Cofundador do Twitter Jack Dorsey critica liderança de Elon Musk

  • Lusa
  • 1 Maio 2023

Jack Dorsey considera que Musk não é o líder certo para o Twitter. "Tudo caiu a pique" desde que comprou a rede social, atirar o cofundador do Twitter.

O cofundador da rede social Twitter Jack Dorsey foi extremamente crítico com a liderança de Elon Musk, afirmando que “tudo caiu a pique” com a compra da plataforma pelo empresário.

As palavras de Dorsey – que inicialmente apoiou a compra do Twitter por Musk – surgem num diálogo mantido este domingo com um utilizador da Bluesky, a rede que ajudou a criar em 2019, quando ainda fazia parte da equipa de gestão do Twitter.

O utilizador perguntou-lhe se achava que Musk era o líder certo para o Twitter, ao que Dorsey respondeu: “Não. E também não acho que ele tenha agido corretamente ao perceber que era um mau momento [para a venda]. Também não acho que a direção devesse ter forçado a venda. Tudo caiu a pique”, respondeu Dorsey.

Há apenas um ano, quando a direção do Twitter concordou com a compra de Musk – que ainda demoraria seis meses a concretizar-se, depois de numerosas hesitações bilionário -, o próprio Dorsey elogiou a chegada de Musk, mas a sua opinião parece ter mudado radicalmente no último ano.

A chegada de Musk trouxe uma gestão caótica que se traduziu na perda de anunciantes e de receitas, no despedimento ou na saída voluntária de três quartos do seu pessoal e, no que diz respeito aos utilizadores, na aposta numa subscrição paga – Twitter Blue, que permite editar ou apagar publicações e aparecer em destaque na plataforma – que se revelou um fracasso.

Não passa uma semana sem que Musk – que se recusou a nomear um diretor ou um gestor e prefere ser ele próprio a gerir a rede – anuncie uma nova mudança: a última é permitir que, a partir de maio, os meios de comunicação social cobrem pelos artigos que publicam no Twitter, ficando a rede com uma parte.

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Petróleo cai 2% com barril de Brent abaixo dos 80 dólares

Barril de petróleo continua sob pressão, com preços a caírem mais de 2%. Expectativa de subida dos juros pela Fed e BCE intensifica receios de abrandamento económico.

Os preços do petróleo cedem mais de 2% no arranque da semana, perante os receios quanto ao impacto económico de uma nova subida das taxas de juro pela Reserva Federal e pelos dados fracos em relação à atividade industrial nos EUA, que se sobrepõem aos cortes de produção na OPEP+ que entram em vigor este mês.

Em Londres, o barril de Brent, referência para as importações nacionais, recua 2,07% para 78,67 dólares, prolongando as quedas nas últimas duas semanas. Do outro lado do Atlântico, o crude WTI perde 2,12% para 75,15 dólares por barril.

Petróleo em queda

A Fed, que tem reunião nos dias 2 e 3, deverá aumentar as taxas das fed funds em 25 pontos base. Por outro lado, o dólar está a ganhar terreno face a várias divisas, o que torna o barril mais caro para os outros países, criando pressão adicional no lado da procura.

“A perspetiva de mais subidas dos juros pela Fed deverá aumentar a volatilidade no preço do petróleo no curto-prazo”, referiu Baden Moore, estratega do National Australia Bank, citado pela agência Reuters.

Além da Fed, também o Banco Central Europeu (BCE) deverá anunciar uma subida dos juros na quinta-feira e há quem espere que possa ser um novo aumento de 50 pontos base.

Na China, o índice de compras dos gestores – um indicador que serve de barómetro para avaliar o andamento da economia – caiu dos 51,9 para 49,2 em março. A leitura abaixo da marca dos 50 pontos significa uma contração na atividade em termos mensais.

Isto acontece num mês em que entra em vigor o corte de produção de cerca de 1,16 milhões de barris por dia por parte dos maiores exportadores de petróleo do mundo que formam o grupo OPEP+.

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Do representante do poder legislativo ao assistente na preparação de refeições, estas são as profissões com melhores (e piores) salários em Portugal

Os setores económicos que mais geraram riqueza são aqueles onde os salários médios dos trabalhadores estavam abaixo da média nacional. É o caso da indústria transformadora.

Os trabalhadores por conta de outrem em empresas ganharam, em média, 1.294 euros em 2021. Os representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes superiores da Administração Pública e diretores e gestores de empresas auferiram quase três vezes mais. Os setores de energia e água, bem como das atividades financeiras e de seguros, foram os mais bem remunerados, mas não, necessariamente, os que mais riqueza geraram para o país. Mais qualificações não eliminam fosso salarial de género. É entre os técnicos de nível intermédio dos serviços jurídicos, sociais, desportivos, culturais que esse fosso é mais acentuado, mostram os dados revelados esta segunda-feira, Dia Internacional do Trabalhador, pela Pordata.

São os “representantes do poder legislativo e de órgãos executivos (mais 1.483 euros”), “profissões intelectuais e científicas (mais 701 euros)”, e “técnicos de nível intermédio (mais 314 euros) — entre os quais se verifica uma exceção: os técnicos e profissionais de nível intermédio da saúde auferem menos 108 euros que a média nacional” — que auferem salários acima da média nacional (1.294 euros).

Dentro destes três grupos, as profissões mais bem pagas são em cargos de gestão ou direção, começando, desde logo, pelos representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes superiores da Administração Pública, diretores e gestores de empresas. Estes ganham, em média, um salário de 3.577 euros.

Seguem-se os diretores de serviços administrativos e comerciais (3.091 euros); os diretores de produção e de serviços especializados (2.826 euros); e ainda os técnicos dos serviços jurídicos, sociais, desportivos e culturais (2.331 euros).

“As profissões das áreas CTEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) também se situam entre as mais bem pagas, com remunerações acima dos 1.850 euros”, destaca ainda Pordata. Os especialistas em tecnologias de informação e comunicação (TIC) ganham, em média, 2.198 euros; enquanto os especialistas em finanças, contabilidade, organização administrativa, relações-públicas e comerciais recebem 2.111 euros. Já o salário dos especialistas das ciências físicas, matemáticas e engenharias fixa-se nos 2.019 euros e o dos profissionais de saúde nos 1.869 euros.

No sentido oposto, as profissões mais mal pagas foram as de assistente na preparação de refeições (761 euros), trabalhador de limpeza (791 euros) e trabalhador dos cuidados pessoais (818 euros), onde se incluem os auxiliares de educadores de infância e de professores e auxiliares nos serviços de saúde.

Setores que mais geram riqueza abaixo da média salarial nacional

Os setores económicos com melhores salários em 2021 foram o da eletricidade, gás e água, com um salário que ultrapassava em mais de 1.672 euros a média nacional, e as atividades financeiras e de seguros, com mais 1.080 euros do que a média salarial nacional. Por oposição, o setor do alojamento e restauração e o da agricultura foram os menos bem pagos (menos 380 euros e menos 283 euros, respetivamente, face à média nacional).

Contudo, os setores económicos que mais geraram riqueza (valor acrescentado bruto – VAB) em 2020 são aqueles onde os salários médios dos trabalhadores estavam abaixo da média nacional. É o caso da indústria transformadora (gerou 13,8% do VAB, com destaque para as indústrias alimentar e têxtil, onde os salários médios são 121 euros e 340 euros inferiores à média nacional, respetivamente); as atividades imobiliárias e o comércio (13,4% e 13,1% do VAB); e da Administração Pública e a Saúde (7,4% e 7% do VAB). De salientar que, na Saúde, a diferença face à média nacional é de 145 euros.

As maiores diferenças face à média nacional encontram-se, no entanto, no alojamento e restauração (menos 380 euros, com um VAB de 3,6%), na agricultura (menos 283 euros, com um VAB de 2,5%) e nas atividades administrativas e serviços de apoio (menos 208 euros, com um VAB de 3,8%).

“Quando analisados os setores económicos mais produtivos — ou seja, a riqueza criada na produção, em média, por cada trabalhador — destaca-se a produção e distribuição da eletricidade e gás (459 mil euros de riqueza gerada por trabalhador, sendo que estes ganhavam 1.672 euros acima da média nacional); o setor imobiliário (453 mil euros, com os trabalhadores a ganharem menos 17 euros face à média nacional) e as atividades financeiras e de seguros (112 mil euros, ganhando os trabalhadores 1.080 euros acima da média nacional).”

