Do ciberataque em grande escala à corrida ao 5G. Cinco previsões tech para 2019

A corrida ao 5G vai acelerar em 2019 mas a cibersegurança continuará a ser um problema. O Facebook vai continuar debaixo de fogo e Bruxelas apertará o cerco à Google. Conheça as nossas previsões.

O ECO fez cinco previsões tecnológicas para 2019. Conheça-as.Ana Raquel Damas

Prever o futuro é um exercício arriscado. E mais arriscado é num setor tão dinâmico como o da tecnologia. Mas certos sinais podem apontar para uma maior ou menor probabilidade de algo vir a acontecer. E já é tradição, no final de cada ano, tentar-se antecipar o que vai acontecer no ano seguinte à luz da informação disponível no momento.

O ECO analisou alguns fatores e acontecimentos marcantes durante o ano de 2018 e arrisca fazer estas cinco previsões tecnológicas para 2019. São apenas suspeitas, meros prognósticos de algumas tendências do meio tecnológico para o ano que agora se inicia. Conheça-as.

Crise no Facebook deverá continuar

O ano de 2018 foi de escândalo atrás de escândalo para o Facebook. Soube-se que uma consultora usou dados de 87 milhões de pessoas para promover a candidatura de Donald Trump; que agentes do Kremlin estarão a usar as plataformas da empresa para influenciar o eleitorado; que uma vulnerabilidade deixou dados pessoais de dezenas de milhões de pessoas à mercê de criminosos; e que empresas como o Spotify e o Netflix tiveram acesso especial às mensagens privadas dos utilizadores.

Estes são apenas quatro exemplos de muitos casos que ameaçaram a credibilidade da empresa e até a liderança de Mark Zuckerberg, obrigado até a testemunhar no Congresso numa audição histórica e inédita. A isso, soma-se a inaptidão da empresa em lidar com as crises e em assumir os erros, mais os milhões de pessoas em todo o mundo que deixaram de confiar na empresa e fizeram o crescimento do número de utilizadores do Facebook desacelerar para mínimos.

É por tudo isto que a maior rede social do mundo entra em 2019 debaixo de uma nuvem negra. E existem poucos sinais — talvez nenhum — de que o ano de 2019 vá ser diferente.

O ano de 2018 foi de escândalo em escândalo para a rede social fundada por Mark Zuckerberg. E 2019 não deverá ser muito diferente.David Paul Morris/Bloomberg

Novo ataque informático em grande escala

Em 2017, dois ataques informáticos massivos atingiram dezenas de grandes empresas e resultaram prejuízos de milhares de milhões de euros para a economia mundial. Em 2018, a imprensa internacional deu conta de várias fugas de informação, roubos de dados que foram notícia, sobretudo pela sua dimensão: 50 milhões de utilizadores do Facebook com as contas expostas, 500 milhões de clientes dos hotéis Marriott com os dados em risco.

O ano que agora começa poderá ficar marcado por novos casos em que falhas de segurança são exploradas para roubar informação confidencial de empresas e cidadãos, ou por um novo ataque informático em larga escala que volte a alertar o mundo para a problemática da cibersegurança. E com os sérios prejuízos associados a este tipo de casos, é claro.

Bruxelas aperta o cerco às grandes tecnológicas

Com o mandato do presidente Jean-Claude Juncker a chegar ao fim (acaba em outubro de 2019), é de esperar que a Comissão Europeia acelere o passo numa das suas principais bandeiras: a da Concorrência, da qual é rosto Margrethe Vestager. Aliás, a comissária europeia foi uma das protagonista dos ano quando, a 18 de julho de 2018, Bruxelas confirmou a multa recorde de 4,34 mil milhões de euros à Google por concorrência desleal com o sistema operativo Android.

Vestager nunca escondeu o desejo de continuar a perseguir esta causa. Em novembro de 2018, quando esteve em Lisboa por ocasião do Web Summit, disse que os casos contra a Google “têm sido uma prioridade” e que a atual composição da Comissão Europeia pretende definir claramente “os princípios fundamentais da concorrência” na União Europeia (UE), para que a fasquia fique bem lá em cima. A comissária apelou ainda a que os reguladores se empenhem em garantir “os direitos dos cidadãos”.

Os apelos à regulamentação das redes sociais e de tecnologias como a inteligência artificial, mais o caminho de promoção da concorrência que tem sido seguido na Europa, parecem não deixar margem para dúvidas: 2019 tem tudo para ser um ano de novos casos contra grandes tecnológicas como a Google e o Facebook.

A comissária europeia Margrethe Vestager esteve em Lisboa em novembro, por ocasião do Web Summit. E teceu algumas ameaças à Google.Web Summit

Mais projetos a adotar blockchain

Se 2017 foi o ano da popularização das criptomoedas, 2018 foi o ano da blockchain. Em 2019, por sua vez, deverão surgir mais projetos assentes em blockchain, a tecnologia do registo inviolável que permitiu surgirem moedas virtuais como a bitcoin. Esta previsão assenta em duas grandes razões: por um lado, várias empresas já anunciaram publicamente que estão a desenvolver aplicações com recurso à blockchain; por outro, já foram revelados alguns projetos concretos pelas mãos de gigantes como a IBM, ou de startups como a Arianne.

Ainda tem dúvidas? A 21 de dezembro de 2018, a Bloomberg avançou que o WhatsApp, detido pelo Facebook, está a desenvolver uma criptomoeda indexada ao valor do dólar, que assenta na tecnologia blockchain, para permitir aos utilizadores fazerem transações financeiras através da aplicação de mensagens. Mesmo em Portugal, como noticiou o ECO, são já vários os projetos que estão a ser cozinhados. Em 2019, é expectável que muitos deles acabem por ver a luz do dia.

Corrida ao 5G acelera

A Apple não deverá lançar um iPhone com conectividade 5G antes de 2020, a data em que a Comissão Europeia pretende que a nova geração de rede móvel comece a ser implementada nos 28 Estados-membros da UE. Mas o caminho até à internet ultrarrápida e sem fios tem de ser feito. E 2019 vai muito provavelmente ser um ano determinante, tanto para as empresas de telecomunicações como para as que fabricam os equipamentos.

A tendência também deverá chegar a Portugal. É expectável que se saiba como vão ser atribuídas as frequências do 5G (o Governo quer um leilão eletrónico, mas as operadoras estão contra), frequências essas que estão atualmente ocupadas pelo serviço de Televisão Digital Terrestre (TDT) e que terão de ser libertadas (sim, os portugueses vão ter de sintonizar novamente os aparelhos). Em 2018, houve mesmo um dia em que Meo, Nos e Vodafone acolheram três eventos relacionados com o 5G à mesma hora.

No campo dos equipamentos, as fabricantes deverão apresentar os primeiros protótipos de smartphones com capacidade 5G e não está totalmente descartada a hipótese de alguns deles chegarem ao mercado de consumo.

Em 2019, os esforços no sentido de implementar redes 5G deverão acelerar para que se cumpram as metas atualmente definidas.Flávio Nunes/ECO

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