De Horta Osório a Castro e Almeida: portugueses no topo do Santander
Horta Osório foi vice-presidente e impulsionou o Santander em Portugal e Reino Unido. Castro e Almeida pode juntar-se a Manuel Preto no topo da gestão de um dos maiores grupos financeiros do mundo.
Em agosto, o CEO do Santander Totta assumia com “naturalidade” que ele ou outros quadros portugueses fossem chamados para liderar projetos dentro do banco espanhol. “É um orgulho”, reforçou Pedro Castro e Almeida, que pode ser o próximo português a ascender ao topo da gestão de um dos maiores grupos financeiros do mundo.
Castro e Almeida, 58 anos, é o favorito para assumir o cargo de administrador com o pelouro do risco do Santander a nível global, segundo a agência Bloomberg.
Se o Totta fez escola por cá, com nomes como Nuno Amado (BCP) e António Ramalho (Novobanco) a assumirem papéis relevantes na banca nacional na última década, desde o tempo de António Horta Osório que também ganhou tração dentro do banco espanhol. Mas também há quem veio de fora do grupo.

Sucede a Simões e acompanha Preto
A liderar o Totta desde 2019, Castro e Almeida, que conta com três décadas de Santander, tem vindo a ganhar um papel cada vez mais relevante dentro do grupo. E talvez por isso a sua ascensão não seja propriamente uma surpresa.
Em setembro de 2023 assume o cargo de regional head of Europe do grupo Santander, substituindo o também português António Simões, que depois de quase uma década em funções de liderança no HSBC, entrou de rompante no banco espanhol: além de diretor regional da Europa também foi CEO do Santander Espanha. “Com a sua liderança, vamos continuar os progressos que alcançámos na região: simplificando o nosso modelo de negócio e alavancando a nossa transformação digital para melhorar o serviço e produtos”, sublinhou Ana Botín na sua contratação em 2020.
Castro e Almeida manteve o leme do banco português, mas passou a ser responsável também pelas operações em Espanha, Polónia e Reino Unido. No mercado britânico, de resto, foi um dos escolhidos para liderar a integração do TSB, que o Santander adquiriu este verão ao Sabadell, aproveitando a experiência do gestor português neste tipo de processos – com as integrações do Banif e Popular e ainda na transformação do Totta na década passada.
Muito trabalho? “O que ficou prejudicado foi as horas dedicadas à família”, respondeu. Se Pedro Castro e Almeida ascender ao topo do grupo espanhol, vai encontrar lá outro português: Manuel Preto. Era o responsável pela área financeira do Totta, mas foi nomeado neste verão para administrador de contabilidade a nível global.
“Dos cinco quadros de topo do grupo ter um português pela primeira vez é muito saudável”, afirmou em agosto Castro e Almeida.
Manuel Preto goza de uma boa reputação dentro do grupo. “Tem uma vasta experiência em finanças, contabilidade, negócios, tecnologia e custos” e “possui o perfil perfeito para liderar esta função crítica nesta fase de transformação” do grupo espanhol, segundo destacou Ana Botín aquando da nomeação do português para chief accounting officer.

Horta Osório e Stock da Cunha nas origens
Embora afastado da alta finança, António Horta Osório é um dos nomes mais reputados da banca mundial depois do trabalho realizado na recuperação do intervencionado Lloyds na década passada e apesar da passagem atribulada pelo Credit Suisse. Mas nas origens da carreira do gestor português está o… Santander.
Em 2000, Horta Osório é nomeado CEO de quatro bancos fundidos no Santander Totta (incluindo o Banco Santander de Negócios de Portugal que lançou em 1993 e ainda os recém-adquiridos Totta e Crédito Predial Português, negócios que mudaram estruturalmente a banca portuguesa até aos dias de hoje). Torna-se vice-presidente do grupo espanhol.
Em 2006, é destacado para liderar o Banco Abbey, a operação do Santander no Reino Unido, onde nos anos seguintes é protagonista com a aquisição de bancos em situação problemática no auge da crise financeira – o Alliance & Leicester e o Bradford & Bingley, fundidos depois no Santander UK.
Em 2011 é nomeado para o Lloyds com o objetivo de revolver as ajudas públicas que recebeu. Leva consigo Eduardo Stock da Cunha, igualmente com uma longa carreira no Santander. Stock da Cunha, que ganhou notoriedade por cá aquando da sua passagem pelo Novobanco, esteve também na origem do Banco Santander de Negócios de Portugal, foi administrador do Santander Portugal e destacou-se lá fora como administrador de operações (chief operating officer) do Santander USA.

Da Yahoo! para a banca
Outro português em destaque no Santander é Henrique de Castro, um gestor que fez carreira no setor tecnológico, incluindo a Dell, Google e a Yahoo!, onde foi chefe de operações.
No grupo espanhol, Henrique de Castro tem lugar no conselho de administração como membro independente desde 2019, integrando vários comités do banco: auditoria, remuneração e inovação e tecnologia.
Na altura da sua nomeação, há seis anos, o Santander destacou a “sólida experiência no mercado norte-americano” do português, que trouxe ao board liderado por Ana Botín “uma sólida experiência na indústria tecnológica e digital, juntamente com uma experiência significativa no mercado norte-americano, adquirida através dos cargos de topo”.
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