PS exige que Governo explique aumento de 1.461 mortes este ano em Portugal
Carneiro diz que "é muito importante" o Governo explicar o que se está a passar nas urgências da grande Lisboa. E acusa o Governo de exonerar gestão dos hospitais por razões políticas
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, instou esta quarta-feira o Governo a explicar o porquê de este ano, até 29 dezembro, haver mais 1.461 mortos em Portugal do que no período homólogo de 2024. Em declarações aos jornalistas no final de uma visita à Unidade Local de Saúde de Barcelos/Esposende, Carneiro sublinhou que “tem de haver explicações”.
“No dia 29 de dezembro deste ano, tínhamos mais 1.461 mortos detetados e registados no Serviço Nacional de Saúde. Ora, tem de haver explicações para que isto esteja a acontecer (…). É muito importante que o Governo e o primeiro-ministro, particularmente o primeiro-ministro, possa explicar quais são as causas”, referiu. O líder do PS disse que não se deve utilizar estes dados para criar alarme público, mas vincou o “dever de perguntar o que é que está a falhar”.
“Falhou o cuidado com os idosos nos estabelecimentos residenciais para idosos? Falhou o cuidado no transporte desses idosos ou nos cuidados primários de saúde? Falhou o cuidado com os idosos no acesso às urgências hospitalares? É preciso encontrar uma explicação”, exigiu.
Carneiro deixou ainda “uma palavra de lamento” por aquilo que está a acontecer de novo nas urgências da Grande Lisboa, particularmente nas áreas de obstetrícia, ginecologia, pediatria e emergência pré-hospitalar.
“Em julho deste ano, enviei ao primeiro-ministro uma proposta para a gestão e a coordenação da emergência pré-hospitalar. Até hoje, não mais tivemos resposta da parte do Governo. É muito importante que o Governo explique o que é que se está a passar nas urgências da grande área metropolitana de Lisboa, que continuam a mostrar um caos com 20 horas de espera, o que é que justifica que tenhamos 20 horas de espera para se aceder aos cuidados de saúde no nosso tão importante Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, apontou.
Para o secretário-geral do PS, tudo isto mostra que há um “descontrolo” na capacidade de gestão e de organização do SNS. “Isto é uma evidência para todos que observam a realidade do país”, rematou.
Carneiro manifestou ainda repúdio pelas recentes notícias de exonerações de administrações hospitalares, acusando o Governo de atuar por razões “estritamente de natureza política”. O Governo vai afastar, segundo Observador, a administração da Unidade Local de Saúde (ULS) de São José (Lisboa) e vai escolher um militante do PSD para o cargo.
“É uma prática que nós só podemos repudiar e condenar publicamente, porque ela não tem fundamentos que tenham a ver com o serviço público, tem fundamentos estritamente de natureza política”, afirmou, em declarações aos jornalistas, no final de uma visita ao hospital de Barcelos.
Para José Luís Carneiro, as administrações, quando têm bom desempenho, devem manter-se a funcionar. O líder do PS considerou “incompreensível” que as unidades hospitalares tenham mudanças quando, “por aquilo que é público, não há indícios, não há elementos de natureza pública que levem à decisão de exonerar essas administrações, a não ser dar continuidade a uma prática que já o Governo tinha iniciado quando liquidou a administração da estrutura executiva do SNS”.
“Liquidou a administração [da direção executiva do SNS] por razões políticas e viemos a verificar os resultados dessa decisão”, criticou. José Luís Carneiro referia-se à exoneração de Fernando Araújo (que foi depois candidato nas eleições legislativas nas listas do PS) por Álvaro Almeida, do PSD.
O líder do PS disse que o Governo deve procurar garantir que os Conselhos de Administração do Serviço Nacional de Saúde cumprem a missão que lhes é confiada e alcançam os resultados que são previstos.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
PS exige que Governo explique aumento de 1.461 mortes este ano em Portugal
{{ noCommentsLabel }}