Morreu o antigo ministro Nuno Morais Sarmento (1961-2026)
Militante do PSD, foi ministro dos governos de Durão Barros e Pedro Santana Lopes. Tinha 65 anos.

Nuno Morais Sarmento, advogado e antigo ministro dos governos de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, morreu na noite deste sábado, avançou a CNN Portugal e confirmou o ECO. Tinha 65 anos.
A Juventude Social Democrata foi a sua porta de entrada no partido onde militou sempre, o PSD. Foi ministro da Presidência no governo de Durão Barroso (2002-2004) e ministro de Estado e da Presidência no governo chefiado por Pedro Santana Lopes (2004-2005). No PSD, foi vice-presidente nas direções de Durão Barroso e, mais recentemente, de Rui Rio.
Num nota publicada no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa diz que Morais Sarmento “desapareceu cedo demais para o muito que sempre sonhou fazer”. “Militante de todas as horas pela democracia e a liberdade, muito inteligente, brilhante, político, governante, sempre em busca de novas pistas, sendas e mais vastos horizontes. Marcou um tempo no seu partido, ensaiou reformas na informação, liderou uma fundação dedicada às relações luso-americanas”.
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Já o primeiro-ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro, manifestou “profunda tristeza” pela morte de Nuno Morais Sarmento, que elogiou pela “inteligência e sensibilidade política” e pela “coragem como governante”, dando como exemplo a reestruturação da RTP. “Recordo Nuno Morais Sarmento e a sua inteligência e sensibilidade política, a sua capacidade de análise e a qualidade jurídica, e a sua coragem como governante, evidenciada por exemplo na reestruturação da RTP“, escreveu Luís Montenegro, na sua conta na rede social X.
O presidente do PSD recordou a “amabilidade e companheirismo” de Nuno Morais Sarmento no Congresso do partido realizado em Almada, no distrito de Setúbal, em 2023, “e a sua colaboração recente como presidente da FLAD”. “É com profunda tristeza que endereço sentidas condolências à família e partilho a saudade que já sentimos dele“, acrescentou o chefe do Governo PSD/CDS-PP.
Numa nota enviada à Lusa, o secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, enalteceu o “legado de compromisso e serviço público” de Nuno Morais Sarmento, e recordou-o como alguém que aliava “a determinação a uma atitude de diálogo”. E acrescenta: “o país fica mais pobre e o PSD perde um distintíssimo militante”.
O antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso recordou Nuno Morais Sarmento como “um grande amigo” e considerou que Portugal perde “alguém que vai fazer muita falta à vida pública e cívica”. “Foi com enorme tristeza que recebi a notícia da morte de Nuno Morais Sarmento. Ao longo de décadas desenvolvemos uma enorme amizade e cumplicidade política”, disse Durão Barroso, num testemunho enviado à Lusa.
Natural de Lisboa, onde nasceu a 31 de janeiro de 1961, Morais Sarmento licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa e foi sócio da PLMJ, “por mais de 30 anos”, como lembrou a sociedade de advogados numa nota de pesar, onde o descreve como “uma personalidade forte, muito livre e um advogado com uma carreira notável”.
Ao longo do percurso profissional desempenhou também funções como assessor jurídico do Alto Comissariado do Programa Nacional de Prevenção da Toxicodependência (Projeto Vida). Admitiu, numa entrevista televisiva em 2002, ter tido, ele próprio, problemas de dependências de drogas. Recebeu o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em 2023.
Foi também assessor da Provedoria da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, membro fundador da Comissão Nacional de Proteção de Dados, membro do Conselho Superior do Ministério Público e da Autoridade de Controlo Comum de Schengen.
Em 2024, assumiu funções como presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). Demitiu-se em janeiro deste ano, invocando falta de condições pessoais e de saúde.
Manteve uma presença regular comentador político na SIC Notícias, RTP, TSF. Tinha voltado ao comentário na CNN Portugal em 2024
Um cancro no pâncreas manteve-o afastado da vida profissional e pública. Esteve quase dois anos no hospital, 5 meses nos cuidados intensivos e fez 12 cirurgias, contou no podcast Tenho Cancro. E depois? “Tento fazer a vida normal, dá-me um gozo… Não realizamos nem damos graças a quem entendamos estar por cima do quanto é um milagre, nos milhares de sistemas que temos aqui, isto bater tudo certo para nós termos um dia normal, ir à rua, trabalhar, voltar para casa. O quanto isto é precioso e improvável”.
O velório terá lugar na Capela Mortuária da Basílica da Estrela a partir das 17h desta segunda feira com Missa às 20h. Na terça-feira será rezada missa de corpo presente às 10.30h na Basílica da Estrela.
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