Um guia anotado de 2019

O que se passou em 2019, dia a dia, mês a mês, na economia, na política e nos negócios? Leia aqui o guia anotado.

O que é que de mais relevante se passou em 2019, do ponto de vista económico, político ou empresarial? Um guia anotado, para guardar, sobre o ano que agora termina, para ter o registo dos momentos mais importantes do ano, dos negócios que se fizeram, e daqueles que estiveram para se fazer, dos que desapareceram e dos novos protagonistas. Um guia publicado em primeira mão no ECO Insider, a newsletter semanal exclusiva para assinantes.

Janeiro

No mês em que a Amazon ultrapassou a Microsoft como a empresa com maior capitalização bolsista nos Estados Unidos da América, posições que trocaram ao longo do ano, em Portugal, a ANA – Aeroportos de Portugal e o Estado assinam no dia 8 de janeiro o acordo para a expansão da capacidade aeroportuária de Lisboa, que prevê um investimento de 1,15 mil milhões de euros até 2028. Como se sabe, só em agosto apareceu o estudo de impacte ambiental a autorizar a construção de um novo aeroporto no Montijo, mas com exigência de medidas mitigadoras dos efeitos do projeto no ecossistema. E aguarda-se agora que a ANA responda às cerca de 50 exigências da agência do ambiente.

No dia 9 de janeiro, 🏥 o Conselho de Administração do Hospital de S. João, no Porto, pede a renúncia de funções. Foi só o primeiro pedido de demissão, de outros que se sucederam ao longo de todo o ano e que mostraram a degradação e a rutura, mesmo, do Serviço Nacional de Saúde (é preciso, aqui, saltar, para 25 de dezembro e os anúncios de 800 milhões).

A saga do Brexit começou logo em janeiro, com um filme que parecia, e parece, interminável. O parlamento britânico rejeitou, no dia 15 de janeiro, o acordo de saída do Reino Unido da União Europeia negociado pelo Governo da primeira-ministra Theresa May com Bruxelas, com 432 votos contra e 202 a favor.

No dia 16 de janeiro, o ex-ministro do PS Armando Vara apresentou-se na cadeia de Évora para cumprir cinco anos de prisão a que foi condenado no âmbito do processo Face Oculta. Foi um dos poderosos a cair na prisão. Vão seguir-se outros? Ainda não há acusação no caso BES e a operação Marquês está em fase de instrução (tudo para 2020).

Fevereiro

No dia 5 de fevereiro, o processo do roubo de armas em Tancos é declarado como sendo de especial complexidade, o que permite dilatar até ao final de setembro o prazo para a conclusão do inquérito do Ministério Público. A pressão sobre Azeredo Lopes, o ex-ministro da Defesa, aumenta (e hoje já se sabe o início do fim da história).

O poder da máquina fiscal é reforçado (e está no limite da intrusão). Porquê? No dia 5 de fevereiro, o Presidente da República promulga os diplomas do parlamento sobre transparência da informação relativa a créditos de valor elevado e sobre comunicação obrigatória ao fisco de informações de contas superiores a 50 mil euros. No meio disto, a carga fiscal mais elevada de sempre é uma brincadeira.

No dia seguinte, 6 de fevereiro, a Comissão Europeia chumba a fusão do grupo industrial francês Alstom com a multinacional tecnológica Siemens, considerando que o negócio iria “reduzir significativamente a concorrência” na Europa na área dos comboios de alta velocidade.

No dia 15 de fevereiro, a Assembleia da República aprova uma nova comissão de inquérito à gestão na Caixa Geral de Depósitos (CGD) 💰, entre 2000 e 2015. E o que deu (saltar para julho)…

O novo Governo de António Costa saiu das eleições de 6 de outubro, mas na verdade começou a ser construído no dia 16 de fevereiro. O primeiro-ministro anuncia uma remodelação no Governo promovendo três secretários de Estado a ministros: Mariana Vieira da Silva para a Presidência, Pedro Nuno Santos para as Infraestruturas e Habitação, e Nelson de Souza para o Planeamento. O ministro Pedro Siza Vieira tinha sido promovido a ministro da Economia em outubro do ano anterior, mas a sua ascensão não parou aí, como se sabe.

