⛽ Diesel sobe 19 cêntimos e gasolina sete na próxima semana. Porquê?

O que explica que o preço do gasóleo, o combustível mais usado em Portugal, tenha acelerado mais do que o da gasolina a ponto de ficar mais caro?

Com a escalada dos preços do Brent, devido ao ataque concertado dos Estados Unidos e Israel ao Irão, o reflexo nas bombas de gasolina em Portugal não tardou a fazer-se sentir. O preço dos combustíveis vai disparar esta segunda-feira: o litro de gasóleo deverá subir 19 cêntimos, já com o apoio de 3,55 cêntimos no ISP anunciado pelo Governo, e o da gasolina 7,4 cêntimos, sem alterações no ISP, de acordo com as informações obtidas pelo Executivo junto do setor. Subidas que levarão o diesel a custar 1,82 euros por litro e a gasolina 1,77 euros por litro, assumindo os preços médios em Portugal Continental.

Mas o que explica que o preço do gasóleo, o combustível mais usado em Portugal (77% do consumo total), tenha acelerado mais do que o da gasolina a ponto de ficar mais caro? O ataque ao Irão e o alastrar do conflito ao Médio Oriente e, sobretudo, o encerramento do Estreito de Ormuz. “A Europa é excedentária na produção de gasolina”, explicou ao ECO fonte do setor, “fruto da configuração das refinarias europeias”.

“Mas 30% do diesel que a União Europeia consome tem de passar pelo Estreito de Ormuz, acrescentou a mesma fonte. A cotação da matéria-prima, o Brent, resulta num agravamento de preços tanto da gasolina como do gasóleo, mas a este último acresce o segundo fator de constrangimentos físicos de transporte.

Apenas nove embarcações comerciais atravessaram o estreito de Ormuz, encerrado pelo Irão, desde segunda-feira, segundo dados marítimos analisados pela AFP. Entre as nove embarcações foram identificados três petroleiros e um navio de transporte de gás liquefeito, que atravessaram este estreito braço de mar e por onde transitam habitualmente cerca de 20% do petróleo bruto mundial e quase 20% do gás natural liquefeito (GNL). Em circunstâncias normais, 138 navios atravessam Ormuz a cada 24 horas.

Há, inclusivamente, pelo menos um petroleiro de bandeira portuguesa que está retido depois de se ter abastecido de petróleo da Saudi Aramco, avançou o Expresso. O bloqueio retirou 140 milhões de barris do mercado intensificando as buscas por fontes alternativas de crude.

O crude registou o maior ganho semanal desde a pandemia de Covid-19 na primavera de 2020 – 12,21% para os 90,90 dólares. O Brent, que serve de referência para o mercado europeu, subiu 8,52% para os 92,69 dólares por barril e esta sexta-feira foi o segundo dia consecutivo em que os ganhos nos contratos futuros de crude dos EUA superaram os do contrato Brent.

“As refinarias e as empresas de trading estão à procura de barris alternativos, e os EUA são o maior produtor”, disse Giovanni Staunovo, analista do UBS, citado pela Reuters.

As expectativas dos investidores também são um fator a pesar na balança. “O intensificar das tensões no Médio Oriente aumentou significativamente o prémio de risco geopolítico do petróleo bruto, levando os investidores a antecipar possíveis perturbações prolongadas no fornecimento global”, diz Antonio Di Giacomo, analista na XS.com, numa nota enviada ao ECO.

“Com vários países do Médio Oriente a enfrentaram interrupções nas operações energéticas, na sequência de ataques a infraestruturas críticas, as paragens temporárias de refinarias e os desafios logísticos no transporte marítimo aumentaram o risco de escassez de petróleo bruto e derivados nos mercados internacionais”, acrescenta Antonio Di Giacomo.

Um desses derivados é outro dos fatores a pesar na diferença de 4,3 cêntimos entre o preço do diesel e da gasolina: o VGO. O vácuo é uma das componentes utilizadas no fabrico de gasóleo, para o tornar mais leve já que este hidrocarboneto tem mais hidrogénio e menos carbono. A Rússia era responsável por metade da produção mundial deste produto e, perante as sanções impostas a Moscovo, foi necessário encontrar fontes alternativas no mercado.

Essas fontes alternativas estão no Médio Oriente e, por conseguinte, esta componente também sofre com a paralisação do Estreito de Ormuz.

Os analistas alertam que se o conflito se intensificar, e alguns produtores do Golfo suspenderem as exportações por razões de segurança, o impacto nos preços poderá ser significativamente maior. Num cenário de disrupção prolongada, os preços do petróleo podem ultrapassar os 100 dólares por barril e alguns admitem mesmo que se aproxime dos 150 dólares.

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