Partidos querem alargar crédito bonificado à habitação às famílias das pessoas com deficiência

  • Lusa
  • 24 Setembro 2025

PSD garante que a proposta está alinhada com o programa do Governo, mas alerta para o impacto na despesa pública. Os vários projetos vão ser votados esta sexta-feira em plenário.

A maioria dos partidos com assento parlamentar concordou esta quarta-feira que o regime de crédito bonificado à habitação seja alargado às famílias das pessoas com deficiência, tendo o PSD alertado para o eventual impacto orçamental da medida.

O parlamento discutiu esta quarta-feira quatro projetos de lei, do Partido Socialista (PS), Livre e do partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e Bloco de Esquerda, que em comum defendiam que o regime de bonificação no crédito bancário para a compra de casa não se restringisse às pessoas com deficiência e fosse alargado às suas famílias e agregados.

Foi também discutido um projeto de resolução do CDS-PP para que o Governo inclua no mapeamento e na distribuição de habitação um critério que facilite o acesso à habitação às famílias com membros do agregado familiar com mobilidade reduzida.

Pelo PS, a deputada Marina Gonçalves defendeu que o montante máximo dos empréstimos passe para 450 mil euros e um regime de redução faseada do apoio na bonificação nos casos em que o grau de incapacidade da pessoa com deficiência seja reavaliado e reduzido e possam, por isso, perder o regime.

O deputado do Livre Jorge Pinto lembrou que a proposta do partido já poderia ter sido aprovada na legislatura anterior e defendeu tratar-se de uma “medida de elementar justiça”.

O projeto de lei do Livre alarga o regime de concessão de crédito bonificado à habitação aos membros do agregado familiar que coabitam com a pessoa com deficiência e apontou que o está em causa é alterar “um regime que existe há 10 anos, mas que deixa de fora os familiares das pessoas com deficiência”.

A deputada social-democrata Ana Oliveira saudou o Livre pela apresentação da proposta, tendo em conta que “está alinhada com o programa do Governo”, mas defendeu que seria importante esclarecer o impacto da despesa pública, apontando que o atual regime teve uma despesa em 2024 de 15,7 milhões de euros e “o aumento apresentado pode duplicar os encargos anuais do Estado”.

Já a deputada do Bloco de Esquerda Andreia Galvão destacou que a proposta do partido salvaguarda que a incapacidade da pessoa seja atestada apenas no momento de acesso ao crédito, sem posteriores reavaliações, que o acesso ao crédito seja garantido aos membros do agregado quando for para compra de habitação permanente, e que os bancos deixem de exigir seguro de vida como condição para acesso ao crédito.

O partido concorda com o PS que o valor máximo do crédito passe para 450 mil euros e concedido a 100%.

O deputado único do partido Juntos Pelo Povo (JPP), Filipe Sousa, afirmou que irá acompanhar todas as iniciativas, tendo em conta que “se traduzam no fortalecimento dos direitos e na promoção da dignidade humana”.

Posição semelhante tem o Partido Comunista, tendo o deputado Alfredo Maia afirmado que o partido “não desperdiça nenhuma oportunidade que conduza a melhorias legislativas”.

A deputada única do PAN defendeu que “não é justo nem aceitável que os pais ou cuidadores informais principais de uma pessoa com deficiência não possam aderir a este regime quando querem dar uma casa adequada aos seus filhos”.

O deputado Eduardo Teixeira, do Chega, destacou que as propostas em debate incluem “matéria com relevância fiscal e importância na justiça social”, mas classificou as medidas como “tímidas” e “paliativas”.

Pela Iniciativa Liberal, a deputada Angélique Da Teresa defendeu que o regime especial de crédito bonificado deve continuar a ter regras “para proteger quem dele necessita” e apontou que este regime “não pode ser usado de forma cega”.

Na opinião dos liberais, as alterações propostas podem criar “injustiças entre quem tem uma incapacidade igual ou superior a 60%, comparativamente a outras pessoas que venham eventualmente a recuperar e que deixem de ter essa limitação”.

Os vários projetos vão ser votados na sexta-feira, em plenário, devendo descer à Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública para discussão na especialidade.

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Já são conhecidos os vencedores regionais dos prémios Best Of Wine Tourism 2026

Entre os vencedores do Best Of Wine Tourism 2026 estão a Quinta do Ameal, a Ventozelo Hotel & Quinta e a Quanta Terra. Veja a lista completa.

Quinta de Ventozelo

A Quinta do Ameal, do grupo Esporão (em Ponte de Lima), venceu a categoria “alojamento” e a Ventozelo Hotel & Quinta (São João da Pesqueira) do grupo Granvinhos – antiga Gran Cruz Porto distinguiu-se pelas “práticas sustentáveis em enoturismo” nos prémios Best Of Wine Tourism 2026 da região do Porto, Douro e Vinhos Verdes. Já Quanta Terra (Alijó) voltou a ganhar na categoria arte e cultura pelo terceiro ano consecutivo.

Os vencedores foram anunciados esta quarta-feira, no Forte de São João Batista, no Porto, numa iniciativa da autarquia da Invicta, no âmbito da rede internacional Great Wine Capitals que distingue anualmente os melhores projetos de enoturismo nas mais diversas categorias.

Um concurso com um júri internacional vai ainda eleger, de 2 a 6 de novembro, um vencedor global entre os galardoados de cada cidade e região.