Os menos produtivos, por sua vez, são a agricultura e pesca (19 mil euros) as atividades administrativas e dos serviços de apoio (19 mil euros). Os seus trabalhadores recebem, em média, menos de 200 euros face à média nacional.

A produtividade do trabalho em Portugal é 35% inferior à média da União Europeia. Portugal é o quinto país da UE com menor produtividade no trabalho.

Fosso salarial mais evidente nas profissões mais qualificadas

No que toca à desigualdade entre os rendimentos dos homens e das mulheres, o maior fosso salarial encontra-se nos técnicos de nível intermédio dos serviços jurídicos, sociais, desportivos, culturais. Neste caso, os homens ganhavam, em média, mais 2.409 euros do que as mulheres.

Seguidamente, é nas profissões mais qualificadas que o gap é mais acentuado. Por exemplo, no caso dos representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes superiores da Administração Pública, diretores e gestores de empresas, os homens ganham, em média, mais 1.070 euros do que as mulheres.

Já no cargo de diretor de produção, os salários dos profissionais homens são 585 euros mais elevados do que das profissionais mulheres. Uma diferença semelhante à observada entre os diretores de serviços administrativos e comerciais, cujo ordenado dos profissionais homens é 577 euros superior ao das mulheres.

E a lista continua: os homens especialistas em finanças, contabilidade, organização administrativa, relações-públicas e comerciais ganham mais 452 euros do que as suas pares femininas; e entre os profissionais de saúde há uma diferença de 442 euros a separar os salários auferidos por homens e mulheres, com a balança, mais uma vez, a tender para o lado masculino.

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Macau regista maior receita do jogo desde o início da pandemia

  • Lusa
  • 1 Maio 2023

As receitas do jogo em Macau atingiram 14,7 mil milhões de patacas (1,66 mil milhões de euros) em abril, o melhor resultado desde o início da pandemia de Covid-19.

As receitas do jogo em Macau atingiram 14,7 mil milhões de patacas (1,66 mil milhões de euros) em abril, o melhor resultado desde o início da pandemia de Covid-19.

É preciso recuar até janeiro de 2020 para encontrar um montante de receitas de jogo superior ao do mês passado, de acordo com as estatísticas da Direção de Inspeção e Coordenação de Jogos do território.

Macau, que à semelhança da China continental seguia a política “zero covid”, anunciou, em dezembro, o cancelamento da maioria das medidas de prevenção e contenção, depois de quase três anos de rigorosas restrições.

Com o alívio das medidas, os dados relacionados com o turismo mostram uma recuperação e uma aproximação aos números que se verificavam antes da pandemia.

É o caso da ocupação hoteleira. Em março, a ocupação média foi de 77% e os hotéis e pensões de Macau hospedaram 972 mil pessoas, contra 1,18 milhões no mesmo período de 2019, verificando-se então uma ocupação média de 90,7%.

A Direção dos Serviços de Estatística e Censos salientou que a taxa de ocupação média dos quartos cresceu 46,3 pontos percentuais em relação a igual período do ano passado.

Números que estão também em sintonia com o crescimento de visitantes. Macau registou 1,9 milhões de visitantes em março, mais 271,4% do que em relação a 2022.

Mas ainda assim longe dos 3,3 milhões contabilizados em 2019, antes da pandemia.

Lusa/Fim

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JPMorgan assume depósitos e ativos do First Republic Bank

  • Lusa e ECO
  • 1 Maio 2023

Foi o terceiro banco americano a colapsar em dois meses, após queda do Silicon Valley Bank. JPMorgan vai assumir depósitos e maior parte dos ativos do First Republic após intervenção do regulador.

A agência federal norte-americana que garante os depósitos bancários anunciou que o JPMorgan Chase Bank vai assumir todos os depósitos e a maior parte dos ativos do First Republic Bank.

Em comunicado divulgado esta segunda-feira, o Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) revelou que os reguladores da Califórnia fecharam o First Republic Bank e que o JPMorgan Chase assume “todos os depósitos e substancialmente todos os ativos do First Republic Bank”.

Assim, as 84 agências do First Republic Bank em oito estados serão reabertas como agências do JPMorgan.

As ações do First Republic, sediado em São Francisco, perderam 97% do seu valor este ano, pressionadas pelos receios de perdas na sua carteira de crédito e outros ativos e pela intensa fuga de depósitos que registou desde o colapso do Silicon Valley Bank, no dia 10 de março.

Para conter a pressão, o FDIC avançou com o processo de venda esta semana. Os interessados tiveram até sexta-feira para apresentarem propostas não vinculativas e estiveram a estudar o balanço do banco durante o fim de semana.

O First Republic viu o total de ativos mais do que dobrar para 112 mil milhões de euros (102 mil milhões de dólares) no final do primeiro trimestre de 2019. Mas a grande maioria dos depósitos do First Republic, como os do Silicon Valley e do Signature Bank, não tinha seguro, ou seja, acima do limite de 274 mil euros (250 mil dólares) estabelecido pelo FDIC.

Esta situação deixou os analistas e investidores preocupados, porque se o First Republic fosse à falência, os seus depositantes poderiam não receber todo o seu dinheiro de volta.

Esses receios foram cristalizados nos recentes resultados trimestrais do banco que admitiu que os depositantes retiraram mais de 100 mil milhões de dólares do banco durante a crise de abril.

Desde então, o First Republic tem procurado uma forma de se reerguer rapidamente, tendo planeado vender ativos não rentáveis, incluindo as hipotecas a juros baixos que concedia a clientes ricos.

Também anunciou planos para despedir até um quarto da sua força de trabalho, que totalizava cerca de 7.200 funcionários no final de 2022. Mas os investidores mantiveram-se céticos.

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Proprietários podem começar a pagar IMI

  • Lusa
  • 1 Maio 2023

O prazo para o pagamento da primeira prestação do Imposto Municipal sobre os Imóveis (IMI) sobre os prédios rústicos e urbanos começa esta segunda-feira e termina no fim do mês.

O prazo para o pagamento da primeira prestação do Imposto Municipal sobre os Imóveis (IMI) sobre os prédios rústicos e urbanos começa esta segunda-feira, dia 1 de maio, e termina no fim do mês.

O prazo para o pagamento do valor do IMI varia consoante o valor patrimonial dos imóveis, mas em maio arranca o início da liquidação, com a primeira prestação. Este será o único pagamento se o valor do imposto for inferior a 100 euros.

Ultrapassado este montante, o imposto é dividido em duas ou três fases (consoante o montante global seja, respetivamente, inferior ou superior a 500 euros) a serem pagas em maio e novembro ou em maio, agosto e novembro.

O IMI incide sobre o valor patrimonial tributário (VPT) dos imóveis, contemplando uma taxa única de 0,8% no caso dos prédios rústicos (terrenos) e uma taxa que oscila entre os 0,3% e os 0,45% sobre os prédios urbanos (construções e terrenos para construção).

O imposto é calculado e cobrado pela Autoridade Tributária (AT), mas são as autarquias que decidem, todos os anos, qual a taxa que pretendem aplicar no seu concelho, dentro dos referidos intervalos.

Ainda que esteja previsto o desdobramento do pagamento do imposto em duas ou três fases consoante o seu valor, é possível aos proprietários liquidá-lo na totalidade em maio.

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Mudanças no ISP anulam descida nos preços da gasolina

Esta segunda-feira, quando for abastecer, deverá pagar 1,45 euros por litro de gasóleo simples e 1,67 euros por litro de gasolina simples 95.

A revisão da carga fiscal sobre os combustíveis vai anular a descida do preço da gasolina determinada pelo mercado e reduzir a descida dos preços do gasóleo. A partir desta segunda-feira, o litro de diesel, o combustível mais usado em Portugal, vai descer 1,7 cêntimos e a gasolina subirá 0,4 cêntimos pela via fiscal, isto porque o Executivo optou por reduzir o desconto no ISP que estava presentemente em vigor em ambos os tipos de combustível.