No dia 19 de fevereiro, uma polémica (tão incompreensível como reveladora). A OCDE fez um survey sobre Portugal, a apresentar neste dia, mas o Governo vetou a participação de Álvaro Santos Pereira, o responsável do departamento que elaborou o relatório. Porquê? Porque não gostou do trabalho do economista e ex-ministro sobre a corrupção (como se não houvesse disso em Portugal…)

Março

Logo no dia 1 de março, o Novo Banco anuncia anunciou o pedido de uma injeção de capital de 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução e o Ministério das Finanças informa que “considera indispensável” uma auditoria aos créditos para escrutinar o processo de capitalização deste banco. Um jogo de sombras, porque, como é público desde o dia em que o negócio com o Lone Star foi feito, a garantia pública é de 3,9 mil milhões de euros. E se foi concedida, será usada.

Como estes números chocam com a narrativa oficial de que não haveria mais dinheiro público, começou o “passa a culpa”, e o anúncio de uma auditoria às contas (a nova fórmula para passar responsabilidade políticas). Podem saltar para outubro, o mês em que foi anunciada a Deloitte como consultora que vai fazer a dita auditoria. A seguir, marquem na vossa agenda, só falta anunciar a comissão de inquérito. E para o ano, há mais.

Também neste dia, 1 de março, um momento que se pode dizer “histórico”. A 📺 SIC voltou à liderança nas audiências ao fim de 12 anos, ultrapassando as audiências da TVI por apenas uma décima: 18,6% contra 18,5%. Foi o efeito-Cristina.

Cristina Ferreira dobrou audiência de Goucha no segundo dia do Programa da Cristina.Rui Valido/Daily Cristina

No dia 7 de março, a empresa tecnológica chinesa Huawei anuncia que vai processar o Governo dos Estados Unidos por ter proibido a compra dos seus equipamentos de telecomunicações pelos serviços públicos. Esta guerra, que tem também contornos comerciais, prolongou-se ao longo de todo o ano, e com consequências em Portugal, particularmente por causa do 5G.

O princípio do fim de Tomás Correia no Montepio começou verdadeiramente no dia 13 de março. Porquê? O Conselho de Ministros aprova o decreto-lei que especifica que a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões é competente para avaliar o presidente da Mutualista Montepio, nomeadamente quanto a qualificação profissional, idoneidade e incompatibilidades. Tomás Correia resistiu (e teríamos de esperar até 15 de dezembro para o ver sair efetivamente da presidência da Associação Mutualista).

A TAP a voar baixinho… No dia 22 de março, o país é surpreendido com os prejuízos históricos da TAP no ano anterior. A companhia aérea fechou o ano com 118 milhões de euros de prejuízo, valor que compara com os lucros de 21 milhões de 2017. O ECO já tinha avançado em primeira mão que a companhia aérea tinha registado perdas superiores a 100 milhões de euros em2018. “Foi um ano difícil para a TAP, quer em termos operacionais quer em termos económicos e financeiros”, reconheceu Miguel Frasquilho, chairman da TAP, nomeado pelo Estado. Os privados, leia-se David Neeleman, ficaram em causa, e a relação acionista com o Estado, leia-se com Pedro Nuno Santos, não voltou a recompor-se.

Uma boa notícia para o país (e para o Governo). O défice fechou o ano de 2018 é de 0,5% do PIB, abaixo da previsão do Governo e das melhores expectativas do ministro das Finanças que em fevereiro tinha apontado para 0,6% do PIB. O número foi avançado no dia 23 de março pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e permite a Mário Centeno apresentar um novo brilharete a sete meses das legislativas.

No dia 27 de março, a saga ‘Brexit’ continua. O Parlamento britânico aprova a legislação interna necessária para adiar o ‘Brexit’, inicialmente agendado para 29 de março. E nesse dia, a primeira-ministra Theresa May anuncia que pretende sair de funções antes da próxima fase de negociações com a União Europeia, depois de o Acordo de Saída para o ‘Brexit’ ser aprovado.

