Caixa com lucro recorde de 1,9 mil milhões em 2025

A celebrar 150 anos, a Caixa registou o maior lucro de sempre. Negócio aumentou, mas banco público contou com a venda da participação na Águas de Portugal, que deu um ganho de 188 milhões.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) registou lucros de 1,9 mil milhões de euros em 2025, o maior resultado de sempre do banco público. E vai pagar um dividendo de 1,25 mil milhões ao Estado, anunciou esta quinta-feira.

O resultado sobe 10% em relação a 2024 e tem um fator extraordinário que ajuda a explicar o desempenho: a venda da participação na Águas de Portugal à Parpública, que gerou um ganho não recorrente de 188 milhões de euros.

Em conferência de imprensa, Paulo Macedo destacou a importância de a Caixa registar um lucro histórico no ano em que celebra 150 anos de existência. “Não é todos os dias que isto acontece”, ironizou. Ainda assim, reconheceu que este nível de resultados “são difíceis de sustentar” por causa da concorrência — “todos os bancos querem crescer, vemos a disputa que há no crédito à habitação e empresas”. “Este nível de resultados não é algo que pensamos que se vá manter. Dependerá também das taxas de juro ou de ter uma maior fidelização dos clientes e maior rentabilidade por essa via”, disse.

A margem financeira – que corresponde à diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos – caiu 10% para 2,5 mil milhões de euros, devido à redução das taxas de juro. As comissões praticamente estabilizaram acima dos 850 milhões – o banco não mexe no seu preçário há vários anos, conforme destacou Paulo Macedo.

Mas também os custos se mantiveram na casa dos mil milhões de euros, o que permitiu que o rácio de eficiência se mantivesse nos 30% – bem abaixo do que o setor tem como referência, na ordem dos 40%.

O banco contou ainda com outro ganho não recorrente: 29 milhões de euros relativos à reversão do adicional de solidariedade, criado durante a pandemia, que o Tribunal Constitucional considerou ilegal no ano passado.

Caixa já esgotou linha de garantia

O administrador financeiro António Valente destacou a posição de liderança da Caixa no mercado de crédito – onde tem uma quota de quase 18% em Portugal. Nos empréstimos às famílias, a carteira cresceu mais de 10% à boleia não só do segmento da habitação (29,5 mil milhões de euros) mas também do consumo e outras finalidades (1,4 mil milhões). Nas empresas, registou um crescimento de 5,3% para 22 mil milhões.

No que toca aos empréstimos à habitação, o banco já deu mais de 7.500 financiamentos ao abrigo da linha de garantia pública para os jovens, num total de 1,5 mil milhões de euros. “A Caixa já esgotou a primeira tranche da garantia a que teve direito e já está a usar o reforço”, adiantou o administrador financeiro. Ao plafond inicial de 258 milhões, o banco público teve um reforço de 250 milhões da garantia pública para jovens.

Quanto aos depósitos, somam 78,2 mil milhões na atividade doméstica, mais 3,3% em termos homólogos.

Mais de mil moratórias nas zonas afetadas

A Caixa já concedeu 1.049 moratórias (1,7 milhões de euros de prestações devolvidas) de um total de 1.068 pedidos (com uma taxa de aceitação de 98%) às famílias e empresas afetadas pelas tempestades.

As famílias pediram 685 moratórias no crédito à habitação e as empresas realizaram 383 pedidos.

Paulo Macedo admitiu que “as moratórias poderão ter de se prolongar”. E sobre a necessidade de apoios a fundo perdido, em “alguns casos” terá de haver, mas “é dinheiro dos contribuintes”.

O líder da Caixa alertou para a necessidade de refletir por que razão Portugal tem das taxas mais baixas de seguros. Para Macedo, isso está relacionado com os baixos rendimentos dos portugueses, mas não só.

Mudança de casa no terceiro trimestre

António Valente anunciou ainda que a Caixa se prepara para mudar de casa durante o terceiro trimestre do ano. Há anos que o banco público ‘mora’ na Avenida João XXI, junto ao Campo Pequeno. Esse mega edifício foi entregue ao Estado, onde o Governo começa a fazer o seu quartel-general.

A nova morada ficou noutro ponto da cidade de Lisboa: o Parque das Nações. Em setembro, a Caixa passa a morar no edifício WellBe, num investimento que superará os 170 milhões de euros. Paulo Macedo espera que as obras não se atrasem. Caso contrário, há um acordo com o governo para o banco prolongar a sua estadia no agora chamado Campus XXI.

(notícia em atualização)

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