Meia dúzia de CEO do PSI-20 receberam mais de um milhão em 2020

Várias empresas do PSI-20 já divulgaram os salários dos seus gestores em 2020. Pedro Soares dos Santos foi o que auferiu uma remuneração mais elevada, mas quem gastou mais com os CEO foi a EDP.

Não foi um, nem dois, nem três os CEO da bolsa de Lisboa que arrecadaram, em 2020, “cheques” com sete dígitos. Ao todo, e quando falta ainda conhecer a remuneração de parte dos presidentes executivos, já se contabiliza meia dúzia de gestores que ganharam pelo menos um milhão de euros em termos brutos. Não foi a EDP que pagou o salário mais elevado, mas foi a que gastou mais com os cargos de liderança.

Miguel Stilwell de Andrade é o atual CEO da EDP, embora só tenha sido eleito como o sucessor efetivo de António Mexia este ano. Em 2020, ocupou o cargo de presidente executivo interino da EDP e da EDP Renováveis, tendo recebido por isso, e como CFO da elétrica, um total de 1,57 milhões de euros a título de salário.

Este é um valor que fica, no entanto, abaixo do recebido tanto por António Mexia, como por João Manso Neto. Se o antigo CEO da EDP ganhou 2,37 milhões de euros no ano em que viria a abandonar a liderança do Conselho Executivo da empresa, Manso Neto, presidente do Conselho Executivo da EDP Renováveis, também viria a faturar bem. O seu salário em 2020 foi de 2,26 milhões de euros, 54% acima do que auferiu no ano anterior.

Com a fatura a pagar a estes três gestores, a EDP teve de desembolsar um total de 6,2 milhões de euros em 2020. E vai gastar ainda mais. Isto porque, a partir deste ano, Stilwell de Andrade poderá vir a auferir um vencimento base anual de 800 mil euros brutos, bem como uma remuneração variável que pode ir, no máximo, até aos 640 mil euros brutos. Valor que pode ir, assim, até aos 1,44 milhões de euros.

Também António Mexia, ainda que já esteja afastado da empresa, vai receber 800 mil euros por ano da EDP durante os próximos três anos, no âmbito dos acordos de cessação de funções e de não-concorrência. Manso Neto iria, por sua vez, receber 560 mil euros anuais pelo mesmo período de tempo, embora tenha rejeitado esse acordo para liderar a Greenvolt, empresa produtora de energia elétrica a partir de biomassa florestal.

Olhando para o caso de outra empresa do setor da energia, a Galp Energia, refira-se que Carlos Gomes da Silva auferiu, no ano passado, um rendimento de 1,87 milhões de euros de euros. Recorde-se que Gomes da Silva abandonou a liderança da petrolífera já no princípio deste ano, com Andrew Brown a assumir o cargo.

 

Pedro Soares dos Santos lidera, Cláudia Azevedo tem maior aumento

Apesar dos montantes avultados pagos a todos estes gestores, o CEO da Jerónimo Martins foi o que teve, de todos ele, uma remuneração anual mais elevada. Em 2020, a empresa recompensou o seu presidente executivo em 2,57 milhões de euros. Um aumento de 24% no salário quando olhando para os valores de 2019, com Pedro Soares dos Santos a receber, nesse ano, um total de 2,07 milhões de euros.

Falta apenas referir o nome de Cláudia Azevedo que, para além de ser a única mulher a liderar uma empresa do PSI-20, foi quem viu o seu salário crescer mais de um ano para o outro. Em 2020, o seu rendimento anual foi de 1,24 milhões de euros, uma subida de cerca de 73% em comparação com os 716 mil euros ganhos pela CEO da Sonae no ano anterior.

Vários salários estão ainda por conhecer. E podem haver mais com sete dígitos

Embora a maioria das empresas (11) do PSI-20 tenham já divulgado os seus relatórios de contas de 2020, as restantes sete ainda não o fizeram. Ficam, assim, por conhecer os salários auferidos por estes gestores de topo no ano passado.

A lista daqueles que receberam mais de um milhão de euros no ano passado pode ficar ainda mais “composta”. Isto porque o CEO da Semapa, João Castello Branco, recebeu em 2019 cerca de 1,4 milhões de euros, sendo por isso de esperar que também em 2020 o seu salário supere essa barreira.

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5 coisas que vão marcar o dia

Arranca a segunda fase do desconfinamento, no dia em que serão conhecidos dados sobre a evolução do desemprego em fevereiro.

A semana arranca com uma nova fase do desconfinamento, na qual reabrem algumas lojas e mais alunos regressam às aulas presenciais. Serão conhecidos dados sobre a evolução do desemprego em fevereiro, depois de uma subida no primeiro mês do ano, bem como sobre o comércio na União Europeia. Nesta que é a segunda-feira de Páscoa, várias bolsas estão fechadas, e terminam as férias judiciais.

Arranca segunda fase do desconfinamento

Entram em vigor esta segunda-feira as novas medidas do plano de desconfinamento, que preveem o regresso ao ensino presencial dos alunos do segundo e terceiro ciclos, reabrindo as atividades de tempos livres para as mesmas idades. Reabrem também os museus, monumentos, palácios e galerias de arte e as lojas com uma área até 200 metros quadrados e que tenham porta para a rua. As esplanadas podem voltar a ser frequentadas até ao limite de quatro pessoas e podem ser praticadas as modalidades desportivas de baixo risco, sendo que os ginásios reabrem, sem aulas de grupo.

Evolução do desemprego em fevereiro

O Instituto Nacional de Estatística divulga as Estimativas Mensais de Emprego e Desemprego referentes ao mês de fevereiro. A taxa de desemprego subiu para 7,2%, no primeiro mês de 2021, um aumento de 0,4 pontos percentuais face ao mês anterior e ao período homólogo. Em janeiro, também a taxa de subutilização do trabalho cresceu, por efeito sobretudo do aumento da população desempregada.

Principais parceiros comerciais da UE em 2020

O Eurostat disponibiliza a ferramenta que permite visualizar dados sobre os parceiros de comércio na União Europeia (UE). No último lançamento, a visualização de dados interativa permitiu concluir que, em 2019, a UE importou mais mercadorias da China (19% das importações) do que de qualquer outro lugar e exportou mais para os Estados Unidos (18% das exportações de mercadorias).

Bolsas fechadas na Páscoa

Várias praças europeias não vão negociar durante este dia, por ser a segunda-feira após a Páscoa. É o caso das bolsas de Londres, Amesterdão, Paris e Frankfurt, bem como da bolsa de Lisboa. Esta será assim a segunda semana em que apenas há quatro sessões, depois de as bolsas também terem fechado na Sexta-feira Santa.

Terminam férias judiciais

Chegam ao fim esta segunda-feira as férias judiciais, altura em que os tribunais se encontram encerrados e os atos processuais não são efetuados, a não ser, entre outros, os atos processuais relativos a arguidos detidos ou presos, ou indispensáveis à garantia da liberdade das pessoas. Depois das férias judiciais da Páscoa, está previsto o regresso à normalidade para os tribunais.

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Jacinto investe dois milhões em veículo elétrico e não tripulado de combate a incêndios

Aposta da empresa de Ovar é um veículo 6X6, totalmente elétrico e que pode ser não tripulado. Feira mundial de Hanôver vai ser a chave para vender este veículo único no mundo.

Em 1986, a Jacinto criou, em parceria com a Salvador Caetano, uma caixa de transferência que permitia passar a tração de um carro de combate a incêndios de 4X2 para 4X4. Era única no mundo. Estes veículos ainda continuam a operar em Portugal. Mas, agora, a aposta desta empresa de Ovar é um veículo 6X6, totalmente elétrico e com a possibilidade de ser não tripulado. Com este novo investimento de dois milhões de euros a Jacinto pretende duplicar o volume de negócio, caso o produto penetre bem no mercado.

