BCE dá aval a Boris Vujčić para assumir o cargo de vice-presidente
O Conselho do BCE não colocou objeções à nomeação do croata Boris Vujčić para vice-presidente, elogiando a sua competência e experiência profissional no domínio monetário.
O Conselho do Banco Central Europeu adotou esta quarta-feira um parecer favorável à nomeação do governador do banco central da Croácia como futuro vice-presidente da instituição, Boris Vujčić.
No comunicado oficial, a instituição responsável pela política monetária da Zona Euro refere que “o Conselho do BCE não colocou objeções ao candidato proposto, Boris Vujčić”, que é atualmente governador do Hrvatska Narodna Banka, o banco central da Croácia, cargo que ocupa desde 2012.
O BCE justifica a escolha nos termos do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, descrevendo o candidato como “uma personalidade de reconhecida competência e com experiência profissional nos domínios monetário ou bancário, conforme exigido pelo artigo 283.º, n.º 2″ do mesmo Tratado.
Boris Vujčić vai suceder ao espanhol Luis de Guindos, cujo mandato termina a 31 de maio, tornando-se o número dois do BCE logo a seguir a Christine Lagarde. Contudo, o processo de nomeação formal ainda não está concluído.
“Na sequência dos pareceres do Conselho do BCE e do Parlamento Europeu, o Conselho Europeu nomeará o novo vice-presidente do BCE”, refere o comunicado da instituição, acrescentando que o parecer “será publicado em breve no Jornal Oficial da União Europeia”. Quando a nomeação for confirmada, Boris Vujčić terá “um mandato de oito anos não renovável, com efeitos a partir de 1 de junho de 2026.”
Portugal esteve perto de colocar um nome na segunda linha de comando do BCE. Em janeiro, o Governo formalizou a candidatura de Mário Centeno ao cargo, após o próprio ex-governador do Banco de Portugal ter dito ao ECO estar disponível para assumir a função.
“A possibilidade de assumir o cargo de vice-presidente do BCE representa um desafio para o qual me sinto motivado e qualificado”, afirmou então, sublinhando que a candidatura se integrava no seu “persistente contributo para o aprofundamento da integração europeia.”
A saída de Luis Guindos abre apenas o primeiro de vários capítulos na renovação dos quadros do BCE ao longo dos próximos 18 meses.
A corrida contou com seis candidatos: um português, um finlandês, um croata, um estónio, um letão e um lituano. Numa segunda ronda de votações no Eurogrupo, reunido em Bruxelas, o Governo português acabou por retirar o nome de Centeno da disputa. Na terceira ronda, Boris Vujčić garantiu o apoio necessário – 72% dos Estados-membros da Zona Euro – e foi eleito.
O presidente do Eurogrupo, Kyriakos Pierrakakis, elogiou as “competências e os conhecimentos especializados” de todos os candidatos e destacou a rapidez do processo, afirmando ter sido um “sinal de maturidade institucional” face a experiências anteriores como a de 2012, que demorou seis meses.
A saída de Guindos abre apenas o primeiro de vários capítulos na renovação dos quadros do BCE. Nos próximos 18 meses terminam ainda os mandatos do economista-chefe Philip Lane (maio de 2027), da presidente Christine Lagarde (outubro de 2027) e da administradora executiva Isabel Schnabel (dezembro de 2027).
Para Portugal, a derrota de Centeno encerra uma janela de oportunidade rara — mas o ciclo de mudança no banco central da zona euro está apenas a começar.
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