Falhada a compra da TVI, “é uma questão de tempo” até Altice Portugal deter conteúdos

Mais de cinco meses depois de ter falhado a compra da Media Capital, Alexandre Fonseca não desiste de erguer o pilar dos conteúdos em Portugal: "É uma questão de tempo", afirmou esta segunda-feira.

O presidente executivo da Altice Portugal afirmou que “é uma questão de tempo” até a empresa conseguir implementar em Portugal um dos três pilares da estratégia internacional, que é o pilar dos conteúdos. As palavras de Alexandre Fonseca surgem mais de um ano depois de a empresa ter proposto comprar a dona da TVI, operação que mereceu o chumbo da Autoridade da Concorrência (AdC).

Numa intervenção num almoço protocolar da Câmara de Comércio Americana em Portugal, que decorreu em Lisboa esta segunda-feira, Alexandre Fonseca insistiu que foi a Altice quem decidiu encerrar o dossiê, depois de 11 meses à espera do parecer do regulador da concorrência. “Fomos nós que retirámos voluntariamente o bid [oferta] sobre a Media Capital, por incapacidade do regulador de se pronunciar. Podiam ter entrado 450 milhões de euros de capital estrangeiro em Portugal”, disse o líder da dona da Meo.

Apesar da decisão da Altice Portugal, na altura, a AdC já se preparava para chumbar a operação, como ficou revelado num parecer divulgado após a retirada da oferta por parte da empresa compradora em meados de junho, uma decisão que seria vinculativa. Agora, mais de cinco meses depois de o processo ter sido encerrado, Alexandre Fonseca ainda aponta o dedo ao regulador presidido por Margarida Matos Rosa, indicando que a entidade “inviabilizou um bom negócio para a economia, até do ponto de vista de alguns governantes”.

“[A AdC] inviabilizou a nossa estratégia de ter os três pilares em Portugal [telecomunicações, publicidade e conteúdos]. Mas é uma questão de tempo”, sublinhou ainda o presidente executivo da Altice Portugal. Declarações que mostram que a empresa não vai desistir tão cedo da estratégia internacional de deter operações nos setores das telecomunicações, da publicidade e também dos conteúdos.

Altice Portugal quer assinar contrato proposto pelo criador da web

A Altice Portugal quer assinar o contrato proposto no Web Summit por Tim Berners-Lee, criador do protocolo World Wide Web, que veio permitir aceder a páginas na internet e, mais tarde, viabilizar o surgimento de gigantes como a Google e o Facebook. E já fez contactos formais para esse efeito.

Tim Berners-Lee, muitas vezes apelidado de “pai da web“, disse este mês, em Lisboa, que vai lançar uma campanha para promover a integridade da web e garantir que todos os cidadãos têm acesso à rede. Os principais pontos do contrato podem ser consultados aqui.

Depois de ter anunciado também no Web Summit que quer fazer parte deste projeto, Alexandre Fonseca avançou ao ECO que a Altice Portugal já fez contactos para poder estar entre os primeiros signatários do contrato. “[A Altice Portugal] está disponível, desde já, para assinar esse contrato”, disse, acrescentando que a empresa já fez chegar “formalmente” essa vontade “a quem de direito”.

“A nossa estratégia alinha perfeitamente com o objetivo de Tim Berners-Lee. Estamos disponíveis para [assinar o contrato], quando se quiser criar esse contrato e assiná-lo. Certamente seremos signatários”, disse o gestor.

(Notícia atualizada às 16h11 com mais informações)

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