Conheça aqui os premiados:

  • Alojamento – Quinta do Ameal
  • Arquitetura e Paisagem – Casa do Santo Wine & Tourism
  • Arte & Cultura – Quanta Terra Douro
  • Experiências Gastronómicas – Pedro Lemos
  • Experiências Inovadoras em Enoturismo – Vesúvio & Bomfim Experience
  • Práticas Sustentáveis em Enoturismo – Ventozelo Hotel & Quinta
  • Serviços de Enoturismo – Quinta da Torre, Anselmo Mendes
Quanta Terra vence na categoria arte e cultura pelo terceiro ano consecutivo13 setembro, 2024

Fundada em 1999, a Great Wine Capitals contempla 11 cidades/regiões membro que incluem, além do Porto (Portugal), Adelaide (Austrália), Bilbão-Rioja (Espanha), Bordeaux (França), Hawke’s Bay (Nova Zelândia), Lausanne (Suíça), Mainz-Rheinhessen (Alemanha), Mendoza (Argentina), São Francisco-Napa Valley (EUA), Valparaiso-Casablanca Valley (Chile) e Verona (Itália).

A Great Wine Capitals consiste numa aliança internacional de cidades reconhecidas pelas suas regiões vinícolas que colaboram para promover o enoturismo e o crescimento económico da indústria e das suas regiões.

Quinta do Ameal (Ponte de Lima) leva para casa galardão “alojamento”

 

Foram ainda atribuídas sete menções honrosas:

  • Alojamento – Quinta da Vacaria | Quinta de São Luiz
  • Arquitetura e Paisagem – Adega HO
  • Arte & Cultura – Quinta da Aveleda
  • Experiências Gastronómicas – Quinta do Crasto
  • Experiências Inovadoras em Enoturismo – Quinta da Casa Amarela | Marma Slow
  • Práticas Sustentáveis em Enoturismo – Quinta do Seixo
  • Serviços de Enoturismo – Quinta de Santa Cristina

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CEO da Casais pede medidas para acelerar preparação dos terrenos para construção

António Carlos Rodrigues elogia a nova linha de crédito assinada com o BEI que “desbloqueia” capital necessário para o mercado, mas apela a atenção aos solos no plano para habitação.

O CEO do grupo Casais considera que o pacote de medidas do Governo para combater a crise da habitação deve incluir normas para agilizar a preparação dos terrenos para construção. António Carlos Rodrigues defende que existe solo disponível no mercado, mas o processo de instalação de infraestruturas leva a perdas de oportunidade de negócio.

“Temos de reconhecer que, para fazer qualquer coisa em cima de um solo, é preciso ter infraestruturas (água, eletricidade, gás, via, saneamento). Por isso, são imensas as entidades com que um privado tem de lidar para fazer o loteamento. A incerteza é tão grande na componente de infraestruturação do solo, para depois arrancar para a construção, que já perdemos a janela de oportunidade no mercado”, explica o CEO da Casais ao ECO.

António Carlos Rodrigues pede medidas “para acelerar o processo de colocar — em especial nos municípios, mas também no património do Estado — solo já infraestruturado”. “Os municípios têm de fazer algo para desenvolver e colocar no mercado solo e infraestrutura prontos para o promotor, seja privado ou público, poder arrancar de uma forma mais assertiva com qualquer edifício de construção”, reforça, em declarações à margem da conferência do ciclo Connect to Build, que se realizou esta quarta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Questionado sobre o plano para o património do Estado, que prevê vendas em hasta pública e parcerias público-privadas, o CEO da Casais lembra que é uma tentativa do passado que acaba por falhar, pelo que agora é necessário passar mesmo “do anúncio à prática”.

“Essa vontade já foi manifestada noutras vezes e depois não se conseguiu pôr em prática no terreno, porque existem muitas entidades e cada uma tem os seus graus de autonomia. Muitas vezes, a decisão é política, mas falta instrumentalizá-la e passá-la depois para cada um dos organismos que têm, de facto, essa propriedade”, recorda o engenheiro.

Quanto à linha de crédito, no valor de 1.340 milhões de euros, assinada com o Banco Europeu de Investimento (BEI), António Carlos Rodrigues classifica-a como “importante” e desbloqueadora de capital necessário. No caso das autarquias, vai permitir concretizarem as respostas habitacionais num prazo mais alargado, até 2030, sendo que a meta definida no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) era junho de 2026.

“Fazer habitação é um ativo para muitos anos. Se temos de fazer agora para responder a uma necessidade de hoje, temos de injetar mais capital no mercado, sabendo que vão ser compromissos a 20 ou 30 anos. Não podemos fazer de acordo com as disponibilidades dos municípios nem das rendas que vão ser pagas ao longo de 30 anos, por isso este financiamento acaba por desbloquear e permitir que se acelere a execução”, afirma o CEO da Casais.

Governo lança mais três instrumentos até ao fim do ano

O tema foi também abordado nesta sessão pelo CEO do Banco Português de Fomento, que destacou que este empréstimo e as garantias de 2.500 milhões de euros foram dois dos cinco instrumentos de habitação que serão lançados até ao final do ano. “Queremos que os bancos comerciais financiem mais habitação privada e pública, inclusive para dar conforto aos gestores e promotores imobiliários”, referiu Gonçalo Regalado.

Queremos que os bancos comerciais financiem mais habitação privada e pública, inclusive para dar conforto aos gestores e promotores imobiliários.

Gonçalo Regalado

CEO do Banco Português de Fomento

Opinião diferente tem Álvaro Santos, fundador e sócio-gerente da consultora Agenda Urbana, para quem a linha de financiamento com o BEI para habitação acessível “é uma gota de água num oceano de necessidades”. Ainda assim, o empresário e especialista em reabilitação do património defende que as “medidas anunciadas no Conselho de Ministros servem para colmatar falhas e acelerar pagamentos do PRR”. Ou seja, Portugal tem “capital, capacidade construtiva, inovação e empreendedorismo” e precisa apenas de uma “máquina pública ágil”.