O momento-chave será a maior feira mundial de veículos de combate a incêndio que se realiza de cinco em cinco anos em Hanover, na Alemanha. Devido à pandemia foi adiada para junho de 2022. O produto, que já está na fase final de testes, foi mostrado pela primeira vez, em 2019, numa feira em Lisboa.

“O Eco Camões é totalmente elétrico e destina-se ao combate a incêndios em aeroportos, podendo ser não tripulado se o bombeiro ou o operador do veículo achar que é um risco muito elevado estar junto do avião”, explica Jacinto Reis. “Com um painel de comando à distância, por radio frequência, pode movê-lo e controlar o canhão de água para extinguir o incêndio a cerca de 500 metros do veículo”, acrescenta o empresário de quarta geração, desta média empresa, cujas origens remontam a 1954.

O projeto, que representou um investimento de cerca de dois milhões de euros é “único no mundo” e visa responder às exigências de sustentabilidade. “Há mercados que já estão a bloquear os motores de combustão a diesel e gasolina. Já saiu legislação que obriga a que, a partir de 2025/2030, deixem de poder comprar veículos com motor de combustão. Aí teremos um mercado todo aberto para este tipo de soluções”, sublinha Jacinto Reis, reconhecendo que a Europa, “onde a preocupação de sustentabilidade é muito grande”, será o principal mercado, dos 31 onde já está presente, sendo que 77% do volume de negócios já é assegurado pelas exportações.

“Temos vários segmentos de mercado como os bombeiros, ligados à proteção civil dos vários países, aeroportos, que normalmente são entidades público privadas, e o setor das indústrias de alto risco como as petrolíferas e indústrias perigosas”, explica o diretor-geral da Jacinto.

Para já ainda não venderam nenhuma unidade, mas a feira de Hanover, inicialmente prevista para 2020, era determinante. Vender veículos de combate a incêndio requer uma estratégia diferente já que, na maior parte dos casos, as compras são feitas através de concursos públicos.

“Temos de promover o produto junto das várias entidades para que possam especificar o nosso produto em concurso e nós possamos apresentá-lo e vender. É um negócio mais B2B, mais restrito e difícil de trabalhar. Se não tivermos um protótipo é muito difícil de vender, porque essas entidades querem ver o produto a funcionar.

E o protótipo existe, está em fase de testes e contou com um apoio de 627,6 mil euros do Portugal 2020. Se tudo correr bem a perspetiva “é vender 50 unidades por ano”. “Seria algo extraordinário porque só com esse produto dobraríamos o nosso volume de vendas anual. Se o produto penetrar bem no mercado estes números são perfeitamente plausíveis”, diz Jacinto Reis. As contas assentam na venda de cada veículo por um milhão de euros.

O mercado na área dos aeroportos “é um bocadinho restrito”, reconhece o responsável. “A nível mundial, a compra de carros de aeroporto ronda os três a quatro mil ao ano. E, em Portugal, o conjunto dos aeroportos compram um carro de dois em dois anos”, precisa. Por outro lado, a compra de carros e incêndios são sazonais — de três em três anos — e isso explica a necessidade de estar presente em tantos países. “É necessário andar sempre em busca de novos mercados para ter a produção estabilizada”, explica o gestor de 150 colaboradores que fazem cerca de 220 camiões novos para todo o mundo.

Um robot autónomo para limpar florestas

Mas se o Eco Camões foi desenvolvido integralmente pela Jacinto, o robot autónomo para limpar florestas em que estão a trabalhar agora é fruto de um consórcio liderado pela ADAI da Universidade de Coimbra.

“Assinámos o consórcio há cerca de três semanas. O projeto é liderado pelo Eng. Carlos Viegas, que teve a ideia, e nós fomos convidados para participar no consórcio, que conta também com a REN e Bold Robotics”, conta Jacinto Reis. Este é mais um investimento de 1,4 milhões de euros, financiado pelo Portugal 2020 com quase 850 mil euros.

A ideia é criar um robot autónomo, equipado com painéis fotovoltaicos, que sem qualquer intervenção humana faz a limpeza da floresta. “É um robot preventivo com cerca de dois metros e que terá como clientes potenciais a indústria do papel, que tem hectares cultivados de árvores, ou as câmaras municipais”, explica o diretor-geral da empresa que concorre com multinacionais como a americana Oshkosh e a alemã Rosenbauer, empresas cotadas em bolsa, que faturam cerca de mil milhões de euros ao ano.

Um drone para combater incêndios

A empresa, que até já conta um pequeno departamento de inovação, está também a desenvolver um drone de combate a incêndios em parceria com a universidade de Coimbra e com a Categoria Funcional. A ideia é ter um veículo com um drone de dois metros e meio no topo, de modo a que o bombeiro não faça combate direto às chamas.

“É uma ideia que no papel funciona, mas, nesta fase final de testes, os resultados não estão a ser muito bons”, reconhece Jacinto Reis. “No combate direto, o drone tem algumas debilidades devido ao próprio incêndio, que tem muitas correntes de convecção que provocam muitas turbulências ao nível do vento e impossibilitam que o drone voe em condições ótimas para combater as chamas”, explica.

Mas não se trata de um investimento perdido – cerca de meio milhão de euros de apoio comunitário – porque “o produto será muito mais viável numa fase de prevenção e até de rescaldo dos incêndios”, sublinha o diretor-geral, “porque conseguimos que faça um circuito por ele, sem a necessidade de um bombeiro”.

“Este projeto está numa fase final. O protótipo está pronto e já em testes reais. Sairá para o mercado em breve. Até já foram feitas algumas apresentações no âmbito académico pela universidade de Coimbra”, avança o responsável, garantindo que se o quisessem vender hoje poderiam “porque está pronto”. “Mas o que falta estudar mais é se o mercado está preparado para o absorver. É esse o problema”, aponta.

Em regra, desde o momento em que ganham um concurso e cai uma encomenda e esta é entregue e o cliente faça o pagamento podem decorrer 250 a 300 dias. Por isso, Jacinto Reis sublinha a importância que teriam apoios ao nível do cash flow, já que depende inteiramente da banca neste hiato temporal. O que é “penalizante para a empresa, porque trabalha com níveis de investimento muito avultados”, reconhece.

A Jacinto não beneficia de quaisquer apoios para mitigar os efeitos da pandemia porque não é elegível. “Estamos em contraciclo com outras empresas já que 2020 foi o melhor ano de sempre”, diz com satisfação. As ajudas vêm dos fundos comunitários, a que a empresa já recorre há bastante tempo, “sempre com assessoria, seja na parte jurídica, documental ou se submissão de documentação”. “Para uma PME que não tenha uma estrutura muito grande fazer candidaturas sozinha é muito penalizante e corre o risco de fazer e não conseguir a aprovação”, alerta.

Além dos três projetos em mãos, já usou 365 mil euros do Portugal 2020 para financiar operações de internacionalização.

Das exportações para Myanmar aos óculos de realidade virtual

A empresa começou a exportar em 2005, mas é em 2010/2011 deram um salto em volume de vendas após participação numa série de feiras internacionais. “Passámos de sete milhões de euros de volume de faturação para 25 milhões”, conta. “Para exportar é preciso fazer primeiro uma prospeção de mercado e perceber quais as entidades que efetivamente querem adquirir o produto. É também importante encontrar um representante ou um distribuidor nos países para onde se pretende exportar”. Jacinto Reis fala num “gap de dois anos para conseguir ter vendas contínuas” num novo mercado.

