Inflação na Zona Euro bate novo recorde de 5,9% em fevereiro

Inflação ficou ligeiramente acima das previsões. Portugal continua a ter uma das taxas mais baixas entre todos os Estados-membros (4,4%).

A taxa de inflação da Zona Euro acelerou para 5,9% em fevereiro, um novo máximo, acima dos 5,1% registados em janeiro, indicam os dados do Eurostat. Trata-se de uma ligeira revisão em alta face à estimativa anterior. Portugal continua a ter uma das taxas mais baixas entre os Estados-membros.

O Eurostat confirmou esta quinta-feira que a taxa de inflação na Zona Euro foi de 5,9% em fevereiro, naquele que é o valor mais elevado desde o início da série, em 1997. O número final ficou um pouco acima da estimativa de 5,8% feita no início de março. Há um ano, recorde-se, a taxa de inflação em fevereiro foi de 0,9%, bastante abaixo do que é agora.

A componente energética representa mais de metade da inflação — energia corresponde a 3,12 pontos percentuais da taxa global –, acabando por pesar significativamente na evolução dos preços. E isso acaba por influenciar outras componentes: os preços dos alimentos, álcool e tabaco cresceram 4,2%, os bens industriais não-energéticos subiram 3,1% e os serviços avançaram 2,5%.

A inflação subjacente, da qual é expurgada o contributo da energia e dos alimentos não processados, foi de 2,9% em fevereiro, em linha com as estimativas, e acima dos 2,4% registados em janeiro. Ficou, assim, acima do objetivo de 2% a médio prazo do Banco Central Europeu (BCE).

Numa análise aos vários Estados-membros, a Lituânia (14%), Estónia (11,6%) e República Checa (10%) têm as taxas mais altas, enquanto Malta e França (4,2%) e Portugal (3,4%) têm as taxas mais baixas. Portugal está, assim, abaixo da média europeia.

A energia continua a ter um peso bastante significativo na taxa de inflação e, nas últimas semanas, o cenário tem vindo a agravar-se devido à invasão da Ucrânia pela Rússia, sobretudo os preços do petróleo e do gás natural, que bateram máximos de vários anos. O barril de Brent está neste momento a valorizar 3% para mais de 100 dólares, enquanto o gás natural sobe 8% para 110 euros por MWh.

Este cenário alastra-se a praticamente todo o mundo, sobretudo aos Estados Unidos, onde a taxa de inflação subiu para 7,9% em fevereiro, o valor mais alto dos últimos 40 anos. Para controlar a escalada de preços no país, a Reserva Federal norte-americana (Fed) anunciou esta quarta-feira uma subida dos juros de referência em 25 pontos base. É o primeiro aumento dos juros desde 2018.

Inflação da Zona Euro pode exceder 7% em 2022 devido ao impacto da guerra

A inflação nos países da Zona Euro poderá exceder 7% em 2022, devido ao impacto da guerra na Ucrânia sobre os preços da energia e dos alimentos, disse esta quinta-feira a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, citada pela Lusa. É provável que a inflação média seja de cerca de 5,1%, acrescentou, prevendo, contudo, que se poderá manter o objetivo a médio prazo de 2%, embora tenha advertido que a política monetária do BCE dependerá do impacto económico da guerra.

O nível mais elevado de inflação corresponde ao pior cenário dos estimados pelos peritos do BCE, acrescentou Lagarde, que salientou que “os preços da energia deverão ser altos durante mais tempo” e recordou que os preços do gás subiram 73% desde o início de 2022. “A pressão sobre a inflação é suscetível de aumentar. A Rússia e a Ucrânia representam 30% das exportações mundiais de trigo e os preços do trigo são 30% mais elevados do que no início do ano”, salientou o presidente do BCE, que interveio no fórum “O BCE e os seus Observadores”, em Frankfurt (sul da Alemanha).

Lagarde advertiu que os estrangulamentos globais da indústria transformadora, que tinham começado a desaparecer nos últimos meses, são suscetíveis de permanecer em alguns setores, com consequências para os preços dos bens de consumo duradouros. Mas, dada a situação atual, a presidente do BCE assegurou que “tomará as medidas necessárias para assegurar a estabilidade dos preços e proteger a estabilidade financeira“.

Devido às pressões inflacionistas, Lagarde reconheceu que “os europeus irão enfrentar uma inflação mais elevada e um abrandamento do crescimento económico a curto prazo”. E admitiu que “os preços mais elevados da energia são suscetíveis de reduzir as poupanças domésticas acumuladas durante a pandemia” e previu que estas serão desviadas para despesas associadas ao consumo de energia.

Lagarde reconheceu que as empresas também serão afetadas e recordou que no passado acontecimentos geopolíticos como as guerras do Golfo ou os ataques aos Estados Unidos em 2001 resultaram num declínio do investimento nas economias avançadas.

(Notícia atualizada às 11h17 com mais informação)

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