Operação fechada. TAP paga 5,75% para emitir 375 milhões em dívida

A colocação de novas obrigações da companhia aérea ficou fechada esta sexta-feira. Juro foi mais baixo que o esperado e a empresa reviu em alta o montante total da operação.

A TAP pagou 5,75% para emitir 375 milhões de euros em obrigações, apurou o ECO junto de fontes do mercado. A operação de colocação de novos títulos a cinco anos junto de investidores institucionais ficou fechada esta sexta-feira e a companhia aérea pretende usar o encaixe financeiro para refinanciar dívida.

Inicialmente, o juro indicativo era superior — de 5,875%, segundo dados da Bloomberg citados pelo Jornal de Negócios –, mas acabou por descer com a forte procura. O cupão fixou-se em 5,625%, segundo informações depois confirmadas pela empresa em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Foi também o interesse dos investidores que levou a empresa a rever em alta o montante da emissão, que estava previsto para 300 milhões de euros.

Este juro representa um prémio de 5 pontos percentuais face à dívida pública portuguesa a cinco anos, cujas obrigações registam esta sexta-feira uma yield de -0,075%. O diferencial é explicado pela elevada dívida da TAP e pelo rating atribuído à operação.

A companhia aérea portuguesa contratou duas agências de notação financeira para a avaliarem. A Standard & Poor’s classificou a emissão de dívida da TAP em “BB-“, enquanto a Moody’s atribuiu a categoria de “B2”. Estas notações correspondem a categorias de investimento especulativo, ou seja “lixo”. Situam-se, respetivamente, a três níveis e a cinco níveis abaixo das notações de qualidade.

Por outro lado, a TAP pagou mais nesta emissão dedicada a investidores institucionais do que o juro de 4,375% que pagou ao retalho em meados de junho, quando emitiu 200 milhões de euros em dívida com maturidade de quatro anos. Ou seja, mais curta.

A empresa liderada por Antonoaldo Neves tinha anunciado no prospeto inicial que a operação tem como principal meta a “antecipação do reembolso de determinados empréstimos no âmbito do passivo existente da TAP e extensão do respetivo prazo médio de maturidade”.

A companhia aérea quer diminuir a dependência da banca, a quem deve 651,8 milhões de euros, dos quais 176,3 milhões atingem a maturidade em menos de um ano. Por um lado, os investidores têm menos exigências (nomeadamente no que diz respeito às garantias do Estado) e, por outro, permite alongar a maturidade média da dívida. A emissão de títulos a cinco anos irá ter impacto no prazo médio da dívida, que situa atualmente em quatro anos (contra menos de 24 meses no momento da privatização em 2015).

O Morgan Stanley, o Citi e o JPMorgan foram os bancos responsáveis pela operação.

(Notícia atualizada às 17h)

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