Cinco desafios da nova CEO do Santander Portugal
Isabel Guerreiro inicia funções como líder do Santander Portugal. Das tempestades à herança de Pedro Castro e Almeida, cinco desafios da primeira mulher no comando de um grande banco nacional.

Isabel Guerreiro assume a partir de hoje a liderança do Santander Portugal. Aos 54 anos, faz história ao tornar-se na primeira mulher a liderar um grande banco nacional. A gestora substitui Pedro Castro e Almeida, de quem herda o banco mais rentável do país. Mas chega ao topo num momento de pressão por causa do potencial impacto das tempestades que varreram vários concelhos nas últimas semanas e da normalização das taxas de juro.
Recuperação das tempestades
Ainda se fazem as contas aos danos causados pelas tempestades que nas últimas semanas varreram várias zonas do país. Incluindo os bancos, cuja exposição de crédito aos concelhos onde foi decretada situação de calamidade supera os 32 mil milhões de euros, segundo o Banco de Portugal.
Falhas e atrasos nos apoios poderão atrasar a recuperação e resultar em muitas dificuldades para empresas e famílias que, por enquanto, estão salvaguardados por uma moratória de três meses. O que virá depois?
Pedro Castro e Almeida avisou que o Governo vai ter de avançar com mais do que dívida e moratórias para ajudar os mais afetados, reclamando mais apoios a fundo perdido para evitar o pior.
Herança de peso
Castro e Almeida deixa a liderança do banco português ao fim de sete anos e com resultados de sucesso. O Santander Portugal fechou 2025 com uma rentabilidade dos capitais próprios de 31,8%, sendo o banco mais rentável do país e um dos mais rentáveis da Europa, como sublinhou o ex-CEO que vai agora assumir as funções de administrador com o pelouro do risco a nível de todo o grupo.
A própria Isabel Guerreiro já deixou elogios à herança que recebe de Castro e Almeida. “Temos a sorte de herdar uma organização extremamente saudável, em qualquer indicador”, afirmou na última conferência de imprensa.
Normalização das taxas de juro
Todo o setor beneficiou da escalada das taxas de juro, levando os resultados para níveis nunca vistos. Mas o Banco Central Europeu (BCE) já inverteu o rumo da sua política monetária e entrou naquilo que os analistas consideram ser a fase da normalização das taxas de juro.
Para os bancos, esta fase resultará numa descida da margem financeira e em menos lucros. O Santander Portugal não escapará a esta tendência. Como de resto já aconteceu no ano passado. A margem financeira derrapou 12,6% para 1,37 mil milhões de euros.
Para mitigar o impacto da descida das taxas, Isabel Guerreiro já estabeleceu a prioridade do banco: “Continuar a crescer em clientes e crescer em primazia dos clientes”. A nova CEO já descartou aquisições (coisa que o gigante espanhol está muito habituado, incluindo em Portugal) e quer crescer organicamente.
Concorrência vai apertar
Não só a descida das taxas de juro vai criar pressão, mas também o aumento da concorrência vai apertar, com os outros bancos a tentarem também conquistar mais clientes para manterem os resultados.
Por outro lado, 2026 marcará a entrada de um novo grande player no mercado bancário português. Os franceses do Groupe BPCE, que estão prestes a fechar a aquisição do Novobanco e vêm com ambição.
Incerteza geopolítica
A recente decisão do Supremo dos EUA de considerar ilegais as tarifas de Donald Trump lançou o comércio mundial novamente para um cenário de grande incerteza a nível global.
Fatores de risco de ordem geopolítica vão-se acumulando numa nova ordem mundial mais fragmentada e que poderão resultar em mais conflitos além do que o mundo já assiste atualmente.
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