O ECO experimentou os Microsoft HoloLens

A Microsoft trouxe os HoloLens a Portugal para um teste rápido aos óculos de realidade aumentada mais aguardados do momento. Nós experimentámos.

HoloLens

Os dedos em forma de pinça para clicar e um gesto suave para abrir o menu — um menu em holograma que, vindo do nada, aparece à nossa frente. Estamos a falar dos HoloLens, da Microsoft. Conhece-os? São os óculos de realidade aumentada que a empresa está a desenvolver há já alguns anos. A multinacional trouxe-os a Portugal no final de setembro, naquela que foi a primeira apresentação do produto no país.

Os óculos usam um conjunto de sensores para misturar elementos virtuais com a realidade e permitem ver coisas que não existem no espaço real. O aparelho começou a ser vendido a programadores não há muito tempo, isto é, a pessoas ou grupos de pessoas com ideias para aplicações, e que tivessem 3000 dólares para gastar nesta primeira versão que só pode ser adquirida nos Estados Unidos da América e no Canadá. O nosso teste durou cerca de cinco minutos: não chegou para avaliar os HoloLens em detalhe mas cada minuto foi suficiente para tirar algumas conclusões.

Quando nos puseram os HoloLens na cabeça, não fomos teleportados para outro local ou dimensão. Continuámos ali, exatamente no mesmo sítio, no terceiro piso da sede da Microsoft em Lisboa. É que a realidade aumentada, à qual a Microsoft prefere chamar de mixed reality, não é completamente imersiva, fator crucial para que estes óculos possam, um dia, desdobrar-se numa panóplia de aplicações que vão da arquitetura à medicina, passando obviamente pelos jogos de vídeo.

Não estando num ambiente virtual, conseguíamos ver o que se passava à nossa volta. Desde logo, as aplicações a correr no espaço. Imagine uma janela das que vê no ecrã do seu computador, mas independente e a pairar no ar. São assim as aplicações do Windows 10 que funcionam nos HoloLens. E até funcionam relativamente bem. O problema surge quando estão muitas aplicações a trabalhar ao mesmo tempo.

Nesse caso, acontece-nos aquilo que costuma acontecer aos nossos computadores. Baralhamo-nos com tanta confusão, com tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo: um menu à frente, uma espécie de ecrã virtual agarrado a uma das paredes e um robô esquisito que alguém decidiu ali pôr antes de nós, no canto da sala. Acabámos por fechar tudo e experimentar um jogo.

Fizemos o gesto para abrir o menu do Windows (um gesto difícil de explicar por palavras) e usámos o indicador para escolher a opção certa. Depois, virámo-nos para a parede, onde vimos um buraco por onde iam saindo criaturas que tivemos de matar com o clique do rato — não um cursor de verdade, mas os dedos em forma de pinça, lembra-se? Foi assim durante algum tempo. As criaturas iam surgindo e nós íamos disparando, até… até tudo se tornar aborrecido. Foi nesse momento que decidimos pôr fim à experiência — e deixar que outros jornalistas testassem também o aparelho.

HoloLens

Ainda sobre os óculos ?

Vimos pouca coisa prática no nosso teste — prática, no sentido de útil. Contudo, antes da experiência, assistimos à demonstração de uma aplicação de arquitetura nos HoloLens que está a ser desenvolvida em Portugal. E aí é outra conversa. A ideia é projetar e ver a maquete de um edifício, algo que, naturalmente, poderá ter muita utilidade no futuro.

Os dedos em forma de pinça representam o clique do rato, tal como nos computadoresFlávio Nunes/ECO

O especialista pôs os óculos, deslocou-se pela sala, acedeu ao menu iniciar e executou a aplicação. Vimos tudo num ecrã gigante (real), conectado a um computador Surface que, por sua vez, estava sincronizado via wireless com os óculos da Microsoft. Depois, teve de posicionar na sala a maquete de uma moradia em tamanho reduzido.

Mas não foi bem feito: o responsável pela demonstração acabou por posicionar a maquete no ar ao invés de a assentar no chão. E, como não é possível entrar numa casa pela parte de baixo — como poderia ser? –, só conseguimos espreitar para o interior através das portas e das janelas: corredor, sala de estar e lareira apagada foram algumas das coisas que conseguimos ver. A falha acabou por ilustrar o quão a sério os HoloLens levam as leis da física e a noção de espaço. (Terá sido de propósito?)

À esquerda é possível ver a maquete que foi posicionada no ar
À esquerda é possível ver a maquete que foi posicionada no arFlávio Nunes/ECO

Testes e demonstrações à parte, este evento da Microsoft permitiu olhar de relance para o futuro da realidade aumentada, em que elementos virtuais interagem perfeitamente com o utilizador e com o espaço. Para já, é preciso esperar. Seja pelos programadores que ainda se encontram a desenvolver as aplicações, seja pela própria Microsoft que deverá aperfeiçoar este gadget antes de um eventual lançamento ao público. Espera-se que este aconteça nos próximos anos, antes de 2020.

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António Costa

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