Votos em branco quase triplicam

O número mais elevado de votos nulos tinha sido registado até agora nas eleições de 2011 que reelegeu Cavaco Silva. Freguesias onde Cotrim venceu tiveram mais votos em branco.

O número de votos em branco quase triplicou face à primeira volta das eleições presidenciais, o que pode ser explicado pelo facto de alguns dos eleitores dos candidatos que não passaram à segunda volta, não se reviram em António José Seguro, nem em André Ventura. O número de votos nulos também aumentou e atingiu o nível mais elevado de todas as eleições presidenciais.

De acordo com os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, quando ainda faltam apurar 20 freguesias – que só votam a 15 de fevereiro — e sete consulados, houve 173.806 votos em branco e 97.714 votos nulos, o que compara com 61.237 em branco e 65.386 nulos na primeira volta das presidenciais. O número mais elevado de votos nulos tinha sido registado até agora nas eleições de 2011 que deram a vitória a Cavaco Silva (86.581 votos nulos) pela segunda vez. Foi nessa eleição que se registou o número recorde de votos em branco (191.284).

Na primeira volta das presidenciais o número de votos nulos superou os votos em branco. Algo que pode ser explicado pelo facto de o boletim de voto conter três nomes que não foram aprovados e ser o mais longo de sempre (com 11 candidatos). Nas três primeiras eleições presidenciais a tendência foi a mesma (mais nulos do que brancos), mas a partir da segunda volta das presidenciais de 1986 deixou de ser assim.

Nesta segunda volta, sem nomes nos quais não era possível colocar uma cruz, o número de votos em branco voltou a superar os nulos e registou um aumento de 184% face à primeira volta.

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Nas freguesias onde Cotrim de Figueiredo venceu na primeira volta – Belém, Estrela e Avenidas Novas (Lisboa); união das freguesias de Cascais e Estoril e freguesia da Foz do Douro, no Porto – tiveram uma percentagem de votos em branco acima da média, ao variar entre 7,31% no Porto e 5,45% em Cascais, permitindo inferir que os eleitores de Cotrim não se identificaram com os dois candidatos da segunda volta, mas fizeram questão, ainda assim, de ir votar.

Já em termos de abstenção, as projeções da abstenção nesta segunda volta das presidenciais variavam entre 37,5% e 48%, o que compara com uma taxa de abstenção de 47,65%, na primeira volta, e de 60,76%, nas eleições de 2021. Com 20 freguesias – que só votam a 15 de fevereiro — e sete consulados por apurar, a taxa de abstenção está nos 49,89%. A taxa de abstenção oficial só pode ser apurada após a contagem de todos votos.

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