E essas vendas variam de acordo com o posicionamento dos mercados. Se em França a procura é por produtos de elevado valor acrescentado, no Egito a relação qualidade/preço é mais baixa, explica Jacinto Reis. “Para o México já vendemos quatro veículos e estamos em negociações para vender mais e, em 2020, vendemos para Myanmar”, conta com orgulho, explicando que o preço dos veículos de combate a incêndios oscila entre meio milhão e 700 mil euros.

E se o comércio online não é uma opção para a venda destes veículos, isso não significa que a empresa não tenha também uma estratégia digital. Está a desenvolver vídeos que demonstram as características e o desempenho dos produtos e a apostar num maior reconhecimento da marca Jacinto no meio dos veículos de combate a incêndio.

Já antes da pandemia a empresa tinha um projeto para permitir aos clientes fazerem uma visita à empresa através de óculos de realidade virtual. Inclusivamente foram usados numa feira no Dubai. Agora, depois da ampliação das instalações, esta é uma das apostas, conta Jacinto Reis. Mas não se ficam por aqui. Simuladores de carros de bombeiros são outras das áreas. “É um investimento muito grande”, reconhece o empresário – cerca de 300 mil euros em software. Mas, em tempo de pandemia, poder enviar o simulador e permitir ao operador fazer todas as operações é uma ideia que vai ganhando lastro, mas é preciso “avaliar bem o retorno futuro”.

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Como é que o advogado de Sócrates o defendeu perante Ivo Rosa?

Seis anos e meio depois de ter sido detido no aeroporto, José Sócrates vai conhecer esta sexta-feira se vai, ou não, a julgamento por fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

Seis anos e meio depois de ter sido detido no aeroporto, perante as câmaras de televisão, o ex-primeiro ministro José Sócrates vai conhecer esta sexta-feira se vai, ou não, a julgamento pelos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção. O juiz de instrução Ivo Rosa vai anunciar se decide ou não pela pronúncia do principal arguido da Operação Marquês.

José Sócrates está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada, num total de 31 crimes. E é suspeito de ter recebido cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecimentos a interesses do ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santos e para garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e ter acordado com Carlos Santos Silva negócios para favorecer empresas do grupo Lena através de obras do projeto Parque Escolar.

As alegações finais do advogado do ex-PM, Pedro Delille, começaram no dia 1 de julho de 2020, no Campus de Justiça, em Lisboa, estava Portugal já desconfinado, depois da primeira vaga da pandemia.

Que argumentos jurídicos e factuais foram usados pela defesa de José Sócrates?

  • O advogado começou por defender que esperava que o Ministério Público reconhecesse a improcedência total da acusação quanto a Sócrates. E que esperava ainda “dos senhores procuradores que, se tivessem razões para não apresentar provas, que o justificassem, neste local que é o mais indicado para isso. Tenho pena que esteja aqui o senhor procurador -geral adjunto e não o Dr. Rosário Teixeira. Desistiu da acusação. Jogou a toalha ao chão. Refugiou-se em ilusionismos”. Rosário Teixeira que esteve ausente nesta sessão.
  • “Estamos aqui para elencar sobre a suficiência ou insuficiência dos argumentos da acusação. O debate instrutório serve mesmo para isso, segundo a lei”, explicou o advogado. “Temos no fundo que saber se os indícios da acusação se mantiverem ou foram provados em audiência”. Pedro Delille sublinhou ainda que o procurador Rosário Teixeira apenas pretendeu que o senhor juiz se deixasse impressionar, referindo-se ao juiz de instrução Ivo Rosa.
  • Disse ainda que processo tem uma “motivação política” e que o Ministério Público inventou indícios e não quis ouvir explicações sobre factos.
  • “Passaram pelas contas de Helder Bataglia, Paulo Pinto Sousa e Carlos Santos Silva valores que o Ministério Público não sabe explicar nem quis ouvir as explicações que lhe foram dadas. Isto não vai lá com contabilidades. É preciso ter a perceção dos negócios”, acusou o advogado Pedro Delille.
  • O advogado criticou o MP e o inspetor tributário Paulo Silva, que apelidou de “polícia privado” do DCIAP, de criar invenções, não aceitar as explicações dadas por várias testemunhas e insistir em acusar o ex-primeiro-ministro de 31 crimes;
Pedro Delille, advogado de José Sócrates, durante a sessão do debate instrutório no âmbito do processo Operação Marquês, no Campus de Justiça, em Lisboa, 01 de julho de 2020LUSA/ANTÓNIO COTRIM
  • “Sócrates não teve qualquer intervenção na nomeação de Armando Vara para a Caixa Geral de Depósitos” e “não há qualquer razão, a não ser arbitrária, para se fazer a conexão deste processo com Ricardo Salgado”, foram algumas das frases ditas por Delille para desmontar a acusação.
  • Quanto à utilização do depoimento do empresário luso-angolano Helder Bataglia para sustentar os alegados pagamentos corruptivos de Ricardo Salgado (ex-banqueiro do BES) a José Sócrates através do seu amigo e empresário Carlos Santos Silva, o advogado diz desconhecer se houve ou não delação premiada, mas desvalorizou a importância de tais declarações por se tratar de prova indireta, isto é, “ouvi dizer”.
  • Em relação aos factos incriminatórios relativos à concessão ao consórcio Elos para o projeto do TGV, Delille afirmou que a tese do MP é “inteiramente fabricada”.
  • “Se era preciso criminalizar toda uma governação não haverá melhor do que o TGV. O país compreenderá o que perdeu, embora o atual Governo considera ainda o assunto como tabu”, argumentou.
  • Também quanto à alegada intervenção do ex-primeiro-ministro, no sentido de favorecer o Grupo Lena na Parques Escolar, “como se esta fosse uma empresa do regime”, também aqui o advogado diz que as imputações do Mp “têm claramente uma motivação política”.
  • Sobre o envolvimento do antigo PM para favorecer o empreendimento algarvio de Vale de Lobos, o defensor afirmou que Sócrates não conhecia os administradores e que não teve qualquer intervenção direta ou indireta” na facilitação dos financiamentos pela CGD
  • Sobre o dossier PT, Delille alegou que se tratou de uma “invenção” do Ministério Público. “Jamais recebeu qualquer quantia e isso está demonstrado abundantemente nos autos. Tudo o que o Estado fez na PT tinha que o fazer. Se tivesse aceitado a venda da VIVO (operadora de telecomunicações brasileira) isso seria contrário aos interesses nacionais”, vincou.
  • Relativamente à nomeação do ex-ministro Armando Vara para a administração da CGD, o advogado garantiu que Sócrates “não teve qualquer intervenção”, lembrando que o ex-primeiro-ministro até manifestou “reservas” na escolha, contrariando a convicção dos procuradores que Sócrates (primeiro-ministro entre março de 2005 e junho de 2011), em conluio com Vara, apoiou operações de financiamento da CGD, em “violação da lei e dos deveres públicos”.
  • O advogado disse ainda que Sócrates nunca foi próximo do ex-presidente do BES Ricardo Salgado, que segundo a acusação terá corrompido o ex-primeiro-ministro, nomeadamente nos negócios da Portugal Telecom.
  • Sobre as verbas que Sócrates recebeu via Carlos Santos Silva, que, segundo os procuradores foi o seu “testa de ferro”, o advogado garantiu que eram empréstimos. “Empréstimo não é crime. Se está bem ou mal, segundo o catecismo do procurador [Rosário Teixeira] não nos cabe avaliar”, afirmou o advogado, acrescentando que “José Sócrates aceitou empréstimos de um amigo desde o verão de 2013 com quem tem uma relação fraterna de há mais de 40 anos e não de um empresário que tem negócios com o Estado”.
  • No capítulo das nulidades processuais, Pedro Delille voltou a falar da ilegalidade da distribuição manual do processo em fase de inquérito, em setembro de 2014 ao juiz Carlos Alexandre pondo em causa também a validade das interceções telefónicas do inquérito.