A 29 de março, o Ministério Público acusa a TVI de ofensa à reputação económica do Banif e o diretor de informação da estação de televisão, Sérgio Figueiredo, de desobediência qualificada e ofensa à reputação, após uma queixa do banco (em liquidação) relativa a uma notícia sobre o alegado fecho da instituição, em 13 de dezembro de 2015. Este é um processo que ainda não começou verdadeiramente. Mas já teve consequências. No acordo de venda da TVI à Cofina (ler a entrada de 21 de setembro), a Prisa ficou com o ónus de responsabilidade do que vier a ser decidido em tribunal.

Abril

O país descobriu a força das corporações. No dia 15 de abril, os motoristas de matérias perigosas entram em greve, convocada pelo Sindicato Nacional de 🚚 Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica.

E no dia 17 de abril, o Banco de Portugal condenou a KPMG e dois dos seus membros por prestação de informações falsas sobre os problemas financeiros do BES Angola ao supervisor. Além da própria auditora, são condenados Inês Viegas e Fernando Antunes, “por infrações especialmente graves” no período entre 11 de fevereiro e 30 de maio de 2014, portanto, semanas antes da resolução do BES. E já se sabe que todos os arguidos impugnaram esta condenação, para o Tribunal da Concorrência, Supervisão e Regulação. A KPMG é condenada ao pagamento de uma coima única no valor de três milhões de euros, enquanto os sócios da KPMG, Inês Viegas e Fernando Antunes, foram condenados ao pagamento de coimas únicas de 425 mil euros e de 400 mil euros, respetivamente.

No dia 24 de abril, termina aquele que seria o negócio da década. Os acionistas da EDP chumbam a alteração dos estatutos para acabar com a limitação dos direitos de voto a 25% do capital, pondo fim à oferta pública de aquisição (OPA) da China Three Gorges quase um ano depois. Uma oferta que valia mais de 11 mil milhões de euros. Um negócio da China? Para os acionistas da EDP, definitivamente, não. O futuro da EDP, esse, continua em suspenso (e com operações de venda a avançar, pode passar já para 19 de dezembro para mais informações).

No dia 30 de abril, chegou a hora de Cláudia. Os acionistas da Sonae SGPS elegem esta terça-feira o novo conselho de administração do grupo, momento que marca a segunda transição de liderança em 12 anos. Em 2007, Paulo sucedeu a Belmiro. Em 2019, Cláudia sucede a Paulo. E a transição que agora se concretiza, apesar de aprovada em julho do ano passado, foi preparada ao longo dos últimos dois anos.

Cláudia Azevedo (C), próxima CEO da Sonae acompanhada por Paulo Azevedo (E), Chairman e Co-CEO da Sonae, e Ângelo Paupério (D), Co-CEO, na apresentação de resultados de 2018, na Maia

Maio

Em 2019, o país viveu a ‘quase-crise-política’. No dia 2 de maio, à noite, a comissão parlamentar de Educação aprova, com o voto contra do PS e o apoio de todos os restantes partidos, a recuperação total do tempo de serviço congelado aos professores🏫 , com “efeitos em 2020 e anos seguintes”. António Costa dramatizou, anunciou um pedido de demissão caso a medida viesse a ser aprovada em plenário do Parlamento e o PSD e o CDS voltaram com a palavra atrás. Costa ganhou. Xeque-mate.

No dia 9 de maio, volta o BES. O Tribunal da Relação de Lisboa rejeita o recurso do ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, relativo à condenação a uma coima de 3,7 milhões de euros. O que escreveu o ECO neste dia?

  • O Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a decisão do tribunal de primeira instância de condenar Ricardo Salgado ao pagamento de uma coima de 3,7 milhões de euros e à inibição de funções na banca durante oito anos, devido a atos de gestão ruinosa no BES, antes de o banco ter sido resolvido em agosto de 2014. Entretanto, o antigo presidente do BES anunciou que vai recorrer para o Tribunal Constitucional.
    Acabou a ‘quase-crise-política’. No dia 10 de maio, a Assembleia da República ‘chumba’, com os votos do PSD, PS e CDS-PP, a reposição integral do tempo de serviço congelado dos professores que havia sido aprovada na comissão parlamentar de Educação com o apoio de todos os partidos da oposição. A Assembleia da República rejeita todas as normas propostas por PSD e CDS-PP que previam a devolução integral do tempo de serviço dos professores com condicionantes.