Caso não tivesse ocorrido uma revisão da fiscalidade, o mercado apontava para uma descida de 4,5 cêntimos no preço do gasóleo e de dois cêntimos no preço da gasolina, tal como avançou ao ECO fonte do mercado na sexta-feira.

“O preço de referência do gasóleo e da gasolina está atualmente abaixo do preço que justificou as medidas iniciais de mitigação ao nível do ISP e o consumo de combustíveis no primeiro trimestre de 2023 atingiu o recorde da última década. Além disso, a tributação dos combustíveis em Portugal está significativamente abaixo da média ponderada da Zona Euro”, justificou o ministério liderado por Fernando Medina.

Perante esta avaliação, as Finanças decidiram que “a redução da carga fiscal passará a ser de 30 cêntimos por litro de gasóleo e de 31,6 cêntimos por litro de gasolina em maio”. Ou seja, uma redução de 2,8 cêntimos no caso do gasóleo e de 2,4 cêntimos na gasolina.

Por outro lado, “o Governo irá proceder ao descongelamento gradual da atualização do adicionamento sobre as emissões de CO2 (taxa de carbono)”, anunciaram ainda as Finanças.

Os combustíveis têm beneficiado de um conjunto de apoios que passam por um desconto aplicável no ISP — equivalente a uma descida da taxa do IVA de 23% para 13% –, o mecanismo de compensação por via de redução do ISP da receita adicional do IVA — decorrente de variações dos preços dos combustíveis — e a suspensão da atualização da taxa de carbono.

Assim, esta segunda-feira, quando for abastecer, deverá pagar 1,45 euros por litro de gasóleo simples e 1,67 euros por litro de gasolina simples 95, tendo em conta os valores médios praticados nas bombas à segunda-feira, divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). É preciso recuar a 6 de setembro de 2021 para encontra um preço mais baixo por litro de diesel (1,454 euros por litro).

Estes preços já têm em conta os descontos aplicados pelas gasolineiras, mas os valores cobrados ao consumidor final podem variar consoante o posto de abastecimento.

Gasolina e gasóleo voltam a ter esta semana um comportamento desfasado depois de, a semana passada, não terem sofrido qualquer alteração.

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Web Summit Rio. Com um olho no Brasil e outro na atração de talento para Portugal

Mais de duas dezenas de startups aterram esta segunda-feira no Rio de Janeiro. Na bagagem expectativas elevadas para a primeira edição da Web Summit no Brasil. Não faltam planos de expansão.

Com um olho no Brasil, outro na América Latina e um terceiro na atração de talento para Portugal, o ecossistema de startups nacional aterra na Web Summit Rio de Janeiro, que arranca esta segunda-feira, no Brasil, onde são esperados mais de 20 mil participantes. Planear expansões está na agenda de alguns dos participantes, mas há também quem vá com um propósito: atrair projetos e empreendedores para Portugal.

O evento no Rio de Janeiro poderá ser mais um catalisador para a promoção de Portugal como um destino atraente para startups e talentos internacionais. Para isso, é importante que aproveitemos esta oportunidade para mostrar o que o nosso país tem a oferecer e implementar iniciativas específicas para atrair talentos estrangeiros”, defende António Dias Martins, diretor executivo da Startup Portugal.

Mecanismos como programas de vistos e autorizações de trabalho “que simplificam processos para que os empreendedores e startups internacionais estabeleçam negócios no país” já estão no terreno, lembra o responsável do organismo que tem como missão dinamizar o ecossistema de startups português e a gestão de 125 milhões do Plano de Recuperação e Resiliência.

Portugal pode ser a porta de entrada do Brasil para uma Europa, um mercado com mais de 500 milhões de pessoas, tal como o Brasil significa, para as empresas portuguesas a entrada num mercado de quase 200 milhões de pessoas.

António Dias Martins

Diretor executivo da Startup Portugal

Queremos também falar dos mais recentes instrumentos – como os Vouchers para Startups ou o programa Empreende XXI, iniciativas onde estamos altamente envolvidos e que têm potencial para atrair muito talento empreendedor. Outra iniciativa que deve ser explorada e, que felizmente, até já está em curso em alguns países, como é o caso do Brasil”, reforça Dias Martins, lembrando que os dois países, no passado dia 24 de abril, assinaram protocolo para estreitar relações económicas.

“Portugal pode ser a porta de entrada do Brasil para uma Europa, um mercado com mais de 500 milhões de pessoas, tal como o Brasil significa, para as empresas portuguesas a entrada num mercado de quase 200 milhões de pessoas”, reforça.

Mas na missão da Startup Portugalque leva consigo, através do programa Business Abroad, 14 das mais de duas dezenas de participações na cimeira – está ainda fazer a “ponte entre as startups portuguesas e os investidores e outras entidades locais – nomeadamente agências que facilitem estes contactos e interação entre empresas dos dois países. No fundo, o nosso trabalho será de expansão de rede de contactos, parcerias e network entre estes players, facilitando o seu acesso a informação que acelere o seu processo de entrada no mercado brasileiro.”

Logo no primeiro dia da conferência, 1 de maio, a delegação portuguesa reúne com os stakeholders locais, num evento organizado pela Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria do Rio de Janeiro, em colaboração com a Startup Portugal, com a Câmara Municipal de Lisboa e a AICEP, numa manhã com várias sessões sobre processos legais, fiscais, oportunidades de negócio no país e uma sessão de pitch com as startups portuguesas.

Gil Azevedo também marcou a viagem da Startup Lisboa ao Rio de Janeiro com um duplo objetivo. Não só ajudar as startups e scaleups a “estabelecer uma rede de contactos local e identificar oportunidades de expansão internacional para o Brasil e América Latina”, como também — ou não fosse ainda diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa — “desenvolver canais adicionais e estabelecer parcerias que permitam uma maior atração de projetos e empreendedores para Portugal, nomeadamente através dos nossos programas de incubação e aceleração, tanto a nível da Startup Lisboa, como da Unicorn Factory Lisboa.”

Este evento permite termos uma montra do nosso ecossistema, com a divulgação das vantagens de Portugal como centro estratégico para a expansão na Europa, bem como do forte desenvolvimento e internacionalização que temos vindo a assistir no ecossistema de inovação português. É também uma oportunidade de apresentar os nossos programas de incubação e aceleração que estão abertos a apoiar startups e scaleups internacionais, independentemente do estágio de desenvolvimento dos seus negócios.

Gil Azevedo

Diretor executivo da Startup Lisboa e da Unicorn Factory Lisboa

E mostra-se otimista quanto aos potenciais resultados. “Ao longo dos anos, temos vindo a receber vários empreendedores e talento brasileiros e acreditamos que há um forte potencial em continuar a desenvolver esta ponte”, defende Gil Azevedo. “Este evento permite termos uma montra do nosso ecossistema, com a divulgação das vantagens de Portugal como centro estratégico para a expansão na Europa, bem como do forte desenvolvimento e internacionalização que temos vindo a assistir no ecossistema de inovação português. É também uma oportunidade de apresentar os nossos programas de incubação e aceleração que estão abertos a apoiar startups e scaleups internacionais, independentemente do estágio de desenvolvimento dos seus negócios”, argumenta.

Carlos Moedas, o promotor da ideia da Fábrica de Unicórnios, já dizia em novembro, durante a Web Summit de Lisboa, que tinha como objetivo atrair para a cidade mais brasileiros e, para isso, a Web Summit Rio podia ser uma boa porta de entrada.

Na Startup Lisboa há já sete startups com raízes brasileiras incubadas e, no âmbito do programa Scaling Up, têm recebido “interesse de empreendedores brasileiros”. “Esta cimeira permite exatamente fortalecer este movimento de aproximação dos ecossistemas português e brasileiro”, considera Gil Azevedo. Ao longo da cimeira estão previstas várias iniciativas – como um lounge com presença de startups, masterclasses, além de vários eventos para desenvolver parcerias e dar a conhecer os programas, elenca.

Estamos a apostar forte na internacionalização da empresa para o Brasil após termos aberto com o Grupo Muffato aquele que foi o primeiro supermercado autónomo (baseado em AI) da América Latina no Brasil – o Muffato GO.