Além de Sócrates, Carlos Santos Silva e Armando Vara, o ex-presidente da PT Henrique Granadeiro, Zeinal Bava, Joaquim Barroca, Helder Bataglia, Rui Mão de Ferro e Gonçalo Ferreira, empresas do grupo Lena (Lena SGPS, LEC SGPS e LEC SA) e a sociedade Vale do Lobo Resort Turísticos de Luxo também são acusados na Operação Marquês.

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Com desconfinamento, PIB voltará a crescer no segundo trimestre

Os economistas consultados pelo ECO dão como garantido que no segundo trimestre o PIB vai crescer na comparação homóloga. É a primeira vez que tal vai acontecer desde que a pandemia chegou a Portugal.

Pela primeira vez desde que a crise se pandémica instalou em Portugal, o Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano deverá crescer em termos homólogos (face ao segundo trimestre de 2020) e em cadeia (face ao primeiro trimestre de 2021). A convicção é dos economistas contactados pelo ECO que antecipam esse cenário pela base de comparação baixa — o PIB afundou muito mais há um ano — e pela continuação do processo de desconfinamento no país.

O normal será um forte crescimento do PIB em termos homólogos, embora não da mesma ordem de grandeza do DEI [indicador do Banco de Portugal] que, apesar de ser um indicador útil e de qualidade, não permite corrigir de forma adequada para efeitos base tão fortes como os que teremos nas variações homólogas do 2º trimestre”, afirma João Borges Assunção, professor e economista da Católica, antecipando que o nível do PIB fique entre o do primeiro trimestre de 2021 e o do terceiro trimestre de 2020, “no caso de não haver novos confinamentos”.

Esta ressalva é importante uma vez que Portugal está num processo de desconfinamento e pode haver recuos. “Mesmo que, por hipótese, a economia não crescesse do 1º para o 2º trimestre de 2021, mesmo assim o crescimento homólogo já seria significativo“, calcula António da Ascensão Costa, do ISEG, afirmando que “apesar de possíveis contrariedades e de um desconfinamento mais lento, e de uma conjuntura europeia menos favorável, é bastante provável que Portugal volte a registar crescimento em cadeia no 2º trimestre”.

A expectativa de expansão homóloga é corroborada por Paulo Rosa, economista sénior do Banco Carregosa: “É esperado um crescimento do PIB no segundo trimestre de 2021 por várias razões: O processo de desconfinamento, a base mais baixa relativa à significativa contração económica no segundo trimestre de 2020 e o acesso da população em geral aos testes rápidos à covid-19 vendidos pelo retalho e que irão permitir maior proximidade social no setor mais afetado até agora, o travel&leisure, restauração e hotelaria, turismo, ou seja, setores com um peso considerável no PIB português”.

Pedro Braz Teixeira, do Fórum para a Competitividade, também considera ser “quase certo” um crescimento homólogo do PIB no segundo trimestre deste ano dado que o trimestre homólogo “foi o pior da pandemia”. “Nessa altura não havia ‘escapatórias’ que se foram construindo ao longo do ano”, diz. Porém, o economista nota que o cenário internacional é “ambivalente”: por um lado, a Europa entra novamente em confinamento; por outro lado, o pacote de estímulos dos EUA já está “no terreno” e dará uma ajuda direta e indireta às exportações portuguesas. Em termos internacionais, “o panorama é de maior otimismo”, apesar de na Europa a pandemia estar numa “fase ascendente, da qual não sabemos o limite nem a duração”.

No segundo trimestre do ano passado, o PIB caiu 16,3% em termos homólogos e 13,9% em cadeia, números nunca antes vistos na série histórica deste indicador. Esta forte queda da atividade económica é explicada pela primeira reação à pandemia, com as primeiras medidas a serem implementadas e um receio maior por parte da população. Desde então que as empresas e os cidadãos adaptam-se à nova realidade, tanto que no quarto trimestre, apesar das restrições significativas, o PIB cresceu face ao trimestre anterior, ao contrário do esperado pelos economistas.

Para já, os primeiros dados do indicador do Banco de Portugal, o DEI, relativos ao final de março, já mostra variações homólogas positivas, ao contrário do que mostrava toda a trajetória desde que a pandemia começou. Esperava-se uma melhoria do indicador por causa do desconfinamento, mas o efeito de base não permitia perceber essa influência, ainda para mais quando o DEI até piorou nas primeiras semanas de março.

Fonte: Banco de Portugal

Porém, na última atualização o Banco de Portugal publicou um novo gráfico onde compara a evolução atual com o acumulado de dois anos (para limitar o efeito de 2020) e mesmo assim o DEI apresenta uma variação positiva, o que é um bom sinal para a economia portuguesa.

“Poupança forçada” vai tornar-se em consumo e em inflação?

Um dos fatores que ditarão o ritmo de recuperação da economia portuguesa é o comportamento do consumo. Como recordava o Banco de Portugal no último boletim económico, não é de excluir que haja, depois da “poupança forçada” pelas restrições da pandemia, haja uma “poupança de precaução” dado o momento de crise que se vive. Essa é uma das dúvidas dos economistas já do segundo trimestre à medida que o processo de desconfinamento vai desenrolando-se.

Pedro Braz Teixeira calcula que houve uma poupança adicional de 8,8 mil milhões de euros em 2020 (face à poupança anual normal) em Portugal, a qual considera ser essencialmente “forçada” e não por “precaução”. Assim, antevê que a taxa de poupança regresse gradualmente aos níveis normais à medida que as restrições forem retiradas.

Para João Borges Assunção “esse é um efeito possível (gasto da poupança acumulada) que propiciará ressaltos grandes no andamento de muitas séries [estatísticas]”. Porém, “o importante será saber a que nível os dados estabilizarão e não tenho visibilidade sobre isso, nem empírica nem teórica“, diz o economista.

António da Ascensão Costa também é cauteloso, antecipando uma recuperação do consumo gradual e não repentina. A expectativa é que quem não perdeu rendimento possa vir a “afetar as suas poupanças a bens mais caros e à aquisição de bens duradouros”. O problema está nos que perderam rendimento: um grupo de portugueses “que só irá recuperar mais tarde, eventualmente com a retoma do crescimento económico”.

Não se pode excluir, porém, que a “pandemia pode ter alterado alguns hábitos mais despesistas dos portugueses no curto prazo“, avisa Paulo Rosa. Ainda assim, o economista sénior do Banco Carregosa admite que “os portugueses pretendem aumentar o seu consumo, sobretudo de serviços que estão encerrados ou a laborar parcialmente como lazer e a restauração”.

E, caso se confirme um cenário de forte retoma do consumo, é expectável ver a inflação à porta? Os economistas até admitem algum aumento dos preços, mas nada significativo. “É normal o aparecimento de alguma inflação num período de reabertura da economia, recuperação económica e início de um novo ciclo económico”, diz Paulo Rosa, para logo de seguida acrescentar que “nesta altura ainda tão debilitada para muitas empresas portuguesas, não é esperada nenhuma subida de salários e, por conseguinte, não é esperada inflação indesejável“.

Pedro Braz Teixeira também não vê inflação significativa com o desconfinamento, argumentando que a urgência das empresas é aumentar as vendas e não os preços, até pela concorrência. A mesma visão tem António da Ascensão Costa: “Não prevejo que a retoma do consumo nos setores antes referidos como mais afetados venha originar um salto na inflação“, diz, apontando apenas para uma recuperação dos preços que possam ter caído por causa da pandemia. João Borges Assunção é ainda mais taxativo ao dizer que “esse tema só visitará a economia portuguesa daqui a alguns trimestres”. A inflação não parecer ser uma questão para a economia portuguesa, para já.