Também no dia 9 de maio, o Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira os nomes de Margarida Corrêa de Aguiar e de Manuel Caldeira Cabral para os cargos de presidente e de vogal da Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).

No dia 10 de maio, uma demissão com estrondo. O presidente executivo dos CTT, Francisco de Lacerda, renuncia ao cargo, depois de meses de confronto interno e externo. A cotação dos CTT caiu para níveis historicamente baixos. Sucede-lhe João Bento, até então administrador não executivo.

No dia 24 de maio, a primeira-ministra britânica, Theresa May, demite-se da liderança do Partido Conservador, desencadeando uma eleição interna que ditará o novo líder do partido e do Governo. Estava a chegar o tempo de Boris Johnson (ler a entrada de outubro).

E no dia 26 de maio, a primeira derrota de Rui Rio como presidente do PSD. O PS vence as eleições europeias 🗳️ em Portugal com 33,38% dos votos e nove eurodeputados. Segue-se o PSD (21,94% e seis eurodeputados); o BE (9,82% e dois deputados); a CDU (6,88% e dois deputados); o CDS-PP (6,19% e um deputado); e o PAN (5,08% e um deputado). A nível da União Europeia, ganha o Partido Popular Europeu (PPE), que elegeu 182 deputados de quase meia centena de partidos de 27 países, incluindo os portugueses PSD e CDS-PP.

Junho

No dia 7 de junho, os deputados aprovam as três leis do pacote da transparência, incluindo a legislação sobre lóbi, impedimentos e incompatibilidades e estatuto dos deputados. Mas uma leitura mais fina permite perceber que de uma comissão de transparência dos políticos esperava-se… mais transparência.

O turismo, sempre o turismo, a disfarçar uma realidade. No dia 8 de junho, Portugal é eleito, pelo terceiro ano consecutivo, o Melhor Destino Turístico europeu pelos World Travel Awards.

No dia 10 de junho, Dia de Portugal, um facto e uma personalidade num só. João Miguel Tavares foi uma escolha, no mínimo, surpreendente, de Marcelo Rebelo de Sousa para presidir à comissão das comemorações do 10 de junho, este ano em Portalegre. Jornalista, comentador, sem o perfil que é regra geral escolhido para liderar este tipo de cerimónias, foi, como o próprio disse, o primeiro “filho da democracia” a ter esta missão, na sua terra. E trouxe, no seu discurso, um tema central: A meritocracia, ou o que os políticos não estão a fazer para garantir que os melhores chegam mais longe.

No dia 14 de junho, Os ministros das Finanças europeus chegam a acordo sobre as principais linhas de um orçamento para a zona euro. E nesse dia, o Conselho de Ministros dos Assuntos Económicos e Financeiros da União Europeia encerra o procedimento por défice excessivo a Espanha, o que deixa a Europa sem qualquer país sob a alçada punitiva do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

No dia 19 de junho, o Presidente dos EUA 🇺🇸 , Donald Trump, anuncia a sua recandidatura à Casa Branca. O processo de destituição veio mais tarde, mas veio (precisa de saltar para dezembro).

Uma mudança histórica na Apple. Jony Ive, o histórico designer de produtos como o iPhone, anuncia a sua saída da Apple, ao fim de duas décadas a definir a estética do mundo com o iPod, o iPhone e os computadores Apple. Em entrevista ao Financial Times (acesso pago), no dia 27 de junho, Ive revela que vai lançar uma nova empresa criativa, a LoveFrom, e o primeiro cliente será precisamente a Apple.

Julho

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia escolhem a alemã Ursula von der Leyen para a presidência da Comissão Europeia; o primeiro-ministro belga, Charles Michel, para a presidência do Conselho Europeu; o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Josep Borrell, para Alto Representante da UE para a Política Externa; e a francesa Christine Lagarde para o Banco Central Europeu. Foi no dia 2 de julho.

No dia 3 de julho, um dos negócios do ano, pré-anunciado: O Benfica vende João Félix ao Atlético de Madrid por 126 milhões de euros, uma das maiores transferências de sempre no futebol ⚽ mundial. E isto vai dar lucros recorde ao Benfica, que só serão conhecidos em meados de 2020.

