⛽ Combustíveis voltam a disparar na próxima semana
Governo deverá publicar nova portaria com o desconto temporário e extraordinário do ISP a vigorar na próxima semana. A gasolina passará a estar incluída e o apoio ao diesel deverá subir.
Os preços dos combustíveis vão voltar a disparar na próxima semana. Tanto o diesel, o combustível mais usado em Portugal, como a gasolina deverão subir dez cêntimos, de acordo com os dados do ACP para a próxima semana. Já fonte do setor avança ao ECO que o gasóleo deverá subir 10,5 cêntimos e a gasolina 11 cêntimos. Assim, o Governo deverá publicar uma nova portaria com o apoio ao gasóleo e à gasolina.
Estas subidas ainda podem sofrer alterações para ter em conta o fecho das cotações do petróleo Brent esta sexta-feira e o comportamento do mercado cambial. Mas está desde já aberta a porta à publicação de uma nova portaria com o desconto temporário e extraordinário do ISP a vigorar na próxima semana, incluindo já um apoio à gasolina e um aumento do apoio ao diesel tendo em conta o aumento acumulado de 28,7 cêntimos. A gasolina soma uma ganho acumulado de 17,3 cêntimos.
O diesel disparou 18,7 cêntimos esta semana, beneficiando de um desconto temporário extraordinário de 3,55 cêntimos no ISP. Sem ele teria subido 23,4 cêntimos. Já a gasolina subiu 7,3 cêntimos por litro não tendo beneficiado de qualquer apoio já que o Executivo estabeleceu o limiar nos dez cêntimos de subida, para apoiar os combustíveis. De sublinhar que o aumento de dez cêntimos é contabilizado a partir da semana de 2 a 6 de março, antes do ataque concertado dos Estado Unidos e de Israel ao Irão, que levou à disseminação do conflito pelo Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do Brent, que servem de referência para o mercado europeu, estão esta sexta-feira a subir 0,66%, para os 101,08 dólares por barril, e caminham para uma subida semanal de 9%. O barril de Brent passou a fasquia dos 100 dólares na quinta-feira, pela primeira vez desde 2022, e lá permanece.
Os investidores continuam a avaliar o conflito com o Irão, sem sinais de redução da escalada, bem como a eficácia dos esforços do Governo norte-americano para conter os preços da energia. Washington anunciou que vai permitir, temporariamente, que outros países comprem petróleo russo atualmente retido no mar, numa tentativa de conter o aumento dos custos energéticos, alargando uma isenção temporária concedida à Índia, a semana passada. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, apelou também a uma coligação internacional para escoltar os petroleiros através do estreito de Ormuz, “assim que for militarmente possível”.
No início da semana, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a libertação histórica de 400 milhões de barris de reservas estratégicas. O anúncio gerou um alívio imediato na cotação do barril de crude, mas foi apenas por breves instantes. Os ataques aéreos no Médio Oriente continuam a interromper a produção, enquanto o Estreito de Ormuz permanece encerrado.
“Em circunstâncias normais, cerca de 20% da produção mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz. Se a situação atual persistir, poderá provocar uma subida mais acentuada dos preços, à medida que a oferta se vê limitada”, diz Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe, num comentário enviado ao ECO.
“Os contratos futuros do Brent já ultrapassaram os 100 dólares por barril, apesar das medidas para acalmar os mercados com a isenção do petróleo russo e a libertação sem precedentes de stocks de emergência”, disse o analista da LSEG, Emril Jamil, à Reuters. “Isto sugere que, para os mercados financeiros, uma solução duradoura para a atual crise exigirá que surja, num futuro próximo, uma perspetiva realista de regresso a algo próximo da normalidade no fluxo de petroleiros provenientes do Golfo. Até lá, permanece margem para novas subidas do preço do petróleo, que poderão tornar-se mais acentuadas quanto mais tempo a situação permanecer por resolver”, acrescentou Ricardo Evangelista.
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