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Governo reconhece “insuficiências nos reembolsos de IVA” às empresas

Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais avança que estão a ser trabalhadas propostas legislativas para tornar a devolução do imposto mais eficiente e os critérios de inspeção mais exigentes.

O Governo reconhece “insuficiências nos reembolsos de IVA” às empresas e, por isso, está já a trabalhar em propostas legislativas para tornar a devolução do imposto mais eficiente e os critérios de inspeção mais exigentes, revelou esta quarta-feira a secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, durante uma audição na comissão de orçamento, finanças e administração pública (COFAP), no Parlamento sobre o relatório do combate à fraude e evasão fiscais e aduaneiras de 2024.

“A Inspeção-geral de Finanças (IGF) detetou insuficiências nos reembolsos de IVA. É uma área que nos preocupa e temos dado bastante atenção e estamos a trabalhar em algumas propostas de alteração de procedimentos e é preciso também trabalhar nalgumas propostas legislativas que possam tornar os reembolsos mais eficientes como permitam que sejam mais criteriosos as matrizes de risco para efeitos de seleção e inspeção“, adiantou a governante, em resposta a uma questão colocada pelo deputado do Chega, Eduardo Teixeira.

Cláudia Reis Duarte, secretária de Estado dos Assuntos FiscaisJOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

A proposta de alteração legislativa já tinha sido recomendada pela IGF, tal como o ECO noticiou. Entre as principais conclusões de uma auditoria realizada no ano passado, que foram publicadas no relatório sobre combate à fraude e evasão fiscais e aduaneiras de 2024, a Inspeção-Geral de Finanças considera que se deve apertar o cerco aos reembolsos do IVA e alargar prazos para a devolução do imposto e pagamento dos respetivos juros indemnizatórios, de forma a dar mais tempo ao Fisco para analisar eventuais riscos de fraude.

O “relatório da auditoria ao sistema de reembolsos do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) […] evidenciou insuficiências no controlo tributário desenvolvido pela Autoridade Tributária”, lê-se no capítulo do relatório sobre o trabalho inspetivo da IGF. Nesse sentido, foram formuladas “diversas recomendações” relativas “à análise das situações de potencial risco identificadas na auditoria, de elevada materialidade e que não foram objeto de ação inspetiva“, de acordo com o mesmo documento.

A IGF considera que “os reembolsos de IVA de elevado valor deveriam ter sido inspecionados e não o foram por falta de tempo ou de meios”, explica ao ECO o fiscalista Afonso Arnaldo, da Deloitte.

Por isso, e “considerando as dificuldades resultantes do curto prazo de análise dos reembolsos, agravado pela falta de compatibilização das disposições que regulam a concessão dos reembolsos às realidades que decorrem da Lei n.º 7/2021, de 26/02“, a IGF efetuou “uma proposta de alteração legislativa ao decisor político em matéria de suspensão do prazo de concessão dos reembolsos, bem como da contagem dos juros indemnizatórios”, recomenda a entidade liderada por António Ferreira dos Santos.

A proposta de alteração legislativa já mereceu duras críticas por parte da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) por “significar um verdadeiro retrocesso” e vai inclusivamente contra a agenda de simplificação fiscal, anunciada pelo Executivo de Luís Montenegro.

O alargamento do prazo é atrasar os pagamentos dos reembolsos e dificultar as garantias dos contribuintes.

Paula Franco

Bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados

“Isto é um verdadeiro passo atrás. A IGF quer aumentar o prazo para reembolsos do IVA, o que poderá gerar dificuldades de tesouraria nas empresas”, aponta Afonso Arnaldo. A bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados endurece os reparos, classificando a proposta como um “verdadeiro retrocesso, inclusivamente tendo em conta a agenda de simplificação fiscal protagonizada pelo Governo”. “O alargamento do prazo é atrasar os pagamentos dos reembolsos e dificultar as garantias dos contribuintes, atira Paula Franco em declarações ao ECO.

Neste momento, “o reembolso de IVA solicitado por um contribuinte deve ser efetuado pela Autoridade Tributária até ao fim do segundo mês seguinte ao da apresentação do pedido de reembolso ou até aos 30 dias posteriores ao da realização do pedido, no caso de o sujeito passivo estar enquadrado no regime especial de reembolso mensal, sendo a inscrição efetuada a pedido do sujeito passivo”, esclarece Afonso Arnaldo. “Findo este prazo”, aponta o fiscalista, “os sujeitos passivos podem solicitar a liquidação de juros indemnizatórios”.

“Adicionalmente, e quando a quantia a devolver ultrapassar os 30 mil euros, o Fisco pode exigir caução, fiança bancária ou outra garantia adequada, que determina a suspensão do prazo de contagem dos juros indemnizatórios até à prestação da mesma, a qual deve ser mantida pelo prazo máximo de seis meses”, acrescenta o especialista em impostos indiretos. “Naturalmente, a AT pode solicitar informações ou documentos adicionais relativos às operações que determinam o pedido de reembolso”, alerta ainda.

A IGF propõe assim alargar os prazos de dois meses e de um, no caso do regime especial, para a restituição do imposto pago a mais pelos contribuintes e recomenda suspender o período para aplicação dos juros indemnizatórios, enquanto estiver a decorrer uma ação inspetiva a reembolsos “de elevada materialidade”, ou seja, de montante avultado, e que exija mais tempo e recursos por parte do Fisco. A secretária de Estado dos Assuntos Fiscais reconhece agora estas insuficiências e assume a necessidade de avançar com propostas de alteração legislativas.