Joana Rafael

Cofundadora e chief operating officer da Sensei

“As 25 startups e scaleups portuguesas que irão ao Rio serão igualmente um excelente cartão de visita para dar a conhecer o valor da inovação em Portugal e, assim, captar a atenção e atrair investidores e talento do Brasil para o ecossistema português”, aponta ainda Gil Azevedo.

Networking e olho no talento local

Das mais de duas dezenas de startups nacionais que carimbaram o passaporte para a cimeira, algumas – caso da Sensei, knok, Leadzai, Zharta ou sheerMe – já têm operação ou estão em processo de expansão para o mercado brasileiro.

A Sensei vai com expectativas “altas”. “Estamos a apostar forte na internacionalização da empresa para o Brasil após termos aberto com o Grupo Muffato aquele que foi o primeiro supermercado autónomo (baseado em AI) da América Latina no Brasil – o Muffato GO –, cuja abertura por acaso coincidiu com a semana da última Web Summit Lisboa, em novembro 2022”, adianta Joana Rafael, cofundadora e chief operating officer da Sensei. A presença na cimeira no Rio será assim uma “ótima oportunidade para criar novos contatos, seja com investidores seja com parceiros e também conhecer mais do ecossistema local”.

Neste mercado, a tech retail está a “contratar várias posições para o seu HQ”, bem como “uma equipa no Brasil, nomeadamente um country manager local.” E depois da cimeira já fazem planos de participar no APAS Show, o maior evento de supermercados do Brasil, com o seu cliente Muffato, para apresentar o seu conceito de loja.

Uma das startups na ‘comitiva nacional’ a Leadzai “já tem clientes em diversos países da América Latina, tendo recentemente iniciado atividade no Brasil”, adianta João Aroso, fundador & CEO, mercado onde têm “alguns recursos”. “Não temos tido dificuldade em contratar, mas a verdade é que não nos limitamos a Portugal de forma alguma. Temos equipa em variados pontos da Europa para além do Brasil e Colômbia”, aponta o responsável da startup quando questionado se a presença na Web Summit Rio iria ser também um momento para recrutamento.

Acreditamos que a operação da sheerME no Brasil pode ser muito maior do que em Portugal, tendo em conta o tamanho do país e interesse em serviços de bem-estar. Em Portugal realmente está mais difícil contratar, porém no Brasil estamos a encontrar pessoas muito boas.

Miguel Ribeiro

Cofundador & CEO da sheerMe

Para outras, a cimeira é a oportunidade de anunciar o arranque da operação no mercado brasileiro. É o caso da Modatta. “A nossa visão sempre foi expandir para o Brasil assim que conseguíssemos reunir as condições certas para o fazer, pois é um mercado que tem um fit perfeito com a Modatta. Assim, em novembro de 2022, começámos a preparar a entrada no mercado brasileiro com a ajuda da M4 Ventures, através de um aporte de capital para esse efeito, a elaboração de uma estratégia de entrada e operacionalização da mesma. Sabíamos que para entrar num mercado desafiante como é o brasileiro necessitávamos de um parceiro que tivesse a experiência certa para nos ajudar”, começa por referir Eduardo Pinto Basto, que, em 2019, cofundou a plataforma com Rodrigo Moretti. “Temos o objetivo de chegar a mais de um milhão de utilizadores até ao final deste ano e de ter mais de 150 marcas a anunciarem na nossa plataforma“, adianta o responsável.

Há muito que a sheerMe estava de olho no Brasil. Neste momento, a startup que atua nos serviços de bem-estar prepara o soft launch no país e a expectativa é “crescer bastante nos próximos meses”. Já tem 30.000 espaços listados no seu diretório de serviços de bem-estar, beleza e fitness em três Estados (Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife) e mais de 300 clientes que já aceitam marcações online. “Queremos chegar aos 1.000 clientes ativos no Brasil até agosto. Quando chegarmos ao ponto de equilíbrio passamos a ter apenas a opção de marcações e pagamentos online tal como temos em Portugal”, explica Miguel Ribeiro, cofundador & CEO da sheerMe. Mas neste mercado, a “estratégia passa por tornar a sheerME mais social dando benefícios aos utilizadores por promover as suas experiências.”

O potencial de crescimento é enorme. “O Brasil é um país imenso, com grande potencial, o nível de digitalização é alto e devido a questões culturais a marcação de serviços de bem-estar é crucial especialmente em cidades grandes. A frequência de utilização é também bem mais alta do que em qualquer outro país da Europa”, justifica.

Parte da equipa de desenvolvimento, suporte e vendas está no Brasil. E há vontade de reforçar. E, nesse sentido, o mercado brasileiro poderá ser uma potencial pool para fazer face à escassez de talento em Portugal. “Encontramos muito talento pelo Brasil e queremos continuar a recrutar, não necessariamente para virem para Portugal, mas sim para se juntar à nossa equipa no Brasil. Estamos sempre abertos a ajudar quem queira vir trabalhar para Portugal, porém acreditamos que a operação da sheerME no Brasil pode ser muito maior do que em Portugal, tendo em conta o tamanho do país e interesse em serviços de bem-estar. Em Portugal realmente está mais difícil contratar, porém no Brasil estamos a encontrar pessoas muito boas”, admite Miguel Ribeiro.

Ir ao Rio com olho na América Latina

O Rio de Janeiro também será um campo de recrutamento para a Hoopers “não só do Brasil para Portugal, mas, sobretudo, para nos ajudar a operar neste mercado”, que André Costa, cofundador da plataforma de comunidade que liga jogadores, fãs e entusiastas de basquetebol, através de campos, conteúdos, experiências e NFT, classifica de “estratégico”.

“Queremos aumentar a nossa exposição neste mercado, mas também apresentar e recolher feedback de soluções que temos vindo a construir”, refere André Costa.

Numa primeira fase, estaremos focados apenas no mercado brasileiro, onde entramos de forma independente, mas sabemos que queremos expandir para outros países nesta região no futuro.

André Costa

Cofundador da Hoopers

Mas também usar a participação na cimeira como trampolim para a América Latina. “Já estamos a operar no Brasil e queremos aproveitar o evento para aumentar a nossa exposição neste mercado, mas também para estabelecer contatos importantes com entidades e players da América Latina”, diz.

“Numa primeira fase, estaremos focados apenas no mercado brasileiro, onde entramos de forma independente, mas sabemos que queremos expandir para outros países nesta região no futuro”, continua o cofundador da Hoopers. Para isso, vai ser necessário mais capital. “Iremos pensar na captação de investimento a partir do final deste ano ou início do próximo ano e queremos, obviamente, fazê-lo junto de operadores locais.”

E não é o único com a América Latina na mira. “Ganhando tração no Brasil, facilmente arrancamos outros países da América latina. Esta foi uma estratégia que a nossa equipa usou na Zomato e outras startups que lançámos no Brasil no passado”, admite Miguel Ribeiro. Mas expandir exige mais capital. Para a entrada no Brasil, contaram, entre outros parceiros, com o apoio do fundo M4 Ventures – “sem a M4 Ventures a nossa entrada no Brasil teria sido muito mais difícil, pois não só temos ajuda para abrir empresa, contas bancarias e afins, mas também a abertura de nos ligarem ao seu network no Brasil”, aponta o cofundador da sheerMe” –, novos voos exigem mais músculo financeiro.

Estamos a dias de finalizar a nossa ronda seed, e acreditamos que será o suficiente para dar os primeiros passos no Brasil e escalar. Porém temos noção que a meio de 2024 vamos começar à procura de investimento para a série A da sheerME, com provas dadas no Brasil conseguirmos vamos precisar de escalar mais depressa, tanto no Brasil como internacionalmente”, revela o cofundador.

“O Brasil é um passo muito importante para a sheerME, porém em paralelo estamos também já a testar outro mercado, estamos já em testes com clientes em Espanha. Conseguindo ter a sheerME afinada em português e espanhol, dar-nos-á a confiança para avançar para outros países.”

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Trabalhadores ganhavam em 2021 mais 118 euros do que em 2011

  • Lusa
  • 1 Maio 2023

Os trabalhadores por conta de outrem ganhavam, em 2021, descontando o efeito da inflação, em média, 1.294 euros, apenas 118 euros mais do que dez anos antes, revela a Pordata.

