Portugal sabe hoje se continua a desconfinar. Isto é o que pode reabrir já na segunda-feira

O Governo anuncia hoje se há condições para continuar a reabertura a "conta-gotas". País deve poder continuar a desconfinar, mas alguns concelhos poderão ter de esperar mais um pouco. Veja o que abre.

A avaliar pelas declarações do Governo, é razoável acreditar que o país continuará a desconfinar. Mas, talvez, nem todo à mesma velocidade.Hugo Amaral/ECO

O Governo decide hoje se Portugal tem condições para dar mais um passo no plano de desconfinamento. Conhecido há um mês, o programa tem corrido de feição aos portugueses e permitiu o regresso às esplanadas dos cafés e restaurantes no passado dia 5.

Agora, se o Executivo decidir prosseguir com a reabertura a “conta-gotas”, reabrem também os espaços interiores desses estabelecimentos, com um máximo de quatro pessoas por mesa, já na segunda-feira, dia 19. As esplanadas passarão a poder contar com seis pessoas à mesa, ao invés das atuais quatro, e permanecer abertas até às 22h00 durante a semana, ou 13h00 nos fins de semana e feriados.

Está ainda previsto o regresso das aulas presenciais no ensino secundário e superior, a reabertura de cinemas, teatros e auditórios, as lojas do cidadão com atendimento por marcação, todas as lojas e centros de comerciais, as modalidades desportivas de médio risco, a atividade física ao ar livre até seis pessoas e ginásios sem aulas de grupo, eventos exteriores com lotação reduzida e casamentos e batizados com 25% da lotação.

Se o primeiro-ministro der “luz verde” a este plano, como foi desenhado em março, a vida dos portugueses volta a assemelhar-se um pouco mais ao que era antes da pandemia, depois de vários meses em que a palavra de ordem era ficar em casa (e continua a ser, visto que foi renovado até ao fim do mês o estado de emergência pelo Presidente da República).

Novos casos e mortes por Covid-19 em abril:

Clique na legenda para ver só um dos dados. Fonte: DGS

Reabertura a várias velocidades

Mas os portugueses podem ser surpreendidos esta quinta-feira com uma decisão de não prosseguir com o desconfinamento em alguns concelhos do país, ou mesmo adiar a reabertura por mais uns tempos. Tem havido pressão de especialistas nesse sentido.

A primeira opção é a mais provável. Há duas semanas, a 1 de abril, António Costa, primeiro-ministro, virou os holofotes para um conjunto de concelhos que estavam, então, na zona laranja da matriz de risco, por terem incidências da Covid-19 superiores a 120 casos por 100 mil habitantes acumulados a 14 dias. Falando em “especiais cautelas”, explicou que estes municípios poderão ter de aguardar mais um pouco, enquanto a incidência não diminui para um patamar abaixo do tal valor de referência.

A última informação pública sobre as incidências remonta a sexta-feira, dia 9, em que 29 municípios continuavam acima da incidência de 120. Não se conhecem dados mais atualizados, pois a DGS, agora, só atualiza os números mais locais à sexta-feira, enquanto antes fazia-o todas as segundas-feiras.

Matriz de risco a 14 de abril:

Fonte: DGS

Também a própria matriz de risco será posta à prova. Se, em março, um risco de transmissibilidade (Rt) acima de 1 podia ser motivo para não desconfinar, Portugal está já acima desse valor. Na quarta-feira, o Rt era de 1,06 a nível nacional e 1,05 contabilizando apenas o território continental. Mas a incidência continuava baixa, nos 69 em Portugal continental e 72,4 contando com as regiões autónomas.

A fazer fé em declarações anteriores do chefe do Governo, é razoável acreditar que o país continuará a desconfinar em mais esta fase, ainda que, eventualmente, a várias velocidades. Isto porque o Executivo já explicou, noutras ocasiões, que os eixos não da matriz não são rígidos e que há zonas verdes para lá de cada eixo (quando um dos indicadores está baixo em relação ao outro).

Recorde aqui o plano original de desconfinamento:

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