De acordo com o relatório sobre o combate à fraude e evasão fiscais e aduaneiras de 202., a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) realizou no ano passado 37.427 ações de inspeção tributária e 6.636 na área aduaneira, num total de 44.063, que resultaram em correções de 1.314 milhões de euros, um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Em 2023, tinha realizado 42.172 ações.

(Notícia atualizada às 20h32)

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Javier Milei critica “governo de burocratas” da ONU que criou “camadas de agências e programas”

  • Lusa
  • 24 Setembro 2025

Na Assembleia-Geral da ONU, o presidente da Argentina elogiou ainda o homólogo americano Donald Trump e as medidas que tem anunciado em matéria de migrações ou taxas alfandegárias.

O Presidente da Argentina, Javier Milei, disse esta quarta-feira que as Nações Unidas são um “governo supranacional de burocratas internacionais” incapaz de promover a paz e a cooperação entre países, e elogiou o homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump.

O modelo de êxito das Nações Unidas que falava na necessidade de paz sem vitória e que tinha como base a cooperação dos Estados-nação viu-se substituído por um modelo de governo supranacional de burocratas internacionais”, disse Milei, que discursava no debate geral da 80.ª sessão da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a decorrer em Nova Iorque.

O Presidente da Argentina considerou que a ONU tenta “impor aos cidadãos do mundo um modo de vida determinado” e deixou de ser “uma organização que pretendia mediar a paz entre pares para a ser uma organização que pretende decidir não apenas o que deve fazer cada Estado ou nação, mas também cada um dos indivíduos nas diferentes latitudes do planeta”.

Para Milei, a ONU criou ao longo de décadas “camadas sobre camadas de organismos, agências e programas até alcançar uma hipertrofia de administrações que são pouco eficazes para resolver os problemas para os quais foram criadas”.

“Esta contradição entre grandes objetivos e resultados magros gerou uma erosão do prestígio desta casa”, disse Javier Milei, que defendeu que a ONU reserve a sua intervenção para questões que excedam as capacidades de ação dos Estados membros, propôs auditorias para “fechar programas ineficazes e consolidar o financiamento de resultados” e pediu que as regras das Nações Unidas sejam simplificadas para não serem um obstáculo ao crescimento económico.

Em contraposição ao que considera ser a ineficácia da ONU, Milei elogiou o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as medidas que tem anunciado em matéria de migrações ou taxas alfandegárias, considerando que está a levar a cabo “uma tarefa de magnitudes titânicas” e a salvar o país que lidera de “uma catástrofe”.

“O Presidente Trump, nos Estados Unidos, também entende que é o momento de reverter uma dinâmica que estava a levar os Estados Unidos a uma catástrofe, e sabemos que uma catástrofe nos Estados Unidos é uma catástrofe global”, disse o chefe de Estado da Argentina.

Trump está “a tomar as decisões difíceis que este momento histórico exige”, disse Milei, acrescentando que ele próprio está a fazer o mesmo na Argentina. “A sua firme e bem-sucedida política para pôr um travão à imigração ilegal deixa isso bem claro. Entende que deve fazer o que é preciso, apesar de não gostar a muita gente, antes que seja demasiado tarde”, disse Milei.

Quanto às taxas alfandegárias anunciadas e adotadas pelos Estados Unidos, Milei disse ser “uma reestruturação sem precedentes dos termos do comércio internacional”, “uma tarefa de magnitudes titânicas” que afeta “o coração do sistema económico global, que estava a destruir o coração industrial do seu país e a afundá-lo numa crise de dívida sem precedentes”.

Javier Milei saudou ainda a “limpeza de captura institucional do Estado americano” que está a fazer Donald Trump, face à “infiltração de fações de esquerda que atentavam contra qualquer programa de reforma por mais necessária que fosse”.

O Presidente da Argentina considerou que há “uma escalada inadmissível de violência política por parte da esquerda a nível global”. “Este tipo de desafios que tanto eu como o Presidente Trump estamos a abordar têm um denominador comum que todos os países do mundo e até as organizações supranacionais devem enfrentar. Devem encontrar a forma de recuperar um interesse pelo futuro e não sucumbir à tentação de só atender ao presente”, afirmou.

O elogio de Milei a Trump surge pouco depois de o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ter anunciado hoje que os Estados Unidos estão disponíveis para recomprar títulos da dívida argentina e facilitar o acesso ao dólar para apoiar a economia do país sul-americano, enfraquecida por turbulências financeiras nas últimas semanas.

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Portugal “nunca aceitará anexação da Crimeia”, avisa Marcelo em discurso na ONU

  • Lusa e ECO
  • 24 Setembro 2025

"Apoiaremos, sempre, e estaremos ao lado da Ucrânia e do povo ucraniano. Nunca aceitaremos a anexação da Crimeia", disse o Presidente da República em Nova Iorque.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou esta quarta-feira na ONU, em Nova Iorque, que Portugal nunca aceitará a anexação da Crimeia pela Rússia e estará sempre ao lado da Ucrânia.

Numa intervenção na 5.ª Cimeira da Plataforma Internacional da Crimeia, organizada pela Ucrânia, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), Marcelo Rebelo de Sousa apelou à libertação imediata dos civis detidos ilegalmente e crianças raptadas pela Rússia.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, discursou no início desta cimeira, intitulada “Reconhecendo o Papel da Assembleia Geral da ONU na Promoção do Respeito pela Carta da ONU no Contexto da Crimeia”.

O chefe de Estado português, que discursou em inglês, condenou “a ocupação ilegal da Crimeia em 2014” que enquadrou como “o início de uma campanha mais ampla da Rússia de agressão e desrespeito pelo direito internacional, pela Carta da ONU e pelas resoluções da ONU”.

