Exclusivo Parvalorem entra em liquidação e acorda saída de 70 trabalhadores

Foi um dos resgates bancários mais caros para o Estado e está mais perto do fim, A Parvalorem, que gere os restos do falido BPN, entrou em liquidação e acordou a saída da maioria dos trabalhadores.

Agência do Banco Português de Negócios, Porto, 19 de janeiro de 2011.José Coelho/Lusa
ECO Fast
  • A Parvalorem, responsável pela gestão dos ativos do falido BPN, iniciou a sua liquidação, que deverá ser concluída até 2027.
  • Desde a sua criação, a Parvalorem acumulou prejuízos de 4,2 mil milhões de euros, apesar de ter registado lucros de 14,6 milhões em 2024.
  • Os contribuintes ainda suportam uma dívida de 5,36 mil milhões de euros, refletindo o impacto significativo do resgate do BPN nas finanças públicas.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Um dos resgates bancários que mais dinheiro custou aos contribuintes já entrou na fase final. A Parvalorem, criada em 2010 para gerir os restos do falido BPN, avançou no início do ano com a sua liquidação, processo que deverá estar concluído até final de 2027. Praticamente todos os trabalhadores já assinaram acordos de saída. Os prejuízos para o Estado superam os cinco mil milhões de euros, mas ainda não é a fatura final.

A Parvalorem avançou no verão passado com um programa de saídas voluntárias através de rescisões por mútuo acordo. O ECO sabe que 70 trabalhadores já assinaram acordos para saírem, mas as saídas serão feitas de forma gradual, tendo em conta que ainda há muito trabalho pela frente. Já saíram quatro trabalhadores em 2025, para este ano estão previstas outras 15 saídas e em 2027, o último ano, sairão 51 trabalhadores. Neste momento apenas cerca de dez trabalhadores ainda não tinham assinado qualquer acordo. A Parvalorem confirma os números, mas não faz mais nenhum comentário.

As indemnizações foram fixadas num montante máximo de 350 mil euros e mínimo de 50 mil. Quem tivesse aceitado sair até final do ano passado beneficiaria de condições melhores – e a maioria aproveitou a oportunidade. Além do subsídio de desemprego, os trabalhadores também terão seguro de saúde até 2028, entre outros benefícios.

Já foi constituída a comissão liquidatária — composta pela mesma administração da Parvalorem — com vista a encerrar o processo de liquidação deste veículo até 31 de dezembro de 2027.

Outras PAR já foram encerradas

Há muito que a Parvalorem se vem preparando para este desfecho. Nos últimos anos foram liquidadas (através da integração na Parvalorem) as outras duas PAR que foram criadas também em 2010 na sequência da nacionalização do BPN ocorrida dois anos antes: primeiro a Parups (que ficou com as obras de arte do banco fundado por José Oliveira e Costa) e depois a Parparticipadas (que geria as participações sociais do grupo BPN, como o banco Efisa, já liquidado).

Durante o processo de liquidação a Parvalorem vai reduzindo a sua estrutura gradualmente, mas mantendo um número de trabalhadores mínimo para continuar os esforços na redução do balanço com a recuperação das carteiras de crédito e alienação dos ativos imobiliários.

A Parvalorem registou lucros pela primeira vez na sua história em 2024, alcançando um resultado de 14,6 milhões de euros, o que não deixa de constituir uma gota de água no oceano de prejuízos de 4,2 mil milhões que acumula desde a sua constituição.

Embora tenha vindo a fazer reembolsos ao Estado nos últimos anos, a Parvalorem ainda devia cerca de 5,36 mil milhões aos contribuintes, que correspondiam na prática ao seu passivo no final de 2024.

O BPN foi um dos resgates à banca que mais custou ao erário público, tendo custado 5,9 mil milhões de euros, segundo o Tribunal de Contas. Apenas o processo relacionado com a resolução do BES e os apoios do Novobanco custou mais: 8,3 mil milhões.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Parvalorem entra em liquidação e acorda saída de 70 trabalhadores

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião