Exclusivo TAP só recebeu uma proposta para compra da empresa de catering

Só o Gate Group, acionista minoritário da Cateringpor, apresentou uma proposta para a aquisição da empresa e o fornecimento da comida servida a bordo.

Camiões da Cateringpor na pista do Aeroporto Humberto Delgado.Hugo Amaral/ECO
ECO Fast
  • A TAP recebeu apenas uma proposta da suíça Gate Gourmet para a compra dos 51% que detém na Cateringpor, após um concurso público.
  • O Gate Group, que já possui 49% da Cateringpor, é uma empresa global com receitas de 5,21 mil milhões de francos em 2024.
  • A venda da Cateringpor está atrasada, levando o Governo a solicitar um adiamento de seis meses do plano de reestruturação da TAP, que terá de devolver 25 milhões em ajudas de Estado.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A TAP recebeu apenas uma proposta para a compra dos 51% que detém na Cateringpor. De acordo com a informação do concurso, a oferta chegou da suíça Gate Gourmet, que faz parte do Gate Group e já detém os restantes 49% da empresa.

O Gate Group está presente em 60 países, emprega mais de 45 mil trabalhadores e teve receitas de 5,21 mil milhões de francos em 2024, o equivalente a 5,7 mil milhões de euros. É detido em partes iguais pela Temasek, o fundo soberano de Singapura, e a gestora de investimentos asiática RRJ Capital. Teve origem na área de catering da antiga Swissair, tendo sido separado da transportadora aérea suíça em 1992, no âmbito de um plano de reestruturação.

O concurso público para a alienação das 357 mil ações que detém no capital social da Cateringpor foi anunciado pela TAP a 30 dezembro de 2025. O processo inclui anda uma proposta com as condições contratuais para a continuação do fornecimento de serviços de catering após a venda. O preço-base era de 9.567.145 euros e era exigida uma experiência mínima de cinco anos no setor e na operação em aeroportos de categoria igual ou superior à do Aeroporto Humberto Delgado.

A TAP SA tinha comprado a Cateringpor à TAP SGPS em janeiro de 2025 e esperaria certamente uma venda mais competitiva. O prazo para a entrega de propostas foi adiado uma semana, para dia 20 de fevereiro, a pedido da empresa de catering turca Sancak Inflight. Mas só mesmo a Gate Gourmet, dona dos restantes 49%, apresentou uma proposta. O ECO questionou esta última e a TAP, mas não obteve respostas até à publicação do artigo.

A venda da Cateringpor, que ficou fora do perímetro da privatização da TAP, deveria ter ocorrido até ao final de 2025, conforme previa o plano de reestruturação. Tal como a alienação dos 49,9% que a companhia aérea tem na SPdH, a antiga Groundforce, que agora opera sob a marca Menzies, após esta adquirir os restantes 51,1%. Um processo mergulhado em incerteza depois da SPdH ter perdido o concurso para as licenças nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro, pondo em causa a continuação da empresa.

O atraso levou o Governo português a pedir à Comissão Europeia um adiamento de seis meses no prazo para a conclusão do plano de reestruturação. Bruxelas aceitou, mas com condições. A TAP ficou obrigada a devolver 25 milhões de euros dos 2,55 mil milhões que recebeu no âmbito do plano de reestruturação acordado com Bruxelas em dezembro de 2021, que têm de ser pagos até ao final de junho, conforme noticiou esta segunda-feira o Público.

De acordo com a decisão da Comissão, a transportadora aérea de bandeira portuguesa terá ainda de continuar a respeitar o limite pré-existente, de 99 aviões, para a sua frota em operação. Há também restrições à atividade comercial.

“Embora, ao abrigo do contrato de compra celebrado com a Airbus, a TAP tenha ainda de receber quatro aeronaves adicionais até ao final de junho de 2026, estas não serão utilizadas para expandir a sua rede comercial, devido ao congelamento da rede imposto por Portugal e aplicável até que as restantes alienações estejam totalmente concluídas”, assinala o texto da Comissão Europeia.

Na prática, até cumprir com os compromissos assumidos, a TAP não poderá aumentar o número de rotas (pares de cidades) que opera. A companhia aérea fica também impedida de realizar aquisições.

Também a privatização de mais de 51% da Azores Airlines e da unidade de handling do grupo SATA devia ter ficado concluída até ao final de 2025, mas o Governo da Região Autónoma dos Açores pediu o adiamento da venda para o final deste ano. Mais uma vez tiveram de existir cedências.

Portugal aceitou reduzir em 3 milhões de euros o montante das ajudas de Estado de 453,25 milhões de euros atribuídas à transportadora açoriana, atribuídas no âmbito do plano de reestruturação, em 2022. O montante terá de ser pago pela SATA ao Estado até dezembro de 2026. A companhia fica também com a frota limitada a 14 aeronaves – seis para a SATA Air Azores, que faz os voos entre ilhas, após a venda da Azores Airlines.

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