“Apoiaremos, sempre, e estaremos ao lado da Ucrânia e do povo ucraniano. Nunca aceitaremos a anexação da Crimeia. Apoiaremos a Declaração de Nova Iorque. E fá-lo-emos enquanto a Rússia persistir na ocupação ilegal do território ucraniano e na sua violação sistemática do direito internacional. A Crimeia é Ucrânia”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Em 2014, a Assembleia Geral da ONU aprovou, com o voto a favor de 100 países, entre os quais Portugal, uma resolução apelando ao não reconhecimento da anexação da Crimeia pela Rússia, considerando inválido o referendo organizado pelas autoridades pró-russas.

Moldávia acusa Rússia de tentar “tomar o poder em Chisinau”

Também esta quinta-feira, o primeiro-ministro da Moldova, Dorin Recean, acusou a Rússia de tentar “tomar o poder em Chisinau” através de alegadas ações de desestabilização e corrupção eleitoral, a poucos dias das eleições parlamentares marcadas para domingo.

“O objetivo da Rússia é tomar o poder em Chisinau, violando a vontade soberana dos moldavos”, afirmou Recean, numa conferência de imprensa citada pelo jornal moldavo Jurnal. O chefe do Governo da Moldova garantiu que as autoridades vão “fazer tudo o que for possível” para travar o que classificou de “plano de ocupação russo”.

Segundo Recean, as pressões de Moscovo “aumentam de forma evidente” e incluem “ações subversivas” que se intensificaram nas últimas semanas. Na segunda-feira, a polícia moldava deteve mais de 70 pessoas no âmbito de uma investigação sobre o envolvimento da Rússia em possíveis distúrbios e protestos violentos ligados ao processo eleitoral.

“O Kremlin tem cúmplices na Moldova”, acusou, na mesma linha de pensamento, a Presidente, Maia Sandu, que alertou para “consequências imediatas” caso Moscovo consiga alargar a sua influência política no país. “Se a Rússia assumir o controlo da Moldova, as consequências ameaçarão não apenas o nosso país, mas toda a região”, insistiu Sandu.

Na mesma conferência de imprensa, o chefe de Governo apelou ainda à mobilização popular nas urnas, sublinhando que “a batalha final pelo futuro do país está a ser travada”. Recean pediu ainda à oposição pró-russa que se demarque publicamente das acusações de compra de votos e do alegado esquema que foi desmantelado pelas forças de segurança. “Se não o fizerem, estarão a confirmar que são beneficiários diretos da corrupção eleitoral financiada pelo Kremlin”, avisou Recean.

As autoridades moldavas indicaram que o esquema em investigação envolvia pagamentos ilícitos, manipulação de votos e ataques cibernéticos destinados a comprometer o processo eleitoral. O Governo de Chisinau considera que tais práticas visam favorecer partidos próximos do Kremlin (presidência russa).

As eleições de 28 de setembro são consideradas decisivas para o futuro da Moldova, marcada pela divisão entre as forças pró-Moscovo e os partidos que defendem a integração europeia, liderados pelo Partido de Ação e Solidariedade (PAS), da Presidente Maia Sandu.

Contudo, as sondagens sugerem que o PAS poderá perder a maioria parlamentar, abrindo espaço para negociações com formações pró-Rússia, que concorrem em bloco, ou até para uma repetição do escrutínio.

Na intervenção perante a Assembleia-Geral da ONU, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, avisou que a Europa não deve “perder a Moldova para a Rússia”, como já perdeu Bielorrússia e Geórgia.

Com cerca de 2,5 milhões de habitantes, a Moldova situa-se entre a Roménia e a Ucrânia. A região separatista moldava da Transnístria ganhou destaque após o início da guerra na Ucrânia (em fevereiro de 2022) devido aos laços com a Rússia e à sua importante posição geoestratégica.

A Rússia mantém um contingente de 1.500 soldados na Transnístria, cujos separatistas pró-Moscovo controlam o território desde a guerra civil na Moldova, em 1992.

 

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Lisnave tem “todas as valências para ganhar” concurso e “continuar a operar” estaleiros da Mitrena

Concessionária dos estaleiros navais da Mitrena vai a jogo no novo concurso, que duvida que seja lançado em 2027. Viana e Figueira perdem contratos por falta de capacidade e garantias bancárias.

Sendo já quase certo que o Governo não vai aceder aos pedidos da Lisnave, atual concessionária dos estaleiros da Mitrena, em Setúbal, para prolongar o contrato por mais 15 anos, a empresa garante que vai a jogo no novo concurso de concessão a partir de 2027. “Temos todas as valências para ganhar e continuar a operar o estaleiro“, confia Luís Braga, diretor comercial da Lisnave.

“O atual contrato [da Lisnave] termina em 2027. Quando o Governo diz que não vai haver uma prorrogação e que vai haver um concurso — pelas notícias já se lê que será um concurso internacional –, nós vamos estar lá para concorrer e com esperança de ganhar“, realçou o responsável, questionado sobre o fim da concessão dos estaleiros durante um debate dedicado à indústria naval no âmbito da Porto Maritime Weekend, em Matosinhos.

Num tom irónico e fazendo referência a uma notícia do Observador, o diretor comercial da Lisnave aludiu a “uma empresa que era considerado um ativo tóxico e hoje é tão apetecível“. Nos últimos meses houve várias notícias a dar conta de possíveis interessados em concorrer aos estaleiros da Mitrena. Um ativo que desperta grande interesse, num momento em que a construção e reparação naval estão numa fase de crescimento.

A Martifer, que detém a West Sea, responsável pelos estaleiros de Viana do Castelo, mas também o empresário Mário Ferreira, da Douro Azul, já admitiram publicamente o interesse nos estaleiros atualmente explorados pela Lisnave.

Segundo o diretor da Lisnave, as indicações dadas até agora apontam para um concurso internacional, com Luís Braga a pedir que sejam preservados os “interesses nacionais”. “Espero que seja dada importância ao panorama nacional”, defendeu

Sobre as bases do novo concurso, que não acredita que seja lançado em 2027 — “o caderno de encargos não é fácil de elaborar, é algo que vai demorar tempo” –, Luís Braga lembra que “o estaleiro neste momento não permite construção, mas num novo contrato de concessão, a construção faz parte do leque de atividades“, explica. “A Lisnave neste momento não constrói porque não pode”, reforça.

A possibilidade deste estaleiro, que repara entre 80 e 100 navios por ano, passar a construir navios é uma possibilidade que tem sido referida pelos vários interessados na concessão atual da Lisnave.

Depois de um 2023 com valores recorde, a Lisnave fechou o ano passado com um lucro de 6,4 milhões de euros, menos 60% que em 2023, perturbada pelas obras internas. Apesar da quebra, Luís Braga descreve que “2024 foi um bom ano”.

Em termos de estratégia futura, o responsável diz que os estaleiros estão a “apostar fortemente” no mercado de transporte de LNG (Gás Natural Liquefeito), como combustível de transição. Por outro lado, são “especialistas no shuttle tanker [navios que transportam petróleo]. “Em 2023, fomos o estaleiro que mais reparou navios deste tipo no mundo”, realçou.

Viana e Figueira perdem contratos por falta de capacidade e garantias

Com a atividade de construção e reparação naval a fervilhar, a West Sea, empresa da Martifer que gere os estaleiros de Viana, não tem mãos a medir, com novos contratos no exterior e cá dentro. Incluindo um contrato para construir seis navios patrulha para a Marinha portuguesa por 300 milhões.

Sem capacidade para responder a todos os pedidos, Viana já teve de recusar encomendas. “Vieram-nos bater à porta para construir navios cruzeiro para o rio Douro, porque a West Sea não tinha capacidade”, adiantou Bruno Costa, acionista da Atlantic Eagle, empresa que detém estaleiros na Figueira da Foz.

A responder a uma das dificuldades sentidas pelo setor, ao qual são pedidas garantias bancárias demasiado elevadas, o responsável concordou com Renato Afonso, da West Sea, que pediu o apoio do Governo para ser o “amparo” do setor nas garantias bancárias. “Muitas vezes pedem-nos garantias que são as que temos quase para o grupo todo”, relatou.

Podia estar a construir no Mondego navios cruzeiro de 80 metros e esbarrámos nas garantias bancárias. Perdemos um contrato de dezenas de milhões de euros por causa disto.

Bruno Costa

Acionista da Atlantic Eagle (estaleiros da Figueira da Foz)

Para Bruno Costa, a incapacidade de responder a “garantias bancárias brutais” impediu a empresa de apanhar uma oportunidade de ouro. “Neste momento podia estar a construir no Montego navios cruzeiro de 80 metros e esbarrámos nas garantias bancárias. Perdemos um contrato de dezenas de milhões de euros por causa disto”, lamentou.

Apesar das dificuldades, as perspetivas são animadoras. “Sentimos um crescendo da procura da reparação e construção naval, sentimos que vêm anos bons”, adiantou Bruno Costa. “A área da defesa, assim com energias renováveis vão implicar muito trabalho para estaleiros navais”, rematou o dono da Atlantic Eagle.

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Marca Portugal com força e reputação “moderada”

  • + M
  • 24 Setembro 2025

Resultados fazem parte de um estudo sobre a força e reputação de Portugal, elaborado pela consultora OnStrategy, cujo trabalho de campo foi desenvolvido durante o primeiro semestre de 2025.

Numa escala de 100 pontos, a marca Portugal regista uma avaliação moderada (63,0 pontos) junto do público interno, tendo registado um crescimento de +0,4 pontos em relação a 2024. Junto do público externo, a avaliação é também moderada (61,9 pontos), com um crescimento de um ponto percentual em relação a 2024.

Os resultados são do estudo sobre força e reputação de Portugal, elaborado pela consultora OnStrategy, cujo trabalho de campo foi desenvolvido durante o primeiro semestre de 2025, com uma amostra superior a 125 mil pessoas, de 25 países.

“Em linhas gerais, os resultados consolidados de todos os atributos e de todos os stakeholders são em termos globais semelhantes e neste momento já não se verifica a evidência passada que em 2020 apontava para dois países distintos numa perspetiva interna e numa perspetiva externa. A avaliação externa tende a aproximar-se da que se regista internamente, por via de uma tendência de crescimento acelerado do ponto de vista externo como resultado da cada vez maior exposição internacional do país”, analisa a consultora.

 

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Idealista falhou remédios para “acautelar riscos concorrenciais” na compra do portal Kyero, reage AdC

Em reação às acusações da empresa, a autoridade liderada por Nuno da Cunha Rodrigues responde que Idealista "não apresentou compromissos destinados a remediar as preocupações jusconcorrenciais".

A Autoridade da Concorrência (AdC) recusa responsabilidades pelo facto de o Idealista ter deixado cair a compra do Portal 47. O regulador atira a culpa para o marketplace imobiliário, que não apresentou remédios para acautelar os riscos concorrenciais deste negócio.

