Lucro da Jerónimo Martins sobe 8% para 646 milhões em 2025. Dividendo cresce para 0,65 euros
Dona do Pingo Doce registou vendas de 36 mil milhões de euros, o que representa um crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior. Administração do grupo propõe distribuir 408,5 milhões em dividendos.
O grupo Jerónimo Martins, que detém a cadeia de hipermercados Pingo Doce e o Recheio, teve lucros de 646 milhões de euros no ano passado, o que representa uma subida de 7,9% em relação a 2024. O resultado líquido da retalhista volta a crescer, depois de, nesse ano, ter registado uma queda de 21% motivada pela deflação nos cabazes e aumento de custos.
Perante estes resultados, o conselho de administração da Jerónimo Martins vai propor aos acionistas, na assembleia geral que se realiza no próximo dia 26 de abril, a distribuição de um dividendo bruto de 0,65 euros por ação, o que significa um aumento de cerca de 10% em relação ao período homólogo. No total, os administradores propõem distribuir 408,5 milhões de euros em dividendos.
“Representa um pay-out de cerca de 50% dos resultados consolidados ordinários (ou cerca de 58% dos resultados líquidos consolidados), quando excluídos dos efeitos da aplicação da IFRS16″, lê-se no relatório financeiro publicado esta quarta-feira pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
A administração da Jerónimo Martins propõe ainda que, destes lucros de 2025, se atribua uma dotação de mais 40 milhões de euros para a Fundação Jerónimo Martins, o que estava previsto aquando do lançamento desta entidade de apoio a iniciativas ligadas a saúde, erradicação da pobreza e formação profissional.
Vendas sobem 7,6% e Pingo Doce ‘alimenta-se’ de comida pronta
As vendas globais do grupo cresceram 7,6% para 36 mil milhões de euros, de acordo com a informação divulgada à CMVM, após o fecho da bolsa de Lisboa. No caso concreto do Pingo Doce, as vendas cresceram 5,3% para os 5,3 mil milhões de euros e um Like For Like (LFL ou sem efeitos de abertura/fecho de lojas) de 4% ‘alimentadas’ pelo segmento de comida pronta. No Recheio, as vendas atingiram 1,4 mil milhões de euros, 3% acima de 2024, com um LFL de 3%.
No entanto, é o negócio internacional que se destaca. Na Colômbia, as vendas da Ara atingiram 3,2 mil milhões, 17,4% acima de 2024, enquanto, na Polónia, a Biedronka, no ano em que celebrou o 30º aniversário, ultrapassou os 25 mil milhões de euros de vendas (+7,4%). As vendas da Hebe também cresceram a um dígito (7,5%) para 626 milhões.
O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Jerónimo Martins ascendeu a 2,5 mil milhões de euros, mais 11% do que em 2024, sendo que a margem de EBITDA aumentou 22 pontos base para 6,9%.
“Em 2025, apesar da pressão exercida pelos desafios geopolíticos e pelas tensões comerciais na economia internacional em geral e nos mercados onde operamos em particular, as nossas companhias demonstraram uma notável capacidade de adaptação”, destacou o CEO da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, na mensagem partilhada com o relatório.
A empresa liderada por Pedro Soares dos Santos detalha ainda que, depois da execução do plano de investimento de 1,2 mil milhões de euros e o pagamento de dividendos de 371 milhões de euros, ficou com uma posição líquida de caixa de 866 milhões de euros no final do ano passado, enquanto a dívida líquida aumentou para 3,3 milhões de euros.
Eslováquia ganha 35 novas lojas
Um ano após anunciar a entrada no mercado da Eslováquia, com a marca Biedronka, a Jerónimo Martins anuncia que o investimento vai continuar em 2026 com a abertura de cerca de 35 novas lojas este ano, “permitindo à companhia continuar a ajustar o modelo de negócio a este novo mercado enquanto constrói a sua relação com as famílias eslovacas e ganha capital competitivo”.
Ainda em relação a 2026, o CEO da Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, alertou para o contexto internacional e as suas consequências no preços da energia e dos alimentos. “O ano inicia-se com uma escalada da instabilidade geopolítica, cujos efeitos nos diferentes indicadores macroeconómicos, entre os quais o preço da energia e a inflação alimentar, são, neste momento, imprevisíveis”, advertiu.
Pedro Soares dos Santos refere ainda que o grupo arrancou 2026 “a operar com deflação” na polaca Biedronka, “num mercado que não cresceu em volumes e onde a concorrência não deu sinais de abrandar”.
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"Temos planeado continuar a investir na modernização, expansão e integração tecnológica das nossas cadeias de lojas e da infraestrutura logística que as suporta. Enquanto progredimos na execução dos nossos planos, manter-nos-emos especialmente atentos à evolução do contexto, em particular neste primeiro semestre de 2026, e flexíveis para efetuar os ajustes que possam vir a ser necessários.”
Notícia atualizada às 19h20
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