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Mais escolas reabriram hoje e pais nem conseguiram aproveitar alargamento dos apoios aprovado pela oposição

Dado que as escolas do 2º e 3º ciclos reabrem esta segunda-feira, o apoio à família deixa de se aplicar, o que significa que nenhum pai chegou a beneficiar da flexibilização aprovada no Parlamento.

À revelia do Governo, a oposição aprovou o alargamento do apoio à família, mas os pais não vão conseguir beneficiar dessa alteração. O diploma em causa foi aprovado no início de março, mas só foi promulgado no final desse mês, não tendo entrado a vigor a tempo de garantir ajuda a mais beneficiários, uma vez que, com a reabertura das escolas do segundo e terceiro ciclos marcada para esta segunda-feira, deixa de haver pais em condições de avançar com o requerimento à Segurança Social.

O apoio à família destina-se aos pais que tenham de faltar ao trabalho para ficar com os filhos (até 12 anos), por força do encerramento das escolas. Inicialmente, esta medida estava disponível apenas para os pais que não conseguissem prestar as suas funções em teletrabalho, mas em fevereiro o Governo decidiu alargá-la a alguns pais que estivessem a trabalhar à distância, desde que interrompessem a sua atividade para prestar assistência à família.

Essa flexibilização do apoio em causa foi feita num momento em que já se adivinha a formação, no Parlamento, de uma maioria negativa para alterar a prestação, disponibilizando a mais famílias. E nem as mudanças levadas a cabo pelo Governo acabaram por ser suficientes para o evitar.

Assim, no início de março, a oposição, da esquerda à direita, uniu-se e aprovou, com a abstenção do PS, um diploma que veio alargar a todos teletrabalhadores com filhos menores de 12 anos este apoio, além de reforçar o valor dessa prestação para os trabalhadores independentes.

Este foi um de três diplomas que a oposição passou, à revelia do PS, colocando o Chefe de Estado num dilema, já que o Governo sempre disse considerar que as medidas aprovadas no Parlamento violam a lei-travão, por criarem mais despesa que a prevista. Ainda assim, Marcelo Rebelo de Sousa promulgou os diplomas.

O “sim” do Presidente da República chegou no fim de março, pouco mais de uma semana antes de as escolas do segundo e terceiro ciclo reabrirem, o que acontece esta segunda-feira e significa que deixa de haver pais em condições de pedir o apoio excecional à família à Segurança Social (uma vez que as crianças até 12 anos já não têm as atividades letivas presenciais suspensas).

É importante notar que, de resto, na semana entre a promulgação e a reabertura dos referidos estabelecimentos, nenhum pai beneficiou do alargamento aprovado pela oposição, já que a o diploma não entrou a vigor antes do último dia útil em que efetivamente teria efeito.

Entretanto, o Executivo decidiu enviar para o Tribunal Constitucional o diploma em questão, mas tal não implica que a sua aplicação esteja suspensa, ou seja, não é por isso que os pais não estão habilitados a beneficiar dele. Isso mesmo explicou o primeiro-ministro no momento em que anunciou o recurso ao Palácio Ratton, dizendo que as mudanças do Parlamento não se vão aplicar, mas porque o apoio deixará de existir dado que as escolas do segundo e terceiro ciclos voltarão a abrir a partir da próxima segunda-feira.

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Novo Banco desiste de construir sede nas Amoreiras. Quer mudar-se para o Tagus Park

Devido a problemas no licenciamento, o Novo Banco desistiu de construir a nova sede. Em vez disso vai vender o edifício que ocupa em Lisboa e mudar-se para o Tagus Park, em Oeiras.

Do centro de Lisboa para os arredores da capital. O Novo Banco desistiu dos planos de construir uma nova sede nas Amoreiras, mas mantém os planos de vender o atual edifício que ocupa na Avenida da Liberdade. A alternativa em cima da mesa passa por mudar-se para o Tagus Park, em Oeiras, onde já tem mais de 500 colaboradores a trabalhar, de acordo com informações recolhidas pelo ECO.

Foi em 2018 que o Novo Banco pôs à venda uma dezena de imóveis na Grande Lisboa — que incluía a sede histórica do BES — com o objetivo de financiar a construção de um mega projeto imobiliário nas Amoreiras, onde seria construída a nova sede. O projeto, de acordo com o que o Expresso e o Público noticiaram na altura, custaria entre 100 e 120 milhões de euros e iria nascer nas instalações do antigo Quartel de Campolide.

Em causa está um terreno de 130.000 metros quadrados que o banco adquiriu em 2014 à promotora Temple, do empresário Vasco Pereira Coutinho, como forma de execução de dívidas. Responsável pelo projeto está o Fundo de Investimento Imobiliário Fechado Amoreiras e, de acordo com as contas da sociedade gestora, este iria ser constituído por habitação, serviços e comércio, incluindo a nova sede do Novo Banco.

No final de 2019, de acordo com o Expresso, o banco injetou 36,2 milhões de euros nestes terrenos, através do fundo. Contas feitas, desde 2016, foram aplicados 57,7 milhões de euros neste projeto, que não saía do sítio.

E, até hoje, nada mudou. Fontes do mercado imobiliário consultadas pelo ECO afirmam que em causa estão dificuldades em obter o licenciamento para este projeto e que, face a isso, o Novo Banco está a estudar outras hipóteses para aquela localização, enquanto o promotor imobiliário continua atrás de um projeto com viabilidade.

Sede na Avenida da Liberdade por vender

Vários anos depois, o Novo Banco cansou-se de esperar e decidiu mesmo mudar-se para uma nova sede, mas fora da cidade. O ECO sabe que a instituição planeia vender o edifício principal que ocupa atualmente na Avenida da Liberdade (a sede histórica do BES) e concentrar todos os seus colaboradores no Tagus Park, em Oeiras.

O processo ainda não está no mercado, desconhecendo-se, por isso, o valor que o banco espera encaixar com este imóvel. Contudo, fontes do mercado imobiliário referiram ao ECO que o imóvel deverá valer entre 50 a 70 milhões de euros.

E o processo deverá levar algum tempo até arrancar, dado que o espaço que o Novo Banco tem atualmente no Tagus Park — onde estão mais de 500 trabalhadores — terá de ser aumentado para receber todos os funcionários.

Ao ECO, fonte oficial do Novo Banco disse apenas que a instituição “tem vindo, de forma regular, a analisar soluções de racionalização e redução de custos, não havendo qualquer decisão tomada”.

Ainda assim, sair da Avenida da Liberdade está mesmo nos planos, sobretudo por uma questão de contenção de custos, já que este edifício não é o único com colaboradores. Mais acima, na rotunda do Marquês de Pombal, o banco tem também outros colaboradores, num edifício que vendeu em 2017 à Merlin Properties, tendo-se mantido como arrendatário.

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FERMA lança Guia de Sustentabilidade para Gestores de Risco

  • ECO Seguros
  • 4 Abril 2021

A cartilha inclui catálogo de riscos ESG, abordagens possíveis na avaliação destes riscos e orientações de comunicação e reporte. Em 2020, mais de metade dos gestores não tratavam o tema.

A Federação Europeia de Associações de Gestores de Risco (FERMA) acaba de lançar o primeiro Guia especificamente concebido para apoiar os gestores de risco na abordagem dos Riscos da Sustentabilidade.

Com o título PeoplePlanet & Performance – TheContributionofEnterpriseRiskManagement to Sustainability, o documento foi elaborado tendo por base o European Green Deal, “tratado ambiental” que fixou compromisso e estratégia da União Europeia para alcançar a neutralidade carbónica até 2050, mas também se enquadra com iniciativas desenvolvidas em outras partes do mundo.