“A AdC identificou indícios de que a aquisição da Portal47 pela Idealista poderia levantar sérias preocupações concorrenciais, que foram devidamente comunicadas à empresa”, adianta a autoridade liderada por Nuno da Cunha Rodrigues, em resposta enviada ao ECO.

A instituição acrescenta ainda que o “Idealista não apresentou compromissos destinados a remediar as preocupações jusconcorrenciais, tendo optado por desistir do procedimento”.

Entre os receios da AdC estava que a “absorção de um concorrente relevante” no contexto de um “reforço do poder de mercado da Idealista”. “A atuação da AdC decorre exclusivamente da lei e tem como objetivo proteger a concorrência em benefício dos consumidores e das empresas que atuam em mercados abertos e contestáveis”, realça a autoridade.

O conselho de administração do Idealista informou esta quarta-feira que não iria avançar com a aquisição da empresa que detém o portal imobiliário Kyero devido aos atrasos causados pela investigação da AdC, da qual esperava feedback há vários meses.

A decisão da AdC de levar a operação, notificada ad cautelam, a uma segunda fase, apesar da escassa presença do portal Kyero nesse mercado, provocou um atraso material no fecho da operação, o que prejudicou os interesses do idealista, tendo levado a empresa a renunciar a esta aquisição”, explicou o Idealista numa comunicação divulgada no blog oficial.

O negócio remonta a dezembro de 2024, quando o Idealista informou que tinha chegado a um acordo com a sociedade britânica Portal47 Ltd, dona do Kyero, para a aquisição e, cerca de um mês depois, notificou a autoridade liderada por Nuno Cunha Rodrigues dessa operação de concentração.

No início de junho deste ano, a AdC abriu uma investigação aprofundada à compra do Portal47 por parte do Idealista por considerar que havia “sérias dúvidas” sobre se a transação iria criar entraves à concorrência no mercado português. “Suscita sérias dúvidas, à luz dos elementos recolhidos, e em atenção aos critérios definidos no artigo 41.º, quanto à sua compatibilidade com o critério estabelecido no n.º 3 do artigo 41.º do mesmo diploma, no que respeita ao(s) mercado(s) relevantes identificados”, argumentou a entidade.

A Kyero é uma plataforma online de anúncios classificados imobiliários, destinada a particulares que vivam na Alemanha, no Reino Unido e no norte da Europa e pretendam comprar ou arrendar um imóvel em determinados países do sul da Europa, mais precisamente em França, Itália, Portugal e Espanha.

Em Espanha, o Idealista também bateu com o pé contra a Comissão Nacional de Mercado e Concorrência (CNMC). Segundo o jornal Expansión, os compromissos exigidos pela autoridade espanhola “tornaram a transação inviável” após tentativas de negociação, durante vários meses, para tentar encontrar uma “solução razoável” que fosse ao encontro dos pedidos da CNMC.

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Linha da Beira Alta reabre a 28 de setembro e “devolve ligação à fronteira para transporte de mercadorias”

Renovação de linha, que permite uma ligação ferroviária direta entre o norte e o interior do país, estende-se ao longo de 190 quilómetros.

O serviço de transporte ferroviário de passageiros no troço entre as estações da Pampilhosa e de Mangualde, na Linha da Beira Alta, será retomado no próximo domingo, dia 28 de setembro, avança o ministério das Infraestruturas e Habitação. As intervenções realizadas envolveram a requalificação integral da infraestrutura ferroviária em toda a extensão, cerca de 190 quilómetros.

Com a reabertura deste percurso, é assegurada a reposição integral da circulação de comboios em toda a extensão da renovada Linha da Beira, entre Pampilhosa e a fronteira com Espanha, em Vilar Formoso”, detalha a Infraestruturas de Portugal (IP) em comunicado.

À abertura desta ligação, acresce a entrada em funcionamento da nova Concordância da Mealhada, uma ligação com cerca de 3,2 km entre a Linha do Norte e a Linha da Beira Alta, que permite ligar diretamente o norte e o interior do país, beneficiando, para além dos passageiros, o serviço de mercadorias na ligação aos portos de Aveiro e Leixões e as redes ferroviárias de Espanha e da Europa.

“Esta infraestrutura permite uma ligação ferroviária direta entre o norte e o interior do país, com vantagens operacionais para o transporte de passageiros, beneficiando diretamente as populações destas regiões, e de mercadorias, nomeadamente na ligação aos portos de Aveiro e Leixões e às redes ferroviárias de Espanha e da Europa“, reforça a IP.

“Este era um dia muito esperado pelos portugueses. A aposta deste Governo é clara: investir na ferrovia é investir no futuro de Portugal. Pela sua natureza estruturante do território, pela importância para o crescimento económico, para a coesão territorial e social, e pelo papel decisivo na descarbonização da mobilidade — o investimento ferroviário não pode parar”, sublinha o Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz.

Este era um dia muito esperado pelos portugueses. A aposta deste Governo é clara: investir na ferrovia é investir no futuro de Portugal. Pela sua natureza estruturante do território, pela importância para o crescimento económico, para a coesão territorial e social, e pelo papel decisivo na descarbonização da mobilidade — o investimento ferroviário não pode parar.

Miguel Pinto Luz

Ministro das Infraestruturas e Habitação

O Governo reforça ainda que “para além da modernização desta linha ao longo dos seus 190 quilómetros, foram ainda construídas alternativas de atravessamento desniveladas, o que permitiu suprimir todas as passagens de nível, bem como a instalação de modernos sistemas de sinalização eletrónica e telecomunicações e acessos para passageiros com mobilidade condicionada”.

