 15% e a P&R vai passar a ter uma coliderança: o gestor a nomear pelos novos donos será acompanhado por Nuno Pinto, filho dos agora acionistas minoritários, que trabalha na empresa e é licenciado em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP).
Contactado pelo ECO, Duarte Nuno Pinto escusou-se a justificar a venda ou dar mais detalhes sobre a operação, alegando “não [ter] nada a acrescentar” à informação partilhada pela consultora Clearwater, que assessorou os vendedores neste negócio.
A P&R Têxteis possui um legado notável construído sobre valores familiares, qualidade e inovação, que ressoam profundamente com a Sogepoc.
O empresário instalado na freguesia de S. Veríssimo, às portas da cidade de Barcelos, assinala nessa nota ao mercado que “entre as várias partes interessadas, a Sogepoc destacou-se como o parceiro ideal para apoiar o crescimento contínuo, preservando os valores e a experiência que fizeram da P&R um fornecedor de confiança para marcas desportivas de elite em todo o mundo”.
Já Nuno Fernandes Thomaz, administrador da Sogepoc, refere que “desde o primeiro encontro, [sentiu] uma forte conexão e uma visão partilhada”. A holding da família Ortigão Costa, que após perder a Sugal viu os restantes negócios avaliados em 300 milhões de euros pela Forbes, promete “apoiar o crescimento, fortalecer as operações e continuar a fornecer produtos excecionais para atletas e marcas em todo o mundo”.

Do desenvolvimento inicial do produto ao fabrico em larga escala, a P&R tem todos os processos dentro de portas. Mas o arranque da aventura têxtil não foi fácil. Nos primeiros 13 anos só deu prejuízos ao economista e à ex-professora primária – os lucros chegaram em 1995, após trocarem o fabrico de vestuário de moda em malha pela roupa especializada para desporto.
No currículo destaca-se o fato usado por Nelson Évora no triplo salto para o ouro olímpico em Pequim (2008), a camisola que levou o velocista jamaicano Usain Bolt à vitória nas corridas dos 100 e 200 metros em Londres (2012) ou o calção usado pelo nadador Diogo Ribeiro em Doha (2024), onde se tornou campeão do mundo nos 50 metros mariposa.
Com um histórico a ‘pedalar’ no fornecimento de camisolas de várias cores para o Tour de France, nas Olimpíadas de Paris (2024) participou no desenvolvimento de fatos de banho da Arena e de equipamentos de atletismo para a Adidas e Le Coq Sportif. E dentro de poucos dias prepara-se para voltar a ‘entrar em competição’ com vários equipamentos nos Jogos Olímpicos de Inverno (Milano Cortina 2026).
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