França ataca Libra do Facebook… enquanto estuda criptomoeda própria

Banco central francês está a analisar o projeto Central Bank Digital Currency, a que outros países já aderiram, mas mantém a posição crítica quanto à criptomoeda que Mark Zuckerberg está a preparar.

Criptomoedas como a Libra do Facebook comportam riscos regulatórios e para os sistemas de pagamentos, segundo o governador do banco central de França e membro do conselho do Banco Central Europeu (BCE), François Villeroy de Galhau. Apesar de rejeitar a moeda que Mark Zuckerberg quer lançar, o francês afirmou que o país está a analisar a ideia de uma moeda digital do banco central.

“As stablecoins são bastante diferentes de ativos especulativos como a bitcoin. No entanto, os reguladores têm de manter um olhar atento a nível global e, acreditem, iremos fazê-lo“, disse Villeroy de Galhau esta terça-feira na World Conference of Banking Institutes, segundo a Reuters.

Stablecoins são um tipo criptomoedas que têm garantias de ativos subjacente como tradicionais depósitos, dívida ou ouro. A Libra do Facebook é a mais conhecida, sendo que o plano de Mark Zuckerberg é lançar a criptomoeda Libra no primeiro semestre do próximo ano. No entanto, o projeto tem recebido forte oposição de países como Alemanha e França.

Um grupo de responsáveis do Facebook e da Libra reuniu-se, esta segunda-feira, com representantes de 26 bancos centrais de todo o mundo, onde foram questionados acerca do projeto para desenvolver uma nova moeda digital global. O encontro foi presidido pelo BCE e contou com representantes também da Reserva Federal norte-americana e o Banco de Inglaterra, entre outros.

Os reguladores exigem mais tempo para analisarem as implicações do projeto para a estabilidade do sistema financeiro mundial, especialmente depois de o Facebook ter pedido uma licença para operar em serviços de pagamento na Suíça.

Se os emitentes de stablecoins também quiserem oferecer serviços bancários como depósitos, investimentos financeiros ou empréstimos, terão de ter licença bancária em todos os países que operarem. De outra forma, essas atividades são ilegais”, esclareceu Villeroy. “Esta nova situação é um grande desafio para reguladores e supervisores”, sublinhou.

Apesar da posição sobre a Libra, o governador do Banco de França explicou que o staff da instituição está a analisar questões relacionadas com uma potencial moeda digital do banco central. “É um assunto fascinante. Nós, bancos centrais, temos de investigar as várias questões que se colocam e então decidir sobre o seu mérito“, referiu.

Vários bancos centrais de diferentes países já anunciaram que estão a considerar a implementação de moedas digitais. O Uruguai lançou um projeto-piloto de Central Bank Digital Currency (CBDC), enquanto as Bahamas, a China, o Canadá, a Suécia, a Ucrânia ou a Rússia mostraram interesse.

Villeroy de Galhau, que não deu mais pormenores sobre os estudos que o banco está a realizar, defendeu uma resposta às stablecoins que seja comum a todas os países europeus, bem como que é necessária uma “estratégia genuinamente europeia” para sistemas de pagamentos transfronteiriços, apontando para um setor que é já dominado por empresas não europeias, vindas dos EUA ou da China. “Não temos muito tempo”, acrescentou.

O jornalismo continua por aqui. Contribua

Sem informação não há economia. É o acesso às notícias que permite a decisão informada dos agentes económicos, das empresas, das famílias, dos particulares. E isso só pode ser garantido com uma comunicação social independente e que escrutina as decisões dos poderes. De todos os poderes, o político, o económico, o social, o Governo, a administração pública, os reguladores, as empresas, e os poderes que se escondem e têm também muita influência no que se decide.

O país vai entrar outra vez num confinamento geral que pode significar menos informação, mais opacidade, menos transparência, tudo debaixo do argumento do estado de emergência e da pandemia. Mas ao mesmo tempo é o momento em que os decisores precisam de fazer escolhas num quadro de incerteza.

Aqui, no ECO, vamos continuar 'desconfinados'. Com todos os cuidados, claro, mas a cumprir a nossa função, e missão. A informar os empresários e gestores, os micro-empresários, os gerentes e trabalhadores independentes, os trabalhadores do setor privado e os funcionários públicos, os estudantes e empreendedores. A informar todos os que são nossos leitores e os que ainda não são. Mas vão ser.

Em breve, o ECO vai avançar com uma campanha de subscrições Premium, para aceder a todas as notícias, opinião, entrevistas, reportagens, especiais e as newsletters disponíveis apenas para assinantes. Queremos contar consigo como assinante, é também um apoio ao jornalismo económico independente.

Queremos viver do investimento dos nossos leitores, não de subsídios do Estado. Enquanto não tem a possibilidade de assinar o ECO, faça a sua contribuição.

De que forma pode contribuir? Na homepage do ECO, em desktop, tem um botão de acesso à página de contribuições no canto superior direito. Se aceder ao site em mobile, abra a 'bolacha' e tem acesso imediato ao botão 'Contribua'. Ou no fim de cada notícia tem uma caixa com os passos a seguir. Contribuições de 5€, 10€, 20€ ou 50€ ou um valor à sua escolha a partir de 100 euros. É seguro, é simples e é rápido. A sua contribuição é bem-vinda.

Obrigado,

António Costa
Publisher do ECO

5€
10€
20€
50€

Comentários ({{ total }})

França ataca Libra do Facebook… enquanto estuda criptomoeda própria

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião