Advogados com mais de uma década de profissão podem ganhar até 84 mil euros

A Michael Page revela que um advogado associado recebe cerca de 42 mil euros. Já um advogado sénior pode auferir até 84 mil euros. O equilíbrio vida-trabalho e saúde mental entre as prioridades.

Um estudo da empresa de recrutamento Michael Page revelou que um advogado associado com quatro a sete anos pós prova de agregação – prova final do estágio da Ordem dos Advogados – recebe cerca de 42 mil euros como teto máximo, enquanto um advogado com mais de 10 anos pode auferir até 84 mil euros. A consultora conclui ainda que o setor jurídico mantém-se dinâmico em 2025, com as sociedades de advogados a liderarem o volume de recrutamento, sobretudo em perfis juniores recém-agregados até cinco anos de experiência.

“A elevada rotatividade reflete uma geração cada vez mais exigente, que valoriza pacotes salariais competitivos, flexibilidade, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, um ambiente saudável e benefícios complementares como dias extra de férias, programas de bem-estar e formação contínua“, lê-se no estudo. O equilíbrio vida-trabalho (38%) e saúde mental (32%) lideram as prioridades dos profissionais desta área.

Também a procura por perfis seniores mantém-se “estável” em áreas como Contencioso, Direito Público, Corporate/M&A, Fiscal e Urbanismo.

Outra das conclusões é que o setor vive um movimento de concentração, com fusões, aquisições e movimentações de equipas entre sociedades. “Em paralelo, a procura internacional por advogados portugueses, em particular no Reino Unido, Luxemburgo e EUA, acentua os desafios de retenção, sobretudo entre os mais juniores, que privilegiam oportunidades de progressão rápida, exposição internacional e condições financeiras mais atrativas”, explicam.

Já do lado das empresas, os perfis generalistas continuam a ser valorizados, mas cresce a procura por especialistas em Imobiliário, Bancário e Financeiro, Fiscalidade, Compliance, Proteção de Dados e ESG, em linha com a evolução regulatória europeia.

“Denota-se ainda uma preocupação crescente com a criação de departamentos jurídicos internos, com o objetivo de garantir respostas mais rápidas e eficazes. Esta tendência tem-se acentuado nos últimos anos, refletindo-se numa procura cada vez maior por profissionais interessados em assumir funções como in-house lawyers”, revela o estudo.

Na consultoria fiscal a rotatividade mantém-se elevada, em especial entre perfis juniores, que tendem a transitar para cliente final em busca de maior estabilidade, pacotes remuneratórios competitivos, equilíbrio e percursos de carreira mais estruturados.

“A resiliência da economia portuguesa permanece colocada à prova, impactado por alterações regulatórias, reforma da lei laboral e inteligência artificial. O estudo aponta que, para 2026, a transformação na cultura de trabalho seja impulsionada por fatores como evolução regulatória, maior transparência salarial e o crescente papel da IA. Estes elementos tendem a redefinir práticas de trabalho, gestão de equipas e planeamento estratégico das organizações, prevendo-se que continuarão a marcar o futuro, trazendo novos desafios”, explicam.

No estudo, os valores de faturação e crescimento correspondem ao período compreendido entre janeiro e outubro de 2025, na área da Grande Lisboa e Grande Porto. O estudo de remuneração foi realizado graças ao conhecimento do mercado e à constante relação com clientes e candidatos. A informação contida neste estudo é o resultado de uma análise empírica de três fontes de informação diferentes: base de dados, perfis de candidatos e clientes e publicação de anúncios na imprensa e na internet, sobre 16 setores.

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