Os trabalhadores por conta de outrem ganhavam, em 2021, descontando o efeito da inflação, em média, 1.294 euros, apenas 118 euros a mais do que dez anos antes, de acordo com dados divulgados pela Pordata. Num comunicado, a entidade revelou que, “em 2021, os trabalhadores por conta de outrem em empresas ganhavam, em média, 1.294 euros”, ilíquidos, o que, face a 2011, “é um aumento de 210 euros que, descontado o efeito da inflação, é apenas de 118 euros”, indicou.

De acordo com a Pordata, “no que toca aos grandes grupos profissionais”, alguns “auferem salários acima da média nacional”, com destaque para os “representantes do poder legislativo e de órgãos executivos (+1.483 euros)”, as “profissões intelectuais e científicas (+701 euros)”, os “técnicos de nível intermédio (+314 euros), entre os quais se verifica uma exceção: os técnicos e profissionais de nível intermédio da saúde auferem menos 108 euros do que a média nacional”, realçou.

A Pordata detalhou ainda que, dentro destes três grupos mencionados, “as profissões mais bem pagas dizem respeito a cargos de gestão ou direção”, como “representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes superiores da Administração Pública, diretores e gestores de empresas (ganhavam, em média, 3.577 euros); os diretores de serviços administrativos e comerciais (3.091 euros); os diretores de produção e de serviços especializados (2.826 euros); e os técnicos dos serviços jurídicos, sociais, desportivos e culturais (2.331 euros)”.

Também as profissões das áreas CTEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) “se situam entre as mais bem pagas, com remunerações acima dos 1.850 euros”, indicou a Pordata. Neste grupo incluem-se “especialistas em tecnologias de informação e comunicação (TIC) (2.198 euros)”, em “finanças, contabilidade, organização administrativa, relações-públicas e comerciais (2.111 euros)”, em “ciências físicas, matemáticas, engenharias (2.019 euros)” e “profissionais de saúde (1.869 euros)”.

Por outro lado, no que diz respeito às profissões mais mal pagas, “são as de assistente na preparação de refeições (761 euros), trabalhador de limpeza (791 euros) e trabalhador dos cuidados pessoais (818 euros)”, indicou.

Onde está o maior fosso salarial entre homens e mulheres?

A Pordata analisou ainda a desigualdade salarial entre homens e mulheres, concluindo que o maior fosso se encontra “entre os técnicos de nível intermédio dos serviços jurídicos, sociais, desportivos, culturais (os homens ganham, em média, mais 2.409 euros)”.

Entre as áreas com maior fosso entre homens e mulheres estão ainda representantes do poder legislativo e de órgãos executivos, dirigentes superiores da Administração Pública, diretores e gestores de empresas, em que “os homens ganham, em média, mais 1.070 euros do que as mulheres”, indicou.

No que diz respeito aos setores económicos mais bem remunerados, segundo a Pordata, “são o da eletricidade, gás e água (auferiam, em média, mais 1.672 euros do que a média nacional) e as atividades financeiras e de seguros (+1.080 euros)”, enquanto, por oposição, “o setor do alojamento e restauração e o da agricultura são os menos bem pagos (-380 euros e -283 euros face à média nacional)”.

A organização deu ainda conta de que “os setores económicos que mais geraram riqueza (VAB — Valor Acrescentado Bruto), em 2020, são também aqueles onde os salários médios dos trabalhadores estavam abaixo da média nacional”.

A Pordata deu os exemplos da indústria transformadora, que “gerou 13,8% do VAB, com destaque para as indústrias alimentar e têxtil” e “onde os salários médios são 121 euros e 340 euros inferiores à média nacional”, bem como das “atividades imobiliárias e o comércio (13,4% e 13,1% do VAB), a administração pública e a saúde (7,4% e 7% do VAB)”, salientando que “na saúde, a diferença face à média nacional é de -145 euros”.

No entanto, indicou, as maiores diferenças face à média nacional “encontram-se no alojamento e restauração (-380 euros, com um VAB de 3,6%), na agricultura (-283 euros, com um VAB de 2,5%) e nas atividades administrativas e serviços de apoio (-208 euros, com um VAB de 3,8%)”.

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Nova lei laboral entrou em vigor no Dia do Trabalhador. O que muda e o que fica em ‘lista de espera’

O grosso das alterações à Lei Laboral entra em vigor esta segunda-feira. Mas existem algumas exceções, nomeadamente no que toca aos períodos de licença parental complementar.

A alterações à Lei do Trabalho, no âmbito da Agenda do Trabalho Digno, entram em vigor esta segunda-feira, no Dia Internacional do Trabalhador. A partir de hoje, o outsourcing será proibido após rescisão de contrato, despedir será mais caro, o valor do trabalho suplementar (que acresce ao salário) vai duplicar a partir das 100 horas anuais e o trabalho nas plataformas tem novas regras. Passa a existir também uma isenção fiscal dos gastos com teletrabalho e, em matéria familiar, a licença parental exclusiva do pai é alargada. Além disso, o trabalho doméstico não declarado passa a ser considerado crime.

A grande maioria das 70 alterações feitas ao Código do Trabalho entram em vigor a partir de hoje, mas algumas só mais tarde como, por exemplo, a licença parental complementar, para assistência a filho ou adotado com idade não superior a seis anos. O Governo tem o prazo de 60 dias, ou seja, até dia 2 de junho, para regulamentar esta alteração. Também algumas normas sobre requisitos mínimos de funcionamento das empresas de trabalho temporário, bem como a regulamentação de arbitragem, ficam ainda em ‘lista de espera’.

Com a entrada em vigor da nova Lei cessam igualmente as contribuições das empresas para o Fundo de Compensação, tal como já tinha referido a ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho. Em discussão ainda com os parceiros sociais está a forma como será aplicado os mais de 600 milhões do Fundo de Compensação do Trabalho — Governo propõe que seja usado pelas empresas para pagamento de indemnização, formação e com habitação dos trabalhadores — e que papel terão os trabalhadores na decisão de como esse dinheiro será aplicado.

As mudanças que passam a regular o mundo do trabalho

  • Compensação por despedimento coletivo aumenta

Em caso de despedimento coletivo, o empregador deve comunicar, por escrito, essa intenção a cada um dos trabalhadores que possam ser abrangidos. “Em caso de despedimento coletivo, o trabalhador tem direito a compensação correspondente a 14 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade“, pode ler-se na Lei. Um aumento de dois dias face à anterior Lei.

“O empregador é responsável pelo pagamento da totalidade da compensação, sem prejuízo do direito do trabalho a acionar o fundo de garantia de compensação do trabalho, nos termos previstos em legislação prevista”, refere o mesmo diploma.

  • Aumento da compensação por caducidade do contrato a termo certo

Em caso de caducidade de contrato de trabalho a termo certo por verificação do seu termo, “o trabalhador tem direito a compensação correspondente a 24 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade, calculada nos termos do artigo 366.º, salvo se a caducidade decorrer de declaração do trabalhador nos termos do número anterior”, refere o diploma.

O trabalhador tem igualmente direito a compensação “correspondente a 24 dias de retribuição base e diuturnidades por cada ano completo de antiguidade”, em caso de caducidade do contrato de trabalho a termo incerto.

  • Contratos de trabalho temporário com limite de quatro renovações

O diploma reduz para quatro o número máximo de renovações dos contratos de trabalho temporário, fixado atualmente em seis. “O contrato de trabalho temporário a termo certo não está sujeito ao limite de duração do n.º 2 do artigo 148.º e, enquanto se mantiver o motivo justificativo, pode ser renovado até quatro vezes”, determina o Código.

“A duração de contratos de trabalho temporário sucessivos em diferentes utilizadores, celebrados com o mesmo empregador ou sociedade que com este se encontre em relação de domínio ou de grupo, ou mantenha estruturas organizativas comuns, não pode ser superior a quatro anos”, diz ainda a nova Lei. “Converte-se em contrato de trabalho por tempo indeterminado para cedência temporária o contrato de trabalho temporário que exceda o limite referido no número anterior.”

