Ataque dos EUA na Venezuela: o que se sabe até agora
Trump anunciou que EUA capturaram Nicolás Maduro num ataque militar. Rússia e Irão já condernaram "ato de agressão" e Governo português acompanha "ao minuto".
- Os Estados Unidos realizaram um ataque militar na Venezuela, resultando na captura do presidente Nicolás Maduro e da sua esposa, conforme anunciado por Donald Trump.
- Testemunhas relataram explosões e cortes de eletricidade em Caracas, enquanto o governo venezuelano prometeu resistir à intervenção estrangeira e desconhece o paradeiro de Maduro.
- A Rússia e o Irão condenaram o ataque, considerando-o uma violação da soberania venezuelana, e apelaram ao diálogo para evitar uma escalada do conflito.
Depois de várias ameaças de intervenção, o presidente dos Estados Unidos ordenou este sábado um ataque militar na Venezuela e foi o próprio a anunciar a captura do presidente Nicolás Maduro e da mulher.
“Os Estados Unidos da América levaram a cabo com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e o seu líder, o Presidente Nicolás Maduro, que foi, juntamente com a sua esposa, capturado e retirado do país por via aérea”, escreveu Donald Trump na rede social Truth Social.
Explosões, ruídos altos e colunas de fumo foram ouvidos e vistos na capital venezuelana, Caracas, nas primeiras horas da manhã, de acordo com testemunhas da Reuters, e a zona sul da cidade, perto de uma importante base militar, ficou sem eletricidade.
O ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, disse num vídeo divulgado na madrugada de sábado, que a o país “resistirá à presença de tropas estrangeiras“. Pouco tempo depois, a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez afirmou num áudio à TV estatal que o Governo não sabe o paradeiro de Maduro e da sua esposa.
A Venezuela acolhe uma das maiores comunidades portuguesas na diáspora, sendo a segunda maior na América Latina, depois do Brasil.
O Governo português está “a acompanhar a situação na Venezuela ao minuto”, disse à Lusa uma fonte do Executivo. De acordo com a mesma fonte, as autoridades portuguesas estão em contacto com a embaixada em Caracas e com vários governos europeus.
O Governo disse que não há, até ao momento, indicações de que cidadãos portugueses tenham sido afetados pelos ataques aéreos dos Estados Unidos contra a Venezuela. “Até ao momento não temos indicação de que a comunidade portuguesa esteja a ser afetada”, indicou fonte oficial, citada pela Lusa.
A embaixada de Portugal em Caracas e os consulados-gerais em Caracas e Valência apelaram hoje à comunidade portuguesa na Venezuela para se manter “tranquila e em casa”, após os Estados Unidos terem realizado ataques aéreos, nomeadamente na capital.
Os consulados-gerais portugueses na capital venezuelana e em Valência disponibilizaram “canais destinados a situações urgentes”, nomeadamente contactos telefónicos, correio eletrónico ou através da plataforma de mensagens Whatsapp, “reforçando o compromisso do Estado português com a proteção e assistência” dos cidadãos nacionais.
Rússia condena “ato de agressão”
Do lado dos apoiantes do regime de Maduro, a Rússia está “profundamente preocupada e condenou o “ato de agressão armada” dos EUA contra a Venezuela, afirma o Ministério das Relações Exteriores de Moscovo.
“Agora é importante evitar uma escalada adicional e concentrar-se em encontrar uma saída para a situação através do diálogo”, referiu em comunicado, adiantando que a América Latina deve continuar a ser uma zona de paz e a Venezuela deve ter o direito de determinar o seu próprio destino, sem qualquer intervenção militar destrutiva do exterior“.
O Irão, aliado da Venezuela, condenou o ataque militar dos EUA à Venezuela “como uma violação flagrante da sua soberania nacional e integridade territorial”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano apelou ao Conselho de Segurança da ONU para “agir imediatamente para deter a agressão ilegal” e responsabilizar os culpados.
UE pede respeito pelo direito internacional
A União Europeia afirmou repetidamente que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, “carece de legitimidade”, disse a principal diplomata do bloco, Kaja Kallas, acrescentando que apelou à contenção e ao respeito pelo direito internacional em relação à situação.
“Falei com o secretário de Estado Marco Rubio e com o nosso embaixador em Caracas. A UE está a acompanhar de perto a situação na Venezuela”, afirmou Kallas no dia X. “A UE afirmou repetidamente que Maduro carece de legitimidade e defendeu uma transição pacífica. Em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas devem ser respeitados. Apelamos à contenção”, acrescentou Kallas.