No dia 4 de julho, morre Paulo Nunes de Almeida, presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP). Tinha 60 anos.

No dia 17 de julho, o relatório final da comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) é aprovado por unanimidade (pode “regressar” a fevereiro). Os deputados concluem que o Banco de Portugal falhou na supervisão, criticam a gestão do banco público, a administração de Santos Ferreira e a falta de atenção de sucessivas tutelas e referem a responsabilidade política do Governo de José Sócrates no “período mais crítico de 2005-2008”.

E para quem não se lembra: Foi a terceira comissão de inquérito à CGD em três anos. Foram 36 audições que duraram mais de 120 horas. E horas intermináveis de trabalho de bastidores dos deputados. O resultado final traduziu-se num relatório com 374 páginas, 47 conclusões e nove recomendações, que vai seguiu agora para o Ministério Público. E para quem se lembra, fica também o registo do ano: A épica (e não é um elogio) prestação de Joe Berardo, que lhe valeu uma segunda metade de 2019 para mais tarde… esquecer.

No dia 19 de julho, O parlamento aprova alterações ao Código do Trabalho 🔨 , com o voto do PS e a abstenção do PSD e do CDS, que estabelecem o alargamento do período experimental de 90 para 180 dias para jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração, e o fim do banco de horas grupal.

Nesse mesmo dia 19 de julho, A maioria de esquerda no Parlamento aprova a nova Lei de Bases da Saúde, proposta pelo Governo socialista, uma lei ideológica, e que promete “matar” as Parcerias Público-Privadas, curiosamente aquelas que permitem melhor acesso dos portugueses aos hospitais públicos e a mais baixo custo para os contribuintes.

No dia 23 de julho, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido Boris Johnson vence as eleições no Partido Conservador e sucede a Theresa May à frente do governo britânico.

Agosto

A notícia tinha sido revelada aqui, no ECO Insider, em primeira mão. No dia 1 de agosto, o presidente do Eurogrupo e ministro das Finanças português, Mário Centeno, desiste da candidatura à liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI). Começou aqui o início do que se sabe hoje ser uma relação difícil com António Costa, que não terá feito tudo o que podia (dizem, claro, fontes próximas de Centeno).

No dia 9 de agosto, e para responder à sucessão de notícias sobre a nomeação de familiares no Governo e na alta administração pública, o Presidente da República promulga a lei que aperta as regras de nomeações governamentais, conhecida por “lei dos primos”.

No dia 12 de agosto, em pleno período de férias, recomeça a guerra dos motoristas. Os motoristas de matérias perigosas e de mercadorias iniciam greve por tempo indeterminado. O Governo decreta a requisição civil dos motoristas em greve, alegando incumprimento dos serviços mínimos.

No dia 16 de agosto, desaparece um líder empresarial (e político): Alexandre Soares dos Santos, o patriarca do grupo Jerónimo Martins.

Alexandre Soares dos Santos, Jerónimo MartinsPaula Nunes / ECO 20 setembro, 2017

O que se escreveu aqui no ECO?

  • Alexandre Soares dos Santos deixou-nos muito mais do que o império económico, um grupo industrial e de distribuição internacionalizado e que vale milhares de milhões de euros. Do líder da Jerónimo Martins — na verdade, deixou de ser presidente mas nunca deixou de ser líder — fica uma forma de ser, uma forma de estar. Uma cultura. E uma liberdade e independência dos poderes político-partidários e de interesses. E nesse sentido, um verdadeiro empreendedor político que, quando falava, “obrigava” todos a ouvir, um político fora da política, legitimado pelo que fez e não pela função que tinha.
    No dia 18 de agosto, o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas termina a greve iniciada em 12 de agosto.

A China 🇨🇳 fixa tarifas sobre produtos norte-americanos avaliados em 75 mil milhões de dólares (68 mil milhões de euros), em retaliação ao anúncio de novas taxas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump. Foi no dia 23 de agosto, e foi um ponto alto de uma guerra comercial entre os dois países (pode saltar para dezembro para ver os resultados desta guerra).