“Faz parte da função dos gestores de risco traduzir estas iniciativas e as suas implicações para o interior das suas organizações em termos de riscos e oportunidades. Acreditamos que o People, Planet & Performance contribua para sustentabilidade e, por conseguinte, para a resiliência das nossas empresas, afirmou Valentina Paduano, Chief Risk Ofifcer and Sustainability Director na Sogefi (grupo do setor automotive – componentes para indústria automóvel), citada num comunicado.

Na introdução do Guia, a gestora de risco que também preside ao Comité de Sustentabilidade da Federação, recorda que, em 2020, cerca de 60% dos gestores de risco não estavam ainda empenhados na gestão de riscos ESG das suas organizações, conforme revelou o European Risk Manager Report, publicado em junho de 2020.

A cartilha da FERMA reúne exemplos de boas práticas de gestão de risco de sustentabilidade – concretizadas por especialistas de referência em gestão de risco – com o objetivo de auxiliar a integração das metas de sustentabilidade ao nível de toda a estrutura das organizações ou empresas, assegurando também o alinhamento das metas de sustentabilidade com os objetivos estratégicos das empresas.

Entre outras matérias, o guia inclui uma espécie de catálogo de riscos relacionados com sustentabilidade, nomeadamente em relação à temática ESG (Environment, Social and Governance); possíveis abordagens na avaliação de riscos e orientações relativamente a formas de comunicação, reporte e divulgação de risco.

A apresentação do “guia prático” aconteceu através de um webinar realizado pela Federação Europeia focado no tema From Risk to Resilience (conteúdo em inglês, acessível nesta ligação), com participação de três gestores de risco que partilharam experiências concretas da vida real para ilustrar a apresentação do Guia.

A FERMA agrega mais de 20 associações de gestores de risco distribuídas por duas dezenas de países, representando cerca de 5000 profissionais responsáveis de risco.

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WTW sonda interessados para vender parte do negócio na UE

  • ECO Seguros
  • 4 Abril 2021

A companhia de corretagem estará a estudar soluções para alienar operações em quatro países europeus, por forma a obter aprovação de Bruxelas ao projeto de fusão com a Aon.

A Willis Towers Watson (WTW), corretora global que há cerca de um ano assinou projeto de fusão com a Aon Plc, terá iniciado abordagem de potenciais interessados na aquisição do pacote de negócios que a companhia detém em determinados países europeus, alguns dos quais sediam empresas que respondem por entidades registadas em Portugal para desenvolver atividade em regime de livre prestação de serviços (LPS).

A notícia avançada pelo site Insurance Insider e replicada na plataforma espanhola Inese.es indica que as operações para venda incluem o combinado de negócios que a Willis tem Espanha, Alemanha, França e Países Baixos.

A iniciativa da WTW, ainda não confirmada oficialmente, traduz os esforços necessários para assegurar a aprovação das autoridades europeias da Concorrência ao projeto de fusão que, segundo posição de Bruxelas (após análise aprofundada à operação de concentração), criará obstáculos a nível do acesso ao mercado de corretagem de seguros no mercado único europeu.

De acordo com informação acessível no site da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), a atividade da corretora global desenvolve-se em Portugal através de diversas entidades, entre as quais existem, pelo menos, duas LPS autorizadas que dependem juridicamente de sociedades matrizes com sede em Espanha e na Alemanha.

As operações da WTW nos quatro mercados referidos somam receitas de intermediação de aproximadamente 750 milhões de euros.

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Grupo MDS compra corretora brasileira Tovese

  • ECO Seguros
  • 4 Abril 2021

A empresa gaúcha lidera o negócio de proteção da lavoura no estado sul do Brasil. Boa parte da carteira cobre a soja, mas a operação estende-se a vários segmentos do agronegócio.

A portuguesa MDS, através da subsidiária MDS Brasil, acordou a aquisição da Tovese, uma corretora pioneira na comercialização de apólices de seguro para áreas agrícolas de grãos no Rio Grande do Sul.

Com mais de 14 anos de atividade, a Tovese prevê alcançar 120 milhões de reais (cerca de 17,9 milhões de euros) em volume de prémios em 2021, somando a operação nos seguros pessoais e empresarial para pequenas, médias e grandes empresas. Sediada em Porto Alegre e com filiais em Carazinho e Cruz Alta, a Tovese suporta-se ainda numa “estrutura completa de agentes especializados em todos os estados do Brasil” e, atualmente, desenvolve estratégia de expansão focada nos negócios rurais.

“A compra da Tovese reforça a nossa presença no Brasil, fortalecendo ainda mais a oferta de serviços. Por meio desta nova aquisição, ganhamos relevância no mercado de seguros para o agronegócio, trazendo o pioneirismo, a credibilidade e a experiência acumulada ao longo de mais de 14 anos pela equipe da Tovese”, afirma Ariel Couto, CEO da MDS Brasil e Americas Regional Manager da Brokerslink, rede global de corretagem de que a MDS é fundadora.

A transação concretizada pelo MDS Group (corretagem de seguros, resseguro, gestão de benefícios e consultoria de riscos) acompanha a evolução positiva no setor agro brasileiro, nomeadamente através dos investimentos por parte do Governo Federal e também por via de subsídios de parte do prémio ao produtor, os quais somaram 800 milhões de reais (cerca de 119,2 milhões de euros) em 2020, explicou a subsidiária do grupo português liderado por José Manuel Dias da Fonseca (CEO).

Apontando objetivo de expandir para outras regiões do Brasil, Thiago Tristão, vice-presidente de Riscos Corporativos da MDS Brasil e CEO Brasil da MDS Reinsurance Solutions, explicou: “Como fazemos sempre em processos de aquisição, somaremos o melhor dos dois mundos em termos de pessoas, processos e serviços, e vamos proporcionar uma experiência cada vez mais completa aos nossos clientes.”

O ranking das seguradoras que atuam neste mercado aponta Brasilseg como líder, seguida da Mapfre e, na terceira posição, a Essor Seguros.

A carteira de apólices do segmento agro na Tovese já soma “mais de 6.300 documentos que cobrem riscos em lavouras de soja, o seu principal mercado que hoje representa quase 50% do total”, além de milho, arroz, trigo, feijão, cevada, canola, aveia entre outras culturas. No seu portefólio dirigido ao agronegócio, a corretora brasileira oferece coberturas para os segmentos Pecuário, Animais, Vida do Produtor, Florestal, Penhor Rural, Máquinas e Equipamentos, Propriedade Rural e Agrícola.

“Até o ano passado nós contemplávamos todo o Estado do Rio Grande do Sul, agora nós teremos força e respaldo da MDS Brasil para atuarmos nas principais regiões agrícolas do País. Utilizaremos toda a nossa expertise, aliada à força do Grupo MDS, para crescer ainda mais a operação e garantir que os nossos clientes contem com a melhor proteção para os seus riscos”, afirmou Otávio Simch, Diretor Executivo da Tovese.

Segundo dados da Confederação Nacional da Agricultura – CNA, o Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio brasileiro deverá crescer 3% em 2021, até 1,8 biliões de reais (cerca de 268,2 mil milhões de euros), movimentando mais de 268 milhões de toneladas, sendo que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) aumentará 4,2%, superando 903 mil milhões de reais (134,5 mil milhões de euros).

O Rio Grande do Sul é um dos cinco estados do Brasil que mais contribui para o VBP, indicador que é calculado com base na produção da safra agrícola e da pecuária aos preços recebidos pelos produtores nas principais praças do país, para os 26 produtos agropecuários com mais peso na economia brasileira.