O ministério liderado por Pinto Luz classifica a obra como um “eixo estruturante na ligação entre o interior do território nacional, os principais centros urbanos e a rede ferroviária internacional, com ligação à fronteira com Espanha”.

Uma opinião partilhada pela IP que destaca que “a Linha da Beira Alta reveste-se de grande importância como eixo estruturante na ligação entre o interior do território nacional, os principais centros urbanos e a rede ferroviária internacional”. “O país dispõe agora de uma infraestrutura de transporte de passageiros e mercadorias mais moderna, segura, eficiente e ambientalmente sustentável”, refere a IP em comunicado.

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CGTP marcha a 8 de novembro contra pacote laboral e admite greve geral “num futuro próximo”

  • ECO e Lusa
  • 24 Setembro 2025

Confederação liderada por Tiago Oliveira promete um "processo de luta exigente, urgente e prolongado" contra o anteprojeto do Governo. O próximo protesto acontece em Lisboa com uma marcha nacional.

A CGTP convocou para 8 de novembro uma marcha nacional, a realizar em Lisboa, contra o anteprojeto do Governo de revisão da legislação laboral, admitindo ainda avançar com uma greve geral “num futuro próximo”, anunciou o secretário-geral da central sindical.

O objetivo é dar “uma mensagem clara ao Governo” para que reverta “a sua posição relativamente ao pacote laboral”, afirmou o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional (CGTP), Tiago Oliveira, em conferência de imprensa, em Lisboa.

Esta iniciativa enquadra-se num conjunto de ações que a central sindical vai levar a cabo para intensificar as formas de luta contra o anteprojeto do Governo, após as manifestações realizadas no sábado em Lisboa e no Porto.

“Foi um primeiro passo num processo de luta exigente, urgente e prolongado. Cresce a oposição ao pacote laboral, multiplicam-se as tomadas de posição de estruturas sindicais, de comissões de trabalhadores, de largos milhares de trabalhadores em reuniões e plenários, e esta onda de rejeição vai crescer muito mais”, frisa.

Em comunicado enviado às redações, sublinha que “é preciso dar resposta a esta agressão aos trabalhadores (…) que faz parte de uma política de assalto aos direitos fundamentais e de afronta à Constituição, que atinge quem trabalha e trabalhou, os serviços públicos e as funções sociais do Estado”.

Se o pacote laboral for aprovado, avisa a CGTP, “representaria um enorme retrocesso nos direitos dos trabalhadores”. “Não só não resolve os problemas que já hoje existem na legislação laboral, com normas que agridem os trabalhadores e os seu direitos e que precisam de ser revogadas, como agravam a situação. É uma resposta integral às pretensões do capital que os patrões aplaudem”, lê-se no mesmo documento.

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Caso TAP. Ordem dos Advogados critica constituição de advogado como arguido

  • Lusa
  • 24 Setembro 2025

A Ordem dos Advogados criticou as buscas feitas no escritório de advogados SRS Legal relacionadas com a TAP, defendendo que a constituição de um advogado como arguido para obtenção de prova é ilegal.

A Ordem dos Advogados criticou as buscas feitas na terça-feira no escritório de advogados SRS Legal relacionadas com a TAP, defendendo que a constituição de um advogado como arguido para obtenção de prova é ilegal.

Em comunicado, o bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano, considerou “absolutamente ilegal e uma ofensa à advocacia” que um advogado seja constituído arguido “unicamente com vista a ultrapassar as regras previstas na lei quanto ao segredo profissional e justificar apreensões, sem qualquer base concreta de suspeita do seu envolvimento criminal”.

Na terça-feira, o Ministério Público anunciou que foram feitas buscas na TAP por suspeitas de crimes de administração danosa, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, participação económica em negócio e abuso de poder, num escritório de advogados situado em Lisboa e foram ainda feitas “pesquisas em equipamentos informáticos da Secretaria-Geral do Governo”.

João Massano apontou que o Código do Processo Penal, que estabelece em que moldes são feitas buscas e constituídos arguidos, “proíbe a apreensão de correspondência relativa ao exercício da profissão”, sendo que a exceção vai para a “documentação sobre factos criminosos nos quais o próprio advogado tenha já sido constituído arguido”.

Esta exceção “serviu de justificação formal para a constituição do colega como arguido na operação de ontem [esta terça-feira] ligada à TAP”, lê-se no comunicado.

Também em reação às buscas feitas esta terça-feira, a SRS Legal, sociedade liderada por Pedro Rebelo de Sousa alvo de buscas na terça-feira na operação ‘Cheque In’, justificou a constituição de um arguido nesta investigação como uma formalidade necessária para cópia de correio eletrónico.

“As buscas incidiram sobre correspondência eletrónica relacionada com o objeto do processo suprarreferido e cingiram-se ao período temporal relativo ao ano civil de 2022. Para que esta correspondência seja copiada e levada por parte da equipa de buscas numa sociedade de advogados, é obrigatória a constituição de arguido. Trata-se de uma formalidade habitual neste tipo de diligência, sobretudo quando as mesmas são num escritório de advogados”, refere a nota da SRS Legal, que diz ter prestado às autoridades “todo o apoio”.

O inquérito é dirigido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e em investigação estão “factos relacionados com a atribuição de indemnização aquando da renúncia de uma vogal e membro do Conselho de Administração e Comissão Executiva da TAP”.

Em dezembro de 2022, a TAP esteve envolvida numa polémica devido ao pagamento de uma indemnização de 500 mil euros à então administradora Alexandra Reis pela sua saída antecipada da companhia.

Em 31 de maio de 2023, a gestora assegurou ter devolvido nesse dia à empresa 266.412,76 euros, “o montante líquido global indicado pela TAP”.

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