No final do mês, a 27 de agosto, António Costa surpreende. O primeiro-ministro escolhe a ex-ministra Elisa Ferreira para comissária europeia (e deixa cair Pedro Marques).

Setembro

No dia 9 de setembro, a Autoridade da Concorrência condena 14 bancos ao pagamento de coimas no valor global de 225 milhões de euros por prática concertada de informação sensível no crédito à habitação entre 2002 e 2013. É a maior multa de sempre.

E nos media, uma operação que já tinha sido revelada aqui no ECO Insider: No dia 21 de setembro, a Cofina 📰 anuncia um acordo com a espanhola Prisa para comprar a totalidade das ações que detém na Media Capital, um negócio (inicialmente) avaliado em 255 milhões de euros, com dívida incluída (em dezembro, este preço foi revisto em baixa…). Se bem sucedido, este negócio permite criar o maior grupo de media do país, com meios como a TVI, o Correio da Manhã ou a Rádio Comercial. Mas vai ser necessário esperar por 2020 para saber o resultado final.

No dia 24 de setembro, a presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, anuncia a abertura de um processo que visa a destituição do Presidente, Donald Trump.

O caso Tancos entra na campanha eleitoral. No dia 26 de junho, o Ministério Público acusa 23 pessoas, entre elas o ex-ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, no caso do furto e da recuperação das armas do paiol da base militar de Tancos.

Outubro

No dia 3 de outubro, morre Freitas do Amaral, fundador do CDS, ex-ministro e ex-presidente da Assembleia-Geral da ONU. Tinha 78 anos.

E no dia 5 de outubro, um desaparecimento prematuro: Manuel Ferreira de Oliveira, professor universitário e ex-presidente executivo da GALP. Tinha 70 anos.

Dia 6 de outubro, as eleições legislativas. O PS vence as eleições legislativas com 36,34% dos votos e elege 108 deputados, seguido do PSD (27,76% e 79 deputados), BE (9,52% e 19 deputados), CDU (6,33% e 12 deputados) CDS-PP (4,22% e cinco deputados), PAN (3,32% e quatro deputados), Chega (1,29% e um deputado), Iniciativa Liberal (1,29% e um deputado) e Livre (1,09% e um deputado). Assunção Cristas anuncia a sua saída da liderança do CDS-PP na sequência dos resultados eleitorais. Rui Rio mantém tudo em aberto (e depois veio a anunciar a recandidatura à liderança, em eleições já em janeiro de 2020).

No dia 25 de outubro, e depois de desmentir uma notícia em primeira mão do ECO, Tomás Correia anuncia que deixa a presidência da Associação Mutualista Montepio no dia 15 de dezembro. Depois de tudo o que se passou, da condenação do Banco de Portugal, da perspetiva de uma declaração de não-idoneidade do regulador dos seguros, depois de tudo, ainda consegue fixar a sua própria data de saída. E determinar a escolha de Pedro Leitão para presidente executivo do Banco Montepio. É obra (ou maçonaria).

Neste dia 25 de outubro, passa a ser oficial o que os leitores do ECO Insider já sabiam há semanas. O grupo Mello junta-se ao fundo Arcus para vender 80% da Brisa 🛣️ . É um negócio que vai deslizar para 2020, mas será seguramente um dos negócios do ano. Vasco Mello tem um mérito, além de outros: soube sempre sair a tempo, e com bons negócios. Foi assim no Brasil, foi assim nos EUA, vai ser assim em Portugal, quando a Brisa é um negócio maduro e dificilmente poderá dar mais do que já deu (e já deu muito).

No dia 29 de outubro, o parlamento britânico aprova a realização de eleições legislativas antecipadas em 12 de dezembro. E Boris Johnson já tem uma nova data de ‘Brexit’ negociada com Bruxelas: 31 de janeiro.

E mesmo no último dia do mês, um dos negócios do ano em termos internacionais. O grupo francês PSA, fabricante da Peugeot, e a ítalo-americana Fiat Chrysler acordam uma “fusão das atividades dos dois grupos” para criar uma nova entidade com sede na Holanda. O quarto maior grupo construtor automóvel do mundo, e que será liderado pelo português Carlos Tavares (não é o do Banco Montepio, não).