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Pandemia encolhe venda de queijos DOP e produtores não acreditam em retoma na Páscoa

A pandemia provocou quebras significativas na venda de queijos com denominação de origem protegida (DOP). Os produtores das várias regiões não acreditam na retoma na campanha da Páscoa.

Há um ano que os pastores, produtores de leite, queijarias e distribuidores se mantêm resilientes para não deixar cair por terra a produção dos melhores queijos com denominação de origem protegida (DOP) na região centro do país. Apesar da resiliência, o ano passado, as quebras nas vendas rondaram 20% a 50%, consoante a região.

Os queijos DOP têm origem em três regiões distintas com características muito próprias: Serra da Estrela, Beira Baixa e Rabaçal. Em ano de pandemia, a fileira dos queijos DOP estão a debater-se com uma situação particularmente desafiante, tendo em conta que a cadeia de valor está dependente, em grande parte, da restauração, da hotelaria e do turismo.

De acordo com a presidente da Associação do Cluster Agroindustrial do Centro (Inovcluster), Cláudia Domingues Soares, as três regiões foram impactadas pela pandemia e pelas enormes quebras de comercialização, mas as quebras de produção e comercialização são diferentes de região para região. A presidente do Inovcluster explica que os “queijos DOP Serra da Estrela e Beira Baixa têm conseguido resistir com as últimas campanhas de Natal e, mais recentemente, com feiras digitais de queijos e com a aposta das queijarias nas plataformas de venda online”. Já os queijos DOP do Rabaçal estão “numa situação mais complicada pela escassez de produtores”, adianta.

Estes queijos de denominação de origem protegida são fabricados manualmente com leite local, dependendo da região. Da extração do leite das ovelhas e cabras até chegar à prateleira são necessários mais de 40 dias para todo o processo estar concluído.

Queijos DOP do Rabaçal com quebras de 50%

A Queijaria Serqueijos, localizada na vila do Rabaçal, é a maior produtora de queijos DOP da região. Neste segmento, registou, o ano passado, uma quebra de 50% nas vendas de queijo DOP, quando comparado com o ano de 2019.

A Serqueijos tem outros queijos para além dos DOP certificados. “A nossa queijaria é quase a única que produz com grande expressão o queijo rabaçal DOP. Somos os maiores produtores do queijo Rabaçal DOP, mas o nosso principal produto não é o DOP. Também vendemos o queijo Serras de Penela”, explica ao ECO, Tânia Oliveira, do departamento comercial da Serqueijos.

Dentro dos produtos que vendem, Tânia Oliveira adianta que o “DOP foi o mais afetado com uma quebra de 50%. Tivemos de canalizar o leite dos produtores para outros queijos porque as vendas foram muito reduzidas”, refere. A responsável explica que um queijo DOP é um produto mais caro em comparação com o queijo normal. Mas, “como não existem convívios e festas, os consumidores deixaram de comprar estes queijos com valor acrescentado“, refere. O preço médio de um queijo rabaçal DOP ronda os 15 euros por quilo.

Para Tânia Oliveira esta quebra justifica-se também pela alteração dos hábitos dos consumidores. “Os queijos são guardados no frigorífico e as pessoas com o confinamento aproveitaram o espaço para outros alimentos como bens essenciais, entre eles frutas e legumes. As pessoas evitam ir ao supermercado com tanta frequência e não vão fazer stock de queijos. Acabaram por substituir os queijos por outros produtos lácteos como o leite UHT que não é necessário armazenar no frigorífico. Os consumidores ganharam novos hábitos”, destaca.

A nível geral, apesar da quebra de 50% nos queijos DOP, a Queijaria Serqueijos cresceu 10% em ano de pandemia. A empresa que conta com 35 anos de história e emprega 36 pessoas, vende queijos DOP para a grande distribuição, nomeadamente o Pingo Doce, Continente, Lidl e El Corte Inglês. Para Tânia Oliveira, a grande distribuição está, neste momento, muito focada nas origens e “todos querem trabalhar este nicho de mercados que são os queijos DOP de Portugal. Também essas grandes cadeias não querem deixar morrer estes produtos”, frisa.

O Queijo com DOP do Rabaçal tem características muito próprias determinadas pela flora da região do Sicó. É um queijo artesanal curado, de pasta semidura a dura, apresenta um tom branco–mate. A sua crosta pode ser branca a amarelo-palha lisa, seca, deve ser ligeiramente untosa e sem revestimento. É obtido após a coagulação da mistura de leites de ovelha e cabra. O sabor distintivo deste queijo deve-se à planta “Santa Maria”. Trata-se de um tomilho espontâneo, com expressão no território, que serve de alimento às ovelhas e cabras que fornecem o leite para a produção deste queijo.

Em relação à retoma na campanha da Páscoa, a Serqueijos não está com grandes expectativas. “Vai ser igual à do ano passado. As pessoas não se podem movimentar é quase como se a pascoa não existisse”, afirma Tânia Oliveira, acrescentando que deposita a sua esperança na abertura dos mercados após a vacinação.

A grande distribuição está, neste momento, muito focada nas origens e todos querem trabalhar este nicho de mercados dos queijos DOP de Portugal. Essas grandes cadeias não querem deixar morrer estes produtos.

Tânia Oliveira

Departamento comercial da Serqueijos

“Após este período lento de confinamento, as pessoas vão querer voltar a conviver e obviamente isso vai trazer uma retoma muito rápida deste tipo de produtos alimentares. As pessoas têm saudades de todas estas experiências”, destaca Tânia Oliveira.

Para amenizar o impacto nas vendas, a Queijaria Serqueijos marcou presença na feira online de queijos da Dott. Apesar de a experiência ter sigo “agradável”, Tânia Oliveira confessa que nunca conseguem o retorno de um ano “normal”.

Na Serra da Estrela, a quebra dos queijos DOP rondou os 20% a 30%

Na Queijaria de São Gião, o queijo Serra da Estrela DOP é produzido na Quinta do Tinte, em Santiago, em Seia. A Queijaria São Gião só produz queijo DOP da Serra da Estrela e requeijão. Em ano de pandemia, as quebras formam bastante significativas. Na Queijaria de São Gião, as quebras nos queijos DOP rondaram entre 20% a 30%. O gerente Pedro Freire destaca que, o ano passado, “o impacto foi bastante significativo” e que devido à crise sanitária “as pessoas colocaram os queijos DOP, que são mais dispendiosos, um pouco de parte. A situação foi bastante difícil no primeiro confinamento, as vendas praticamente pararam e depois retomaram, mas nada de muito significativo”, explica.

De acordo com dados da Estrelacoop, em 2020 foram produzidos menos 14% do Queijo Serra da Estrela DOP, comparativamente com 2019. Do queijo produzido, 6,7% não foi vendido e continua em conservação.

Pedro Freire, que pertence à segunda geração, deixou a consultadoria para se dedicar ao fabrico de queijos na empresa que já está na família há 40 anos. A propriedade da família, em Seia, sempre teve ovelhas a pastar. O leite das mais de 180 ovelhas da raça bordaleira Serra da Estrela que pastam num terreno de 70 hectares é o ingrediente de sucesso de todo o queijo com valorização DOP da Serra da Estrela. “Admissão de origem é que garante a genuinidade do produto”, garante Pedro Freire.

Rebanho da Serra da Estrela

Os queijos DOP são para um segmento mais premium. “É um produto caro porque é de elevada qualidade e com elevados custos de mão-de-obra e de uma matéria-prima muito mais valorizada que as usadas noutros países”. O preço médio do queijo São Gião é 25 euros o quilo. Cerca de 10% da produção desta queijaria, que emprega 11 pessoas, são para exportação, principalmente para a Europa. “Esses mercados pararam”, lamenta Pedro Freire.