  • Empresas proibidas de recorrer a outsourcing durante um ano após o despedimento

Esta é, possivelmente, a norma que mais críticas tem gerado junto do patronato, e dúvidas tem levantado quanto à sua constitucionalidade. A nova Lei, no artigo 338ªA, determina que “não é permitido recorrer à aquisição de serviços externos a entidade terceira para satisfação de necessidades que foram asseguradas por trabalhador cujo contrato tenha cessado nos 12 meses anteriores por despedimento coletivo ou despedimento por extinção de posto de trabalho.”

Um parecer da Conselho Nacional das Confederações Patronais (CNCP) conhecido em abril aponta que esta norma é inconstitucional por, entre outros aspetos, entrar em conflito com diversos direitos fundamentais, entre os quais a liberdade de gestão das empresas privadas, a liberdade de escolha de profissão, a liberdade de iniciativa económica e o direito de propriedade privada.

  • Contratação coletiva trará mais benefícios para as empresas

“O Estado enquadra os incentivos à contratação coletiva no âmbito das suas políticas específicas, nomeadamente através de medidas que privilegiem as empresas outorgantes de convenção coletiva recentemente celebrada ou revista, no quadro do acesso a apoios ou financiamentos públicos, incluindo fundos europeus, dos procedimentos de contratação pública e de incentivos de natureza fiscal“, pode ler-se no diploma (Artigo 485.º). Abrangidos por estes benefícios estão as convenções revistas ou celebradas “no período até três anos”.

Na última reunião da Concertação Social, Ana Mendes Godinho referiu que, em fevereiro, o número de trabalhadores abrangidos por acordos de contratação coletiva tinha atingido um número recorde, de 192 mil, o maior desde 2008, um crescimento de 122%.

  • Valor das horas extra aumenta a partir das 100 horas anuais

O trabalho suplementar superior a 100 horas anuais passa a ser pago com os seguintes acréscimos: “50% pela primeira hora ou fração desta e 75% por hora ou fração subsequente, em dia útil” e “100% por cada hora ou fração, em dia de descanso semanal, obrigatório ou complementar, ou em feriado”, refere a Lei. Até aqui, o valor das horas extra estava fixado em 25%, 37,5% e 50%, respetivamente.

  • Renúncia a créditos pelo trabalhador

Em caso de fim de contrato ou despedimento, os trabalhadores não vão poder abdicar dos créditos devidos pelo empregador, como subsídios de férias e/ou natal e de formação e horas suplementares. O crédito de trabalhador “não é suscetível de extinção por meio de remissão abdicativa, salvo através de transação judicial”. Ou seja, não pode ser apenas um acordo entre trabalhador e empresa, sem mediação do tribunal.

Esta é outra das normas que o parecer da CNPC sobre o novo Código aponta inconstitucionalidade, por “violação do direito de participação na elaboração da legislação do trabalho” e, por outro lado, por corresponder a uma “restrição desproporcional do princípio da autonomia privada”. Mais, dizem, esta norma é “perniciosa para o trabalhador, porquanto inviabiliza que o empregador se disponha a negociar um valor para a cessação do contrato de trabalho, superior ao que resulta do regime legal”.

  • Novo contrato de trabalho com estudantes em período de férias

O novo diploma prevê um novo tipo de contrato de trabalho destinado a estudantes em período de férias escolares ou em interrupção letiva (Artigo 89.º-A) , o mesmo não depende da condição de trabalhador-estudante” e “não está sujeito a forma escrita”.

Contudo, “o empregador deve comunicar a celebração do contrato ao serviço competente da Segurança Social, mediante formulário eletrónico que deve satisfazer todas as exigências de comunicação previstas noutras disposições legais, assegurando aquele serviço a interconexão de dados com outros serviços que se mostre necessária”.

  • Estágios com maior remuneração

Durante o decurso do período de estágio, a entidade promotora paga ao “estagiário um subsídio mensal de estágio, cujo montante não pode ser inferior ao previsto na alínea a) do n.º 1 do artigo 275.º do Código do Trabalho”. Ou seja, os estágios profissionais passam a ser remunerados no mínimo por 80% do Salário Mínimo Nacional (este ano fixado nos 760 euros), e as bolsas de estágio IEFP para licenciados são aumentadas para 960 euros.

“A entidade promotora do estágio deve ainda contratar um seguro de acidentes de trabalho”, refere ainda a Lei.

  • Plataformas digitais

O Artigo 12.º-A foi um dos mais controversos de toda a negociação e mexe com as relações laborais entre plataformas digitais, como a Uber ou a Glovo, e os estafetas, com as plataformas a considerar que a lei iria rapidamente ser obsoleta, na medida em que é esperada a aplicação nos Estados-membros da diretiva comunitária que vai regular as plataformas digitais.

O diploma define “algumas” das condições que podem levar a que um tribunal determine quem deve ser considerado o patrão de um motorista ou estafeta. Por exemplo, nos casos em que é a própria plataforma que fixa a retribuição pelo trabalho efetuado ou define limites máximos e mínimos à mesma; quando “exerce o poder de direção e determina regras específicas, nomeadamente quanto à forma de apresentação do prestador de atividade, à sua conduta perante o utilizador do serviço ou à prestação da atividade”; tem “poderes laborais sobre o prestador de atividade, nomeadamente o poder disciplinar, incluindo a exclusão de futuras atividades na plataforma através de desativação da conta” ou “os equipamentos e instrumentos de trabalho utilizados pertencem à plataforma digital ou são por estes explorados através de contrato de locação”.

Essa presunção de ligação laboral pode ser ilididase a plataforma digital fizer prova de que o prestador de atividade trabalha com efetiva autonomia, sem estar sujeito ao controlo, poder de direção e poder disciplinar de quem o contrata” ou “invocar que a atividade é prestada perante pessoa singular ou coletiva que atue como intermediário da plataforma digital para disponibilizar os serviços através dos respetivos trabalhadores.”

As plataformas passam ainda a ter o “dever de informação e transparência sobre o uso de algoritmos e mecanismos de Inteligência Artificial na seleção e dispensa dos trabalhadores”, destaca o Ministério do Trabalho.

  • Teletrabalho: alargamento de abrangência e despesas

O direito ao teletrabalho sem necessidade de acordo é alargado. “O trabalhador com filho com idade até três anos ou, independentemente da idade, com deficiência, doença crónica ou doença oncológica que com ele viva em comunhão de mesa e habitação, tem direito a exercer a atividade em regime de teletrabalho, quando este seja compatível com a atividade desempenhada e o empregador disponha de recursos e meios para o efeito”, determina o diploma no Artigo 166.º-A.

“O contrato individual de trabalho e o contrato coletivo de trabalho devem fixar na celebração do acordo para prestação de teletrabalho o valor da compensação devida ao trabalhador pelas despesas adicionais“, refere ainda a Lei.

Na ausência de acordo entre as partes sobre um valor fixo, “consideram-se despesas adicionais as correspondentes à aquisição de bens e ou serviços de que o trabalhador não dispunha antes da celebração do acordo a que se refere o artigo 166.º, assim como as determinadas por comparação com as despesas homólogas do trabalhador no último mês de trabalho em regime presencial”.

Essa compensação é, para efeitos fiscais, “custo para o empregador e não constitui rendimento do trabalhador até ao limite do valor definido por portaria dos membros do Governo responsáveis pelas áreas dos assuntos fiscais e segurança social.”

  • Aumento da licença parental do pai

A licença parental obrigatória do pai passa dos atuais 20 dias úteis para 28 dias seguidos. “É obrigatório o gozo pelo pai de uma licença parental de 28 dias, seguidos ou em períodos interpolados de no mínimo sete dias, nos 42 dias seguintes ao nascimento da criança, sete dos quais gozados de modo consecutivo imediatamente a seguir a este”.

O pai tem ainda direito “a sete dias de licença, seguidos ou interpolados, desde que gozados em simultâneo com o gozo da licença parental inicial por parte da mãe.” Em caso de internamento hospitalar da criança durante o período após o parto, a licença “suspende-se, a pedido do pai, pelo tempo de duração do internamento.”