O Ministério das Relações Estrangeiras de Espanha apelou também apelou à moderação e respeito ao direito internacional na Venezuela, oferecendo-se para negociar e ajudar a encontrar uma solução pacífica.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse em comunicado que está a acompanhar de perto a situação, também com o objetivo de “reunir informações sobre os nossos concidadãos” no país. Cerca de 160 mil italianos vivem atualmente na Venezuela, a maioria deles com dupla cidadania.
EUA estarão “fortemente envolvidos” na indústria do petróleo venezuelana, diz Trump
Os EUA estarão “fortemente envolvidos” na indústria petrolífera venezuelana, na sequência do ataque de forças militares norte-americanas ao país latino-americano e à captura de Nicolás Maduro e da sua mulher, para serem julgados nos EUA por acusações de narco-terrorismo, entre outras acusações.
“Temos as maiores companhias petrolíferas do mundo, as maiores, as melhores, e vamos estar muito envolvidos nisso”, disse Donald Trump, em entrevista à FOX News, citado pela Reuters.
Trump disse ainda que tinha “há uma semana” falado com Maduro pedindo a sua rendição. “Tivemos que fazer algo muito mais cirúrgico, muito mais drástico”, referiu ainda Trump, citado na mesma entrevista citado pela BBC.
Sobre a futura liderança do país, após a captura de Maduro, quando questionado sobre se iria apoiar a líder da oposição, Maria Corina Machado, atualmente na Noruega, a assumir a liderança da Venezuela, Trump não se compromete. “Vamos ter de olhar para isso agora”, disse. “Eles [Venezuela] têm uma vice-presidente, como sabe”, diz. “Não sei que tipo de eleição foi essa, mas, como sabe, a eleição de Maduro foi uma desgraça”, disse o responsável, citado pela BBC.
Sobre o tema, Trump referiu ainda que os EUA não deixarão nenhum membro do regime venezuelano suceder a Maduro. “Não podemos correr o risco de deixar alguma outra pessoa tomar o seu lugar e prosseguir o seu caminho”, afirmou. Os Estados Unidos, acrescentou, estão “muito envolvidos” no futuro da Venezuela e “querem a liberdade para o povo”.
“Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e sensata”, disse Donald Trump. “Não podemos arriscar que alguém tome conta da Venezuela que não tenha em mente os interesses das boas pessoas da Venezuela. Já tivemos décadas disso. Não vamos deixar que isso aconteça”, disse, deixando ainda na sua intervenção o aviso de que figuras políticas e militares na Venezuela enfrentarão o mesmo destino de Nicolas Maduro se não forem justas.
O presidente dos Estados Unidos não detalhou os termos em como se irá processar a transição, nem que pessoas serão chamadas a assegurar a governação do país. A Venezuela será governada por um “grupo” de pessoas, americanos em conjunto com venezuelanos, disse apenas, sem detalhar nomes. “Está tudo a ser feito agora. Estamos a designar pessoas. Estamos a conversar com pessoas. E informaremos quem são essas pessoas.”
Fora desse lote estará Corina Machado, líder de oposição venezuelana e Nobel da Paz, que forças militares americanas terão retirado do país em dezembro. “Não tem o apoio [suficiente] dentro do país, não tem respeito dentro do país”, afirmou Donald Trump quando questionado sobre a possibilidade de Maria Corina Machado ficar na liderança do país.
Em quanto tempo será feita essa transição, Donald Trump também não avança detalhes — apenas que gostaria que fosse rápido, mas que a reconstrução das infraestruturas da indústria petrolífera irá demorar tempo —, mas que não receia ter que enviar tropas americanas para o terreno. “Precisamos ter, e tivemos tropas no terreno ontem à noite, em um nível muito alto, na verdade. Não temos medo disso”, disse.
“Vamos ter as nossas grandes companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores do mundo, a entrar no país, a investir bilhões de dólares, a reconstruir a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começando a gerar lucro para o país”, disse ainda.
E será o petróleo a pagar a operação. “Vamos reconstruir sem gastar dinheiro. As companhias petrolíferas vão entrar, vão investir dinheiro lá. Depois, vamos recuperar o petróleo que, francamente, já deveríamos ter recuperado há muito tempo. Muito dinheiro está saindo do solo. Seremos reembolsados por tudo isso“, garantiu Trump.
A Operação “Absolute Resolve” [Resolução Absoluta] envolveu mais de 150 aeronaves e foi a “culminação de meses de planeamento”, segundo o general Dan Caine, chairman dos Chefes do Estado-Maior dos EUA.
(Última atualização às 20h33)
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