O gerente da Queijaria de São Gião explica que os DOP são queijos completamente artesanais. “O único ingrediente deste queijo é o leite tal como sai das tetas das ovelhas. Não tem nenhum tratamento químico, por isso é que se chama queijo de leite cru. Só tem como ingredientes a flor do Cardo e sal que faz o leite coagular. O queijo é tratado ao longo de 30 dias pelas mãos das queijeiras para que mature bem e demora cerca de 30 a 40 dias a chegar à prateleira”, explica.

Com a pandemia, as pessoas colocaram os queijos DOP, que são mais dispendiosos, um pouco de parte.

Pedro Freire

Gerente da Queijaria de São Gião

A Queijaria de São Gião prevê uma retoma no setor “assim que a pandemia começar a abrandar” e que “o turismo seja retomado”. “Temos alguns canais de distribuição onde havia muitos turistas, nomeadamente o El Corte Inglês — onde existia uma grande procura dos estrangeiros. Tudo isso parou”. No entanto, os impactos nas vendas foram mais significativos no primeiro confinamento o ano passado, garante.

Queijo DOP da Queijaria de São Gião

Tal como a Serqueijos, a Queijaria de São Gião marcou presença na feira de queijos da Doot. Para o gerente foi uma “surpresa agradável”, mas “só foi possível” com o apoio logístico da Câmara Municipal de Seia”. Édifícil ter um canalonline direcionado a este produto, porque o queijo tem que ser transportado em frio, explica. “Não conseguimos vendar poucas quantidades de cada vez, tendo em conta que a questão de refrigeração que tem que ser assegurada”, refere.

Na Beira Baixa, os queijos DOP sofreram quebra de 40%

Na Queijaria Sabores da Soalheira, que produz queijos DOP da Beira Baixa, o cenário é semelhante. Em ano de pandemia, as vendas sofreram um tombo de 40%. O administrador Marco Pereira explica que com a crise, “os queijos DOP que são mais caros custaram mais a ser vendidos (…) Com a pandemia, o desemprego e os orçamentos familiares mais apertados, as pessoas optam por comprar queijos mais baratos”, explica. O preço médio por quilo dos queijos DOP da Queijaria Sabores da Soalheira ronda os 15 euros.

“Os meses de confinamento acentuaram a quebra, principalmente em abril e maio. Isto parou quase na totalidade: fecharam mercados, praças, feiras e na distribuição também houve um decréscimo de vendas. Está a ser difícil apanhar o barco”, explica o administrador da Queijaria Sabores da Soalheira.

A empresa produz, para além dos DOP, queijos da região da Beira Baixa e queijos biológicos. Neste caso, as vendas sofreram uma quebra de 15%. E apesar de ter aderido às vendas online, através de uma iniciativa da autarquia de Castelo Branco, o impacto não foi significativo. Marco Pereira antecipa a retoma a partir de setembro, isto se as feiras do queijo se realizarem. Acredita que no Natal, “as vendas vão voltaram ao normal e que 2022 será um ano melhor para os produtores de queijo”.

A Queijaria Sabores da Soalheira, que emprega dez pessoas, compra o leite a cerca de 30 produtores locais, entre eles o Monte da Ordinha. Por ano, em média, esta queijaria compra um milhão de litros de leite para produzir os queijos da região. A empresa familiar tem 12 anos de existência e começou pelas mãos dos pais de Marco Pereira.

O proprietário do Monte da Ordinha, Artur Lopes, tem cerca de 1.500 ovelhas da raça Assaf. O ano passado conseguiu escoar todo o leite, mas a um preço mais baixo. Conta ao ECO que de março a junho do ano passado vendeu cada litro de leite a 0,75 cêntimos, menos 0,25 cêntimos que o habitual. Normalmente, os produtores de queijo DOP da Região da Beira Baixa pagavam o litro de leite a um euro. Mesmo com a redução do preço, o Monte da Ordinha teve uma quebra de 25%.

Agora já houve uma retoma a nível de preço, mas Artur Lopes destaca que as “queijarias continuam com a alguma dificuldade na venda do queijo”, embora as vendas “não estejam tão más como no ano passado”. “O primeiro confinamento foi bastante mais drástico e penoso que este segundo em relação às queijarias de Castelo Branco”, garante.

À semelhança dos produtores da Serra da Estrela e do Rabaçal, o administrador da Queijaria Sabores da Soalheira não está expectante com as vendas da Páscoa. Marco Pereira adianta que antes da pandemia, tinham quatro picos de venda: Natal, Carnaval, Páscoa e o mês de agosto com o regresso dos emigrantes. Confirma que as “vendas no Carnaval foram muito fracas” e prevê que na “Páscoa aconteça o mesmo”.

Com a pandemia, o desemprego e os orçamentos familiares mais apertados, as pessoas optam por comprar queijos mais baratos.

Marco Pereira

Administrador da Queijaria Sabores da Soalheira

A presidente da Associação do Cluster Agroindustrial do Centro (Inovcluster), Cláudia Domingues Soares, está mais otimista do que os produtores. Acredita que a partir da Páscoa existe uma “janela de oportunidade” e que a partir de maio, com a reabertura de alguns dos setores de atividade, como a restauração, hotelaria e turismo, haverá uma “recuperação faseada”. É também necessário que os portugueses voltem a comprar e a valorizar o que é nosso“, acrescenta.

No caso do Queijo Beira Baixa DOP, a Associação de Produtores de Queijo do distrito de Castelo Branco (APQDCB) adianta que houve um decréscimo de vendas em 2020 na ordem de menos 14,2% face a 2019. No ano passado foram vendidos 131.460 quilos, ao passo que em 2019 foram comercializados 153.209 quilos. “Porém, é de esperar que esta retração tenha tendência a esbater-se à medida que os setores da restauração e da hotelaria comecem a retomar a atividade”, destaca a presidente da Inovcluster, com sede em Castelo Branco.

Autarquia albicastrense, juntou-se ao Dott, para organizar a Feira do Queijo de Alcains, em formato digital. A feira decorre de 27 de março a 9 de abril. Para o presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, apostar neste tipo de iniciativas online é fundamental para encurtar distâncias com o consumidor e potenciar os negócios dos nossos produtores e comerciantes da região”.

Tendo em conta que o queijo assume particular importância no concelho, a autarquia pretende contribuir para o escoamento deste produto, apoiando os produtores e comerciantes locais para fazer frente às dificuldades económicas provocadas pela crise que enfrentamos.

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Porto está entre os dez melhores destinos do mundo para mulheres que viajam sozinhas

A Condé Nast Traveller divulgou recentemente o top das dez cidades mais seguras do mundo para mulheres que viajam sozinhas. O Porto ocupa a segunda posição e é a única cidade portuguesa na lista.

A cidade do Porto ocupa a segunda posição dos dez melhores destinos do mundo para mulheres que viajam sozinhas, de acordo com a Condé Nast Traveller. A Invicta é a única cidade portuguesa representada neste ranking.

A publicação de viagens diz “os encantos do Porto são abundantemente claros” e enumera “o dramático Rio Douro, as sedutoras pousadas portuenses e as ruas estreitas do centro histórico”, mas destaca que é “o carisma dos locais que realmente seduz os visitantes individuais” e que faz com que o “Porto se destaque de outras cidades mediterrâneas”.

De acordo a Condé Nast Traveller, as mulheres que viajam sozinhas vão “sentir-se rapidamente bem-vindas em qualquer esplanada, pousada ou mercado de comida ao ar livre na cidade portuense”.

No pódio da lista está Ibiza, em Espanha, seguido do Porto e de Luang Prabang, em Laos. O quarto lugar pertence à cidade de Osaka, no Japão e o quinto a Palm Springs, na Califórnia.

Conheça a lista dos dez destinos selecionados pela Condé Nast Traveller

 

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