  • Licença por luto gestacional

São atribuídos três dias consecutivos de luto pela perda de um filho ainda em fase de gestação (Artigo 38.º-A). Ambos os pais passam a ter direito a essa licença por luto gestacional, não existindo perda de qualquer direito ou corte salarial. Os pais têm apenas de apresentar ao empregador uma prova da morte do filho durante a gestação (através de uma declaração do hospital ou centro de saúde, ou ainda atestado médico).

  • Licença por falecimento alargada

Com a nova legislação define-se um alargamento do dia de faltas pelo falecimento do cônjuge, filho e enteado de cinco para 20 dias consecutivos. No caso do falecimento de outros parentes ou afins no 1.º grau na linha reta, licença aumenta para até cinco dias consecutivos.

  • SNS 24 passa baixas até três dias

As baixas por doença podem agora ser passadas pelo serviço digital do Serviço Nacional de Saúde (o SNS24), “mediante autodeclaração de doença, sob compromisso de honra, que apenas pode ser emitida quando a situação de doença do trabalhador não exceder os três dias consecutivos, até ao limite de duas vezes por ano.”

  • Novas regras para serviço doméstico

Quem não declarar um trabalhador de serviço doméstico à Segurança Social no prazo de seis meses passa, agora, a arriscar pena de prisão até três anos ou multa até 360 dias. Tecnicamente, quem recorresse a este tipo de serviços já estava obrigado a realizar contrato de trabalho e correspondente pagamento das contribuições sociais. Com a criminalização o que muda é o peso da consequência. O facto de se tratar de trabalho a tempo parcial não o isenta da obrigatoriedade de declarar o trabalhador à Segurança Social e assegurar o pagamento das comparticipações correspondentes.

Empresas já não pagam Fundo de Compensação do Trabalho relativo a abril

Com a entrada em vigor da nova legislação laboral, as empresas não terão que pagar o Fundo de Compensação do Trabalho relativo a abril. Ana Mendes Godinho abordou o tema no centro de congressos Europarque, em Santa Maria da Feira, à margem da sessão local promovida pela Ordem dos Contabilistas Certificados.

Uma boa notícia para as empresas é que já em maio não vão ter que fazer o pagamento do Fundo de Compensação do Trabalho, que é de 1% sobre a base salarial“, declarou a governante em declarações à Lusa, sobre o mecanismo de capitalização individual que, tutelado pelo Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social, agrega verbas destinadas a pagar até 50% da compensação dos trabalhadores em caso de cessação dos seus contratos laborais.

“Foi uma decisão que tomamos de, já em maio, não ser sequer cobrado o valor correspondente à contribuição de abril, o que, aplicado à base salarial de todos os trabalhadores, representa um valor muito significativo”, realçou.

Alterações em ‘lista de espera’

Apesar da grande maioria das alterações à Lei Laboral entrar em vigor esta segunda-feira, existem algumas exceções, nomeadamente no que respeita ao regime jurídico de proteção social na parentalidade, referente aos períodos da licença parental complementar.

  • Períodos de licença parental complementar

“Os períodos de licença parental complementar não devem ser confundidos com a licença parental exclusiva do pai. Esta última passa a ser de 28 dias, seguidos ou em períodos interpolados de no mínimo sete dias, nos 42 dias seguintes ao nascimento da criança, sete dos quais gozados de modo consecutivo imediatamente a seguir a este”, começa por distinguir Pedro Antunes, sócio de laboral da CCA Law Firm.

“A licença parental complementar prevista no art. 51.º do Código do Trabalho é aplicável para assistência a filho ou adotado com idade não superior a seis anos. Com efeito, esta também sofreu uma alteração, tendo o Governo prazo de 60 dias, ou seja, até dia 2 de junho para regulamentar esta alteração“, esclarece o especialista.

Até lá aplica-se o disposto no DL 91/2009, de 9 de abril, referente ao regime jurídico de proteção social da parentalidade.

  • Normas sobre requisitos mínimos de funcionamento das empresas de trabalho temporário

Algumas normas referentes aos requisitos mínimos de funcionamento das empresas de trabalho temporário mantêm-se inalteradas, até à entrada em vigor de Decreto Regulamentar. Isto porque as empresas de trabalho temporário têm de possuir uma licença, que apenas será concedida mediante a verificação de determinados requisitos cumulativos.

Ora, com as alterações promovidas pela Agenda do Trabalho Digno, “um dos requisitos alterados está relacionado com o número de trabalhadores contratados pela empresa, cuja percentagem será determinada por via de Decreto Regulamentar“, refere Maria Luís Guedes de Carvalho, associada sénior de laboral.

“Enquanto o mesmo entrar em vigor, mantém-se o número atualmente previsto no n.º 2 do artigo 11.º do Decreto-Lei n.º 260/2009, de 25 de setembro, que refere um número de trabalhadores a tempo completo que corresponda, no mínimo, a 1 % do número médio de trabalhadores temporários contratados no ano anterior ou, quando este número for superior a 5.000, pelo menos 50 trabalhadores a tempo completo”, explica.

  • Regulamentação de arbitragem

No prazo de 60 dias, o Governo procederá ainda às adaptações necessárias à regulamentação de arbitragem e referente à negociação das Convenções Coletivas de Trabalho.

“A nova redação do artigo 513.º do Código do Trabalho determina que, além do regime de arbitragem para suspensão do período de sobrevivência das convenções coletivas, e da arbitragem obrigatória e necessária, passa a haver também arbitragem para apreciação dos fundamentos da denúncia de convenção coletiva, que são referentes a motivos de ordem económica, estrutural ou a desajustamentos do regime da convenção”, esclarece a especialista. Para esse efeito, o Governo terá de alterar a regulamentação de arbitragem, que até então não abrangia os fundamentos da denúncia, tendo 60 dias para o fazer.

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Montenegro diz que o Governo acabou e que foi o próprio PS que o admitiu

  • Lusa
  • 30 Abril 2023

O líder do PSD considerou que o Governo acabou e que foi o próprio presidente do PS, Carlos César, que o admitiu quando pediu um "algum refrescamento" no executivo socialista na sequência do caso TAP.

O líder do PSD, Luís Montenegro, considera que o Governo acabou e que foi o próprio presidente do PS, Carlos César, que o admitiu quando pediu um “algum refrescamento” no executivo socialista. “Este Governo, de alguma maneira, acabou. E quem o diz não sou eu. Quem o diz é o presidente do Partido Socialista”, afirmou o presidente social-democrata, em declarações aos jornalistas durante uma visita à feira agropecuária Ovibeja.

Montenegro salientou que quando o presidente do PS diz que “o Governo tem de ser regenerado e refrescado” significa que “está a assumir que aquilo que este Governo fez, nestes 13 meses, foi um falhanço e que estes governantes não servem“. “Nesse aspeto, eu estou de acordo com ele”, sublinhou.

O presidente do PSD disse acreditar que, se houver eleições legislativas antecipadas, os portugueses “escolherão outro partido para liderar o Governo e esse partido é indiscutivelmente o Partido Social Democrata“. Porém, ressalvou, a marcação de eleições antecipadas “está na mão de duas pessoas”, ou seja, está sujeita a decisões do primeiro-ministro ou do Presidente da República, pelo que é preciso “respeitar a posição de um e de outro”.

“Este Governo falhou e acabou do ponto de vista do seu espaço de manobra para motivar e mobilizar a sociedade portuguesa“, insistiu, defendendo que o executivo PS “não pode ficar embrulhado em toda esta bagunça que envolve a sua atividade”.

Advertindo que “ou o Governo muda ou o país tem de mudar de Governo”, Luís Montenegro afiançou que, se houver eleições, o PSD está preparado para “assumir a condução de uma política governativa que transforme a vida das pessoas para melhor”.

Andamos há 13 meses embrulhados em questões internas com um primeiro-ministro que já mostrou não ser capaz de ultrapassar a situação. O que é hoje uma evidência é que o primeiro-ministro perdeu a sua capacidade de liderar o Governo“, realçou.

Questionado pelos jornalistas sobre se o ministro das Infraestruturas tem condições para continuar no cargo, devido à polémica com o seu antigo adjunto, o presidente do PS respondeu que “vários ministros que estão diminuídos politicamente”.

