Filas no aeroporto de Lisboa ainda não geram cancelamentos nos hotéis

“Temos consciência que o que se passa está dramaticamente a afetar Lisboa e todo o país. É prova da falência do Estado, do controlo e acesso e um ataque à imagem do país”, critica Bernardo Trindade.

Para já os hotéis ainda não estão a receber cancelamentos devido aos constrangimentos que se sentem diariamente no aeroporto de Lisboa. Mas a imagem de Portugal está a ter um impacto negativo e, por isso, é urgente tomar medidas, dizem os hoteleiros. “Não tenho informação de cancelamentos”, confirmaram ao ECO, Bernardo Trindade e Cristina Siza Vieira.

“Temos consciência que o que se passa está dramaticamente a afetar Lisboa e todo o país. É uma prova da falência do Estado, do controlo e acesso e um ataque à imagem do país”, critica o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). “É cravar mais um prego no esforço de anos para tornar Portugal um país interessante para ser visitado”, acrescenta Bernardo Trindade.

“Tem-se falado muito sobre o impacto das filas de espera no aeroporto, mas ainda não há cancelamentos evidentes”, disse, por sua vez a vice-presidente executiva da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Cristina Siza Vieira sublinha que “o descontentamento é muito grande”, que muitos turistas chegam aos hotéis com uma “sensação de incredulidade” e com “o nível de degradação do serviço prestado e da má gestão da infraestrutura aeroportuária”.

“Os hotéis têm de acomodar clientes insatisfeitos, tentar compensar a má experiência vivida e tentar animá-los”, acrescenta a responsável.

A solução do Executivo foi, para já, suspender por três meses o sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários no aeroporto de Lisboa e reforçar “de imediato” a infraestrutura com militares da GNR. Bernardo Trindade, também administrador da Porto Bay Hotels & Resorts e antigo secretário de Estado do Turismo, diz que se trata de “um penso rápido”, porque a solução tem de passar por “mais boxes, mais e-gates, mais agentes e quem monitorize este sistema”.

Bernardo Trindade revela que teve uma reunião com a ministra da Administração Interna há cerca de mês e meio, mas não saiu do encontro “entusiasmado”. Além disso, a Associação da Hotelaria de Portugal já tinha enviado uma carta aberta ao Governo, que prometeu a criação de um grupo de trabalho para este problema e tomar algumas medidas.

“A única medida foi esta”, a da suspensão sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários, desabafou Cristina Siza Vieira.

O novo sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários, denominado EES, entrou em funcionamento em 12 de outubro em Portugal e restantes países do espaço Schengen e desde então os tempos de espera têm-se agravado, principalmente no aeroporto de Lisboa, com os passageiros a terem de esperar, algumas vezes várias horas.

O Sistema de Segurança Interna (SSI) já tinha admitido que o EES poderia ser suspenso durante o Natal para evitar filas nos aeroportos, uma medida que já foi autorizada pela Comissão Europeia.

O Governo também aprovou no final de outubro a criação de uma task force para gerir os fluxos de passageiros no sistema de controlo de fronteiras do Aeroporto Humberto e reduzir os tempos de espera. O despacho determinava que, no curto prazo, o tempo médio de espera no controlo de fronteiras nas chegadas do aeroporto Humberto Delgado teria de ser “inferior a 30 minutos” e o tempo máximo “inferior a 75 minutos”. Limites que têm sido largamente ultrapassados.

O secretário de Estado das Infraestruturas reconheceu, no início de dezembro, em Macau, no 50º congresso da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que as filas no aeroporto de Lisboa são um embaraço para o Governo, e que há “cinco ministros diretamente envolvidos, a olhar para os dados dia-a-dia a ver quanto tempo se demora a passar a fronteira em Lisboa”.

“A situação das fronteiras é um embaraço para o Governo. Não tem outro nome. Temos de ter uma atitude de humildade relativamente ao que fazemos e, neste momento, é um embaraço e a única coisa que se podia fazer era pedir desculpa”, afirmou Hugo Espírito Santo, dizendo esperar que o problema esteja resolvido até ao verão.

Também o presidente do Turismo de Portugal não está satisfeito com a situação que se vive no aeroporto de Lisboa, não só porque não está a funcionar como um espaço de acolhimento dos turistas de forma a proporcionar um início de experiência positiva no país, mas também porque está a criar “limitações muito fortes relativamente até à entrada em novos mercados que são estratégicos para Portugal”, disse Carlos Abade, no ECO dos Fundos.

AHRESP elogia suspensão

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) está satisfeita com a decisão do Governo em suspender o sistema europeu de controlo de fronteiras no aeroporto Humberto Delgado, cujos constrangimentos “impactaram negativamente a experiência de chegada de passageiros” a Portugal.

A AHRESP considera que a suspensão, por três meses, do novo sistema de controlo de fronteiras, assim como o reforço do dispositivo operacional com militares da GNR, “revela uma atuação responsável, pragmática e ajustada” à dimensão do problema.

“Num momento em que Portugal continua a afirmar-se como destino seguro, competitivo e de elevada qualidade, decisões como esta são fundamentais para proteger a reputação do país, assegurar uma experiência positiva aos visitantes e salvaguardar o impacto económico e social do Turismo, que se reflete diretamente na restauração, no alojamento e em milhares de empresas e postos de trabalho”, acrescenta a associação em comunicado.

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