Bruxelas vê PIB a crescer 1,1% no 4.º trimestre e a atingir nível pré-Covid a meio de 2022

A Comissão Europeia prevê que o PIB português cresça 1,1% em cadeia no quarto trimestre, ficando abaixo da meta anual do Governo. Recuperar totalmente da pandemia, só em meados de 2022.

As novas previsões de Outono da Comissão Europeia têm um sabor agridoce para Portugal. Se é verdade que melhoram as perspetivas para a economia portuguesa face às anteriores previsões, não deixam de ficar abaixo da expectativa do Governo e de colocar Portugal entre os países com uma retoma mais lenta. Para o quarto trimestre deste ano, Bruxelas vê o PIB a crescer 1,1%, o que deixa a meta anual nos 4,3%, abaixo dos 4,8% de Leão e Centeno. Para recuperar totalmente da pandemia ainda será preciso esperar por “meados de 2022”, enquanto a média europeia já recuperou este ano.

O crescimento de 1,1% em cadeia previsto pela Comissão corresponde a um crescimento de 5,1% em termos homólogos, o que é insuficiente para alcançar a meta (4,8%) do Governo prevista no Orçamento do Estado para 2022 (OE 2022) e do Banco de Portugal. Este valor para o quarto trimestre está dentro do intervalo definido pelo ISEG na semana passada, o qual ainda dava espaço à concretização da meta do Executivo.

Caso se concretize o cenário de Bruxelas, o PIB português ficará assim mais longe de alcançar o nível pré-pandemia (quarto trimestre de 2019), sendo que, no final do terceiro trimestre — no qual a economia cresceu 2,9% em cadeia e 4,2% em termos homólogos –, estava a cerca de 3,1% abaixo desse nível. No capítulo sobre Portugal, a Comissão Europeia projeta que esse nível seja alcançado “em meados de 2022″. A dimensão do crescimento previsto por Bruxelas para o primeiro e segundo trimestre de 2022 deverá ser suficiente, de acordo com os cálculos do ECO.

Este calendário compara mal a nível europeu. Não só a média europeia recuperou no terceiro trimestre deste ano como a Grécia, um país com o qual Portugal é frequentemente comparado, alcançou o patamar pré-crise antes disso, no segundo trimestre de 2021, beneficiando mais da retoma internacional do turismo do que a economia portuguesa. Ou seja, a concretizarem-se as previsões da Comissão, Portugal atingirá o nível pré-crise um ano depois da Grécia.

Ainda assim, é de notar que há países mais “atrasados” do que Portugal, como é o caso de Espanha, em que o PIB só vai recuperar totalmente no primeiro trimestre de 2023, três anos depois de a pandemia começar. Como a economia portuguesa depende em grande parte do dinamismo da economia espanhola, o “atraso” espanhol também ajuda a explicar o “atraso” português.

Fonte: Previsões de Outono da Comissão Europeia. Nível do PIB em comparação com o pré-pandemia.

E, segundo este gráfico da Comissão Europeia, a concretizarem-se estas previsões, Portugal chegará ao final de 2023 como o país europeu que menos cresceu desde 2019. Portugal até recupera mais rápido do que Espanha, mas depois perde terreno em 2023. É de notar de esta análise deixa de fora, por falta de informação, quatro dos 27 Estados-membros: Chipre, Grécia, Irlanda e Malta.

Portugal é o 10.º país que menos cresce em 2021 na UE

Também no ranking dos crescimentos anuais, Portugal não figura nos lugares cimeiros, apesar de ter sido um dos países mais afetados pela pandemia em 2020 (beneficiando do efeito de base). Ao crescer 4,3% em 2021, Portugal é o décimo país que menos cresce este ano e fica abaixo dos 5% da média da Zona Euro.

No topo está a Irlanda com 14,6% — mas a Comissão Europeia explica que tal se deve à “atividade de multinacionais”, a qual tem inflacionado o PIB irlandês — e a Estónia com 9%. O país com o crescimento mais baixo é a Alemanha com 2,7%.

Para 2022, a história é diferente. Portugal consegue acelerar o crescimento da sua economia para 5,3%, ficando atrás apenas de Espanha (5,5%), da Croácia (5,6%), da Hungria (5,4%) e de Malta (6,2%) — ou seja, é o quinto país entre os 27 Estados-membros que mais cresce — e acima da média da Zona Euro (4,3%).

Contudo, em 2023 volta a desacelerar para um crescimento do PIB de 2,4%, exatamente igual à média da Zona Euro e abaixo da Grécia (3,6%) e de Espanha (4,4%).

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