Há muitos que estão diminuídos politicamente e que estão frágeis, mas isso também emana da falta de autoridade e capacidade de liderança do primeiro-ministro“, apontou, acusando o Governo de não ter capacidade para mobilizar os portugueses.

Numa entrevista ao Interesse Público, publicada no Jornal Público, o presidente do PS, Carlos César, defendeu que o primeiro-ministro deve avaliar se há ou não necessidade de “algum refrescamento” no Governo, considerando ser preciso “maior rigor e disciplina” para evitar casos como os que têm envolvido a TAP.

Em conferência de imprensa, no sábado, o ministro das Infraestruturas considerou ter “todas as condições” para estar no Governo, negou contradições e realçou que os factos mostram que houve cooperação com a comissão de inquérito à TAP.

João Galamba disse que informou a ex-presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, sobre a reunião preparatória pedida pelo PS e que podia participar, se quisesse, tendo recebido confirmação do interesse mais tarde, presença à qual não se opôs. O governante afirmou ainda que reportou ao secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro e à ministra da Justiça o roubo de um computador pelo adjunto exonerado Frederico Pinheiro, tendo-lhe sido dito que deveria comunicar ao SIS e à PJ.

O adjunto exonerado acusou o Ministério das Infraestruturas de querer omitir informação à comissão de inquérito à TAP sobre a “reunião preparatória” com a ex-CEO.

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Bruxelas propõe novas regras orçamentais. Como fica Portugal?

Novas regras da União Europeia mantêm limites de 3% do PIB para o défice e 60% do PIB para a dívida pública, mas deixam uma "trajetória" mais flexível para redução.

A Comissão Europeia já avançou com a proposta para as novas regras orçamentais da União Europeia, e poucos ficaram contentes. Mantêm-se os limites de 3% do défice e 60% da dívida face ao PIB, com recomendações específicas para cada país mas também ajustes anuais para todos. Portugal estará seguro no défice, mas ainda tem um longo caminho para andar no que diz respeito ao rácio da dívida pública.

As regras orçamentais estão suspensas desde o início da pandemia, momento em que foi aproveitado pelos Estados-membros para avançarem com a muito esperada reforma.

Bruxelas já apresentou a proposta que vai estar em discussão, tentando ir ao encontro das várias exigências e que acaba por ser menos flexível do que o esperado:

  • Os países com défice superior a 3% do PIB vão ter de fazer ajustes anuais no valor de 0,5% do PIB até que o défice fique abaixo da meta;
  • O rácio da dívida face ao PIB deve ser visivelmente menor ao final do plano quadrienal;
  • Caso o plano seja estendido para sete anos, a maioria das correções fiscais deverá ocorrer nos primeiros quatro anos, ao invés de ser adiada até ao final;
  • A despesa líquida deve permanecer sempre abaixo do crescimento económico potencial.

O que significa isto para Portugal? Por um lado, a meta do défice não é um problema, tal como o ministro das Finanças já tinha sinalizado.

As contas públicas têm apresentado um défice abaixo dos 3% do PIB e a perspetiva para os próximos anos é que se mantenha assim, sendo que o Conselho das Finanças Públicas estima mesmo que se chegue a um excedente em 2024, três anos antes do projetado por Fernando Medina no Programa de Estabilidade.

Já a questão da dívida é mais sensível. Quando foram conhecidas as orientações da Comissão, pensava-se que a meta de 60% da dívida não iria regressar, algo que Medina apoiava. “Cada país com um certo nível de dívida deve ter um tratamento determinado para esse nível de dívida“, defendeu o ministro numa conferência no início de março, apontando que “o princípio da igualdade” é “tratar de forma diferente o que é diferente, não é aplicar a mesma regra” como atualmente.

Mesmo assim, já se falava de uma possível metodologia de redução de dívida comum, mas o ministro reiterava que levantava questões, já que “um país que tenha uma dívida historicamente mais alta terá menor necessidade de diminuir a sua dívida do que um país que tenha subido a sua dívida e depois tenha tido uma redução muito significativa”.

Apesar dessas reticências, o ministro mostrou-se confiante esta semana relativamente à posição de Portugal. “Se não houver um acordo [sobre a nova proposta da Comissão Europeia para normas orçamentais], as regras que estarão em vigor são as regras que todos nós conhecemos […] e Portugal está confortável com qualquer quadro de regras, na medida em que nós, neste momento, estamos a cumprir escrupulosamente todos os indicadores de todas essas regras”, disse Medina.

Endividamento no espaço do Euro

Olhando para os últimos números do Eurostat, mais de metade dos países da UE não cumpre o limite de 60% do PIB para a dívida pública. Portugal tem o terceiro rácio mais alto, de 113,9% do PIB, ainda que tenha tido também das maiores quedas no ano passado. À sua frente ficam apenas Grécia (171,3%) e Itália (144,4%).

É também possível verificar que seis países da área do euro têm dívida superior a 100% do PIB, sendo que a dívida da Zona Euro é até mais alta do que a média comunitária (que inclui mais países): foi de 91,6% nos países do Euro, no último trimestre de 2022, e 84% na média dos países da União Europeia.

Apesar de Portugal estar acima do limite do rácio da dívida, as novas regras propostas por Bruxelas contemplam uma “trajetória técnica” para países endividados da UE, como Portugal, dando-lhes mais tempo para reduzir o défice e a dívida.

Mesmo assim, é de salientar que, anteriormente, em muitas ocasiões, as regras apertadas acabavam por não ser aplicadas. Agora “é uma exigência mais leve do que a anterior e, por isso, é mais aplicável e pode ser levada mais a sério”, indica Pedro Braz Teixeira, diretor do gabinete de estudos do Fórum para a Competitividade, ao ECO.

Assim, tudo dependerá da capacidade de cumprimento de Portugal das regras que serão, em princípio, mais realistas. Mesmo assim, o caminho da redução do rácio da dívida tem-se feito. “Aquilo que tem havido no caso português é uma redução de mais de 1 ponto percentual da dívida por ano e, portanto, estamos a cumprir essa regra, exceto nos anos excecionais que as regras foram suspensas — anos da pandemia com uma subida extraordinária da dívida para todos os países”, salienta o economista.

Mesmo no Programa de Estabilidade, as previsões são de uma redução de 22 pontos percentuais do rácio da dívida entre 2022 e 2027, para culminar em 92% dentro de cinco anos. As estimativas do Governo apontam para que a dívida pública fique abaixo de 100% do PIB já a partir de 2025.

Há, ainda assim, alguns fatores a ter em atenção. Por um lado, está ainda em curso a subida de juros, que aumenta o custo da dívida. Porém, tudo aponta para que esta subida seja apenas temporária, além de que Portugal “está com uma margem grande e uma folga em relação à meta”, nota Pedro Braz Teixeira. No entanto, o economista nota que “se tivermos um problema grave de turbulência bancária e problemas dos bancos contagiarem a dívida pública, isso já pode ser mais complicado”, sinaliza o economista, que destaca ainda assim a incerteza que se vive.

Alemanha, França e Itália contra… por razões opostas

Pouco tempo após ter sido apresentada, a proposta de Bruxelas já foi alvo de críticas de vários países, ainda que por razões diferentes. A Alemanha tem sido exigente com a existência de algumas regras comuns para a redução da dívida, mostrando receios quanto ao caráter mais personalizado das orientações que a Comissão quer dar.

Mesmo com as concessões feitas às exigências alemãs, o ministro das Finanças ainda não está contente. Christian Lindner fez uma conferência de imprensa após a apresentação das regras onde sinalizou que ainda não está contente e que serão necessárias “alterações significativas” para tornar as regras suficientemente sólidas, obrigatórias e transparentes.

Já França expressou a visão oposta, reiterando que os aspetos do regime orçamental eram muito rígidos. Itália, por sua vez, sinalizou que a proposta dava muito pouco espaço para investimentos no crescimento e na transição verde.

Esta proposta ainda tem de ser analisada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da União Europeia, sendo que se perspetivam longas negociações pelo caminho. Certo é que deverão ter de chegar a acordo até ao final do ano, porque em 2024 as regras orçamentais voltam a estar em vigor e, sem consenso, o que se aplica é o quadro antigo.

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