Custos das empresas com salários sobem 5% no arranque do ano
Custo do trabalho aumentou 4,9% no primeiro trimestre. Este índice é composto por duas componentes: os custos salariais (que subiram 5%) e os outros custos (que cresceram 4,6%).
Os custos suportados pelas empresas com os salários dos trabalhadores aumentaram 5% nos primeiros três meses do ano em relação ao período homólogo. De acordo com os dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), registou-se um abrandamento dos custos salariais, considerando que, no trimestre anterior, estes tinham subido 7,5%.
“No primeiro trimestre de 2026, o índice de custo do trabalho registou um acréscimo homólogo de 4,9%. Os custos salariais (por hora efetivamente trabalhada) aumentaram 5,0% e os outros custos aumentaram 4,6% em relação ao mesmo período do ano anterior”, informa o gabinete de estatísticas, num destaque publicado esta manhã.
No trimestre anterior (o último de 2025), o índice de custos do trabalho tinha crescido, em termos homólogos, 7,6%, os custos salariais 7,5% e os demais custos (que incluem, por exemplo, a contribuição patronal para a Segurança Social e o seguro de acidentes de trabalho) 7,6%. Significa que tanto no índice global, como nas duas componentes houve uma desaceleração nos primeiros três meses de 2026.

Os dados do INE permitem também perceber as diferenças entre setores. “No primeiro trimestre de 2026, os custos salariais aumentaram 7,1% na construção, 6,0% na indústria, 4,9% na Administração Pública e 4,2% nos serviços“, frisa o gabinete de estatísticas.
Os números mostram que, entre essas áreas de atividade, só o setor público escapou ao abrandamento dos custos salariais, no primeiro trimestre de 2026. “Comparativamente ao trimestre anterior, o acréscimo homólogo observado foi maior na Administração Pública (4,5% no trimestre anterior) e menor nos serviços (10,4%), na construção (7,9%) e na indústria (6,1%)”, assinala o INE.
73 mil desempregados encontraram emprego até março
O Instituto de Estatística Nacional publicou também esta manhã os dados relativos aos fluxos entre estados do mercado de trabalho, que revelam que, entre o último trimestre de 2025 e o primeiro de 2026, cerca de 73,4 mil desempregados encontraram um novo posto de trabalho. Ou seja, 22,5% dos desempregados transitaram para o emprego.
Por outro lado, 61,1% dos que estavam desempregados no fim de 2025 (199,3 mil pessoas) continuaram nessa situação, enquanto 16,4% (53,6 mil pessoas) transitaram para a inatividade, isto é, continuaram sem um posto de trabalho e deixaram de procurar ou estar disponíveis para agarrar uma nova oportunidade.

Já do total de pessoas empregadas no fim de 2025, a maioria (96,5% ou cerca de 5,2 milhões de pessoas) permaneceu nessa situação, enquanto 1,4% (73,4 mil pessoas) passaram ao desemprego e 2,2% (115,1 mil pessoas) transitaram para a inatividade.
Entre os inativos, 95,8% (cerca de 3,4 milhões de pessoas) continuaram nesse estado, mas 2,1% (73,7 mil pessoas) passaram a procurar ativamente um emprego, o que significa que passaram a ser consideradas desempregadas. Além disso, 2,1% dos inativos (76,3%) encontraram e começaram um novo posto de trabalho.
Do duplo emprego aos NEEF
Os dados do INE mostram também que, entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro de 2026, transitaram para um trabalho por conta de outrem 9,3% (73,7 mil) das pessoas que tinham um trabalho por conta própria e 20,1% (65,4 mil) das pessoas que se encontravam desempregadas.
“Do total de trabalhadores por conta de outrem que, no quarto trimestre de 2025, tinham um contrato de trabalho com termo ou outro tipo de contrato, 22,6% (147,8 mil) passaram a ter um contrato sem termo no primeiro trimestre de 2026“, acrescenta o gabinete de estatísticas, que dá ainda nota de que, do número de pessoas que tinham um emprego a tempo parcial no final de 2025, 19,8% (87,0 mil) passaram a trabalhar a tempo completo nos primeiros três meses de 2026.
“No mesmo período, 3,6% (187,4 mil) das pessoas que permaneceram empregadas continuaram a ter dois ou mais empregos e 1,7% (88,7 mil) das pessoas que tinham um emprego passaram a ter dois ou mais empregos”, é ainda detalhado.
Numa última nota, o INE sublinha que, do total de jovens dos 16 aos 34 anos que, no último trimestre de 2025, não estavam empregados, nem em educação ou formação (NEEF), 18,4% (34,2 mil) transitaram para o emprego no primeiro trimestre de 2026, enquanto 15,0% (27,8 mil) passaram a frequentar o ensino ou formação,
(Notícia atualizada às 11h36)
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