Mário Centeno recusa comparação com Passos Coelho. “É despropositada”
Ex-governador do Banco de Portugal e antigo ministro das Finanças afasta semelhanças com Passos na intervenção no espaço público, notando que a sua "dedicação à vida académica não tem paralelo".
Mário Centeno, ex-ministro das Finanças, que também foi governador do Banco de Portugal, recusa semelhanças com o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho no que toca à intervenção que ambos têm tido no espaço público. A reação aconteceu à margem a apresentação do seu novo livro “Contas Certas”, que se debruça sobre o período em que ocupou a pasta das Finanças nos governos de António Costa.
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Em declarações aos jornalistas, Centeno reclama que “essa comparação é despropositada porque o passado [de ambos] é completamente diferente”, apontando depois um dos aspetos em que se diferencia do ex-líder do PSD: “a minha dedicação à vida académica não tem paralelo com nenhuma figura que vocês vejam, em particular o Dr. Passos Coelho”.
“Eu tenho, para mim, uma visão de que o meu contributo é aportar à discussão o meu conhecimento. Só isso. Talvez muito académico, talvez muito próximo. Todas as semanas, de facto, tenho esse comentário [programa na CNN Portugal], mas é exatamente isso que quero fazer. Não há nenhuma comparação possível, mesmo, entre uma situação e outra“, acrescenta.
O meu papel neste momento é tão só — e se calhar já não é pouco — o de apresentar aquilo que é a minha visão sobre o caminho que o país faz. Ser primeiro-ministro? Não, não gostava nada.
O antigo governante socialista, que não é militante do PS, recusa um regresso à vida política ativa. “O meu papel neste momento é tão só — e se calhar já não é pouco — o de apresentar aquilo que é a minha visão sobre o caminho que o país faz“. E que diz não passar por cargos políticos. Aliás, minutos depois, questionado sobre se gostava de ser primeiro-ministro, Centeno foi lacónico: “não, não gostava nada”.
O antecessor de Álvaro Santos Pereira no banco central justifica-se com o atual ciclo político e que “tem de fazer o seu curso”, escudando-se também na tese de que “as legislaturas são para cumprir, que significa também dialogar e negociar“.
“Se entender como proposta política aquilo que é a minha visão do que o país hoje deveria estar concentrado, é com certeza. Mas não é uma proposta política corporizada nem na minha pessoa, nem endereçada a quem quer que seja”, sublinha.
Centeno regressou às críticas à falta de consensos políticos por parte de todos os partidos, e não apenas do Governo, recorrendo a uma analogia da mesa de três pernas, que tinha usado na apresentação do livro para descrever a “geringonça” (e que sem uma delas não teria funcionado).
“Temos de criar essa estabilidade e foi daí esta analogia com a mesa de três pernas. Nunca nos são dadas todas as condições que, se calhar, à partida, desejaríamos para executar um determinado mandato. É a obrigação de quem está, e de quem vive o ciclo político em cada momento, criar essas mesas de três pernas a partir daquilo que é a realidade atual”, acrescentou.
Notícia atualizada ás 21:17h
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