Novembro

No dia 4 de novembro, muda a história (de uma fundação, mas também, em certa medida, do país). A Fundação Calouste Gulbenkian conclui a venda da petrolífera Partex 🛢️ à tailandesa PTTEP por cerca de 622 milhões de dólares (cerca de 555 milhões de euros).

Neste dia 4 de novembro, e até ao dia 8, Lisboa é o centro do mundo tecnológico. Começa mais uma edição do Web Summit. E o que não temos em produtividade, temos em conversa…

É incrível. 2016, 2017, 2018, 2019. Conseguimos. Lisboa e Portugal tornaram-se no epicentro da revolução tecnológica. De uma certa forma, aqui antecipámos esta revolução com os seus protagonistas.

Quem disse isto? Adivinhou, foi Marcelo Rebelo de Sousa.
A guerra comercial entre os EUA e a China, que ninguém quer, começa a desanuviar. No dia 7 de novembro, a China anuncia que concordou com os Estados Unidos reduzir progressivamente as taxas alfandegárias adicionais sobre bens importados do outro país, à medida que avançarem nas negociações por um acordo comercial

No dia 10 de novembro, o PSOE vence as eleições legislativas espanholas, mas sem conseguir uma maioria absoluta (e no final do ano, ainda não há acordo para um governo efetivamente em funções).

Agora sim, é oficial. no dia 14 de novembro, oconsórcio que integra a Vanguard Properties, de Claude Berda, e a Amorim Luxury, de Paula Amorim, são oficialmente donos dos ativos imobiliários da Herdade da Comporta, que eram propriedade do Fundo Imobiliário gerido pela Gesfimo. Depois de vários obstáculos, o negócio ficou finalmente concluído por 157,5 milhões de euros.

Dezembro

Qual é a maior operação de mercado bolsista de sempre? No dia 11 de dezembro, a petrolífera saudita Aramco estreou-se na bolsa de Riade, após a maior oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de sempre. Avaliada em 1,7 biliões de dólares, a empresa pública chega a Tadawul como a maior cotada do mundo. Uma flutuação de apenas 1% será um valor superior à portuguesa Galp Energia.

A 12 de dezembro, Boris Johnson tem a legitimidade necessária para avançar com o ‘Brexit’. Ganha as eleições no Reino Unido com uma maioria claríssima.

O Banco Central Europeu (BCE) não fez alterações nas taxas de juro, na primeira reunião liderada pela nova presidente Christine Lagarde. Foi também no dia 12 de dezembro. A decisão era esperada pelos mercados, tendo em conta que o antecessor Mario Draghi deixou, antes da saída, o rumo dos instrumentos de política monetária delineado.

No dia 16 de dezembro, o Governo apresenta a proposta de Orçamento do Estado 💸 de 2020. Um orçamento que tem como marca a previsão de excedente orçamental de 0,2%. Em tudo o resto, não consegue agradar a ninguém, nem à esquerda, que o deverá aprovar no Parlamento, nem à direita, que o vai chumbar. Sobra Mário Centeno, um ministro zangado com tudo e com todos. Menos consigo.

No dia 18 de dezembro, Carlos Moedas é eleito como novo administrador executivo do conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian. De Bruxelas para Lisboa.

Este é um dos negócios do ano (ao lado da venda de rede de fibra da Altice). No dia 19 de dezembro, a EDP fechou a venda de seis barragens no Douro a um consórcio liderado pela francesa Engie, que conta também com a participação do Crédit Agricole e a Mirova – Grupo Natixis. A alienação totalizou 2,2 mil milhões de euros, 200 milhões acima do montante apontado pelo mercado.

António Costa durante a gravação da mensagem de Natal de 2016.João Relvas / Lusa

No comunicado ao país,🎄em dia de Natal, António Costa aposta tudo nas promessas sobre o que o Governo quer fazer a partir de 2020 na saúde. O dinheiro (quando na verdade os anunciados 800 milhões são o que se gastou, e não estavam orçamentados, em 2019), as contratações e as mudanças na gestão. Muitas promessas para um SNS em rutura.

Uma carta aos nossos leitores

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Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

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  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

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No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

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Um guia anotado de 2019

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