BRANDS' ECO IA pode transformar processos fiscais, mas com supervisão

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  • 25 Maio 2026

A inteligência artificial terá um papel relevante na digitalização fiscal, ainda que deva ser acompanhada pela capacidade crítica dos decisores. O tema esteve em discussão no Tax Compliance Summit.

A evolução da Inteligência Artificial (IA) trouxe vários benefícios, mas também levantou preocupações quanto à potencial substituição dos trabalhadores por máquinas. As administrações fiscais não escapam à utilização da IA, que vai desempenhar um papel central na digitalização dos processos, mas eliminar a decisão humana está fora de questão.

Este foi um dos temas principais do Tax Compliance Summit, organizada pela Sovos, que recebeu especialistas, decisores e líderes do setor fiscal, em Lisboa. Nos debates, ficou claro que as ferramentas de IA ganham relevância numa fase em que a faturação eletrónica e o reporte digital passam a ser obrigatórios para as empresas.

Com mais informação disponível, a tecnologia pode ajudar a “interpretar, contextualizar e estruturar dados”, explicou Aida Cavalera, do Observatório de Inovação Digital do Politécnico de Milão.

É esta nova base de informação que permitirá automatizar validações, identificar padrões e antecipar riscos. A IA pode, por exemplo, ajudar a converter dados e gerar automaticamente os elementos necessários para a criação de faturas, tendo em conta os padrões de conformidade.

Apoiar não significa substituir. A decisão final deve continuar a caber às pessoas

Ana Roldão

Associate Partner de Tax Innovation da KPMG

À medida que a automação evolui, a intervenção humana torna-se ainda mais importante. Nesse sentido, sublinhou a investigadora, as barreiras à utilização da IA deixam de ser apenas tecnológicas e passam a estar ligadas à resistência à adoção dos sistemas, à dependência dos processos manuais e às preocupações com segurança.

Capacidade crítica não é substituível

Se a faturação eletrónica contribui para gerar mais dados e a IA pode transformá-los em insights, os trabalhadores podem ser libertados de tarefas repetitivas. No entanto, isso não os relega para segundo plano.

A IA deve ser aplicada aos casos em que é mais adequada e será útil no apoio à tomada de decisão, mas “apoiar não significa substituir”, disse Ana Roldão, associate partner da área de tax innovation da KPMG. Na sua perspetiva, a decisão final “deve continuar a caber às pessoas”.

Esta dimensão é particularmente importante no contexto fiscal, onde qualquer erro pode ter impacto financeiro, regulatório e reputacional. A IA pode acelerar análises e sinalizar incoerências, mas a responsabilidade continua a exigir que a decisão se baseie em “conhecimento técnico e capacidade crítica”.

Autoridades tributárias também testam IA

O debate no Tax Compliance Summit também confirmou que as administrações fiscais já encaram a IA como uma prioridade, embora a sua adoção ainda seja gradual e cautelosa.

Cláudia Dias, diretora de serviços do imposto sobre o valor acrescentado, da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), apontou a qualidade dos dados como um dos principais desafios. Implementar a IA nos processos existentes ainda é complexo porque há “muita informação desatualizada devido às alterações legislativas”.

Os dados serão sempre um problema para as administrações fiscais, mas há desafios que não têm origem diretamente em nós

Nico Sciberras

Diretor da área de impostos indiretos da administração fiscal e aduaneira de Malta

Os representantes das autoridades tributárias de Malta, Grécia e Roménia também identificaram os dados como uma das grandes barreiras, mas não só. “Os dados serão sempre um problema para as administrações fiscais, mas há desafios que não têm origem diretamente em nós”, referiu Nico Sciberras, diretor da área de impostos indiretos da administração fiscal e aduaneira de Malta.

Algumas dificuldades surgem porque contribuintes, empresas e profissionais procuram informação nos chatbots de IA, que nem sempre compreendem as nuances da legislação fiscal.

A resistência interna à adoção da IA, a falta de preparação dos trabalhadores e a fiabilidade são outros desafios, explicou Apostolos Kotzinos, responsável pela área de procedimentos de auditoria da Autoridade Independente para as Receitas Públicas da Grécia. “Quem é responsável se alguma coisa correr mal com a IA? É preciso ter isso em mente quando se desenvolvem modelos”, alertou, reforçando novamente a importância da avaliação humana.

Apesar dos desafios, há pontos positivos na utilização de IA. Os representantes das administrações fiscais de Malta e da Grécia destacaram o desenvolvimento dos modelos preditivos para antecipar o comportamento dos contribuintes e para identificar entidades que fogem aos impostos como alguns dos benefícios.

Para Viorel Iliescu, diretor-geral adjunto da Agência Nacional de Administração Fiscal da Roménia, é claro que estas ferramentas “fazem parte do futuro” e, por isso, já estão a ser utilizadas no seu país. “Temos uma assistente virtual, a Ana, que responde a questões sobre obrigações fiscais”, exemplificou.

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